28 de janeiro de 2015

Minha História Assombrada: Perdidos na Autoestrada

Maio de 1988, São Paulo/SP.  Eu tinha vinte e seis anos e trabalhava numa empresa que era fabricante e distribuidora de óleo de soja, milho e amendoim. A matriz, onde eu trabalhava ficava na zona sul da capital e as fábricas no interior. Tínhamos formado um grêmio na empresa e naquela noite, seguíamos em dois ônibus de viagem onde nosso time de futebol disputaria uma partida com o adversário na cidade de Tupã na manhã seguinte.

Não durmo em ônibus de viagem, nunca consegui e por volta das duas horas da madrugada, eu sem conseguir pegar no sono olhava pela janela, enquanto alguns dos meus amigos babavam no ronco, outros namoravam, conversavam, ouviam música pelo walkman ou assistiam o filme Nove Semanas e Meia de Amor através de um vídeo cassete.

Foi aí que, no lado esquerdo, não no acostamento da rodovia, que não sei se ainda era a Castelo Branco, avistei inúmeras pessoas, entre elas homens, mulheres, idosos e crianças de diversas idades que seguiam na mesma direção do ônibus. Cada um deles carregava em suas mãos uma espécie de lanterna pequenina, pois não poderia ser vela acesa numa ventania gelada do final de outono! Andavam cabisbaixos, pareciam tristes, indiferentes, perdidos...

Por um instante, tive a impressão de que o ônibus estava parando para ajudar aquelas pessoas, mas como isso não aconteceu, levantei-me e corri até a cabine dos motoristas que conversavam tranquilamente. Indignada pela falta de compaixão, indaguei por que motivos não haviam parado para ajudar aquelas pessoas?

Os dois motoristas me olharam perplexos, sem entender nada do que eu estava falando. Exigi que encostassem e ao menos, dessem carona àquelas pessoas até um posto ou qualquer lugar que fosse quente e seguro. Quando o outro ônibus encostou atrás, se formou a confusão: ninguém viu o tal grupo de pessoas, só eu.  Após meia hora de espera e discussão, eis que surge um carro da polícia rodoviária e, adivinhem? Eles também não viram absolutamente nada.

Só aí me toquei que não havia carros ou ônibus quebrado ou acidentado onde o grupo de perdidos se encontrava. Ninguém em sã consciência viajaria a pé numa autoestrada tão perigosa durante a madrugada, ainda mais acompanhada de crianças de várias idades!

Mas eu as vi, juro que as vi. Não, eu não havia bebido nenhum tipo de álcool, nunca fumei e nem usei drogas alucinógenas, também não fazia uso de medicamentos e nem sofro de doença mental. Além disso, eu não acreditava em fantasmas.

Virei motivo de chacota na empresa a ponto de me tornar uma pessoa triste e depressiva e alguns poucos meses depois, pedi demissão.

Agora, após vinte e seis anos ainda penso naquelas pessoas e a única certeza que me restou foi de que se tratava de almas perdidas, gente que provavelmente, deixou sua vida em acidente naquela rodovia. Gente que seguia sem rumo, sem saber que estavam mortas. Será que ainda estão na estrada?


História assombrada enviada por Victória O.

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