6 de março de 2015

Minha História Assombrada: Criação de Sacis

Sou de uma cidade do interior de São Paulo chamada Orlândia e sempre estava passando as férias escolares numa fazenda em que meus avós moravam numa cidade vizinha, e gostava de andar (descarço) pelos pastos que eram grandes nos meus tempos de infância. Certo dia encontrei um pomar muito bonito cheio de mexerica e lógico que tive de pular a cerca pra apanhar algumas (fruta robada no pé é mais gostoso), só que enquanto estava lá em cima da arvore ouvi passos pelo pomar, espiei e adivinha o que vi... O dono do pomar andando lá com um cachorro amarelo, ai eu pensei to ferrado, mas estava errado ele me viu deu um sorriso bem largo e disse:

- Ladrãozim as mais doce é da arvore de trais!

Seu Tião era uma pessoa muito boa e trabalhava com meu avó na roça muito tempo como eu vim a saber depois nas conversar que tivemos, não foram muitas mas em uma delas descobri que seu Tião criava Sacis mas ele não falava muito desse assunto com as pessoas, contou pra mim porque disse que eu tinha cara de criado.

Ele me mostrou os viveiros em que ele criava, mas eu notei que estavam vazios e achei que ele era um belo de um mentiroso e quis entrar nos viveiros (sempre fui daqueles que precisa vê pra crê), ele falou que ele só não deixava porque ele gosto de mim e num queria que eu apanhasse de vara lá dentro. Disse também que o saci quando é filhote num sabe ficar visível ainda e que só dava pra vê eles numa noite de lua cheia beeeeemmm crarinha.

Ele falou que criava porque os sacis estavam sumindo com a cana crescendo e o povo indo pra cidade, eles estavam ficando sem espaço e a queimada tava matando eles alem, de não ter mais as panelas no fogão a lenha pra eles fuçarem . E que depois que eles estavam grandinhos ele soltava eles nas matinhas da região.

Eu via ele tratando aqueles viveiros vazios com água, leite, verdura e doce de leite, Seu Tião disse que eles adoravam doce, e um pedaço de fumo de corda, sempre de manhã. E eu passava a tarde escondido lá pra ver o que tinha acontecido com esses tratos e sempre via todos os potes vazios e o pouco de fumo que sobrava com umas marquinhas bem pequenas de pedacinhos arrancados, logo pensei, isso deve tá cheio de rato nesse viveiro.

Passou o tempo eu não dei mais importância pro criador de Saci, e depois de um tempo quando eu voltei pra mais um período de ferias na fazenda Seu Tião veio visitar meu vô no fusquinha veio dele.
Já a tardinha Seu Tião tava indo embora me chamou e disse que tinha um presente pra mim, ele me entregou uma gaiolinha com a portinha amarrada com arame e disse pra eu abrir ela com alicate dali uns seis meses perto de uma matinha na minha cidade. Perguntei por que e ele disse que era pro casalzinho de saci que tava ali sair pra morar na mata, eu ri e falei que num precisava mentir pra mim mais que foi divertido a história mas ele não me enganava mais, ele riu gostoso e falo:

- Hoje a Lua vai tá bunita, leva a gaiola pra passiá. E num esquece o que te incinei.

E foi embora me deixando também um rolo de fumo.

Eu olhei pra gaiola ri por dentro e deixei ela na varanda, a noite na hora do Jornal Nacional eu fui pra fora e resolvi pegar a gaiola, quando fui andando pra fora da varanda indo em direção ao curral conforme eu ia me afastando da luz elétrica eu ia escutando uns chiado de ai vindo da gaiola, que eu tava levando de qualquer jeito e tava balançando muito, e eles começaram a aparecer meio tontos pelas pancadas que deram na gaiola.

Coloquei a gaiola na mesa que por os latão de leite e fui olhar eles direito: eram do tamanho de um canarinho, negrinhos e tinham uma perna só (mas não parecia ser como se eles tivessem duas pernas e perderam uma, era como se as duas pernas se juntassem na anca e virasse uma só no joelho e tinha um pezinho só), e a carapuça parecia uma penugem crescendo na cabeça, vermelhinha. O machinho tinha os olhos vermelhos e um pipizinho que parecia uma verruguinha na altura de onde deveria tê-lo mesmo, já a feminha tinha olhos verdes e um cabelo um pouco mais comprido e orelhinhas pontudas, mas não consegui ver a pepequinha dela.

Voltei correndo pra pegar o fumo que eu tinha deixado na casa e levei pra eles, cheguei com o fumo na beirada da gaiola o machinho pegou um pedacinho na mão e começou a mastigar o fumo como um chiclete e cuspir dentro de um cachimbinho de graveto (que ele deve ter feito eu não tinha visto antes) que tava no cantinho da gaiola, e começou a sair fumaça do cachimbo e ele começou a fumar e as vezes dava uma pitadinha pra ela.

No outro dia fui na casa do Seu Tião pedindo desculpa por chamar ele de mentiroso, ele riu de novo e disse que não tinha problema e que ele tava certo que eu era um criador porque não é todo mundo que consegue ver eles, que quem não acredita nesse mundo não pode ver ele, e que agora que eu vi esse mundo ia fazer parte da minha vida, então teria de tomar um certo cuidado (não dei importância a isso na época mas um pouco mais a frente vou dizer porque me arrependi disso).

Ele me contou varias outras coisas sobre sacis, tipo como nascem, onde encontrar, mas se eu for contar tudo isso aqui vai ficar longo. A ultima coisa que ele me falou foi pra criar eles em segredo já que a maioria das pessoas não iam entender nem ver, só quando eu achasse um criador, e eu reconheceria pelo brilho dos olhos, poderia falar sobre isso. Seu Tião morreu no ano seguinte ele fumava muito e não esbanjava saúde.

Levei eles pra casa e criei durante os seis meses com o fumo, água, leite, alface e leite condensado (o ultimo era o que eles mais gostavam, parecia que ficavam bêbados quando tomavam). E soltei eles numa matinha onde tinha uma nascente perto da minha casa (que fica na beirada da cidade, do lado dos canaviais). Quando eles saíram da gaiola ficam da altura de um banquinho e a penugem tinha se tornado uma carapuça de pano mesmo, o machinho tirou a dele segurou no peito e me agradeceu com um aceno de cabeça a fêmea deu um sorriso e fez um tchauzinho com a mão e os dois sumiram de mãos dadas pra dentro da matinha.

Isso aconteceu quando eu tinha 15 anos e este ano completarei 30, nunca mais vi os dois mas sei que eles estão por ai, porque a uns 8 anos eu senti na pele o que seu Tião falou de eu fazer parte do mundo deles. Eu caminhava por uma estrada de terra com uma cachorrinha vira-lata que eu tive, como estava no fim da safra não tinha cana nenhuma e as plantações estavam em pura terra, e dava pra ver a matinha onde eu havia soltado meus amiguinhos (Pedro e Aninha).

Quando eu caminhava com minha cachorrinha eu deixava ela solta e seguia ela, e uma hora ela saiu correndo na minha frente e parou de repente ficando em alerta, eu corri até ela pra ver o que era e pus a mão nela conversando com ela, mas era como se ela nem reparece em mim. Olhei na direção em que ela olhava e vi um lobo, desses guará que tem na região, mas ele era bem maior do que deveria com a patas dianteiras mais largas, esta a um quarteirão mais ou menos da gente. Eu puxei ela pra gente voltar pra trás porque eu não era bobo de ir perto de um lobo, acontece que ele olhava pra mim e ficou de pé nas duas patas de trás, senti como se ele tivesse me procurando e correu na minha direção. Eu congelei, minha cachorra ficou na minha frente e o bicho vindo, nessa hora deu um pé de vento que me derrubou e vi uns cinco rodamoinho cercando o bicho (que eu acho que era um lobisomem). Os rodamoinho giravam em torno do bicho e esse se debatia como um louco, até que ele correu de volta pra onde ele tinha vindo e os rodamoinhos foram em direção da mata onde eu tinha deixado meus amiguinhos sacis.

Sei que eram eles e fico feliz em saber que eles tiveram seus filhotes, foi ai que dei importância as palavras do seu Tião, que esse mundo faria parte de mim, mas tenho meus queridos aliados Pedro e Aninha, sacis que criei por pouco tempo mais muito carinho.

História assombrada enviada por Saulo F.

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