26 de agosto de 2014

Conto Assombrado: A Misteriosa Mulher do Estacionamento

Era uma sexta-feira e só havia ele praticamente no prédio. Quando percebeu isso, ficou ressabiado, ainda mais quando estava se teve uma visão no estacionamento localizado no subsolo...

A noite tinha chegado rápido e Pedro não tinha percebido, o trabalho tinha tirado sua atenção naquela sexta-feira de muitas coisas para deixar em dia e curtir um final de semana mais tranquilo.

Quando Pedro deu por si, viu que não havia mais ninguém na repartição que trabalhava, todos tinham ida embora. Olhou para seu relógio confirmando que já se passava das nove horas da noite, arrumou suas coisas com pressa, colocando-as sem ordem e jeito dentro de sua mochila.

No corredor do sétimo andar o silêncio predominava sendo interrompido apenas pela chegada do elevador que parecia bem mais devagar que os outros dias.

A chave do carro foi sendo separada para uma ação rápida ao chegar perto e acionar a abertura da porta.

Naquela noite diferente parecia que o elevador levava uma eternidade para chegar ao subsolo onde ficava o estacionamento.

O medo de se encontrar sozinho indo para o subsolo meio sombrio o fazia achar que o tempo não passava. Pedro percebeu quando o elevador foi freando bem devagar causando seu ruído peculiar, seu semblante mudou um pouco quando respirou forte e encheu o peito de ar. A porta do elevador abriu-se devagar mostrando o estacionamento sóbrio e deserto.

Pedro deixou o elevador para trás e começou a caminhar em direção de seu carro, algo parecia estranho, por que o caminho que percorria nesta noite de sexta feira parecia mais longo.

Ao se aproximar do carro Pedro acionou o desbloqueio da porta e a luz interna acendeu, uma imagem de uma mulher apareceu no banco de trás. Pedro ainda tentando desviar de uma coluna de concreto que estava entre ele o carro olhou com mais atenção tentando vê se não era impressão ou um reflexo de luz.

Após passar da coluna de concreto e ficar diante do carro Pedro percebeu que realmente tinha uma mulher no banco de trás. Um calafrio tomou conta de seu corpo começado dos pés até a cabeça. A mulher estava sentada bem no assento do meio do banco de traz com cabaça baixa e longos cabelos caindo encobrindo seu rosto.

Diante do carro bem próximo Pedro parrou bruscamente, olhou fixamente para a mulher que ao perceber sua atitude foi levantando a cabeça bem devagar e virando o rosto para sua direção enquanto seus cabelos negros iam sendo jogados para o lado oposto.

O calafrio agora mais intenso tomou conta de todo seu corpo, suas pernas perderam o comando e o medo revelou-se em seus olhos que esbugalhado ficaram atônitos. Quando a mulher completou o giro de sua cabeça seu olhar manifestou-se de uma forma penosa e dominante, pois Pedro não se movia, falava ou gesticulava, apenas ficava parado correspondendo aquele olhar penetrante e sombrio.

Por alguns instantes tudo parou, nada se movia: o vento, os elevadores, as juntas de dilatação das colunas deixadas para as mudanças e ações do tempo, o barulho da rua com os carros em constantes movimentos, o trissar dos morcegos no teto, a respiração ofegante de Pedro.

A luz interna do carro tem seu tempo de vida e lentamente começou a se apagar levando com a escuridão a imagem da mulher que expressou no ultimo momento em seu rosto suave um sorriso triste.

Sem ter o que fazer Pedro apenas aguardou a luz interna se apagar e levar com ela a imagem que o deixou em pavor. Como podia uma mulher ter entrado em seu carro se as chaves estavam em sua mão, ninguém tinha arrombado ou invadido, pois quando acionado o controle abre apenas a porta do motorista.

Repentinamente tudo voltou ao normal, os barulhos e sons tomaram conta do ambiente. Meio sem jeito Pedro se aproxima do carro e aciona o controle de novo já que tinha passado o tempo do acionamento anterior sem que alguma porta estivesse aberta.

Com cautela e com muito medo Pedro abre a porta e verifica se não tem alguém dentro, acendo os faróis que clareiam uma parte do estacionamento procurando alguma coisa pelos cantos e por trás das colunas. Nada encontra ou vê de anormal, por algum tempo fica pensando e vagando seus olhos por todos os lados para encontrar uma explicação daquela imagem que viu em seu carro.

Um barulho chama sua atenção, o elevador vem descendo enquanto uma pequena luz laranja mostra todos os números dos andares até chegar ao subsolo onde se encontra. Seu coração começa a bater forte, sua respiração fica ofegante e sua mente começa a desenhar quem vai sair daquele elevador.

A porta do elevador começa a se abrir e revelar gradativamente quem chega, seu olhar agora em pânico aguarda a imagem que se revela aos poucos. Sua aflição chega ao fim quando observa que se trata de um dos vigias noturno que faz uma ronda rotineira por todo o prédio.

O vigia ao vê-lo com o carro aberto e todos os faróis acessos sem espanta e vai a sua direção para saber o que pode ter acontecido. Pedro aflito e gesticulando começa a falar de uma mulher que viu dentro de seu carro.

- Quando cheguei e fui entrar em meu carro tinha uma mulher de cabelos negros no banco de trás, ela era muito estranha. – Diz Pedro demostrando medo e susto em suas falas.

- Como assim seu Pedro – diz o vigia – cadê, onde se encontra esta mulher? – Complementa o vigia observando o comportamento estranho de Pedro.

- Eu a vi, ela estava dentro do meu carro, tenho certeza do que vi. – Diz Pedro com convicção.

- O senhor pode descrevê-la melhor. – Diz o vigia querendo saber detalhes da mulher que Pedro viu.

- Como eu te falei, ela era morena, tinha longos cabelos negros, muito bonita, com uma blusa colorida, um olhar penetrante e triste, era o que dava para vê dentro do carro com a pouca luz interna. – Explica Pedro ao vigia.

- Pelo o que o senhor descreveu pode se tratar da mulher que algumas pessoas alegam vê aqui de vez em quando. – Diz o vigia sem muito espanto.

- Como assim vigilante quem a viu, como é esta história? Pode me contar. – Diz Pedro meio assustado.

- Ainda não se tem certeza, mas algumas pessoas alegam ter visto esta tal mulher aqui neste estacionamento do subsolo. Há algum tempo atrás aconteceu um terrível assassinato aqui e justamente na vaga onde se encontra seu carro foi onde uma jovem foi encontrada estuprada e morte dentro de um veículo igual ao seu, apenas a cor que é diferente, mas como está escuro o azul dele parece preto que era a cor do carro que foi encontrado com a jovem dentro. – Explica o vigia o que aconteceu.

- Que história, mas por que só algumas pessoas é que viram esta mulher. – Pergunta Pedro com receio.

- Não sei explicar, mas sempre acontece seu aparecimento na sexta feira próximo ao horário que ela foi morta. – Diz o vigia tentando explicar a história.

- Não entendo como foi logo acontecer comigo esta  sua aparição. – Diz Pedro meio desolado.

- Talvez seja por que seu carro é parecido, se encontra na mesma vaga e o senhor seja um dos substitutos do autor do crime. – Explica o vigia com detalhes.

- Quer dizer que o cara que fez esta atrocidade era funcionário desta empresa e justamente do mesmo trabalho que faço. – Diz Pedro demostrando perplexidade.

- Exatamente senhor Pedro, talvez seja por esta razão que tenha visto algum vulto ou impressão de ter visto a jovem. – Diz o vigia com calma.

- Não vi um vulto e tão pouco tive impressão, ela estava lá no banco de trás bem nítido, tenho certeza. – Diz Pedro com convicção do que viu.

- Tudo bem seu Pedro, agora tenha cuidado, por que o funcionário que estava trabalhando antes do senhor morreu em uma batida de carro após sair daqui, ninguém sabe o que aconteceu se foi excesso de serviço, falha dele ao dirigir, por que no momento do acidente o tempo estava bom e estava em uma rua reta, pouco trânsito e pouca velocidade, mas o acidente foi fatal. – Explica o vigia tentando prevenir Pedro de alguma coisa.

- Tudo bem, obrigado por sua explicação e aviso, mas agora tenho que ir. – Disse Pedro dando adeus ao vigia e entrando em seu carro.

O vigia ficou observando enquanto Pedro saia com seu carro bem devagar do estacionamento meio escuro e sombrio em direção à rua. A escuridão do estacionamento deixava o carro mais escuro por dentro apesar das luzes do painel estarem acessas.

Quando Pedro saiu do estacionamento ganhando a rua observou que aquela noite de sexta feira não era peculiar. Caia uma chuva fina, tinha um aspecto de dia frio, nebuloso e as ruas pareciam mais escuros que outros dias.

As poucas poças d’água que estavam no asfalto refletia a luz do farol, mas não tirava a escuridão que envolvia toda a cidade, como se as lâmpadas dos postes não fossem suficientes para iluminar a cidade.
Pedro pressentiu alguma coisa e sua mente começou a recapitular o ocorrido alguns minutos atrás. Sua preocupação aumentou e o medo tomou conta de si, parecia que ali dentro do carro a escuridão o incomodava e começou a se sentir só. Incrível apenas um carro, mas o escuro e o medo trazia a imagem daquela mulher a sua mente.

O olhar a frente para o asfalto molhado o fazia se recusar instintivamente para o retrovisor interno o qual poderia olhar o banco de trás onde tinha visto a mulher no estacionamento.

Algo o tentava, mas Pedro resistia até não conseguir mais e em um momento desviou o olhar e fixamente fitou os olhos para o espelho interno percebendo que a mulher estava sentada no banco de trás com cabeça baixa e os cabelos longos caídos.

O pavor tomou conta e sem saber o que fazer Pedro tentou prestar atenção na estrada, mas a sensação era terrível e mesmo sem querer seu olhar ficava fixo ao espelho interno do carro.

O carro começou a ganhar velocidade sem que Pedro percebesse, mesmo tentando ter controle não conseguia. A rua foi ficando mais escura e a luz interna ganhou mais luminosidade, mostrando com nitidez a mulher no banco de trás.

Com o olhar fixo no espelho interno Pedro observou que a mulher começou a levantar a cabeça deixando cair para os lados e os ombros seus negros cabelos longos. O carro acelerou mais e mais, quando a mulher fixou seu olhar frio e penoso no espelho interno indo de encontro com o olhar de medo e pavor de Pedro o frio tomou conta de seu corpo, em segundos o sangue quente escorreu de sua boca, nariz e ouvidos após uma batida forte contra uma mureta de um viaduto causando sua morte instantânea.

O barulho da batida chamou atenção e quem estava próximo correu para prestar socorro. A primeira pessoa que chegou observou quando a porta de trás do carro se abriu e uma jovem de cabelos longos e negros saia em direção à escuridão do viaduto desaparecendo sem deixar qualquer vestígio.

...Em um estacionamento de subsolo com pouca luz e deserto após acionar o controle do carro e a luz interna acenderem mostrando que uma jovem linda de cabelos longos se encontra sentando no banco de trás, dois jovens bêbados e drogados caminham em sua direção rindo e se divertindo para uma viagem sem volta.

FIM!

Conto de terror enviado pelo leitor Noel Semog. Envie o seu também!
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