2 de setembro de 2014

Conto Assombrado: Jogo On-Line Mortal

Crianças entediadas resolvem ficar criam o desafio de ficar o máximo acordadas um jogo de terror, o Labirinto do Exorcista, e desafiar uns aos outros para ver quem completa o desafio...

O sinal sonoro do fim da aula ecoou por todo bairro, a rua ganhava um movimento peculiar nos fins de tardes quando isso ocorria, muitos alunos ganhavam as ruas, alguns apressados, outros sem muita preocupação em acelerar para chegar a sua casa.

Na esquina que dava acesso a várias ruas da cidade, Vinícius, Larissa, Barbara, Murilo e Alice se juntavam para combinar alguma coisa, era quinta feira, véspera do feriado de sexta feira, quando acontecia um feriado assim eles sempre combinavam algo para fazer em conjunto.

Desta vez o plano parecia ter dado certo, o sorriso em seus rostos denunciava a combinação acertada. Vinícius o mais imperativo foi logo informando:

- Meus pais vão viajar daqui a pouco e os convenci em ficar em casa, então até domingo vou ficar sozinho, prometi que iria me comportar e eles confiaram em minha palavra. – Diz Vinícius sorrindo para os amigos.

- Coincidência, os meus também toparam, mas tenho que ligar e receber chamadas todos os dias para saber se estou bem. – Diz Larissa também expressando um sorriso leve no rosto.

- Minha mãe vai fazer plantão todo esse final de semana no hospital como não tem pai, já me acostumei ficar sozinha, mas digo pra vocês não bom, às vezes tenho cada pensamento que me assusta. – Diz Barbara querendo passar sua experiência.

- Deixa de ser medrosa Barbara, eu fico sozinho quase todo final de semana e ainda apronto umas brincadeiras, vou preparar uma para nós, vai ser massa, vão vê. – Diz Murilo querendo impressionar os amigos.

- Eu não sei não, estou com medo, meus pais foram viajar sem mim, mas me recomendaram muitas coisas, estou confusa. – Diz Alice demostrando preocupação com a ideia de ficarem sozinhos em suas casas em um final de semana.

- Deixa de ser menininha da mamãe Alice, tudo vai dar certo, nosso pacto é ficar a partir de hoje toda noite acordado conversando on-line pelo Facebook sem parar até quando não puder mais, entendeu e nada de voltar atrás. – Diz Vinícius provocando os amigos.

As sombras dos prédios e das casas já ganhavam as calçadas deixando as ruas com um tom cinza, as luzes começavam a acender em alguns postos de iluminação pública. Em poucos instantes os alunos e as pessoas que circulavam apressados deixavam todas as ruas quase vazias.

Nesse instante aconteceu a última troca de olhares e cada um seguiu para sua rua em direção a sua casa se comprometendo em ficar on-line o quanto puder. Muitas nuvens começaram a cobrir todo o céu anunciando uma chuva leve que poderia durar por toda noite, isso iria contribuir para que o pacto tivesse sucesso.

Oito horas da noite como combinado todos já estavam on-line, cada um já colocava seu assunto preferido ou alguma piadinha sem graça para provar que já estava aberto ao bate-papo. A chuva lá fora não dava trégua, alguns raios caiam de vez em quando, mas sem causar muito medo, não fazia um temporal, apenas chovia como a maioria das vezes na região.

Murilo enquanto fazia suas piadinhas no bate-papo preparava um jogo on-line de terror para assustar todos. Labirinto do Exorcista era sua diversão preferida para causar pavor nos outros.

Quando já passava de algumas horas no bate-papo Murilo mandou para Vinicius o Labirinto do Exorcista para que ele aprovasse o jogo e não alertasse Larissa, Barbara e Alice do susto que iriam ter. Em combinação, os dois convenceram-nas que se tratava apenas de um jogo inocente o qual elas apenas seguissem uma bolinha azul pelo labirinto sem tocar em suas paredes.

Larissa sempre a mais ativa em corresponder às brincadeiras de Vinícius e Murilo foi logo começando o jogo em sua casa, percebeu logo que o Labirinto do Exorcista era bem assustador quando a bolinha azul tocou uma das paredes do labirinto aparecendo uma figura horrível lhe assustando naquela hora da noite. Logo incentivou Barbara que sem saber como era o jogo ficou totalmente horrorizada com susto que teve. Na tentativa de assustar Alice as duas logo combinam:

- Vamos convencer Alice, ela nem vai perceber, como é muito medrosa, acredito que vai ficar gritando sozinha na casa dela, tenho até pena da coitadinha. – Diz Larissa expressando um sorriso.

- Espero que ela não tenha um ataque de coração, Alice é muito medrosa. – Responde Barbara também com um sorriso malicioso no rosto.

- Acho melhor ela se controlar, se fizer muito escândalo pode atrapalhar nossa brincadeira. – Diz Larissa tentando alertar Barbara.

- Vamos combinar com os meninos, todos conversando juntos talvez ela não tenha tanto medo, mas vamos com calma para que não se assuste antes de ver o jogo. – Diz Barbara com o plano em mente.

- Tudo bem, conversa com Murilo que eu converso com Vinícius, combinamos antes de conversar com Alice. – Diz Larissa arquitetando o plano.

Após um breve diálogo entre os quatro jovens tudo estava combinado, teriam que preparar Alice para o maior susto que ela poderia ter quando desse de cara com uma imagem horrível e assustadora na tela de seu computador.

Com muito custo e muita conversa já depois de meia noite Alice começa o jogo e quando a bolinha azul toca a parede vem o susto, seu rosto expressa uma imagem de terror, seus olhos se arregalam, já expressando uma situação de pavor. Alice olha por todos os cantos quase escuros da casa e começa a vê a imagem que apareceu na tela do computador nas paredes e nas janelas lhe causando um desespero incontrolável. Enquanto isso seus amigos do outro lado em suas telas de computador morriam de rir imaginando o susto que Alice tinha sofrido naquele meio da noite chuvosa e nebulosa.

Com o susto Alice fechou a tela de seu computador e se encolheu no sofá abraçando as almofadas de encosto fazendo delas um cobertor. Seu olhar agora expressava o medo que tinha, olhava para todos os lados procurando algo que naquele momento tinha só em sua mente, sua imaginação trazia aquele rosto terrível para dentro de sua casa, sozinha ali nada tinha o que fazer a não ser tentar conter o medo que lhe assolava naquela noite.

Para complicar ainda mais, Vinícius sugeriu ao Murilo que colocasse as fotografias das meninas para fazer uma montagem com efeito especial no qual ao clicar aparecessem seus rostos desfigurando-se em seguida gerando a imagem do jogo Labirinto do Exorcista.

Os dois combinavam enquanto Barbara e Larissa conversavam on-line descontraídas, durante todo tempo que conversaram não perceberam que Alice estava também on-line, mas não escrevia nada nem respondia, parecia que estava longe do computador ou tinha ido ao banheiro.

O que os amigos não sabiam é que Alice estava em uma situação de pavor tão grande que nem chegava perto do computador. O cansaço foi tomando conta pela madrugada e as reclamações foram
aparecendo:

- Já é mais de uma hora da madrugada, estou ficando cansada e com sono. – Escreve em sua conversa on-line Barbara.

- Deixa de ser mole, combinamos que iriamos resistir, não durma, toma um energético, lembra que combinamos isso. – Responde Larissa alertando Barbara.

- Tudo bem eu vou resistir, não vou arregar, vou tomar agora. – Escreve Barbara em sua resposta.

Enquanto isso Murilo e Vinícius preparam suas brincadeiras usando as fotografias de todos para tentar piorar a situação naquela noite chuvosa. Agora a proposta era que durante o jogo quem perdia cometia suicídio, não poderia voltar e começar a jogar novamente, só quando o último perdesse que poderiam voltar à conversa on-line. Com as mudanças já feitas no jogo, mas só Vinícius e Murilo sabiam que as imagens tinham passado por efeitos especiais com as fotos reais, sem essas informações esperavam causar o maior susto, foi enviado para o e-mail de cada um. Alice ainda não tinha passado do susto e se encontrava no mesmo lugar abraçada com as almofadas em cima do sofá.

Enquanto recebiam o e-mail com o link do jogo trocavam informações sobre a nova regra, agora não podiam voltar e recomeçar tinha que cometer suicídio e aguardar o ultimo terminar o jogo ou cometer suicídio se não chegasse até o final.

- Aqui os desafios são muito piores, será que você conseguirá superá-los? – Diz Vinícius provocando as meninas.

- Concentração e habilidade com o mouse são fundamentais para você conseguir passar por todos os labirintos chegando até a palavra "GOAL" – Completa Murilo passando as informações.

- Mas cuidado, pois para chegar lá você terá que percorrer um caminho estreito e branco sem encostar-se à parte preta do jogo é claro! – Continua a explicação Vinícius sorrindo por dentro.

- Sejam rápidas, mas cuidadosas é claro senão vocês perderão facinho e não terão a chance de iniciar o jogo desde o começo, pois terão que se suicidar. – Explica mais uma vez Murilo.

- Tudo bem, entendi, podem mandar o jogo. – Escreve Barbara aguardando o link por e-mail.

- Também entendi, podem mandar esse joguinho, não tenho medo. – Escreve Larissa parecendo eufórica.

Por alguns instantes aguardaram a resposta de Alice e nada de aparecer qualquer palavra escrita, para não esfriar a brincadeira resolveram continuar sem ela. Já mais calma Alice tira as almofadas de cima de seu corpo e bem devagar se aproxima do computador, não tinha percebido, mas já tinha se passado um bom tempo e as conversas e informações sobre o novo jogo se encontravam on-line, ao abrir seu e-mail encontrou o link para o acesso ao novo jogo, não previa as mudanças, mas já se sentia muito assustada só de pensar.

O sono já dominava todo mundo, cada um tentava se segurar, mas era duro de resistir a tanto cansaço. Três horas da madrugada, a chuva lá fora continuava caindo esfriando ainda mais a noite agora escura. Mesmo sem a confirmação de Alice os quatro amigos se preparam para começar a jogar. Mesmo com a chuva leve um trovão estrondou na noite seguido de um raio que iluminou todo bairro, em seguida a chuva foi diminuindo e as ruas foram sendo invadidas por uma densa névoa que começou a encobrir tudo.

Sem dar muita atenção aos acontecimentos os quatros amigos iniciam o jogo, nesse instante uma leve névoa começa a aparecer entrando em suas casas por entre as brechas das portas e janelas acinzentando todos os cantos. A casa esfriou muito, mas com o objetivo de jogar quase nem perceberam. O silêncio também se tornou um fato normal, mas o jogo tirava suas percepções e nada viam ou sentiam.

Alice ainda com medo e atenta percebeu que a névoa que se envolvia sua casa não parecia normal, pela a janela percebeu nas outras casas do bairro que o que acontecia lá era bem diferente, não havia névoa em volta delas. Seu medo aumentou em razão disso se reteve e ficou observando aquela névoa vagando pelos cantos com se a estivesse vigiando.

O jogo teve início e Barbara ao tentar chegar ao final não percebeu que já estava envolvida pela névoa, sua vontade de ganhar a deixava com uma expressão assustadora, sua respiração estava ofegante, seus batimentos cardíacos aceleravam cada vez mais, o teclado de seu computador já sofria com sua insistência em ganhar a qualquer custo. Do outro lado Murilo também fazia a mesma coisa como também Vinícius e Larissa, pareciam dominados pelo jogo e a intenção era não ver aquele rosto assustador, ainda começando por suas fotografias e depois se revelando em uma figura horrível.

Depois de alguns minutos jogando e tentando não bater na parede com a bolinha azul a exaustão tomava conta, o que parecia um jogo bem simples agora tomava proporção assustadora, suas expressões mudavam, seus rostos ganhavam formas parecidas com os da tela do computador, mas com a intenção de não errar não percebiam o que estava acontecendo. Alice ainda com medo nem chegava perto do computador.

O tempo foi passando, o jogo não terminava e ninguém chegava ao final, passava por etapas, mas nada de chegar ao final, isso foi causando uma aflição, causando cansaço e estresse elevado os deixando irritados.

A névoa que os envolvia agora ganhava forma e depois de muito tempo assumia seus corpos que motivados pelo um jogo que nunca acabava os deixavam semimortos. Agora seus rostos eram tomados pelas imagens do jogo e depois de um grito estridente no ar caiam decompostos no chão mortos.

Após a morte confirmada à névoa em forma de um espectro começava a subir ganhado novamente as brechas das portas e janelas se misturando com a densa névoa da rua. Alice mantendo distância de seu computador o viu se mexer e andar pela escrivaninha como se a chamasse para jogar até cair no chão e se desligar.

A leve névoa que invadiu sua casa começou a se dissipar ganhando a rua do bairro. Pelo resto da noite e os dias seguintes Alice se manteve no mesmo lugar, sem receber qualquer ligação de seus amigos ou qualquer sinal de vida. Quando seus pais chegaram a encontraram abraçada com suas pernas e almofadas, inerte e falando coisas estranhas. No dia seguinte ouve-se o comentário no bairro sobre quatro corpos de jovens que foram encontrados em suas casas totalmente secos como se alguma coisa os tivessem sugado o sangue e suas almas.

Conto de terror enviado por Léo Bargon. Envie o seu também!
Toda terça-feira tem conto de terror publicado aqui no blog.

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