11 de novembro de 2014

Conto de Terror: A Casa 912

Quando a família Madisson se mudou para a pequena e congelante International Falls esperavam encontrar um lar aconchegante e feliz, mas isso foi tudo o que faltou para a família. Cheia de mistérios, A Casa 912 te fará pensar e descobrir coisas que você nunca imaginou.

Uma penumbra fria cobria a noite, se mostrando pela janela onde George mastigava rapidamente um pão com maionese guardado há uma semana na geladeira, duro e bolorento; pensando se Melody teria razão ou não, mas ele tinha certeza que algo havia mexido com a cabeça de sua filha.

– Quer vir para a cama? - Elizabeth aparece no portal da cozinha, com uma camisola de renda que foi escolhida propositalmente para deixar exposta suas pernas não tão jovens. Não perdia o gosto do sexo em meio aos problemas.

– Não, estou bem aqui - ele disse entre os dentes enquanto puxava a cadeira num movimento brusco para sentar-se.

– Quer café? -

– Não, já disse que estou bem aqui. Vá se deitar, já estou indo - os dias já foram melhores para essa família, nada parecia estar indo muito bem e as coisas só pareciam piorar.

– Tudo bem...

Elizabeth saiu abaixando a camisola que havia levantado, enquanto a noite ia se passando ao redor de George.

O tic tac do relógio, os pingos de água caindo da torneira, o farfalhar do vento do lado de fora zumbindo pela janela, a neve caindo e grudando ao chão, os olhos de George parados se fixando em seus pés e de repente Roy estava caminhando lentamente em direção a cozinha.

– Pesadelo? - perguntou George assim que seu pai entrou de cabeça baixa pela porta indo em direção ao armário.

Sem parar ou levantar a cabeça, Roy não interrompeu seus passos, seus olhos se mantinham firmes na gaveta.

– Se quiser comer alguma coisa tem na geladeira - o rosto de seu pai continuava imóvel quando sua mão puxou a gaveta, e retirou dela a maior faca, que em seguida foi enterrada em seu próprio peito.

Quando o sangue começou a escorrer por sua perna e pingar no chão, George voltou sua atenção para o acontecido.

– Sim, Melody tem razão - disse enquanto se levantava, caminhando para fora da cozinha, ao mesmo tempo em que desabotoara sua calça e passara seu braços para fora da camisa.

Quando chegou ao quarto estava semi nu, observando sua mulher que dormia; suas longas pernas envolvidas pela seda fina e delicada da camisola e os traços angelicais esparecidos em seu rosto.

– Ei, acorde! - as costas de sua mão traçavam um caminho despreocupado do pescoço até as curvas da cintura dela.

– O que foi? - disse ela esfregando os olhos. As rugas se ressaltando enquanto algumas luzes da rua atravessavam a janela e batiam em seu rosto, causando uma dor que só existia em sua mente.

Sem responder a sua pergunta, ele a pegou pela cintura e a colocou em sua posição preferida. Lençóis e travesseiros foram jogados no chão. Quando ela menos esperava ele enfiou a cueca que usava segundos atrás em sua boca.

Uma dor dupla e profunda a atingiu quando ele a puxou pelo cabelo e a penetrou tão rapidamente que a sensação de alívio de uma deu início a uma nova dor. Pouco depois ela começou a protestar.

– PARE! SAIA DE CIMA DE MIM!– Elizabeth se deu a força de gritar. Quando correu para baixo dos lençóis que pegou no chão, percebeu que o colchão onde a pouco havia sido violentada estava manchado com um líquido rosado em misto de gozo e sangue. Tocou sua vagina para checar o estrago, enquanto o sangue se alastrava por seus dedos. - OLHA SÓ O QUE VOCÊ FEZ COMIGO! -os vizinhos mais próximos poderiam ouvir seus gritos.

– O que não fazíamos há muito tempo - um silêncio tomou conta da casa e esse foi o fim de uma parte da conversa.

Depois de um tempo, quando calmos estavam um no braço do outro, George disse que amanhã a ajudaria tirar a sujeira da cozinha.

– A cozinha não está suja. Tenho apenas alguns pratos para lavar.

– Não estou falando dos pratos. Tem um corpo na sua cozinha. Roy... Suicídio... Sua faca preferida... - ele foi dizendo as palavras calmamente, como se fossem uma pista, algo que ela deveria saber. A medida que os segundos foram passando, ela foi se distanciando mais do corpo dele, numa tentativa falha de compreender o que ele estava dizendo e tomada pelo impacto de suas palavras.

"Tem um corpo na sua cozinha. Roy... Suicídio... Sua faca preferida..."

– O que? - Elizabeth apertou as mãos nos lençóis brancos que estavam na parte inferior da cama. Sua voz saía sem o mínimo esforço, como se houvesse outra pessoa dentro falando por ela.

Humf Humf Humf

George acordou rapidamente e estava ofegante. Sua garganta seca e os olhos apenas meio abertos. Sentou se na cama e esperou a tontura passar. Sabia que aquele sonho não poderia ser verdade pois seu pai saiu de casa o largando com a mãe. Aonde quer que seu pai estivesse George não saberia pois nunca mais tiveram contato. Olhou para Elizabeth que estava respirando calmamente em um sono profundo; inclinou se e deu um beijo no cabelo dela, sentindo seu cheiro e feliz por ela estar bem.

A inspiração para o conto foi a casa de Amityville.
Capítulo 01

A família passou o fim de semana na estrada fazendo a mudança. A pequena e congelante cidade de International Falls representa uma parte da vida de George, onde passou fome e a maior parte de sua infância. Aquele era o tipo de lugar onde vender bala no trânsito, ou receber por fazer anúncios na rua não daria certo. Não havia ninguém pelo lado de fora, todos preferiam ficar aquecidos e confortáveis dentro de casa, sendo que conforto não era a melhor palavra para representar a cidade.

Algumas horas depois estavam na nova casa denominada novecentos e doze, apesar de esse ser o número dela, era como a chamavam.

A casa era velha, mas não aquelas casas velhas de relíquia, era apenas velha. O cheiro de algo antigo, como se fosse couro. Quando se anda ouve-se ruídos no chão, e para isso não era necessário um velho gordo pisando fundo, o simples toque de um pé basta. As paredes com uma cor clara, porém manchada e sem vida. O teto mal feito com um lustre médio, ainda com umas lâmpadas funcionando. Na sala a lareira que Elizabeth estava tentando acender, a cozinha um pouco pequena e apertada com uma janela central, os corredores longos como os de filmes, a escada para o segundo andar era acarpetada com um tom de vermelho, e o corrimão bambo.

No andar de cima um amplo espaço com duas janelas triangulares, um outro pequeno corredor sem saída com duas portas que eram dois quartos. O primeiro era do casal, grande e espaçoso com uma janela grande para a lateral da casa, e um banheiro pequeno. O segundo também grande, porém menor, com espaço para duas camas de solteiro, as paredes escuras e uma janela média.

Descendo para o primeiro andar, George viu uma nova porta logo abaixo da escada, quando tentou abrir pensou que estava emperrada, mas ela precisava ser aberta. Pegou as chaves que havia recebido de Hope, vendedora da casa, ela havia ficado responsável pela venda desta casa, que estava cerca de doze anos no mercado; então, testando uma por uma tentou abrir, a maçaneta sem cor, talvez por ter sido muito usada.

Na última tentativa conseguiu.

A escuridão o atingindo em cheio, dando um passo para trás instantaneamente tateando a parede para achar um interruptor mas ele estava queimado, o que o fez ficar surpreso pois a casa não tinha sinais de algum dia ter tido um incêndio. Com cuidado foi descendo os degraus, roçando os pés na madeira gasta. Quando chegou a base percebeu que havia um buraco, não exatamente uma janela; com grades finas sendo que o máximo que se passa ali é um braço. Achando outro interruptor o ligou, desta vez acendendo as luzes amareladas da sala. Era um espaço amplo sem muitos entulhos, apenas uns pedaços de madeira jogadas no canto direito. No teto havia algumas estacas de madeira com ferro, como algemas. O lugar era obscuro e George tinha medo de investigar. Um vento frio correu pelo lugar que era fechado quando ele apagou a luz e se retirou, parando na base da escada e olhando mais uma vez para o buraco no alto da parede, através dela a neve caindo. Subiu correndo de dois em dois degraus, fechando a porta e dando de cara com sua mulher.
– O que estava fazendo lá em baixo? - não foi retórica mas ela não estava curiosa.
– Hmmm... nada. Acho que é um tipo de porão. Eu vou subir para montar a cama, acho que Melody dorme com a gente hoje. - disse andando em direção a escada do segundo andar.

Todo aquele barulho de máquinas e ferramentas, um grande caos.

Jantaram, e Melody logo depois foi dormir na cama dos pais. Horas mais tarde, o casal também deitou.

– Eu tive um pesadelo semana passada - George olhava dentro dos olhos de Lisa, quando deitados na cama, ela deitava em seu peito virando o rosto.

– Me conte.

– Outra hora, vamos dormir - ele estava completamente acordado, mas fingiria sono para esconder esse pesadelo de sua mulher. - Durma bem meu anjo.

Deram um breve beijo, ela logo apagando do seu lado, e mais tarde, sem ele perceber caiu no sono também.

"Ahhhh... ahhhh... estou quase.... ahhhhhhhhh..........."

Melody acordou com os gritos de uma voz masculina vinda do lado de fora da casa. Ela levantou da cama, não acordando seus pais, e indo até a janela. No relógio marcava três da madrugada.

Quando ela puxou a cortina olhando para baixo, vistou um jovem nu deitado na grama coberta de neve, se masturbando rapidamente, logo depois gozando e o gozo desaparecendo quando junto com a neve. Mas ela não entendia o que via.

Esfregou os olhos, quando focando sua visão novamente no mesmo lugar não havia nada mais. Ela voltou para a cama, jogando a coberta por cima de sua cabeça, com medo de ver algo mais.

Capítulo 02

Quando o sol caiu, Melody foi atrás de Elizabeth que estava na cozinha preparando o café da manhã de George.

– Mamãe, vamos fazer um boneco de neve? Vamos fazer um boneco de neve? Por favor, mamãe! - a pequena criança pulava em cima da mãe a puxando pela blusa e a levando para a janela.

– Olha que bonito está lá fora. Me espere aqui que eu já volto para irmos fazer um boneco de neve - Todo o bairro estava coberto por neve, e com o sol que deixava a manhã um pouco mais alegre para os moradores, eles se reuniam em frente de casa para brincar com ela; as árvores brancas como se estivessem sido pintadas. Elizabeth arrumou os cabelos e pegou a bandeja indo em direção ao quarto e acordando George.

As crianças e os jovens, até mesmo os adultos estavam felizes tomando sol, todos eles eram pálidos. Então, Lisa estava fora de casa com sua filha, com uma cenoura e dois botões na mão para o nariz e os olhos do boneco.

Um tempo depois quando as duas estavam se divertindo, Elizabeth percebeu que toda a vizinhança olhava estranho para elas.

– Oi. O sol apareceu. Legal, não acha? - ela foi dizendo as frases com alguns intervalos para a mulher que estava em frente de casa com um filho ainda pequeno.

– Venha querido. Anda, anda. Rápido. - murmurou a mulher para a criança que brincava no pouco espaço de grama.

A família estava feliz ali se divertindo, e a única coisa que Lisa não esperava era que eles saíssem.

– Que estranho. Será que fizemos alguma coisa errada? - murmurava mais para ela mesmo do que para Melody.

Boft!

Elizabeth dizimou sua atenção quando um garotinho magrelo jogou uma bola de neve no rosto de Melody, a acertando bem no olho. A menina chorando com os olhos inchados e brancos, coçava sem parar, o deixando pior.

– QUAL O SEU PROBLEMA?– ela gritou para o garoto enquanto segurava a mão de sua filha. A família do menino ria alto apontando o dedo para Melody. Eles diziam coisas entre si como "Tomara que morra" e "Igual a Rebecca". Logo eles entraram, não restando ninguém na rua.

Ela levou sua filha para dentro, e cuidou dela até que ela dormiu.

Depois de explicar tudo a George eles foram para a sala e sentaram no sofá velho.

– Quem é Rebecca? - Elizabeth perguntou quando se lembrou do que eles diziam enquanto riam.

– Não sei. Porque?

– Ah, nada. Os vizinhos estavam comentando sobre ela hoje, mas eu não sabia quem era. Só não entendo o porque disso. Primeiro, a mulher entra com o filho como se eu tivesse feito algo muito errado e ela não quisesse ser cúmplice. Depois o menino joga neve na nossa filha como se ela tivesse feito algo muito ruim com ele.

– É um comportamento bem estranho. Vamos evitar sair para amenizar a situação. Podemos brincar com ela aqui dentro mesmo.

Ele se dirigiu até o som, o ligando baixo e apagando as luzes. Com as janelas abertas, a luz do poste entrava na sala, causando uma iluminação diferente.

Ele esticou a mão, num convite para dançar.

– O que? - disse ela arregalando os olhos.

– Dance comigo - ela fungou temendo que fosse justamente isso que ele quisesse.

– Eu não sei dançar. Me dê um motivo para fazer isso.

– Porque essa é uma das únicas vezes que ficamos sozinhos e eu quero aproveitar.

Ela levantou pegando a mão dele. Ele a puxou para mais perto, colocando a mão em sua cintura.

Quando fazendo movimentos com os pés e alguns passos ela começou a pegar o jeito.

– And there's someone, who'll love and guide you...– a música soava com o sereno que agora havia lá fora.

– Turn around...– ele a girou como um gesto carinhoso - look at me– e deu um beijo em sua orelha.

– The Vogues é sempre uma boa - e ela ficou ali, com o rosto grudado no peito dele.

A música continuou e repetiu várias vezes até que ela estava deitada na mesa de jantar gritando o nome de George, e ele com as calças no chão e a cueca até o joelho falava umas obscenidades ao mesmo tempo em que enterrava tudo nela.

Prestes a gozar, George viu uma mulher os espionando pela janela enquanto fumava um charuto. Levando um susto, ele tremeu e tropeçou nas calças, segurando a tempo na mesa para não cair.

– O que foi? - Elizabeth levantou o corpo da mesa ficando sentada e colocou o braço em volta dele - Está tudo bem?

– Arrã. Foi só um susto com a árvore lá fora - ele continuou o que estava fazendo, porém, diminuindo o ritmo e não tirando os olhos da janela.

Quando o meio dia chegou, Elizabeth e Melody saíram e caminharam em direção ao mercado. O dia estava ensolarado, mas o frio nunca saíra de International Falls.

Em todo o tempo que passaram ali dentro a neve estancara, deixando o ambiente um pouco mais agradável.

Na saída Liza pediu para que Melody a esperasse na porta, mas minutos depois quando seus olhos voltaram a atenção para ela, percebeu que havia alguém conversando com sua filha. Um homem alto e magro, branco e com os cabelos arrepiados, colocava o dedo indicador na boca para simbolizar silêncio.

Saiu correndo em direção á ela, e depois de passar em meio a multidão o perdeu de vista, o homem já não estava mais ali.

– Quem era aquele homem? - estava ofegante e assustada, o pânico a tomou conta por um momento.

Depois de tudo o que acontecia em casa, Elizabeth se prendera e ficara atenta por qualquer coisa.

– Não sei. Ele disse para não voltarmos para casa, e o nome dele era Jordan. Ele pediu para eu não contar á ninguém.

Capítulo 03

As horas passaram-se rapidamente quando no relógio marcava três da madrugada e George despertou-se assustado. O quarto estava escuro e a cortina não estava fechada, mostrando a rua vazia e a neve escassa.

No rosto de George havia algumas moscas e o chão do quarto centenas de insetos mortos. Quando uma luz fraca atravessou a janela fazendo alguns movimentos ele se levantou da cama, os pés esmagando os insetos caídos e ficando uma marca de sangue no lugar em que pisava. Ele se dirigiu para o lugar de onde a luz parecia vir.

Olhando pela janela e o vidro embaçado vistou alguém, provavelmente um homem por causa dos ombros largos; vestia-se todo de preto e com um capuz impossibilitando de ver seu rosto pelo ângulo em que encontrava-se a luz do poste.

Com as unhas grandes, George a fincava no rosto e nos braços que eram os lugares de seu corpo com pele exposta, os coçando sem parar. Sua testa e bochecha surgiam um vergalhão. Seu rosto estava sangrando. Agora ele partira para o braço onde havia alguns caroços das mordidas dos insetos.

Chegou em um ponto onde seus olhos quase sumiram em meio ao seu rosto inchado. Seu braço era o dobro do tamanho normal, como se gordura tivesse sido injetada ali.

Tirando a blusa e revelando suas costas, havia dezenas de marcas de chicotadas. Estavam em carne viva, o sangue pulsando e escorrendo até a malha de sua calça. Sua pele nunca estivera tão sensível.

Saindo do quarto, ele percebeu que a casa estava tão quente quanto se estivesse em chamas. Abrindo a porta principal da sala que dá de frente para a casa, foi correndo para a lateral e percebeu que a noite estava muito fria, diferente da novecentos e doze.

Ficou cerca de duas horas pelo lado de fora, o vento batendo em seus machucados e ardendo como brasa. Quando entrou viu Melody sentada na escada com o rosto afundado no joelho.

– O que foi filha? Porque não está na cama?

– Papai, eu quero sair daqui. Por favor papai, vamos sair daqui. - seu rosto exalava preocupação e medo.

– Está tudo bem. Vamos para a cama, mamãe está lá. - ele a abraçou num gesto de carinho.

– Não papai. Tinha um menino no meu quarto e ele me disse para irmos embora. Ele me dá medo papai. Ele disse que não era para você ter ido no porão - ele a olhou não acreditanto no que ouvia. A puxou num passo rápido indo para o porão e a porta já aberta. Chegando a base e ascendendo a luz, percebeu que as estacas de madeira com ferro no teto saía fumaça.

– Ali papai - Melody apontou para a parede principal, a mesma que havia as madeiras e o buraco. A parede estava coberta de fotos, todas muito pequenas e desgastadas.

Quando se aproximou viu que nelas retratava uma mulher presa no teto pelas mesmas algemas que tinham nesse porão. George percebeu que era aqui que foram tiradas essas fotos. A mulher apresentava sinais de violentação e estava completamente nua e suja. Com cordas amarradas em todo o corpo, as fotos apresentavam uma sequência.

Um homem velho, gordo e barbudo a batia com um chicote de três fios. Ele a maltratava com objetos e os olhos dela choravam. Ela parecia mais triste do que brava por alguém a estar batendo.

No canto direito ele vistou papéis escritos a mão, ao todo eles contavam a história do casal.

A última pessoa que ali morou foi o primeiro dono. E sua família. O homem era Jordan e sua mulher era Rebecca. Ela tinha problemas no útero, tendo apenas um filho. O menino teve vários problemas na infância, como a respiração.

Uma vez Jordan saiu para o trabalho e não voltou mais. A esposa chamou a polícia por dias, e eles nunca resolveram o problema. Até hoje o velho não foi encontrado. Alguns vizinhos dizem que ele fugiu com outra mulher, mas ninguém nunca ouviu o casal discutir.

Três meses depois que ele desapareceu, a mulher trancou o filho no quarto, a janela cheia de cadeados para ele não fugir. Ela enfiou um papel por debaixo da porta escrito que aquilo era pelo pai dele e o menino não entendeu nada. O único problema é que ela queimou toda a casa. Quando o fogo a atingiu, ela não quis gritar e segurou o máximo suas lágrimas. Enquanto era queimada viva ouvia o filho gritar obcenidades baixas e cruéis. Ele queria que ela queimasse de novo no inferno. Ela sussurou um Eu te Amo nos seus últimos segundos. O corpo dela ficou inteiro, e se você a tocasse seu dedo afundava em sua pele.

O filho colocou um pano por baixo da porta para não deixar a fumaça entrar, mas isso apenas ajudou que o fogo viesse mais rápido. Ele já sabia que ia morrer. Quando o fogo já alastrava por todo o quarto e o atingia, ele mordeu os lábios numa força anormal e as lágrimas sairam freneticamente. Seus dentes atravessaram seu lábio, fazendo o sangue ralo descer por seu pescoço.

Não sobrou nada da casa. Na mesma madrugada os bombeiros retiraram os corpos, a cercando com um imenso pano preto para ninguém a fotografar. O governo da cidade proibia qualquer pessoa tentando atravessar os panos e a faixa de segurança e que qualquer jornal publicasse sobre. A iniciativa veio da família, sabia que os-três-mortos, não gostariam de suas vidas expostas.

As pessoas só foram ver o local depois de dois anos, quando os bombeiro retiraram o pano. Eles estavam fazendo outra casa para substituir a velha. Mas reaproveitaram algumas paredes.

Quando Elizabeth chegou ao porão, ficou horrorizada com tudo aquilo. Mandara Melody subir para seu quarto e abrir a porta apenas para ela e George.

– O que é isso? Olhe essas fotos. Que coisa horrível! - seus olhos focalizaram toda a parede.

– Vamos sair dessa casa. Agora.

– George, tem certeza? A médica disse que não podemos ir de lugar em lugar. Isso não fará bem para Melody, ela precisa se fixar em um lugar para se acostumar.

– Lisa, ela é adotada! Ela nunca esteve acostumada a ficar em um lugar.

– Papai, o que é adotada? - ela apareceu nos últimos degraus da escada, os olhos presos a George e Elizabeth, enquanto eles estavam parados sem saber o que falar. O rosto dele já não estava mais inchado. - Papai, porque eu sou adotada?

No outro dia a família saiu de casa, e foram atrás de um casal que cuida de casos paranormais: os Warrens.

Não sabiam direito em que tipo de situação estavam envolvidos, mas quanto mais os dias passavam eles descobriam que o mal estava bem na frente deles.

Levaram Lorraine e Ed Warren até a casa.

Lorraine desceu do carro bem devagar, olhando para a novecentos e doze. As janelas triangulares no alto da residência pareciam olhos, que a olhavam de volta.

– É... eu não vou entrar. Melody fica comigo. - murmurou Elizabeth para George que mantinha a atenção no outro casal, sentindo uma espécie de medo ao pensar no que poderá acontecer nas próximas horas.

– Tudo bem, eu não sei quanto tempo isso vai levar. - ele saiu dando um beijo na cabeça de sua filha, a menina que estava apreendida desde o dia anterior. Uma mente de sete anos é um pouco frágil e pequena para entender tudo isso.

Nas próximas horas, Liza e sua filha brincavam na grama molhada de neve derretida, enquanto do lado de dentro as coisas continuavam escuras.

– Isso não vai ser fácil. Esse demônio, espírito, seja lá o que for; não vai largar vocês. Terão que dar o que ele quer! - comentou Lorraine minutos depois que estava presente dentro da casa.

– O que?

– Outra alma. - houve silêncio total no corredor do segundo andar, e a única coisa que se ouviu foram passos subindo as escadas.

Todos ficaram parados olhando, e o tempo que era necessário para uma pessoa subir essas escadas, não era suficiente para isso subir. Os passos demoraram até desaparecer.

– É ela! Agora está tudo claro, como eu não percebi isso antes?... Rebecca, eu sei que você está atormentada, que o final de sua vida foi triste e trágico, mas deixe essa família para que ela possa ser feliz e cumprir a missão que você nunca cumpriu: ter uma vida.

"Você está com seu filho, está na vida eterna e está condenada, sua vida não poderia estar pior, sua vida não poderia estar pior, sua vida não poderia estar pior. Saia desta casa e nunca mais volte. - Lorraine chegou para o lado e deu a mão para Ed, enquanto George mantinha os olhos fechados e se ajoelhava.

O silêncio continuava e depois de um tempo nada mudou, quando eles menos esperavam os vidros da janela estouraram, e uma rajada de vento entrou. George olhou para fora viu que as folhas das árvores estavam imóveis, isso o fez arregalar os olhos e gritar para todos saírem da casa mas a mulher Warren o impediu.

– Não importa para onde você e sua família vá, ele sempre estará atrás de você. Ele está faminto e vai usar vocês como alimento, assim como o fogo que se alimentou deles. O fogo agora é a segunda casa deles, e Rebecca pretende fazer ser a de vocês também. Terá que fazer um sacrifício maior... dê sua alma para ela, é o que ela quer e ficará aqui até conseguir.

George pegou um caco de vidro no chão, e o posicionou em sua costas o escondendo enquanto Lorraine se virava para olhar o corredor. Ele pensou e enfiou o vidro no pescoço dela, quando Ed o atacou mas George o derrubou, logo depois dando um chute em sua costela. O rosto do velho homem ficou preso no chão junto com os cacos.

– SAIA DA MINHA CASA!– dirigiu o grito para Ed. - Eu mesmo acabo com isso.

Enquanto ele ia em direção a escada, alguém o segurou pelo cabelo e passou o mesmo vidro usado na Warren em seu pescoço. O sangue saía em jato e seus joelhos já fracos caíram no chão.

Ali mesmo deitado, com os olhos meio abertos, viu Lorraine na sua frente.

– Achou mesmo que podia me matar filho da puta? Eu faço isso há cinquenta anos. Você não é o primeiro á tentar - levantou a blusa até metade da barriga onde havia centenas de cicatrizes. - Eu poderia ser mãe desses demônios.

O casal desceu as escadas, e foram até Elizabeth que estava com Melody dentro do carro cantando cantigas de sua época.

Quando ela os viu, saiu correndo e foi até eles.

– O que é isso na sua blusa? Cadê o George? - seus olhos cheios de água focavam o pescoço de Lorraine, com sangue e sua roupa amassada. - CADÊ O GEORGE?

– Elizabeth... o George...

– Ele disse que não sabia quanto tempo isso levaria, isso vai durar a eternidade! - as lágrimas saindo freneticamente e Melody agarrada á sua perna.

– Desculpe, a força maior o pegou...

FIM!

Conto de terror escrito por Sanches L. Envie o seu também!
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