22 de outubro de 2014

Minha História Assombrada: Experiências que Vivi - 2ª parte

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Bicho Estranho
Na época em que minha irmã ainda estava lá passando um tempo com o bebê, como já lhes contei, eu dormia no colchão no chão aos pés da cama, como eu custava a pegar no sono, ficava lendo até tarde. Certa noite, após ler e apagar a luz, fiquei ouvindo os cachorros da rua latindo sem parar, alguns minutos depois, eles choraram e ficaram quietos, quando ouvi um barulho muito forte, como se algo se batesse nas grades do portão da frente e pulou, veio correndo em direção aos fundos e quando passou pela janela do quarto, bateu tão forte que parecia que iria derrubá-la e soltou um rosnado, grunhido, uma coisa muita horrível e também senti um fedor de coisa podre, pulou pra cima da casa, bateu no varal que estava cheio de prendedores de roupa e passou pra cima da cozinha dos fundos e ficou tudo quieto. Como aquilo fez isso? Como conseguiu pular pra cima da casa, não tenho noção de altura mas teria que ter dado um pulo de mais de 3 metros, não tinha como escalar, talvez tenha se agarrado na janela, mas o mais intrigante é que como conseguiu pular de cima da casa da frente até a cozinha dos fundos, a distância é muito grande. Minha irmã acordou com o barulho mas não entendeu nada. No dia seguinte, fui ver se havia alguma marca, pegadas, qualquer coisa, mas não achei nada, ouvi duas vizinhas comentando que ouviram os cachorros da rua latindo muito e bravos, também falaram que ouviram um barulho muito forte no nosso portão, acharam que era o cavalo do vizinho da esquina que tinha se soltado. Um dessas vizinhas era a avó da minha amiga, que eu sempre contava essas coisas, então depois fui lá na casa dela e falei o que aconteceu. Ela ficou apavorada e disse: ''Será que era um lobisomem?"

Não tenho nem ideia do que era e nem quero saber! Nessa época eu estava com 14 anos, mas quando eu era menor, sempre ouvia histórias dos mais velhos, histórias de um vizinho que diziam que era lobisomem, mas ele já havia morrido, histórias da mulher de branco que caminhava nos trilhos, o assobio também nos trilhos que chamava as pessoas e quando olhavam não tinha ninguém, o cachorro preto da passarela atrás da nossa rua... Cidade pequena do interior, antigamente, tinha muito disso, causos de arrepiar, minha falecida avó paterna foi uma que jurava de pé junto que viu lobisomem (ela chamava de ''bichóca''), dizia que quando ele apareceu, ela ouviu os cachorros latirem muito e depois ficavam quietinhos e choramingando, dizia que quando o lobisomem estava perto, sentia um cheiro de cachorro molhado e bicho podre, ouvia um barulho como se estivesse arrastando couro seco pelo chão, contam os mais antigos que antes do homem se transformar em lobisomem, ele se esfrega em coisas podres e come bicho morto, por isso do fedor e barulho do couro seco é que ele anda arrastando os pés no chão e cavando que nem cachorro. Minha vó trabalhava e morava em uma fazenda, era viúva, mãe de 15 filhos, então depois que a filharada todo ia dormir, ela dava uma última caminhada ao redor da casa pra ver se tinha algum animal solto pelo terreno, certa noite, ela foi recolher um bezerro que estava solto, então ela ia levando ele para o celeiro quando ouviu a cachorrada latindo e sentiu um fedor, de longe ela enxergou um bicho preto, orelhudo, com um focinho enorme, cavocando no chão, ela entrou correndo no celeiro com o bezerro e fechou a porta, ficou espiando pelos buracos o bicho feio que se aproximava, disse que ele se esfregava nas tábuas do celeiro e rosnava, depois estava tentando entrar cavando um buraco no chão embaixo das tábuas, os cavalos e as vacas estavam apavorados mas estavam quietos, até que um cavalo se assustou e deu um coice na parede, daí o bicho se afastou, mas ela conta que ele ficou ainda um bom tempo em volta daquele lugar. Ela esperou amanhecer pra voltar pra casa. Meu tio, filho desta minha vó, contou que uma vez fazia ronda no campo com mais outros peões da fazenda, ele estava a cavalo no meio do campo, era uma noite de lua clara, de longe ele viu um cachorrinho branco que não era da fazenda, de repente o cachorrinho branco começou a se aproximar e foi ficando maior, maior e cinzento, foi ficando feio com um focinho enorme, ele tentava fazer o cavalo andar mas o cavalo não se mexia, então ele sacou o revólver e deu uns tiros no bicho e o bicho saiu correndo, depois que o bicho se afastou, o cavalo resolveu andar. Os outros peões ouviram os tiros e correram até ele, disseram que viram um cachorrão branco correndo na outra direção, então meu tio contou o que tinha visto. Na rua da casa dos meus pais, há muitos anos quando eu nem era nascida, diziam que tinha um dos vizinhos que era lobisomem, toda noite de lua cheia, ele saía, dizia que ia pescar e voltava no outro dia pedindo ervas para as vizinhas pra fazer chá pro estômago, certa vez, outros vizinhos foram pescar, mas não junto com ele, porque ele sempre ia sozinho, então no tal rio que eles foram pescar, ficava no mato perto do quartel, disseram que ouviram uns gritos no meio do mato e barulho de galho quebrando, foram espiar o que era e viram o tal vizinho todo contorcido no chão, pelado, disseram que a cara dele era um focinho comprido e rosnando que nem cachorro, gritou e mandou eles embora. Não precisou falar duas vezes, os caras saíram correndo e voltaram pra casa, falando pra todo mundo o que tinham visto, a maioria não acreditou neles, diziam que era coisa da cachaça. O tal vizinho lobisomem sumiu por vários dias, sem dar explicação, ninguém sabia onde ele estava, até que a polícia procurou uma das vizinhas pra pedir mais informações do homem e falou que ele estava muito mal no hospital e como ele não tinha nenhum parente, pediu que alguém fosse lá com um padre porque ele disse que iria morrer mas queria que alguém fosse lá e levasse um padre. Foram 3 vizinhas lá, levaram um padre e disse que antes dele morrer, uivava que nem cachorro. Até hoje estas vizinhas existem e contam esta história, assim como um dos pescadores, diz que o que ele viu não era coisa da cabeça dele, que ele viu o homem virando lobisomem.

Bairro Sinistro
No bairro que morei quando criança, tinha várias coisas estranhas que aconteciam por lá, vários relatos de vizinhos que viram e ouviram coisas, então eu adorava escutar aquelas histórias. O Bairro Macedo fica perto do centro de Alegrete, o que separa o bairro do centro é os trilhos que cortam a cidade, nesses trilhos passam trens de carga, lá é uma cidade de muitas fazendas e plantações, principalmente de arroz. Alegrete localiza-se perto da fronteira e teve muitas guerras, no século XIX queimaram o povoado e a capela da cidade e durante a Guerra dos Farrapos, Alegrete se tornou a 3ª Capital Farroupilha, na época, era considerada vila, depois disto que se tornou cidade, então, houve muita morte naquele lugar, isto antes e depois dos anos de 1835, em alguns lugares da cidade há relatos de que ouve-se barulhos de soldados a cavalo, brigando com espadas e tiros. A Avenida Liberdade é um destes lugares, dizem os moradores que tem uma certa época do ano, que de madrugada ouvem um tropa de cavalos correndo pela avenida e homens gritando, como se fosse uma guerra e do nada, tudo fica calmo de novo. É como se estes soldados revivessem sempre a mesma batalha eternamente. Do lado desta avenida, passa os trilhos e do lado dos trilhos, tem um beco de terra, bem comprido e escuro, chamado Conde de Porto Alegre, este beco começa como uma rua lá perto do bairro onde morei e vai afinando até terminar e chegar na Cidade  Alta que é outro bairro bem distante de onde eu morava. Várias vezes meu namorado e eu íamos para a casa dele depois de alguma festa, passávamos por este beco, preferíamos ir por lá porque ninguém passava lá a noite pois diziam que era assombrado então para nós era seguro, havia muito marginal na avenida de noite e lá, nem eles entravam. Nós íamos do centro até a o beco por cima dos trilhos, de noite, não passa trem, certa vez, começamos a ouvir um assobio, como se nos chamassem, olhamos, não vimos ninguém, então seguimos nosso caminho. O assobio continuava e quando chegou no beco parou, então eu contei a história que me contavam quando eu era criança que havia um assobio fantasma que chamava as pessoas nos trilhos a noite. Quando entramos no beco, uma coruja fez um barulho e saiu voando, continuamos sem nos abalar, só que foi ficando tão sinistro, a luz do poste ficou piscando e de repente uma sombra atravessou o beco, bem na nossa frente. Demos as mãozinhas e saímos bem depressa de lá. Ah, e lá também tem relatos de lobisomem, mas não conheço muito bem a história, então não posso contar.

Bom, voltamos ao Bairro Macedo... A rua onde eu morava, atrás desta rua, havia uma passarela, uma ruela estreita que ligava os trilhos até uma rua principal que passa nos fundos do bairro. Vários relatos de vizinhos afirmam terem visto um cachorro preto que sumia no meio da passarela, outros viram só a sombra dele e alguns juram que viram ele de perto, dizem que é um cachorro muito preto e com olhos vermelhos. Também tinha a casa de uma senhora, que já é falecida, os fundos da casa dela davam na passarela, ela contava que via coisas, as vezes ouvia uma mulher chorando e uma vez viu um menininho sentado na porta da cozinha dela e quando chegou perto, ele sumiu. Naquela época, era normal as crianças ficarem brincando na rua até de madrugada (mas isso nas férias de verão do colégio), brincávamos de pega pega, esconde-esconde e certa vez, um amigo meu e eu resolvemos nos esconder na passarela, entramos correndo lá, nem pensamos em nada do que os outros contavam, então estávamos abaixados quietos perto de uma cerca, pra que os outros não nos achassem, quando ouvimos um estalo e olhamos pro lado, vimos dois olhos vermelhos nos encarando, saímos gritando e correndo, quase passando um por cima do outro então o vizinho acordou e ligou a luz do pátio dele e não viu nada e mandou a gente pra casa dormir que já era tarde pra bagunça. Eram dois olhos bem vermelhos em uma coisa preta, se era o tal cachorro, não sabemos, mas nos deu muito medo porque a coisa estava bem perto de nós. Outra vez foi na casa da minha vizinha, depois da novela, minha irmã e a amiga dela estavam tomando chimarrão sentadas no corredor do pátio da vizinha, do lado do corredor, tinha uma cerca e umas árvores, era bem escuro, só dava a claridade da luz do poste da rua, eu estava sentada na porta, então ouvi passos, achei que fosse a senhora da casa que estivesse por ali, ouvi os passos de novo e fiz sinal pra minha irmã e a amiga dela ficarem quietas, elas também ouviram, eram passos se aproximando de nós, então levantei e fui espiar por cima da cerca. Os passos pararam bem na minha frente e parece que alguém bateu o pé no chão bem forte, as gurias saíram gritando derrubando tudo e me deixaram pra trás, saí correndo também. Que susto!


A construção que nunca acaba e o desespero que acabou
A casa dos meus pais, vive em constante reforma e mudanças. Como mencionei no outro relato, o terreno era bem grande, com várias árvores e natureza, porém depois da construção da casa, sempre tem algo a mais, teve a casa menor dos fundos que era apenas uma cozinha com banheiro e área com churrasqueira, com o tempo meu pai comprou um carro, um monza cinza, ano 85, então logo veio mais uma garagem. Pouco tempo depois, minha mãe pediu para calçar tudo, não queria mais terra naquele pátio, disse também que queria uma área de serviço, então lá se foi mais uma peça do lado da cozinha. Ela começou a implicar com os vizinhos e fez com que meu pai construísse um muro bem alto, pra que ninguém ''cuidasse'' pra dentro do nosso pátio. Cada vez ficamos mais excluídos da vizinhança e com tudo sendo mexido e remexido, as atividades sobrenaturais só aumentavam... Em 2012, fui passar o Natal e ano novo lá com eles, para minha surpresa, ou nem tanto, mais construção. O muro mais alto ainda, minha irmã foi morar lá na casa dos fundos, então, mais uma peça foi construída, a churrasqueira foi mudada de lugar, outra área e a garagem foi puxada mais para frente, resumindo, o que era bonito, cheio de vida, se tornou um lugar apertado, cheio de peças, calçada, cimento e escuro. Fomos para passar o Natal e ano novo, porém, voltamos antes, eu não aguentei ficar muito tempo lá, fomos dia 23/12 e voltamos no dia 29/12. Nesses dias que ficamos lá, não dormi bem, meu marido também não, ele levantava no meio da madrugada, ia pra fora, fumava um cigarro e voltava pra se deitar. Minha filha até que dormiu, mas um sono perturbado e falava a noite inteira. Como a casa em si só tem 2 quartos, ficamos no quarto que era meu, meu marido e eu dormimos no colchão no chão e minha filha na cama de solteiro. Dormi para o lado da porta e ficava toda hora olhando, parecia que alguém me vigiava e já ia me puxar do pé. Foi um horror, quando eu tirava um cochilo, eu acordava sufocada com a sensação de estar sendo observada. Passei mal todos esses dias, com aquela sensação de que havia algo que sabia que eu estava ali. Perguntei para minha sobrinha como estavam as coisas por lá, ela me disse que era do mesmo jeito, cada vez pior, não só pelas coisas estranhas, mas clima entre família mesmo, ela estava cheia de problemas, meu pai andava doente, os pais dela sempre brigando, ela disse que tinha vontade de fugir de casa com o namorado. Tudo isso me afetava, minha filha também se sentiu angustiada de estar lá, ela só gostou quando saímos para passear com meu pai. Minha filha e eu somos empatas, empatas são como os sensitivos, porém absorvemos a energia do lugar e acaba nos afetando a saúde, eu fico com dor de cabeça, náuseas, as vezes até vomito e com a visão do olho direito ruim, como se estivesse com uma nata dentro dele. Minha filha também ''herdou'' esse dom, só que com ela é um pouco diferente, talvez por ser criança, ela entra em uma espécie de transe quando fala, fica com os olhos arregalados, muito pálida e fala coisas sem sentido e parece não se dar conta do que está acontecendo. As vezes, antes dela voltar ao normal, vomita uma gosma preta e age como se nada tivesse acontecido. Quando ela nasceu, fiquei um semana na lá para me recuperar do parto, minha filha chorava muito, então quando voltei para casa, nem parecia que tinha um bebê recém nascido, era muito tranquila, nem dor de barriga ela tinha, porém das vezes que íamos visitar a casa de meus pais, ela chorava, dava dor de barriga, quando ela adormecia, do nada acordava assustada, tremia e chorava, uma vez minha mãe disse que eu tinha que levar ela na igreja para o pastor fazer oração porque ela era uma criança perturbada por um encosto, então eu disse que o que a perturbava era aquela casa e as bobagens que minha mãe dizia. Ficamos uns dias sem nos falar mas depois voltou tudo ao normal. Antes de nos mudarmos para Porto Alegre (antes de morar em Novo Hamburgo, moramos 4 anos em PoA), minha filha e eu ficamos um tempo na casa de minha mãe, meu marido foi na frente para arrumar emprego e um lugar para nós morarmos, foram longos e terríveis meses naquele lugar, talvez por desta vez eu não estar sozinha, as coisas da casa nos afetaram muito. Nestes 7 meses que ficamos lá, não houve construção, mas a casa fedia a cimento, as paredes descascavam a tinta, o reboco ficava caindo, principalmente no quarto onde minha filha e eu dormíamos, a janela estava enferrujando, a umidade e o mofo tomaram conta daquele lugar, eu senti que algo estava tentando nos sugar. Minha filha passou todo esse tempo doente, ficou bem magrinha, sem cor, sem ânimo, vomitava quase todas as noites, entrava nesses transes do nada e minha mãe só perturbava, levou ela até no pastor da igreja, mas nada adiantou. Quando não estávamos na casa, ela ficava muito bem, certa vez fomos para um sítio na casa de uma tia minha, passamos uma semana lá e ela engordou, pulava, brincava, não deu um espirro, mas no dia que voltamos, de noite ela já adoeceu de novo, batia um desânimo nela, ela enfraquecia, levei ela em vários médicos e um deles me disse que poderia ser psicológico, por estar longe do pai. Meu marido ia nos visitar uma vez por mês, sempre ia todo feliz dizendo que tinha conseguido um lugar pra gente morar, que era só dar entrada na papelada. Quando ele voltava pra Porto Alegre, dava tudo errado na imobiliária e não conseguia nos levar. Um dia eu disse, não quero mais que tu venha nos visitar, fica aí, te foca no teu trabalho, arruma um lugar e quando tu estiver com a chave na mão, tu me avisa que vamos no mesmo dia. Foi deste jeito que conseguimos sair de lá, parecia que dava sempre errado toda vez que ele aparecia e contava os planos. Neste período que ficamos lá, minha mãe parecia não gostar, ela estava sempre reclamando que tinha que fazer reforma na casa, mas não sobrava dinheiro e que com a gente lá, não poderia reformar o quarto. Ela perturbava minha filha, falava bobagens, ficava fazendo oração com a mão na cabeça dela, dizia que era pra ela me mandar embora que queria ficar com a vó, então ela chorava e dizia que não queria ficar ali e que não era pra eu deixá-la. Finalmente, conseguimos sair daquele lugar, pouco antes da minha filha completar 4 anos. Faz pouco mais de 5 anos que nos mudamos, 4 anos em Porto Alegre e quase 1 ano em Novo Hamburgo, nunca mais tivemos esse tipo de ''problema sobrenatural'', vivemos em paz, somos uma família unida, amorosa, tranquila, nos damos muito bem, mas queremos distância daquele lugar e de alguns parentes, desde que nos mudamos, fomos pouquíssimas vezes lá, só vamos mesmo por causa de meu pai e pelo pai do meu marido.

Bom pessoal, espero que tenham gostado dos meus relatos, embora um pouco longa a história, isso fez parte da minha vida e quis partilhar com vocês aqui no blog Assombrado. Abraço a todos!

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História assombrada enviada por Joice B.

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