22 de outubro de 2014

Minha História Assombrada: O Encosto

Tudo aconteceu quando eu tinha 8 anos de idade, no ano de 1996. Meu pai tinha um bar e minha mãe o ajudava aos fins de semana, pra complementar a renda da família. Eu tenho dois irmãos: P., que na época estava com 11 anos e T. com 5. Meus pais deixavam a gente dormindo em casa enquanto atendiam a freguesia no bar, que era em frente.

Eu sempre acordava a noite e ia andando pelo quintal até o bar para que minha mãe me colocasse na cama e ficasse comigo até eu dormir de novo. No quintal havia uma amendoeira, que sempre me dava um pouco de medo a noite.

A primeira vez que tive contato com o pavor extremo foi quando, num desses fins de semana em que meus pais estavam no bar, eu acordei e fui andando pelo quintal no meio da noite na intenção de chamar minha mãe. Quando olhei em direção á amendoeira, vi que havia algo em pé, próximo a árvore, olhando fixadamente pra mim. Então eu paralisei. Fiquei uns 3, 4 minutos parado olhando, com o coração disparado, tremendo. Seja o que for que estava lá também ficou me olhando. Só sei que não era humano. Ou se era, não estava vivo. Eu tentava gritar, chorar mas não conseguia. Foi então que ouvi quando minha mãe gritou: ­ Você está doido menino? Ta muito frio, entra!

Fui andando com minha mãe, mas sem tirar os olhos da árvore. Não lembro de nada depois de ter entrado em casa. Minha mãe disse que eu comecei a gritar e a bater nela. Meu pai veio correndo e me segurou. Depois de um tempo eu dormi.

No dia seguinte fui pra escola e lembro de estar cansado, parecia que eu tinha sido pisoteado por um elefante. Quando cheguei em casa, fui passando pelo quintal e olhei em direção da amendoeira. Não havia nada, mas senti um arrepio, um frio na barriga. Entrei em casa e senti como se alguém estivesse me olhando na janela do meu quarto. Dessa vez corri, não tive coragem de olhar. Fui pra cozinha onde estava minha mãe. Ela me olhou, ficou assustada. Eu estava todo tomado por uma alergia. Minha pele tava muito vermelha.

No dia seguinte não fui a escola, pois minha mãe me levou ao médico que constatou que minha pele estava daquela forma por causa de "algo emocional"... Ele me encaminhou pra um neurologista, mas minha mãe não me levou porque logo as manchas vermelhas sumiram. Passou um tempinho e eu voltei a minha vida normal. Brincava na rua com os coleguinhas, ia pra escola. Mas ao passar pelo quintal sempre sentia um frio na barriga, um arrepio ao olhar para a amedoeira.

Na noite do meu aniversario, no dia 17 de junho de 1996, minha mãe fez uma festinha com meus irmãos e chamou uns coleguinhas meus pra comer bolo comigo. Brincamos, comemos. Fomos pro quintal. Foi quando passei por uns dos piores momentos da minha vida: Meu irmãozinho mais novo estava sentado aos pés da amendoeira no quintal brincando com um cavalinho de brinquedo.

E de pé, ao lado dele, estava a figura assustadora. Dessa vez estava falando algo comigo, e apontando pro meu irmãozinho. Mas eu não entendia. Dessa vez consegui gritar meu irmão mais velho. Falei pra ele olhar pra árvore, expliquei, mas ele disse que não via nada. Mas eu estava vendo!

Comecei a correr, peguei meu irmãozinho. Quando segurei no colo, pude ver o quanto "aquilo" era horrível. Olhos negros, totalmente. Com uns dentes podres, esverdeados, sorria pra mim, ou de mim. A pele amarelada, parecia está nu, ou nua. Tinha poucos cabelos, brancos e desgrenhados. Corri com meu irmão, quando cheguei na varanda eu estava todo molhado. Eu urinei de medo! Contei tudo a minha mãe. Tive febre aquela noite. Meu corpo estava todo vermelho de novo. No dia seguinte minha mãe me levou a casa de Dona Maria Resadeira. As mães costumavam levar seus filhos para serem benzidos contra "olho gordo, quebranto, mau agouro" em troca de alimentos para dona Maria!

A velha senhora me colocou sentado em uma cadeirinha de madeira. Pegou um ramo que continha vários tipos de ervas, incluindo arruda. Ela batia com o ramo em meus ombros. Fazia uma "reza" que eu não entendia. Quando terminou, minha mãe deixou um pacote de biscoitos em sua mesa. Fomos embora.

A noite, em casa, deitado em meu quarto, meus irmãos já dormiam, mas eu não. Eu estava ouvindo algo em minha janela. Vozes, folhas sendo pisadas. Até que alguém forçou a janela. Eu corri pro quarto dos meus pais. Dormi la com eles!

Meus pais já não sabiam mais o que fazer. Eu me tornei uma criança solitária. Não tinha vontade de sair do quarto dos meus pais. Nem de ir no quintal. Eu tava com uma bronquite forte, muita falta de ar a noite.

Até que chegou a noite em que minha vida mudaria para sempre. Eu acordei em meu quarto, no meio da noite. Meus pais me colocaram lá, pois eu estava no quarto deles. Meus irmãos estavam dormindo. Levantei, tomei água que minha mãe deixou em minha cabeceira. Foi quando senti alguém atras de mim. Dava pra sentir. Era quente. E dessa vez me tocou.. Quando me virei, vi de novo. A criatura da amendoeira. Estava atrás de mim. Sorrindo. Falava algo que eu não entendia.

Eu gritei minha mãe como se fosse a ultima coisa que ia fazer. Até que ele apareceu na porta e parou por uns 5 segundos antes de correr em minha direção e me agarrar na cama. Acho que ele também viu. Mas ela nunca me confirmou isso. Meus irmãos e meus pais estavam na sala e eu e minha mãe estávamos na cozinha, onde ela me deu água com açúcar. Acho que quando minha mãe se jogou na cama "a coisa" se foi. Meu pai saiu, de madrugada, e foi até a casa do senhor Wilson.

Ele comandava um terreiro e era muito conhecido no bairro. Ele prontamente aceitou ir a minha casa. Fez umas exigências aos meus pais. Me colocou sentado em um dos sofás da sala enquanto meus pais estavam em outro. Meus irmãos estavam no quarto de meus pais. Senhor Wilson, ou "Seu Vilsu", como era chamado por todos, começou a falar embolado. Sentou no chão. Na época, não entendi nada daquilo que ele tava fazendo. Só sei que ele disse aos meus pais que fizeram algum "trabalho" para eles, mas que o mau estava perseguindo a mim. Um tipo de encosto, sei lá.

Quando foi embora deixou mais recomendações e um papel com "coisas" pra meus pais fazerem.

Dezoito anos se passaram e nunca mais eu vi a criatura depois daquela noite. Ao menos não vi acordado, pois toda noite ainda tenho pesadelos. Tomo remédios controlados. A amedoeira não existe mais. Meu pai aumentou a casa e a derrubou. Tenho 26 anos, moro no mesmo local dos acontecimentos. E sei que tudo que aconteceu foi tão real que minha vida nunca mais foi a mesma.

História assombrada enviada por um usuário que preferiu o anonimato

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