23 de fevereiro de 2015

Iha das Bonecas: Investigação Completa

Entre os canais da Veneza Mexicana, existe uma pequena ilha com uma história sombria e lar de 1500 bonecas, conhecida como "Isla de la Muñecas". Segundo a lenda, seu único morador morreu no mesmo local onde uma garotinha se afogou e as bonecas do local possuem vida...

No final tem um vídeo meu falando sobre o assunto...

Assombrados, atendendo a diversos pedidos, trago uma extensa pesquisa sobre a famosa Ilha das Bonecas. Espero que gostem :)


A Veneza Mexicana: Xochimilco

Logo ao sul da Cidade do México está Xochimilco, um local conhecido como Veneza Mexicana. São 190 km de canais de água doce que cortam centenas de ilhas e lar de milhares de pessoas, além de ser o destino de muitos casais vão passear por eles em trajineras (barcos de Xochimilco) e curtir o clima romântico do local.

Só que este cenário esconde alto sinistro. Descendo por uma "eclusa" para um nível inferior de canais, a paisagem muda e um tom sombrio toma conta do local. Nada mais de clima romântico. Para piorar, existe uma ilha conhecida como "Isla de na Muñeca", ou Ilha das Bonecas.

Vista da ilha a partir do canal
A Ilha das Bonecas

Não é fácil chegar lá, pois é um lugar completamente afastado e isolado. Está a apenas 28 quilômetros ao sul da Cidade do México, algo que demoraria 15 minutos de carro, mas estamos em um emaranhado de canais que só podem ser desbravados pelas trajineras, o que faz este pequeno percurso demorar de 2 a 3 horas! As trajineras tem de atravessar "eclusas" e passar por canais infestados de aguapés, que ajudam a deixar o clima mais sombrio.

Depois de passar por esta provação e ter como companheiro o silêncio, pois os milhares de moradores ficaram para trás, surge no horizonte uma pequena ilha com um aspecto triste que nunca teve a intenção de ser um destino turístico: La Isla de las Muñecas (Ilha das Bonecas); Sua fama reside nas centenas de bonecas que estão nela, muitas com seus membros decepados, cabeças decapitadas e os olhos em branco penduradas em varais e árvores. São mais de 1500 bonecas. Mas por quê?

Milhares de lírios aquáticos dificultam a chegada até a Ilha das Bonecas...


Por que tem Tanta Boneca lá?

Julián Santana Barrera era o zelador da ilha.
Foi um homem chamado Julián Santana Barrera o responsável por decorar o local com tantas bonecas.

A história diz que ele encontrou uma menina afogada, e que não foi capaz de salvar sua vida.

Pouco tempo depois, Julián viu uma boneca flutuando perto dos canais e pegou o brinquedo. Resolveu pendurá-lo em uma árvore, como uma forma de mostrar respeito e apoiar o espírito da menina.

Julian foi supostamente assombrado pelo espírito da menina e começou a levar mais bonecos em uma tentativa de se defender do espírito, tentando agradá-lo. Ele logo teria percebido que as próprias bonecas acabaram possuídas pelos espíritos de garotas mortas, e continuou a colecionar bonecas assustadoras obtidas do lixo ou de conhecidos, mas rumores dizem que ele mutilava deliberadamente os brinquedos antes de pendurá-los ao longo de toda a ilha, em uma tentativa de impedir ataques espirituais. O próprio ato de pendurá-las, geralmente pelo pescoço, teria esse mesmo objetivo: impedir que os espíritos que teriam passado a habitar as bonecas, lhe atacassem.

De acordo com pessoas próximas a ele, era como se Julian fosse impulsionado por uma força invisível que o mudou completamente. Aparentemente, ele teria ficado muito marcado pelo fato de ter sido incapaz de salvar a vida da menina. 

Após a morte de Julián, em 2001 com 80 anos, o lugar tornou-se uma atração turística, onde os visitantes trazem mais bonecas. A ilha tornou-se muito famosa sendo destaque em muitos artigos e até mesmo programas de TV. Embora a ação de Julián tenha sido inocente e até admirável, o lugar acabou sendo retratado como um destino de pesadelo real. Olhos sem alma seguem os visitantes enquanto eles visitam a pequena ilha que é, na verdade, um jardim flutuante.

Quem era Julián Santana Barrera?

Julián Santana Barrera morreu
com a idade de 80 anos em 2001.
Para contar a verdade por trás da lenda, é preciso voltar ao protagonista central desta história: Julián Santana Barrera o único habitante da ilha, que chegou para viver no lugar em meados da década de 1970 e permaneceu em seu barraco por mais de 25 anos. Para muitos habitantes locais, ele era um eremita e para outros, era um senhor que causava temor. Temor naturalmente sentido por quem transitasse em frente a sua choça (cabana de ramos de árvores ou colmo, própria das florestas tropicais), caracterizada por ter em suas redondezas, centenas de bonecas penduradas em árvores e outras mais cravadas em troncos que serviam, segundo o próprio Julián, "para espantar o espanto..."

Como dito acima, o senhor Julián Santana Barrera passou a viver na ilha na década de 70, mas era nativo do Bairro da Asunción de onde ia até a ilha para pendurar as bonecas desde a década de 1950.

Na década de 1950, ele passava pelos bairros de Xochimilco com sua carretinha cheia de verduras e hortaliças que ele cultivava e levava para vender no mercado tradicional de Xochimilco e sempre ia com sua calça branca amarrada nos joelhos e com um poncho no ombro. Ao terminar suas vendas, se dirigia a um boteco para tomar "pulque" (bebida fermentada do agave, semelhante à cerveja. NDT.), mas nenhum dos presentes conversava com ele, já que Julián era muito retraído, embora mais tarde passou a andar pelos Bairros pregando a palavra de Jesus e em cada esquina, se detinha para rezar e a falar de Deus.

Cabe frisar que naquela época no México, falar de Deus sem ser um sacerdote significava blasfemar, e isso valia para qualquer pessoa que não tivesse autoridade sacerdotal para o mesmo. Era por isso muito mal visto em Xochimilco e mais de três vezes foi agredido pelo povo.

Mais tarde, começou a catar bonecas que encontrava jogadas no lixo por todos os bairros e depois de um tempo, Julián foi perdido de vista pois ninguém perguntava por ele, assim que não sabiam se ainda vivia. Julian havia desaparecido. Será que morreu?

O outrora teto de palha do barraco foi trocado por um telhado mais resistente
A Descoberta da Ilha das Bonecas

Anastasio Santana Velasco entretendo
a turistas no interior do barraco de seu tio.
Nos anos noventa ocorreu o resgate ecológico de Xochimilco. Antes o local estava meio abandonado, com os canais cobertos de lírio Aquático. Neste resgate, chamou a atenção uma ilha distante, rodeada de bonecas, em um local que não morava ninguém. Ao chegar lá, descobriram que havia um morador: era Julian. Ele vivia como um eremita em uma choça feita de, cana, ramos e tábuas.

No princípio, Julián não queria falar sobre as bonecas penduradas em seu barraco, mas depois ele aceitou dar sua versão sobre as mesmas. Comentou que estavam ali para afugentar os maus espíritos, e para que suas colheitas produzissem mais; contava que as bonecas apareciam flutuando no rio e que elas eram sua companhia pelas noites.

Uma das choças estava cheia de pequenas mulas que ele fazia com folhas de milho e mantinha pendurados esses adornos, também tinha cruzes que fazia com pedaços de madeira de um tipo de salso (Salix bonplandiana) nativo do México, recortes e fotografias de personagens políticos, delegados de Xochimilco, artistas, estudantes e pessoas que iam visitá-lo.

Sua cozinha era ao ar livre e tinha uma caldeira feita de barro, uma caçarola de ferro e ao redor, carpas secas penduradas que pescava em frente ao seu barraco, também tinha recortes de jornais que os jornalistas lhe presenteavam das reportagens que faziam dele.

Julian revelou que sua irmã e seu sobrinho Anastasio Santana Velasco eram quem o ajudavam, pois levavam diariamente sua janta e seu café da manhã, e também era quem ia a Xochimilco vender seus cultivos.

A Morte de Julian Ajudou a Criar a Lenda

Segundo a lenda, Julian foi encontrado afogado no mesmo local que ele encontrou a menina afogada, e que não foi capaz de salvar sua vida. Anastasio Santana, o sobrinho de Julián, estava com ele neste dia e conta como foi o acidente com seu tio.

Era um dia comum e corriqueiro. Cedo haviam colhido o lodo do fundo do canal para fazer o "baço", uma compostagem de lírio aquático decomposto onde em cima é colocado lodo, deixado repousar por três dias e com uma faca fazem quadros, onde em cada um, depositam a semente para fazer o plantio; depois foi realizar outras tarefas na parte de trás e se pôs a pescar com anzol como sempre fazia.

Julián comentou ao seu sobrinho que um peixe havia escapado duas vezes, mas que por fim conseguiu fisgá-lo. Era um peixe grande de pelo menos 4 ou 5 quilos. Julián comentou também que a sereia havia estado lhe chamando porque queria levá-lo, mas que ele ia cantar para ela, evitando assim de ser raptado ao fundo do rio, no que seu sobrinho respondeu-lhe para que tivesse cuidado.

"-Eu vou a ordenhar as vacas e já volto." disse Anastacio. Então quando o sobrinho voltou com o leite, procurou o seu tio e descobriu que este havia se afogado, o que aconteceu muito rápido.
Seus familiares ficaram muito condoídos pela perda do familiar, mas dentro de sua tristeza eles ficaram conformados pois Julián morreu onde ele queria: junto de suas bonecas...

Julian faleceu em 2001 com 80 anos.

A História Verdadeira

Segundo Anastasio Santana, sobrinho de Julián, é lenda a história de que ele tentou salvar uma garotinha afogada e por isso começou a juntas as bonecas. 

A história verdadeira é que seu tio começou a decorar o local com bonecas por causa da "La Chorona".

Existe uma assombração a solta na Veneza Mexicana, conhecida como "La Chorona", uma mulher que perdeu as 2 filhas afogadas no canal a mais de 50 anos, e que mesmo depois de morrer continua perambulando pela ilhas durante a noite. Seu tio, na tentativa de afastar a assombração pendurou algumas bonecas. Os vizinhos gostaram e passaram a levar mais e mais bonecas e assim a coleção aumenta até hoje

Como está Hoje?

Anastasio Santana, o sobrinho de Julián, toma conta de ilha hoje. Ele mora lá e conta que tem medo. As vezes durante a noite ouve ruídos estranhos, mas não tem para onde ir

Morar na ilha das bonecas é tarefa para poucos. Distante e isolado de tudo, Anastasio fica a maior parte do tempo sozinho, esperando a próxima visita. Virou tipo um zelador do local.

Algumas Curiosidades

O altar com a boneca reverenciada
como deidade
- Na ilha existe uma simpática placa que diz: "Os intrusos serão caçados, estripados e mutilados"

- Uma lenda local diz que os bonecos movem suas cabeças e os braços e até mesmo abrem os olhos. Algumas testemunhas afirmam terem ouvido as bonecas sussurrando umas com as outras, enquanto turistas que estavam em um barco perto da ilha, disseram que as bonecas atraíram eles até lá. Dizem que um homem que simulou sexo com uma das bonecas, morreu em pouco tempo.

- As bonecas que ele Julian recolhia do lixo já eram velhas e mutiladas, não sendo portanto ele quem mutilava deliberadamente os brinquedos como parte de algum ritual.

- Julian tinha uma boneca preferida chamada de La Moneca e de todas as choças que teve, pois desmoronavam com o tempo, sempre a transladava de uma a outra. 

- Uma das bonecas que supostamente representa à mulher afogada, é adorada como uma pequena deidade. Os turistas oferecem dinheiro e pequenos presentes para que interceda por eles em problemas de difícil solução ou em pequenos pedidos.

- A primeira boneca que Julian levou para o local ainda está lá. Elá já tem mais de 60 anos e está bem acabadinha...

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Investigação/Tradução/Adaptação: rusmea.com & Mateus Fornazari

Fontes (acessadas em 22/02/2015):
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