9 de dezembro de 2014

Conto Assombrado: Paranóia

Dois amigos adoravam contar histórias de terror e sempre que podiam visitavam casas assombradas da região. Até que eles começam a ser perseguidos por uma mulher de branco...

- Preciso falar com você Josh. Uma voz suave e contida diz do outro lado da linha telefônica. - Eu estou com medo. Talvez seja só coisa da minha imaginação, mas acho pouco provável que seja somente isso.

- Tranquilo Ethan. Daqui a pouco eu passo na sua casa para conversamos.

- Não. Acho melhor eu ir na sua. Me espera na porta que eu já to indo.

- Tudo bem.

Ethan estava assustado, com medo de tudo o que via ao seu redor, qualquer coisa era suficiente para fazê-lo tremer de pavor, não era para menos, depois de tudo que ele passara na noite anterior, não tinha como não sentir medo, coisas como aquela deixaria muitos a beira da loucura em instantes.

Josh é o melhor amigo de Ethan, sempre que se encontravam em situações problemáticas, o outro aparecia para ajudá-lo a resolver, ambos gostavam muito de contar histórias de terror, esse era seu passatempo predileto, sempre ao cair da noite eles se juntavam em frente a casa de Ethan, sentavam na calçada apreciando a expansão do céu, olhavam para as estrelas pensando que cada uma simbolizava uma pessoa morta, cada estrela era a alma de alguém iluminando os que ainda respiravam aqui em baixo. A rua da casa do Ethan era pouco movimentada, depois das 22h00 quase não se via ninguém transitando no bairro, poderia ser o medo de ser assaltado que faziam com que ninguém andasse por ali durante a noite, talvez seja isso quem sabe, o aumento de usuários de drogas só elevaria com o tempo. Josh era um dos poucos que ainda andava por aquelas ruas sem se importar com nada, ele gostava tanto de histórias de terror que muitas vezes procurava lugares assombrados para ir, talvez um dia ele acabe vendo um espírito de verdade, essa era sua intenção, coisa de pessoas malucas é claro, mas ele não estava longe de ser um louco, seu melhor amigo sempre o acompanhava nessas infiltrações em lugares assombrados, porém nunca nenhum deles conseguira ver realmente alguma coisa sobrenatural, pelo menos até agora. Quando eles notavam que a maioria dos moradores do bairro já estavam em suas casas, as histórias começavam a ser contadas, isso era sempre depois da meia-noite, as ruas ficavam vazias e o silêncio dominava o ambiente por completo, essa era a hora perfeita para começar suas histórias.

- Cara você nem vai acreditar no aconteceu comigo ontem. Dizia Josh meio receoso, olhando para o céu e relembrando pelo que passou. - Eu sinto até vergonha de dizer, mas eu senti medo e não consegui mais dormir.

- Porra! Deve ter sido foda então. Ethan demostrava um semblante espantoso, ele nunca tinha visto seu amigo com medo antes. - Mas o que foi que aconteceu?

- Não tenho certeza mas acho que era umas quatro e pouco da manhã, eu tinha acabado de assistir “Mercy”, um filme de terror baseado em um conto do Stephen King, durante o filme eu ficava alucinando, imaginava toda hora uma mulher de vestido branco com várias manchas de sangue espalhada por ele, seu cabelo era liso e cumprido caído em frente seu ombro, olhos arregalados com esclerótica dominando por inteiro toda a íris e a pupila, fazendo somente união com vasos sanguíneos que parecia nervos pulando para fora da pele, eu via ela andando para lá e para cá a todo momento, é claro que não me importei com aquilo porque era só besteira da minha mente, eu tava vendo filme de terror, então é bastante razoável eu ficar alucinando dessa forma, mesmo assim eu tava muito incomodado, e teve uma hora que eu imaginei ela correndo para cima de mim e me atacando, meu corpo entrara em choque e um suor frio escorrera de meu rosto.

Ethan ficara assustado com as palavras de seu amigo, aquilo já estava tomando conta de seu subconsciente, sua mente viajava até a mulher de qual Josh citava.

- Depois disso eu terminei de ver o filme e fui deitar, quando coloquei minha cabeça no travesseiro e fechei os olhos, senti um veto forte passando por mim, era como se fosse uma presença controlando você sem que você queira. Eu abri meus olhos e direcionei meu olhar para frente, onde fica uma cadeira na ponta da minha cama, e lá estava ela... A mulher que eu via em minhas alucinações estava sentada na cadeira, somente me olhando de uma forma maligna.

Josh fecha os olhos ao terminar de falar, Ethan olhava para ele e via seus braços tremendo, não tinha como Josh estar mentido sobre tudo o que falava, suas atitudes demostrava medo e pavor ao relembrar a cena, a expressão de seu rosto era monótona, ele nem se quer movimentava seu corpo, desde quando começara a falar sobre o assunto ele permanecera quieto, somente olhando para o céu, seu corpo inclinado para trás, quase deitado sobre a calçada, seus braços apoiando-o sobre o chão não deixara seu corpo encostar no concreto cheio de relevos e rachaduras, sua perna direita se estendia sobre a esquerda cruzando-as esticadamente pelo asfalto.

- Nossa cara. Deve ter sido assustador passar por isso, tomara que não aconteça de novo. Ethan falava calmamente e pensando em tudo que seu amigo passara.

- Pior que não foi só isso.

- Ainda tem mais?

- Eu tava tremendo tanto de medo, mas não fiz nada porque eu tinha certeza que era só alucinação, eu estava com sono e isso ajudara eu ficar naquele estado psicológico. Simplesmente eu fechei os olhos e abri novamente, em questão de segundos ela sumiu, claro que fiquei cismado com isso, mas tentei ignorar. Peguei meu celular e meu fone de ouvido e coloquei para tocar Judas Rising – Judas Priest, queria ter escutado aquela música... Josh fica em silêncio por alguns segundos, seu pescoço lentamente vai se dobrando para baixo até quase encostar seu queixo sobre o peito.

- O que eu ouvi não foi a música que selecionei, eu juro por tudo que eu escutei a voz de uma mulher dizendo “Em breve você será meu!” Aquilo foi arrepiante, eu tirei o fone na hora e joguei no chão, fiquei em choque por um instante, não conseguia mais ficar no quarto, muito menos ficar com a casa escura, e você sabe que a minha casa é exageradamente escura, nem sei porque aquela merda é assim. Depois disso eu fui jogar vídeo game para distrair a mente, ainda bem que dera um pouco certo, mas estou até agora sem dormir, não consegui pregar o olho depois de tudo isso.

- Nem sei o que dizer. Diz Ethan chocado com a história contada.

- Só diz que eu estou louco e imaginando coisas.

Os dois se silenciaram por longos minutos, ficaram somente observando o céu e pensando em coisas pela qual passaram que nunca mais querem passar novamente. Já estava tarde, era por volta das uma e pouco da manhã quando Josh resolve ir embora. Ethan não conseguia tirar da cabeça a história que Josh contara, aquilo ficava debatendo em sua mente, antes de se deitar ele começa a ficar paranoico, para todos os lugares que olhava imaginava coisas, até mesmo o movimento de sua própria sombra fazia-o tremer de medo, ele não queria dormir de jeito nenhum, foi até a cozinha e preparara um café, logo em seguida foi assistir Bleach para distrair a mente, já eram quase duas e meia da manhã quando o sono veio e o pegara, não teve como resistir e ele acaba indo dormir.

No dia seguinte Ethan liga para Josh bastante abalado, Josh não entendi o porque de ele estar daquela maneira. Os dois se encontram na casa de Josh e começam a conversar.

- Você não vai acreditar no que aconteceu comigo ontem: Dizia Ethan todo assustado, seu corpo tremia até o momento presente.

- Você também viu a mulher de minhas alucinações!?

- Quase isso.

- O que tá havendo com a gente? Pergunta Josh todo estável. - Vamos ficar paranoicos desse jeito.

- Não sei. Mas o que acontecera comigo foi tão real, eu mal posso acreditar em isso tudo. O medo dominava as expressões de Ethan.

- Conta ai o que houve.

- Tudo bem... Depois que você me disse sobre a mulher não consegui tirar ela da cabeça. Você lembra que eu sempre brincava dizendo que queria ver um espírito algum dia?

Josh respondi que sim gesticulando com a cabeça.

- Então. Ontem quando fui deitar fiquei pensando nessa tal mulher, meu corpo tremia de medo, qualquer coisa que eu via imaginava que era ela se aproximando de mim, até minha sombra me dava medo. Fiz de tudo para não dormir, mas acabei ficando muito exausto e fui me deitar, eu tava suando frio mais não me descobri do cobertor, meus olhos se arregalaram como se eu tivesse fissurado em algo, eles pareciam não querer fechar, eu sentia uma presença no meu quarto, eu podia jurar que tinha uma sombra no canto do quarto com o formato de um homem, o formato era perfeito, eu via até seus olhos que tinha a esclerótica totalmente escarlate, ele não fazia nada além de me olhar, meu medo era tanto que nem consegui correr e fugir, simplesmente me cobri inteiramente com o cobertor e fechei os olhos, implorando para que nada acontecesse. Meu corpo ficou leve e eu acabei desmaiando, a maneira que acordei depois foi assustador para mim. Lembra em Supernatural quando o Dean Winchester volta do inferno e o Castiel tenta se comunicar com ele? Lembra aquele som ensurdecedor que ele ouvia?

- Lembro sim. Responde Josh, escutando atentamente o desabafo de seu amigo.

- Eu ouvi um som parecido com aquele, parecia vários apitos ecoando dentro da minha cabeça, um mais alto do que o outro, eu acordei assustado pulando da cama, na hora eu peguei meu celular e ia ligar para você, talvez conversar naquela hora poderia me fazer sentir melhor, afinal deveria ser alucinação assim como a que você teve. Mas eu não conseguia controlar meu corpo direito, meus dedos não tinham força para digitar um número se quer, fiquei apenas parado olhando para a tela do celular que marcava 3h33. Justo as 3h33 quando tudo de mal acontece, dá para acreditar nessa merda?

- Acho melhor a gente parar de contar histórias de terror por um tempo, e parar de invadir casas cuja dizem ser assombradas. Isso tá acabando com nossa mente! Afirma Josh.

- Também acho. Mas eu ainda nem te contei tudo, eu ainda sofri mais um atentado paranormal depois disso tudo.

- Diz ai mano.

- Depois de tentar ligar para você e não ter conseguido, eu fui pegar meu notebook para ver Bleach novamente, me ajuda a tirar essas coisas da cabeça, só que eu nem consegui fazer isso. Meu quarto começara a ventar, não sei como porque ele estava fechado, tinha trancado a janela porque sempre que olhava para fora, via a mulher que você me disse somente me observando, foi então que eu senti alguém respirando bem colado em meu ouvido, tentei me mexer mas fiquei paralisado de novo, senti um calafrio tão intenso que até tremi de frio, aquela respiração se cessou, e em um nanossegundo eu ouvi uma voz rouca e forte dizendo “Você não queria ver um espírito? Agora você verá!” Eu pude sentir até o vento saindo de sua boca e penetrando em meu ouvido, me virei para direção de onde vinha a voz, e acabei vendo a sombra num formato de um homem caminhando para escuridão. Arrepiei até o último fio de cabelo do meu corpo, meus olhos que já estavam arregalados de medo e atenção para qualquer coisa que aparecesse, ficaram mais atentos ainda, quase nem piscava diante a situação que me encontrava, assim que me recuperei do choque saí correndo do quarto, deixei a luz da sala e da cozinha acesa e fiquei sentado no sofá olhando para frente, quanto menos sombra na casa era melhor, depois só fui me movimentar quando minha mãe levantara para trabalhar três horas depois.

- Caralho mano!! A gente tá paranoico mesmo. Josh fica com um olhar vago e cabisbaixo. - Pra falar a verdade eu ando tendo as mesmas visões com a mesma mulher até agora, por isso não consigo dormir.

- Não vou mentir para você... Eu to com medo de dormir hoje. Sei lá mas acho que alguma coisa ruim vai acontecer comigo, talvez eu até morra.

- Eu sei que deve ser somente paranoia nossa, mas também acho que a mulher que vejo vai acabar me matando.

- E agora o que fazemos?

- Já sei. Vamos virar a noite hoje jogando Ps3 aqui em casa. E ai topa?

- Claro que sim.

Como haviam combinado, Josh e Ethan passam a noite jogando Army of Two no Ps3. Já beirava as 3h30 quando a televisão que eles jogavam desligara sozinha, a tela ficara preta de uma hora para outra, antes mesmo de um deles se levantar para ligá-la novamente, o reflexo de uma mulher surge na tela da televisão, os dois se espantam e levantam para sair dali o mais rápido possível, a mulher estendi a mão para fora da tela, e lentamente seu corpo vai emergindo de dentro da TV. Em um gesto de desespero Josh grita com aquela mulher.

- Caí fora daqui sua vadia!

Sem saber o que tava acontecendo a mãe do Josh acorda e levanta da cama, caminha até a sala e pergunta para seu filho o que está acontecendo, ele responde que ele e o Ethan viu uma mulher saindo da TV, sua mãe começa a chorar olhando em seus olhos, ele não entendi o porque das lágrimas de sua mãe.

- Mãe. Porque a senhora está chorando?

- Meu filho, você está ficando doido, isso é tudo paranoia da sua cabeça.

- Eu sei mãe, mas eu acabei me assustando.

- Não é isso filho. O Ethan está morto! Ele morreu há uma semana.

Josh fica calado e sem saber do que a mãe dele está falando, não seria possível ele está morto, os dois estavam ali naquele exato momento. Josh olha para ela e diz que ele não está morto, e que eles estavam jogando vídeo game naquele mesmo instante, ela diz que não, ele morreu sim e não havia ninguém ali além dele e ela, Josh olha para os lados à procura de Ethan e não consegue achá-lo, sua cabeça começa a ficar mais atordoada ainda, uma dor intensa começa a emergir de seu peito, era a dor de saber que seu amigo estava realmente morto, sua mãe explica para ele que os dois invadiram uma casa abandonada uma semana antes, querendo fazer a brincadeira da tábua ouija, havia boatos que aquela casa era assombrada e eles interessaram em ver se era verdade, porém algo acontecera lá dentro e Ethan acabara morrendo, depois de um morador avisar a polícia que dois jovens invadiram a casa, Josh foi encontrado desmaiado dentro da sala de estar.

Desde o incidente Josh passara a ver a figura de uma mulher perseguindo-o, e para ele Ethan ainda estava vivo, eles conversavam sempre, ninguém se atrevera a dizer para Josh que ele estava paranoico, que tudo que ele estava vendo não fazia parte da realidade, aquilo só era sua própria mente pregando uma peça em si mesmo. Mesmo depois de saber a verdade, Josh continuara vendo seu amigo morto, e para seu azar continuara sendo perseguido pelo espírito da mulher misteriosa, sua mãe não teve outra escolha e acabara internando-o numa clínica psiquiatra, mesmo com o isolamento sua tortura psicológica nunca terá fim, e o espírito da mulher o atormentará até o último suspiro de sua vida insignificante.

Conto de terror enviado por Leandro Alves Borges. Envie o seu também!
Toda terça-feira tem conto de terror publicado aqui no blog.
Comentários