23 de janeiro de 2015

A Esfera do Betz

Enquanto investigavam os danos causados por um incêndio em sua propriedade, membros da família dos Betz encontraram um esfera metálica perfeita, de aproximadamente 20 cm e a levaram para casa. Logo, eles descobriram que o objeto parecia ter vida própria e parecia "vibrar" e "andar". Logo a imprensa ficou sabendo e começaram as especulações se ela não seria um objeto de outro mundo... 

No final tem um vídeo sobre o assunto...

Assombrados, muita gente no meu canal pediu para eu falar sobre a misteriosa esfera dos Betz, e aqui está o post. Espero que gostem :)


Como a Encontraram?

Sr. Antoine Betz segurando a esfera
Em 06 de abril de 1974, a família Betz, composta do Sr. Antoine Betz, engenheiro naval, a Sra. Gerri Betz e seu filho Terry Mathew Betz, de 21 anos, estudante de medicina, foram inspecionar os danos causados em sua propriedade por um incêndio que se alastrou através de uma faixa de 88 hectares de floresta pantanosa Fort George Island, que está situado ao leste de Jacksonville, Flórida. No meio das andanças em busca da causa do incêndio se depararam com uma esfera metálica de aproximadamente 20 cm de diâmetro e, achando o objeto curioso, o levaram para casa.

O trio chegou a considerar a possibilidade desse objeto ter causado o incêndio que eles estavam averiguando, mas  o objeto não apresentava nenhum sinal de ter estado em contato com altas temperaturas, pois o metal parecia estranhamente reluzente.

O objeto acabou sendo colocado no quarto do jovem estudante, e lá ficou meio que esquecido por duas semanas, até que um fato curioso aconteceu.

O Objeto era "Vivo"

Um dia, o adolescente Terry recebeu a visita de sua amiga Theresa Fraser, e Terry resolveu mostrar a ela um improviso de guitarra. Quando Terry tocou uma certa sequência musical, a esfera encontrada na floresta sofreu uma alteração e começou a vibrar, enquanto emitia um som pulsante, que parecia estar “respondendo” ao acorde da guitarra. Assustados os dois chamaram os pais de Terry para ver aquilo, que definitivamente não era nada normal!

A esfera retomava o som pulsante sempre que o mesmo acorde era realizado. Parecia ser algo inteligente.

Dias mais tarde a família descobriu que quando a bola de metal era rolada pelo chão, tal qual uma bola de boliche, ela conseguia mudar de trajetória tantas vezes quanto “ela quisesse”,  e depois retornava ao seu ponto de origem.

Os Betz continuaram tentando descobrir o que mais a esfera fazia, e entre as descobertas estão:

- Quando a esfera misteriosa era tocada por outro objeto metálico, um martelo por exemplo, o globo parecia vibrar como um sino.
- Era mais ativa em dias ensolarados. Em dias nublados ficava quieta
- Uma das manobras da esfera incluía subir no sentido oposto ao que deveria, quando estava numa mesa plana que era inclinada. Era como se a bola estivesse “fugindo” da queda.
- Emitia uma vibração de baixa frequência em alguns momentos. Parecia que um motor estava operando dentro do objeto.

Mas logo eles começaram a ficar com medo, pois a esfera começou a pular e andar sozinha, além de fazer as portas da casa fecharem do nada e um som parecido com o de órgão ser ouvido em toda a casa. Resolveram então ir atrás da mídia para ver se tinham uma reposta...

Esquerda: Terry e Gerri Betz seguram a esfera. Direta: garoto maravilhado


A Matéria do St. Petesburg Times

O primeiro jornal a publicar sobre a esfera foi o St. Petesburg Times, em 12 de abril de 1974, menos de uma semana depois da descoberta da esfera. Na matéria, o fotografo do Jacksonville Journal, o Sr. Lou Egner, diz que estava cético, mas quando os Betz mostraram a bola andando sozinha, mudou de opinião.

Na notícia também é possível ler sobre os "fenômenos paranormais" que começaram a ocorrer e que a família pediu ajuda a Marinha Americana, que respondeu dizendo que “a bola não era de propriedade do governo dos Estados Unidos”.

Depois dessa reportagem um monte de jornal foi até a casa dos Bets em Fort George Island para ver a esfera. Todo mundo presenciou fenômenos estranhos produzidos pela esfera.

Tanta gente assim começou a incomodar a família Betz.

A reportagem original do St. Petersburg Times, publicada no dia 12/04/1974 está abaixo :)



1ª Investigação: Estação Aérea Naval de Jacksonville
Até jornal do Japão publicou sobre a Esfera!

Além dos jornais, a comunidade científica e também os militares queriam dar uma boa olhada na esfera. Mas eles sabiamente não enviavam para ninguém a esfera, por temer que ela se perdesse no caminho.

Mas depois que os fenômenos se intensificarem na casa, eles e a Marinha Americana finalmente cederam e a esfera foi deixada pelos Betz com os cientistas da Estação Aérea Naval de Jacksonville, perto de sua casa.

Durante um bom tempo os mais avançados especialistas em metalurgia da Marinha se debruçaram sobre o fenômeno. Mas não foram felizes, uma vez que nem os mais avançados equipamentos de raios-X não eram fortes o suficiente para penetrar a esfera de metal.

Chris Berninger o porta-voz da Marinha, relatou o seguinte:

“As nossas primeiras tentativas de raios-X nos levou a lugar nenhum. Nós vamos usar uma máquina mais poderosa sobre ela e também executaremos testes  espectrograficos para determinar de que metal é feito isso.”

Eles não conseguiam enxergar dentro da esfera, mas pelo menos dimensionalmente os estudos estavam avançando. Os cientistas foram capazes de determinar que:

- Cobertura metálica  feita com uma liga ASTM magnética chamado aço 431 inoxidável
- Esta cobertura tem uma espessura de 12,7 mm (cerca de 1/2 de polegada)
- Diâmetro: 202,2 milímetros = aproximadamente 20 centímetros (7,96 polegadas)
- Peso de 9,68 kg (£ 21,34)
- Tinha uma marca triangular de 3mm

Um poderoso aparelho de raios-X da Marinha foi usado, e finalmente penetrou no interior daquela esfera, mostrando que:

- havia ali dois objetos redondos, cercados por uma “auréola”, feita de um material com uma densidade incomum.
- a esfera possuía quatro pólos magnéticos diferentes, dois positivos e dois negativos, que não eram concêntricos.
- Não mostrava sinais de radioatividade
- Não havia nada que indicasse qualquer perigo explosivo. Não havia detonadores, soldas e nem marcas aparentes.

Mas eles queriam saber como ela teria sido construída, e para isso era necessário serrá-la, algo não permitido pelos Betz, que pegaram a bola de volta e a levaram para a casa novamente.

2ª Investigação: "Omega Minus One Institute"

Em 13 de abril de 1974, um homem chamado Dr. Carl Willson – representando uma empresa de pesquisa da Louisiana conhecida como “Omega Minus One Institute”, com sede em Baton Rouge, examinou a esfera por mais de 6 horas e fez novas descobertas:

- O campo magnético ao seu redor, estava emitindo ondas de rádio.
- O metal de revestimento da esfera, quando comparado ao aço inoxidável, continha um elemento desconhecido que o tornava um pouco diferente do aço.

No final, os resultados do "Omega Minus One Institute" sobre a identidade da esfera misteriosa não avançaram muito no mistério, tal qual os exames da Marinha.

3ª Investigação: Encontro da National Enquirer's UFO Blue Ribbon Painel em Nova Orleans

Entre os dias 20 e 21 de abril de 1974 ocorreu o encontro da National Enquirer's UFO Blue Ribbon Painel, que contou com a presença de cientistas conceituados, e Terry Betz levou a esfera para lá na esperança de que os cientistas fizessem novas descobertas (e também de ganhar um grande prêmio, que falarei mais abaixo...)

Evidentemente que a esfera tornou-se o centro das atenções e, o objeto foi submetido a mais uma bateria de testes. Todos os testes confirmaram o que já haviam revelado, incluindo o fato de que o objeto parecia mesmo agir como um transponder de áudio. Mas apesar de não ser possível descobrir a origem daquele objeto e nem para que ele deveria servir, nem quem o fez ou como, não era possível afirmar  de forma empírica, que era de origem extraterrestre.

4ª Investigação: Dr. James Albert Harder

Dr. James Albert Harder
Os Betz permitiram que o Dr. James Albert Harder, professor emérito de engenharia civil e hidráulica na Universidade da Califórnia em Berkeley, analisasse o artefato. Os resultados de sua pesquisa foram apresentados no dia 24 de junho de 1974, durante o Congresso Internacional de Ufologia, em Chicago e foram muito preocupantes para a família:

As duas esferas internas seriam feitas de um elemento muito mais pesado do que qualquer coisa conhecida para a ciência humana até então. E isso incluía o o elemento mais pesado produzido em qualquer reator atômico aqui na Terra, que era urânio 238. ” Se alguém tentar furar a esfera, ela poderá explodir como uma bomba atômica!”, disse Dr. Harder para a plaétia

Chega de Investigação! O Sumiço dos Betz e da Esfera...

A partir da revelação feita pelo Dr. Harder, os Betz se retiraram da mídia, e tão misteriosamente quanto surgiu, a história em torno da esfera desapareceu sem deixar rastros.

Ninguém nunca descobriu o que era a esfera, quem a havia feito e nem como, muito menos para que ela servia e nem como operava. Centenas de pessoas já haviam visto, segurado, fotografado, sacudido, balançado, batido, pesado, medido, analisado a superfície com microscópios, com raios X, com sondagens de ultrassom… Mas não houve nenhum cientista capaz de esclarecer aquele mistério.

Apareceram Donos da Esfera!

Que objeto alienígena, que nada! A esfera é terráquea e dois homens a reclamaram como sendo deles:

- James Durling Jones: era um artista plástico que disse que a bola destinava-se (como pêndulo), juntamente com outras esferas de aço inoxidável semelhantes para uma escultura que ele fez em 1971. Durante o transporte, uma das esferas caiu do teto do seu carro, uma velha perua Volkswagen. Seria esta esfera que a família Betz achou no meio da floresta queimada.

As propriedades misteriosas da esfera eram um conjunto curioso de coincidências e  mal-entendido. A esfera teria vibrado por ressonância.  A rolagem misteriosamente no solo, foi atribuída ao piso irregular da casa da família Betz e os sons da esfera seriam provenientes de pequenas limalhas preso no interior da mesma, que ficaram presas durante o processo de fabricação.

Mas sua história tem dois problemas:

- ele disse que todas as suas esferas tinham sido perfuradas e depois soldadas, mas os exames na esfera Betz não indicou qualquer solda ou perfuração superficial.
- se recusou a nomear a empresa que fabricou as esferas, o que poderia ter resolvido a coisa toda de uma só vez, pois dizia que conseguiram com “atividades ilegais”.

Mesmo com todas essas incongruências, muita gente acreditou na história. Abaixo, o jornal que a publicou.


- Lottie Robinson: O jornal Palm Beach Post relatou em 18 de abril de 1974 que um tal de Lottie Robinson reconheceu a bola a partir das imagens dos jornais. Ele disse que aquela bola estava na sua garagem por 15 anos. Técnicos da fábrica de papel St. Regis identificaram-na como uma válvula de esfera de alguns tubos de grandes dimensões utilizados em sua fábrica, e que tinha sido desmantelada 15 anos antes. De alguma forma, a bola tinha ido parar nas mãos de um negociante de sucata  de quem o filho dele comprou e largou na sua garagem. De fato, investigações mostraram que a fabrica de papel usava esferas de metal parecidas, mas as dimensões, apesar de serem parecidas, não eram nem idênticas, nem em peso à esfera Betz.

A Esfera Seria uma Fraude Fabricada para Ganhar U$ 50.000?

Você gostaria de ganhar meio U$ 50 mil dólares nos dias de hoje? É bastante dinheiro, algo como 120 mil reais! Agora Imagina como valia muito mais 35 anos atrás...

Então assombrado, no encontro da National Enquirer's UFO Blue Ribbon Painel em Nova Orleans, nos dias 20 e 21 de abril de 1974, que Terry Betz levou a esfera, oferecia um prêmio de 50 mil dólares para quem provasse que possuía qualquer objeto que tivesse origem alienígena!

Notícia publicada no jornal "Skylook" da rede Mufon de maio/1974 fala sobre a esfera e logo no início cita o concurso do National Enquirer´s
A Revista National Enquirer
Terry tinha esperança de que ela fosse comprovada por especialistas, entre eles o célebre Dr. J. Allen Hynek, de que era extraterrestres e ele abocanhassem o dinheiro, mas não ocorreu isso, como já mencionei. O dr. J. Allen Hynek concluiu que a esfera é de origem artificial, misteriosa, mas não foi possível associá-la a qualquer tipo de atividade alienígena, e assim eles não levaram o premio para casa, como está mostrando o artigo abaixo do Palm Beach Journal de 06 de junho de 1974. (Na verdade, em 1976 aumentaram o prêmio para 1 milhão de dólares! Ninguém ganhou...)

Neste artigo ainda podemos ler que alguém endinheirado ofereceu U$ 750 mil dólares pela esfera e os Betz não venderam! A pergunta que fica é: ou a família Betz inventou a notícia para o jornal afim de calar a boca dos que diziam que ela tentou morder os U$ 50 mil do premio com um embuste (eles não revelaram quem ofereceu o dinheiro), ou realmente sabiam que era de outro planeta e a queriam muito...

Será isso suficiente indicio de que tudo não passou de uma farsa? Não sei.

Surgiram pessoas sugerindo que a esfera fosse um engodo. Disseram que ela era uma esfera de válvula industrial, que poderia ter caído na estrada ao ser transportada, apesar de nunca nenhum fabricante deste tipo de equipamento reconhecer a esfera como um de seus produtos, nem mesmo haver qualquer outra esfera similar à dos Betz no mundo. E mais, os maiores especialistas em metalurgia da Marinha, Nasa e Força Aérea haviam periciado o material e deram o mesmo veredito: Objeto desconhecido.

O cético Bryan Dunnig, do Skeptoid.com, conclui assim seu estudo sobre a Esfera dos Betz: "Então, a esfera de Betz  era a prova indiscutível de um OVNI? Podemos dizer, conclusivamente, que nada ligava isso com qualquer coisa extraordinária. Talvez fosse apenas a válvula da esfera que parecia ser. Mas se os crentes no estranho precisam anexar uma origem misteriosa à esfera de Betz, eles vão ter de se contentar com o fato de que ela caiu na terra, não de uma nave alienígena, mas de uma velha Kombi Volkswagen inútil... e isso é quase que bom. "



Perguntas Interessantes:

- Cadê a Família Betz?
Sumiram repentinamente. Fizeram maior sucesso e de repente desapareceram! Sabe-se que Antoine Betz morreu em Dezembro de 1987 com 67 anos. Terry Betz parece que casou novamente e agora se chama Gerri Betz-Jackson. A última noticia dela é de 1999.

- Cadê a Esfera?
Desapareceu junto com os Betz. Ou está na posse dos Betz ainda, decorando algum cômodo ou o governo americano conseguiu colocar a mão nele e a destruiu em testes ou a encaixotou e acomodou em algum galpão.

Esfera feita por mãos humanas. Elas são feitas com
peças menores e depois polidas. Veja fotos aqui
- Por que não tem filmes e as fotos são raras?
O caso aconteceu mais de 40 anos atrás, em 1974. O que foi registrado foi em video-tape analógico, não em mídia digital. Deve ter perdido quase tudo, pois eu não achei nada em vídeo mostrando a esfera.

- Nós podemos fazer uma esfera perfeita?
Sim! Uma das empresas, que faz bolas maiores que 2 metros de diâmetro é a chinesa Mao Ping

- Caem Esferas do céu?
Sim, e o post que o Mundo Gump fez sobre as Esferas dos Betz trás várias fotos, e explica que são equipamentos espaciais.

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Fontes (acessadas dia 21/01/2015):
- Mundo Gump: O mistério da esfera dos Betz
- Dr. Mistério: A Esfera Misteriosa da Família Betz
- Palm Beach Post: Family Quiet About 'Mystery Sphere' 
- Mufon Skylook Ed. 78 05/1974
- Skeptoid.com: The Betz Mystery Sphere
- Mysterious Universe: The Betz Mystery Sphere: Alien Artifact or Doomsday Device?
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