14 de outubro de 2014

Conto Assombrado: A Boneca da Morte

Este conto de terror vai falar sobre um funeral que nunca tem fim. Tudo por causa de uma boneca...

Era uma noite triste e sombria para a família Josh. Um membro muito querido e amado por todos havia falecido recentemente, todos estavam lá no centro da sala de sua mansão, trajando preto e com lágrimas em seus olhos.

Eu não fazia parte da família, estava lá como empregado, servindo e consolando cada um dos membros que possuía tristeza em suas almas.

Mas quando eu subi para o segundo andar para aliviar a tensão do velório sobre meus ombros e também para fumar um cigarro, eu ouvia vozes vindo do banheiro, local aonde o senhor Josh foi encontrado morto.

Ela não dizia nada além de tristeza e melancolia. Quando girei a maçaneta da porta e adentrei o cômodo, não avistei nada além de uma boneca de porcelana em cima da pia.

Era algo assustador, o barulho da tempestade junto com aquelas vozes na minha cabeça, pensei que estava ficando louco, sentado no vaso olhando para a banheira, acendi meu cigarro e ali fiquei pensando na morte após a vida.

Pensei se havia jeito de escapar do chamado de Deus ou da maldade do Diabo, era muito jovem para morrer, mas fumando como eu estava, não duraria muito. E aquela boneca acima da pia me encarava como algo que nunca havia me encarado em toda a vida.

Seus panos negros e sua porcelana clara como a neve, soava como algo sombrio naquela tarde, como todas aquelas lágrimas no andar debaixo. Pensei que estava olhando diretamente nos olhos da morte através daquela boneca, mas era algo da minha cabeça, pensei saindo daquele banheiro.

Então caminhando para a porta do quarto do senhor Josh, ouvi mais daquelas vozes de tristeza me chamando, mas dessa vez soava como algo maligno e tentador. Girando a maçaneta daquela porta e entrando no quarto, avistei a mesma boneca da pia do banheiro em cima da cama.

Desta vez a boneca chorava, mas não eram lágrimas qualquer, eram lágrimas de sangue. Era tão intensa e bela aquelas cores vermelhas escorrendo como vida naqueles olhos sombrios.

Ao lado da boneca estava a esposa do senhor Josh, dormindo calmamente. Preocupado, me aproximei, e ao tocar-lá senti que sua pele estava fria e seus olhos vazios.

Era outra morte que aconteceu no mesmo funeral, era um ciclo sem fim, um dia após o outro uma pessoa morria naquele funeral. Pensei que fumando podia diminuir meus dias naquela casa, mas nada atraia a morte para mim.

Era meu castigo, passar a eternidade naquele funeral servindo as pessoas para depois vê-las morrer ao lado da boneca da morte. Aquela casa era dela, o velório era para agradá-la. Minha vida é dela agora, é nada poderá mudar isso, a não ser minha morte.

Conto de terror escrito por Lucas Pinheiro. Envie o seu também!
Toda terça-feira tem conto de terror publicado aqui no blog.
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