21 de agosto de 2014

Crítica de Filme: Quando eu era Vivo

* Crítica escrita por Andrea Carvalho

Quando Eu Era Vivo (2014) - A produção é de 2012, mas o lançamento foi este ano (2014). Produção brasileira de suspense, terror e drama.

O filme conta a história de Júnior, que volta para a casa do pai depois de ter se divorciado. Perturbado pelas lembranças da mãe morta e do irmão mais novo louco, Júnior vai revivendo o passado e começa a ter um comportamento estranho,desenterrando velhos fantasmas e vários medos. O pai, que seguiu em frente e tenta recomeçar a vida, alugou o antigo quarto dos filhos para a estudante Bruna. A estudante faz amizade com Júnior que dá claros sinais de insanidade e perturbação.

Elenco enxuto para contar uma história de mistério, medo e loucura. Antônio Fagundes dá vida ao Sênior, o pai. Acho que o ator não precisa de apresentação, né? Atua mais uma vez com maestria. Faz um pai simples, preocupado com o filho mais velho, que tenta se reerguer da amargura de perder a esposa e internar o filho caçula maluco.
Júnior é interpretado por Marat Descartes. Logo de cara não dá pra reconhecer. Colocaram uma peruca no ator, mas conhecemos ele da série "O Tempo e o Vento", onde fez Licurgo Cambará, e é o vilão de "2 Coelhos". Excelente no papel.

A surpresa é a Sandy Leah (Sandy e Júnior). A moça fez com competência o papel fraco que lhe foi dado. Encarou com naturalidade as várias cenas em que cantou. Eu me pergunto se as cenas já existiam antes da Sandy ou foram feitas para ela cantar. De qualquer forma, não tem culpa da personagem ser incoerente e vazia. Fez tudo direitinho.

O filme foi baseado no romance de Lourenço Mutarelli, "A arte de produzir efeito sem causa". O escritor já teve outro livro adaptado: "O cheiro do ralo".

No geral, é um filme bom. Traz várias influências evidentes, como por exemplo, o filme "O Iluminado", dirigido pelo Kubrick.

ATENÇÃO - SPOILER - Podemos começar com a comparação entre o alucinado Jack Torrance, papel de Jack Nicholson no "Iluminado" e o Júnior, o filho perturbado. O cabelo é igual, as roupas são iguais, o cobertor pendurado no pescoço... A trajetória do personagem também é muito semelhante: aquela coisa da loucura ir se instalando aos poucos e o personagem se manter dentro de um ambiente fechado, quase claustrofóbico, se deteriorando O ambiente é muito parecido e a reação alheia também: as pessoas que estão por perto vão assumindo o medo que sentem deles e chegam a atacá-los.

O filme também tem vários elementos sutis de lendas urbanas. Eu, por exemplo, morro de medo de disco rodando ao contrário. Depois daquela história do disco da Xuxa ter mensagens demoníacas, até hoje não superei o trauma após verificar que sim, tem mesmo umas coisas estranhas lá. E no filme tem disco rodando ao contrário e tem disco rodando em rotação mais lenta. Me dá muito medo. É tudo sutil, mas tá lá.
O boneco Fofão, que também passou por boas fofocas nos anos 1980, está no filme. Quem não sabe, dizia-se que o Fofão tinha uma espada dentro dele e que seria fruto de um pacto com o demônio. Também tá lá, fácil de ver.

Outra sutileza interessante: o tal Fofão aparece dentro de uma caixa com porta de vidro igualzinho a boneca amaldiçoada Anabelle.

Outros elementos de terror também compõe o filme, como as músicas sombrias e as crianças assustadoras. Falando em música, uma em especial me chamou muito a atenção. Ela se chama "Serpente da Noite". Imediatamente lembrei da música "Willow Waly", dos filme "Os Inocentes", um terror clássico de 1962 que foi uma adaptação do livro "A Volta do Parafuso". Fiquei intrigada e ouvi as duas músicas ao mesmo tempo. E são mesmo parecidíssimas. Acredito que o autor da música se inspirou no clássico. O fato é que as duas metem muito medo. São músicas lentas, quase inocentes, mas com um apelo de terror muito forte. Vale prestar atenção. O resto da trilha instrumental garantiu a tensão e o uso da Sandy para dar o toque musical ao filme foi bem explorado.

ATENÇÃO - SPOILER - Acho que o mais legal do filme foi a dúvida se é tudo verdade ou não. Esse foi o ponto forte.

MAIS SPOILER: O ponto mais fraco foi mesmo a personagem da Sandy, a estudante Bruna. Ela entra facilmente na loucura do cara. Não se questiona, não duvida, só vai na onda. Fraca e desnecessária, mesmo pontuando as músicas.

Outra coisa, o filme poderia ter cinco minutos a mais só para explicar o que afinal a mãe fez com os meninos, e dar mais uma ênfase ao que os meninos escutavam na parede do apartamento. Eu senti falta disso.

Enfim, filme sem sangue, mas de suspense. O final é ótimo e fiquei com vontade de ler o livro.





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