3 de março de 2015

Rudolph Fentz: O Viajante do Tempo da Time Square

Em 1950 algo muito estranho aconteceu. Um homem surgiu do nada no meu das movimentas ruas da Time Square e foi atropelado e morto. A roupa e objetos que ele possuía revelaram que ele parecia ser de outra época. Investigações revelaram que o homem era Rudolph Fentz, um homem que desapareceu misteriosamente em 1876! Seria ele um viajante do tempo? 

Tem um vídeo meu no final falando sobre o assunto...

Fala Assombrados! Hora de conhecer a lenda e a verdade sobre mais um famoso viajante do tempo muito famoso na internet: Rudolph Fentz. Será mesmo que ele veio do ano 1876 para aparecer no meio da Time Square em 1950 e ser atropelado e morto?

Um Homem Atropelado na Time Square
Nova Iorque, EUA, onze e meia da noite em uma data indeterminada de junho do ano de 1950. Faz calor, todo mundo aproveita o bom tempo para passear pelas ruas ou desfrutar de uma das muitas atrações da cidade dos arranha-céus. Esse típico cartão postal americano se vê subitamente alterado por um fato insólito, algo fora do comum.

Entre a multidão se destaca um personagem estranho, com roupas elegantes mas antiquadas, como que saído de um museu, alterado, distraído, impressionado pelo que estava contemplando. Esse homem nem sequer sente o iminente perigo de caminhar entre os veículos que circulam rápidos pelas ruas próximas da Times Square. O inevitável acontece, o homem desorientado é atropelado e morre na hora.

Até aqui, poderia não ser mais que uma medíocre crônica de um acontecimento, infelizmente, bastante habitual em alguns lugares. O falecido pareceria um louco para alguns ou um bêbado, drogado ou um excêntrico para outros. O caso não passaria daí. Com certeza se perderia nas páginas dos jornais, depois de ter despertado momentaneamente a curiosidade mórbida de alguns leitores, com detalhes escabrosos, geralmente inventados inocentemente pelas testemunhas.

Imagem ilustrativa
Uma das fotos divulgadas como sendo Rudolph Fentz
Roupas e Objetos Estranhos

Pouco depois do trágico acontecimento, chegou a polícia para realizar o seu ritual de costume, inspecionando o cadáver, abrindo ata do caso, avisando aos forenses. Mas foi só examinar o finado para verem coisas que não se encaixavam e que pressagiavam algo mais que uma morte acidental. O até então anônimo personagem, de uns trinta anos de idade, jazia no chão vestindo:

- um longo casaco negro, de pano grosso pouco apropriado para o caloroso verão,
- um colete imaculadamente limpo
- e estranhos sapatos pontiagudos com fivelas de metal.

Se não fosse pelo trágico do assunto, seria motivo de risos porque aquele homem parecia ter saído de uma festa à fantasia... Suas roupas foram tiradas das névoas de um tempo passado.

No necrotério foi descoberto algo perturbador no incomum conteúdo dos bolsos de suas roupas:

- As roupas estranhamente não possuíam etiqueta
- Cédulas de banco muito antigas, mas em perfeito estado,
- Cartões de visita com o nome de Rudolph Fentz
- Uma carta dirigida ao mesmo nome com um endereço de Nova Iorque, datada de 1876.

A Procura de sua Família

Outra imagem que mostra
supostamente Rudolph Fentz
Aquilo começava a tomar um aspecto sinistro, Rudolph Fentz era o falecido? De onde havia saído? Quem era esse personagem? A polícia tentou localizar os seus familiares procurando em todos os seus registros o nome que aparecia nos cartões de visita.

Ninguém com esse nome vivia na cidade, não apareceu nem sinal no endereço indicado pela carta, nem na lista telefônica ou tampouco nos registros dos seguros de saúde. Literalmente podia se dizer que aquele homem não existia, nenhum rastro foi encontrado para saber algo mais dele em Nova Iorque de modo que, sem mais o que fazer, os investigadores pediram ajuda à imigração. O nome soava um tanto germânico, assim que ele poderia ter vindo da Alemanha.

Depois da Segunda Guerra Mundial muitos alemães emigraram ao Novo Mundo, seria Rudolph Fentz um daqueles recém chegados? Depois de revirar muitos arquivos e gastar bastante dinheiro em chamadas telefônicas a consulados e a servidores públicos da Alemanha, Suécia e Áustria, não foi obtido absolutamente nada. Milagrosamente, poucas semanas após o acidente, descobriram o nome de Rudolph Fentz Jr. em uma velha lista telefônica de 1939. Seria essa uma boa pista? Lamentavelmente, ao ir ao endereço marcado na lista, informaram-lhes que ele havia falecido há bastante tempo com mais de setenta anos de idade.

Uma Descoberta que Revirou o Caso de Ponta-Cabeça

O tenaz servidor público Hubert V. Rihn, do Departamento de Pessoas Desaparecidas, localizou à viúva de Rudolph Fentz Jr. A declaração desta terminou por virar o caso de ponta-cabeça. Segundo a viúva, o pai de seu finado marido havia desaparecido sem deixar rastro lá pelo ano de 1876, quando saiu para passear e fumar um cigarro ao anoitecer, como costumava fazer habitualmente.

Nunca mais se soube dele. Rihn revisou os arquivos policiais do ano de 1876 para confirmar essa pista e o que descobriu lhe deixou muito nervoso. Em um velho relatório apareciam os dados do desaparecimento, tal e como a mulher havia relatado, mas havia algo mais. Uma pequena fotografia mostrava a figura do desaparecido, alguém idêntico ao homem atropelado na Times Square.

A partir daqui, a história de Rudolph Fentz se converteu no caso de "viajante no tempo" mais (repetidamente) "documentado", a incrível odisseia de alguém que saltou mais de setenta anos no futuro para aparecer no meio de Nova Iorque e morrer atropelado por um automóvel, uma máquina estranha para alguém do século XIX. Impressionante não é mesmo?

A Investigação de Chris Aubeck

O investigador, ufólogo e autor Chris Aubeck.
Screenshot do site Amazon.
Chris Aubeck, interessado no fantástico caso, se dedicou vários meses a reunir toda a informação disponível sobre o mesmo. Conseguiu encontrar, principalmente na Internet, até dez versões diferentes entre si, mas que conservavam o "esqueleto" fundamental da história. Em papel impresso a busca não foi tão frutífera.

Resultou que fora do território da internet, o caso era quase desconhecido, quando por lógica deveria ser nos Estados Unidos onde mais informação poderia ser localizada.

Com um atropelamento, relatório policial, fotografia do desaparecido de 1876, autópsia e outros mil detalhes, como era possível que o caso fosse quase desconhecido em terras norte-americanas?

Aubeck foi alfinetado pela intuição: possivelmente tudo se tratava de uma montagem. Ele só conseguiu encontrar um artigo impresso em inglês, as demais referências nesse idioma sobre o caso Fentz provinham da Internet. A partir daqui começou a odisseia de Chris para localizar a fonte original, coisa que não foi nada fácil.

A Busca da Fonte Original do Caso Rudolph Fentz

Livro de Joaquín Gómez Burón
De uma fonte francesa, um livro de Jacques Bergier e Georges H. Gallet publicado em 1975, o autor espanhol Joaquín Gómez Burón publicou em 1979 o livro "Los Enigmas Pendientes", onde figura o caso como indiscutivelmente real, com um monte de provas. Embora fossem "provas" que ninguém jamais havia visto.

Pouco a pouco, puxando o fio da meada, Chris Aubeck foi desenredando o emaranhado de informações. Livro após livro, artigo após artigo, onde uns copiavam de outros e nadando contra essa correnteza, tentar chegar à fonte original.

Como bom rumor que era, quanto mais atrás no tempo era pesquisado, mais enrarecia a questão. Em alguns casos, os sobrenomes mudavam, de Fentz a Fenz, de Rihn a Rihm. Isto poderia ser atribuído às traduções.

Mas acontece que para mais desgraça, cada um acrescentava pequenas "pitadas" ao seu gosto, como a hora do aparecimento de Fentz no meio da rua, testemunhas que falavam do atropelamento e que diziam que o homem havia aparecido do nada ou ainda, mais dados sobre o investigador Rihn com seu anseio por pistas esquivas do "viajante do tempo".

The Journal of Borderland Research
Da França à Espanha, daí para à Itália, para continuar na Noruega. A coisa começava a ficar interessante, as fontes pulavam de um país a outro como se fossem espiões internacionais.

Após intensa pesquisa, finalmente a fonte original parecia se encontrar em um artigo publicado nos Estados Unidos no "The Journal of Borderland Research", na edição de maio/junho de 1972. Seu autor, Vincent H. Gaddis quem relatava o caso em primeira pessoa e além disso, se atrevia a comentar o significado oculto do episódio, anotando que sua fonte inicial havia sido o póstumo Ralph M. Holland, da revista Collier's.

Para os redatores da Borderland, o salto no tempo protagonizado por Fentz havia sido coisa da "quarta dimensão" e segundo informou-lhes uma médium, para variar, extraterrestres estavam envolvidos na trama fictícia.

Aubeck se propôs a descobrir quem era Ralph M. Holland. Este norte-americano nasceu em 1899, estudou jornalismo e escreveu muitas histórias de ficção científica que foram publicadas em várias revistas, incluindo uma fundada por ele mesmo, a "The Science-Fiction Review".

Era também um fictício "contatado" que sob o pseudônimo de Rolf Telano publicou vários livros em que afirmava se relacionar com um extraterrestre chamado Borealis. Suas tramas são delirantes, misturando mitologia-pseudo-ufológica com relatos da Atlântica ou Lemúria. Com o caso Fentz, Ralph Holland e a Borderland tentaram atrair o público para suas fantasias sobre a quarta dimensão, gerando uma lenda perdurável.

Jack Finney: O Criador de Rudolph Fentz

Ainda assim, por incrível que pareça, Holland não foi o iniciador do caso, mas sim que este se baseou em uma obra de ficção que um escritor mais conhecido chamado Jack Finney, havia publicado em 1951, fazendo parte de um conto intitulado "I'm Scared".

A imaginária história de Rudolph Fentz, com quase todos os seus detalhes, surgiu da fantasiosa mente de Jack Finney e nunca foi real. Este escritor, falecido em 1995, não é um desconhecido no mundo da ficção científica. Foi muito prolífico e seu tema favorito não poderia ser outro: viagem no tempo. O famoso filme Invasores de Corpos de 1955, foi baseado em um de seus contos publicado na Collier's em dezembro de 1954.

As Imagens não são de Rudolph Fentz

Como a história é toda inventada, as imagens que circulam na internet como sendo de Rudolph Fentz são falsas...
Este modelo possivelmente se chama Henz segundo o site Namepedia
Foto frequentemente relacionada ao caso, porém o modelo é John Hillyard Cameron -1876)
Conclusão

Seria realmente impressionante se esta história fosse verdadeira, mas é uma pena que se trata na verdade de apenas um Hoax, curiosa palavra inglesa para definir embuste, rumor, boato, que abundam por todos os lugares nesta era da internet.

Investigação/Tradução/Adaptação: rusmea.com & Mateus Fornazari

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Fontes (acessadas em 02/03/2015):
- Wikipedia.en: Rudolph Fentz
- The Museum of Hoaxes: Rudolph Fentz and Time Travel
- Dimension Limite: I CONGRESO SOLIDARIO DE LOS OVNIs
- Library and Archives Canada: Law and Order Irish-Canadian Revolutionary Nationalism
- Namespedia: Surname Henz
- Amazon.com: Chris Aubeck
- Wikipedia.en: John Hillyard Cameron
- Le Livre du Mystère
- Ebay: LOS ENIGMAS PENDIENTES DE JOAQUIN GOMEZ BURON.
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