14 de agosto de 2014

Crítica de Filme: Expresso do Amanhã (2013)

* Crítica escrita por Andrea Carvalho

Expresso do Amanhã (Snowpiercer) (2013) – Ficção Científica. Mais um que ganha nome estranho na tradução. Em resumo, é assim: o mundo acabou. Os únicos sobreviventes são os tripulantes de um trem que fica dando volta ao mundo, uma viagem que leva um ano. A história começa quase 20 anos dessa rota. Os passageiros estão divididos entre os que ficam no fundo do trem – e são pobres – e os que ficam na frente do trem – os ricos. Os miseráveis acabam se rebelando contra a situação e decidem tomar o trem.

Apesar de bastante aclamado pela crítica em geral, eu vou ser sincera: gostei mais ou menos. Mais pra menos, que pra mais. Um começo bom, tenso, apresentação de personagens fortes, bons efeitos especiais, roteiro seguro e coerente. Do meio pro fim foi enfraquecendo, enfraquecendo e acabou surreal. Uma pena, porque tinha tudo para ser um bom filme.

O filme foi baseado na "graphic novel" francesa "Le Transperceneige". O diretor é o coreano Joon-ho Bong. É o primeiro filme em inglês dele. Foi o diretor que gostou da história durante a pré-produção de "O Hospedeiro”. Ele ficou fascinado com a ideia de pessoas lutando pela sobrevivência em um trem. E como eu disse, tinha tudo pra ser um bom filme.

O elenco é de primeira grandeza. Com Chris Evans (o Capitão América); Jamie Bell (o Coisa, do novo "Quarteto Fantástico", reconhecido por seu papel protagonista em Billy Elliot); Tilda Swinton (a maravilhosa Tilda, que a gente já conhece por excelentes trabalhos como em "As Crônicas de Nárnia", "O Curioso Caso de Benjamim Button" e "Constantine", só pra citar alguns); Ed Harris (do "Show de Truman" e "Pollock"); John Hurt (o eterno "Homem Elefante"); e Octavia Spencer (de "James Brown"). Um elencão, né?

A fotografia claustrofóbica é da melhor qualidade, com cenas sujas e, outras, até repugnantes. Algumas são lindas fotografias de um mundo apocalíptico sombrio. Outras são marcantes como a dos mascarados com os machados. Dá uma agonia a cena toda.

Genial a comparação do lado rico com o pobre por meio de contraste de cores. Também genial, a paisagem branca, impassível, como espectadora do fim da humanidade.

O trem faz bem a representação de uma sociedade doente como a nossa, onde poucos tem muito e muitos têm pouco. E pouco se faz para que isso mude. Somos o trem quase desgovernado rumo ao trágico final.

Mas, no meio do caminho o roteiro se perdeu. As pessoas passaram de guerreiras a selvagens, transformaram-se de inteligente a completamente idiotas. Uma mudança muito forte que não demonstra a evolução do personagem, mas o enfraquecimento do roteiro mesmo. E corre para um final cheio de furos, cheio de uma filosofia barata e homens que se consideram deuses, fazendo o trabalho da natureza, decidindo sobre a vida e a morte.

Vale a pena ver? Sim, é diferente. Mas, prepare-se para o final fraco, preguiçoso e desconcertante.



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