23 de setembro de 2014

Conto Assombrado: A Árvore dos Mortos

Enquanto se dirigia para sua nova casa, um garoto fica enfeitiçado por uma velha árvore que fica bem no meio de um grande capinzal...

Pedro observa pela a janela do carro o vale repleto de capim dourado, uma grande árvore existente bem no meio da plantação sem folhas e com galhos secos deixa uma imagem estranha naquele lugar no fim da tarde que se aproxima lentamente. O veículo agora percorre a estrada de terra batida com baixa velocidade, à poeira não chega a incomodar.

Adiante um homem montado em um cavalo baio parece esperar o carro, após parar o veiculo senhor Paulo baixa o vidro da porta e puxa conversa com o cavaleiro, que gentilmente corresponde.

- Boa tarde senhor Paulo. – Diz o cavaleiro retirando o chapéu da cabeça.

- Boa tarde Senhor Martins, como vai. – Responde senhor Paulo com um sorriso nos lábios.

Em desatenção a conversa de seu pai e o cavaleiro, Pedro continua contemplando a paisagem. O sol agora começa a se esconder por trás da montanha que já começa a fazer sombra sobre a pequena cidade próxima ao local.

Os últimos raios de sol do dia transformam aquela paisagem em uma parte ouro brilhante e outra em cor escura, num contraste incrivelmente sombrio. Pedro observa com detalhe aquela grande árvore que se destaca bem no meio da plantação, agora completamente negra, como se ali estivesse algo desconhecido ou sobrenatural.

O senhor Martins percebe que Pedro não tira o olhar do vale e daquela grande árvore seca de galhos estranhos, que quando se olha fixamente parece balançar mesmo sem qualquer força do vento.

Para tentar chamar a atenção de Pedro senhor Martins tenta puxar conversa:

- E ai garoto, admirando o vale, ele é muito bonito pela manhã, mas a tarde ele parece diferente, vejo que você percebeu, acho que é por causa daquela árvore velha, muita gente já tentou derrubá-la e até queimá-la, mas ninguém conseguiu ainda, parece que tem alguma coisa lá que ninguém consegue destruí-la, algo sobrenatural, essa coisa de bruxas, espíritos, sabe como é. – diz senhor Martins com um tom de voz demonstrando temor.

Pedro indiferente nem se manifesta e continua observando através da janela aquele fim de tarde misterioso enquanto o carro não volta a fazer o percurso até a casa que vão morar bem próximo dali.

Após alguns minutos o carro começa a se deslocar vagarosamente e  Pedro observa o vale já quase escuro, a grande árvore já totalmente negra parece seguir seu olhar e seus galhos nesse instante se movem como tentáculos tentando arrancar o tronco que resiste com suas raízes se firmando no solo negro e enlameado.

Senhor Paulo não desconfia de toda aquela situação de afinidade entre seu filho e a grande árvore sem folhas. Em poucos instantes chegam, são recebidos por outros empregados da casa e logo se acomodam.

Senhor Martins alerta Dona Elena sobre a reação de Pedro ao ver e a árvore seca do vale. A velha senhora se aproximar de Pedro puxando conversa para tentar descobrir alguma coisa de anormal. Pedro totalmente retraído não se deixa levar pela a tentativa da Dona Elena.

A noite chega de vez trazendo um vento frio e uma neblina rara naquela região nessa época do ano. Para os mais antigos aquela reação climática trás uma sensação de medo, pois a história da velha árvore é conhecida e comentada em toda região. São várias história de terror e medo.

Todos observaram o comportamento de Pedro e perceberam que outra criança com poderes sobrenaturais estava ali e o que poderia ocorrer em noites como essa ninguém poderia imaginar, pois só os velhos sabiam das histórias contadas em noites que os mortos vagam pelos capins dourado do vale.

Da casa dava para vê todo vale e a grande árvore seca mudava todo cenário, pois ficava lá parada e majestosa, sem dar folhas, flores e fruto, mas parecia viva, pois sangrava quando perfurada vazando um líquido encarnado que escorregava em sua casca deixando tudo escuro após algum tempo, como se coagulasse, igual sangue.

A noite foi ficando mais densa, a neblina encobria todo vale e o capim dourando reluzente deixava um tom leitoso por todo canto, apenas a velha árvore permanecia na penumbra, como se guardasse ou escondesse algum segredo em sua volta.

A cada hora tudo ia ficando deserto, cada um ia se acomodando, pois sabiam que a noite ia ser longa. Em pouco tempo nem os cães estavam mais circulando pelos cantos da fazenda, iam se acomodar no celeiro.

Um grito ensurdecedor foi ecoado por todo vale, ninguém reagiu, nem os cães saíram para latir, era como se fosse um sinal para que todos ficassem quietos naquela noite sem fim.

Pedro atento a tudo ouviu o grito e se pois de pé, foi até sua janela e esperou outro grito, nesse instante um pássaro noturno passou em um voo leve e que quando menos se espera ele se choca com a janela quebrando o vidro o qual entrou uma leve e fria brisa deixando o ambiente comum ao vale, Enquanto o pássaro se agonizava para morrer Pedro observava o vale de capim dourado e via que pessoas pareciam cortá-los espalhadas por todos os cantos.

Sem esperar muito Pedro vestiu-se, abriu a janela com cuidado para não se cortar com os cacos de vidro, saiu de casa e começou a caminhar em direção do vale.

Sua imagem sumiu ante a neblina enquanto caminha na direção do vale, apenas outro pássaro noturno lhe fazia companhia, tudo fazia silêncio, nem os grilos faziam barulho naquela noite misteriosa.
Dona Elena acordou com o barulho e foi alertar todo mundo, enquanto conferiam se todos estavam bem, senhor Martins observou que a janela do quarto de Pedro estava com o vidro quebrado e aberta. Isso causou um grande alvoroço, a história estava para acontecer de novo, outra pessoa iria sumir da região, pois quem se juntasse aos mortos nunca mais voltava, ia viver eternamente com os mortos da árvore seca.

Ninguém encontrava Pedro, todos os cantos foram vasculhados e ninguém o encontrou. Dona Elena por experiência convocou todo mundo para ir ao vale de capim dourado, pois sabia que se chegasse tarde outra alma ia ficar presa e depois vagando no vale em noites frias e nebulosa.

Pedro chegou ao vale e pode observar que muitas almas estavam por ali, como se fosse um paraíso ou um lugar de lazer, todos passeavam pra lá e pra cá sem esforço, sem compromisso. O Brilho do capim dourado reluzente se fundia com a neblina leitosa e revelava todas as almas vagando por todo vale com se estivessem vivas.

Num vago olhar Pedro percebeu a grande árvore seca, esta como se emitisse um convite fez com que se dirigisse ao seu encontro. Enquanto passava pelos capins dourado Pedro trocava olhares com aquelas pobres almas como se já as conhecesse há muito tempo.

Enquanto isso todo mundo da fazenda se mobilizava para encontrar Pedro, lanternas, lampiões, velas, candeeiros, tudo que gerasse luz tinha serventia naquela hora. Depois de reuni todos, seu Martins os guiou até o vale.

Pedro em seu caminhar lento entre meio ao capinzal revela sua imagem que vai ganhando luz, como as pobres almas que ali estão reluzentes em meio ao capim dourado. A grande árvore o chama e sem resistir Pedro vai a sua direção, parece não temer ou sem controle de suas ações.

Senhor Paulo e seus seguidores chegam aos arredores do vale, aonde o capinzal se limita, nesse instante Dona Elena grita:

- Seu Paulo olha o menino, ta chegando perto da grande árvore seca, vamos impedi-lo antes que seja tarde. – Diz com olhar de medo.

- Como assim, é tarde, do que a senhora está falando. – Diz Senhor Paulo com olhos aflitos.

- É que se a história for verdadeira como dizem o menino vai ser morto e consumido pela a velha árvore, por esta razão ela é chamada de “a árvore dos mortos. – Complementa Dona Elena.

Quando chega bem próximo do capinzal as almas reluzentes os cercam, apenas os detém, nada fazem, ficam observando suas reações. Sem poder fazer nada Senhor Paulo vê Pedro chegar até a grande árvore seca e esta lhe absorve, fazendo-o sumir em instantes.

Senhor Paulo tenta reagir para salvar seu filho, mas é contido por todos, sob os olhares fixos das almas que os rodeiam e os cercam, impedindo de se aproximarem.

Um grito assustador é emitido ecoando todo vale, as almas reluzentes vão em direção à grande árvore seca como se recebesse um sinal, tudo vai ficando mais escuro enquanto elas vão entrando dentro da velha árvore dando-lhe vida mesmo não apresentado folhas, flores e frutos.

Senhor Paulo cai no choro por não poder salvar seu filho que foi absorvido pela a velha árvore dos mortos, mas seu choro é cessado quando apenas uma alma reluzente aparece em meio ao capim acenando com a mão, numa ação de desespero corre em sua direção e quando se aproxima vê seu filho sob forma de luz demonstrando estar feliz aonde se encontra.

Depois de um abraço feliz os dois se apartam e uma alma de luz segue para a árvore dos mortos e outro retorna para seu mundo real.

Muitos já sentiram a presença dessas almas enquanto retiravam capim dourado para fazer seus artesanatos, outros até viram essas almas em tardes que escureciam rápidas, mas ninguém sabe ao certo, nem sabem o porquê desse capim ser tão dourado e raro, parece até seres que ganham formas para retornarem como objetos reluzentes para insígnia de futuras almas.

Conto de terror enviado por Léo Bargom. Envie o seu também!
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