30 de setembro de 2014

Conto Assombrado: A Maldição do Livro Velho

Um senhora queria lhe entregar um velho livro, mas ela recusou. De nada adiantou, pois o livro foi até ela e mudou sua vida para sempre...

Dizem que os mortos nunca voltam. Por mais que acreditemos, tudo isso não passa de um íntimo desejo de continuar a viver mesmo depois de morto, pois não nos conformamos com a morte.

Não era nisso que Helena acreditava. Gostava muito de assuntos relacionados ao sobrenatural e sempre buscava meios de entender o que acontece quando morremos.

Um dia quando estava saindo do colégio, fazia muito frio e uma intensa neblina cobria as ruas. Helena caminhava num ritmo devagar, para aproveitar o tempo, pois adorava o frio.

O silêncio tomava conta da rua quando foi interrompido por passos. Era uma senhora muito enrugada e com uma aparência nada saudável. Tinha um livro grosso e velho nas mãos e de repente chamou-a pelo nome. Helena mesmo assustada com essa situação sobre o fato da velhinha saber o seu nome, resolve parar e ver o que a senhora quer, pois pensou “o que uma velhinha poderia fazer de mal?

A velhinha se aproximou e lhe ofereceu o livro grosso e velho a moça, afirmando que o tal livro deveria ser oferecido a ela mas não poderia ser rejeitado, pois, a pessoa destinada ao livro sofreria sérias consequências. Helena debochou da senhora enrugada, dizendo que estava caduca. E mesmo com muita insistência da velhinha, Helena não aceitou, virou-se e foi embora carregando as últimas palavras ditas pela senhora “seu último desejo será seu martírio por toda a eternidade”.

Helena chega em casa agindo normalmente, nem se importou com abordagem recebida a pouco. Almoça e vai dormir em seu quarto. Quando acorda olha no relógio, são três da tarde.

Repentinamente toma um susto! O livro qual a velhinha oferecera estava na cabeceira de sua cama!
Apesar da indignação, Helena pega os livros nas mãos, era um livro marrom, sem nome. Então resolve abrir.

Logo na primeira página havia algo escrito a mão em uma língua que Helena não conseguiu identificar “ez a könyv az esélye, ha a tulajdonos a könyv tagadja meg az utolsó kívánsága az lesz a legnagyobb rémálom.” Folheou o livro tentando obter alguma informação sobre o livro mas também estava escrito nessa língua estranha.

No dia seguinte, Helena se vestiu para ir à escola, pegou sua mochila mas tomou outro rumo, queria tirar essa história a limpo e foi até a casa de uma mulher que morava no bairro ao lado que era conhecida por mexer com ocultismo.

Chegando lá, bateu palmas algumas vezes. Era uma casa mal cuidada, cheia de gatos, a mulher tinha unhas muito compridas, cabelos oleosos, cega de um olho e usava roupas medonhas, e tinha um cheiro forte de cigarro. Se não fosse pela curiosidade, Helena jamais pisaria naquele lugar.

Convidou-a para sentar e Helena logo lhe contou sobre o livro e sobre a velha senhora. A mulher quis ver o livro e Helena o mostrou. A mulher ficou pasma, logo reconheceu do que se tratava. Era magia negra da pesada!

Helena quis saber exatamente do que se tratava e que língua estava escrito. E a mulher lhe contou tudo.

No século VX na Hungria, havia uma condessa chamada Elizabeth Bathory, uma mulher de pura maldade que torturava suas escravas e banhava-se com o sangue delas a fim de manter-se jovem. Reza a lenda que este livro foi um presente de sua tia lésbica que praticava as artes da magia negra. “ez a könyv az esélye, ha a tulajdonos a könyv tagadja meg az utolsó kívánsága az lesz a legnagyobb rémálom” quer dizer que este livro deve ser recebido de bom grado, caso negado, o último desejo que a pessoa fez, será seu martírio por toda a eternidade. Este livro é cheio de maldições, as pessoas que utilizaram este livro fizeram coisas terríveis, só tocar ou possuir pode trazer alguma consequência.

O motivo pelo qual ele foi parar em suas mãos pode estar relacionado com algum caso de maldição que caiu sobre sua família.

Helena voltou para casa inconformada, pois conseguiu as informações mas a mulher nada podia fazer para ajuda-la. Era um tipo de magia desconhecida, muito antiga, não havia como desfazer. Lembrou-se do passado da rivalidade sobre o lado religioso e o lado obscuro de sua família. Teve uma tia que participava de missas negras, que morreu em um incêndio. O que deixou Helena um tanto aflita foi o fato de ter sofrido muito com a morte da tia, que mesmo Helena sabendo o quão grotesco era o seu comportamento aos olhos da sociedade, gostava muito de sua tia, e dois dias de sua tia morrer, Helena e Márcia haviam combinado que quem morresse primeiro, voltaria para contar como é o mundo dos mortos.

Naquela noite, Helena não pregava os olhos, parecia que todas as posições em que se deitava não eram confortáveis.

Eram três da madrugada, um cheiro de perfume infestou seu quarto. Era o perfume de sua tia Márcia, impossível não reconhecer, muito cheiroso.

Helena resolve sentar na cama, e de repente vê sua tia Márcia ao pé da cama, com uma roupa branquíssima, transmitia muita paz. “venha minha querida, vou lhe mostrar o mundo dos mortos.

Helena sentiu um pouco amedrontada, mas feliz de poder ver sua tia outra vez, e ver que estava bem, mas estranhou sua serenidade “me dê a mão minha querida.

Tomada pela euforia de poder saber o que há quando morremos, Helena deu as mãos a sua querida tia, quando de repente tudo mudou...

Tia Márcia apertava forte a mão da sobrinha, que a deixou incomodada, e a olhou nos olhos com um olhar perturbador e foi mudando sua fisionomia e revelando uma aparência horrenda de um demônio. O cheiro de perfume foi substituído pelo cheiro de putrefação.

Helena tentava soltar a mão, mas o demônio era muito forte, queria leva-la de qualquer maneira, falava com uma voz assustadora e com um sorriso cínico, “vamos querida, vou mostrar-lhe sua morada.

De repente Helena estava em uma espécie de vórtice, movia-se muito rápido, queria vomitar...

Acorda em sua cama, tudo está normal, será que Helena estava apenas sonhando? Ficou um tempo na cama, pensando nos acontecimentos. Se sentia aliviada por ser apenas um sonho. Resolve levantar-se para tomar um copo d’água, quando abre a porta uma surpresa a espera...

Era um labirinto, o lugar era bonito, mas lhe causava medo e angústia. Parecia que seu pesadelo ou encontro com o demônio havia sido a um ano atrás... Não tinha mais noção de tempo, noção de nada. Não sentia fome, não sentia sede, a única coisa que sentia era pavor.

Andou por um tempo pelo labirinto, estava confusa, quase perdendo sua sanidade.

Percebeu que estava sendo acompanhada, quando se vira, era a velhinha.

Helena sentia tonta, como se estivesse dopada, como se estivesse enlouquecendo pouco a pouco, sentia-se atormentada, uma sensação terrível, de repente, quase sem forças, cai ao chão e lá permanece, olhando para o nada.

A velha senhora friamente lhe disse “esse é o seu destino por toda a eternidade, os mortos não retornam jamais.

Durante toda a sua vida inútil, você buscou algo além do seu alcance. Nunca fez algo de bom, nada que merecesse algum mérito, passava a maior parte do tempo atrás de uma vadia estúpida que teve uma morte merecida, e você lamentou como se ela fosse um anjo. Se tivesse sido mais esperta não estaria aqui, se não tivesse rejeitado o meu livro não estaria  nesse lugar onde só os imundos permanecem. Seu destino será esse, passará o resto da eternidade vagando por este labirinto, tentando buscar algum sentido a sua alma oca.”

Conto de terror enviado por Franciele. Envie o seu também!
Toda terça-feira tem conto de terror publicado aqui no blog...
Comentários