5 de agosto de 2014

Conto Assombrado: A Casa Verde (Parte 05 de 05)

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Chega ao final o conto. O que vai acontecer com os moradores? E com a Casa???

Por alguns minutos Emanuel não soube o que fazer, tentou se controlar e conseguiu balbuciar algumas palavras:

- Ambulância... Eliza chama uma ambulância...

Eliza estava em uma espécie de transe, no começo sentiu medo, mas depois passou a gostar do que estava vendo, se lembrou de todas as coisas que Marisa falava e fazia com ela e achou merecido o que estava acontecendo com a madrasta e não conseguia tirar os olhos dela, Marisa agora cantarolava uma música de ninar, Eliza se afastou devagar e chamou uma ambulância. Logo que chegaram reanimaram Bárbara e levaram Marisa para o hospital, porém não conseguiram encontrar nada que justificasse aquela crise, fizeram exames completos e não havia nada de anormal em nenhum aspecto, disseram que poderia ter sido causado por estresse, ansiedade... Marisa ficou em observação por algumas horas e depois foi liberada. Eliza não via a hora de voltar pra casa e invocar a entidade, no caminho de volta, Bárbara notou um sorriso de satisfação de Eliza quando ela olhava para a madrasta, Bárbara ficou furiosa:

 -Você está rindo do que sua baleia? Ta achando graça do que aconteceu com a minha mãe? Você acha que uma pessoa na sua condição pode rir de alguém? Se olha no espelho, você é uma obesa horrorosa, jamais poderia rir de outra pessoa. Ri de você mesmo, você já é uma piada ambulante.

- Chega Bárbara, nós já tivemos problemas demais por hoje - disse Emanuel- Para com isso, a Eliza não estava rindo da sua mãe, não inventa coisas.

Chegando em casa Eliza correu para o quarto, mas então percebeu que não sabia como chamar a entidade, ele disse que ela não precisa de rituais para chamá-lo... Mas então o que ela tinha que fazer? Ela tentou se concentrar nele, o chamou mentalmente várias e várias vezes, mas nada aconteceu, acabou dormindo. Mais tarde quando se levantou viu que Marisa estava na sala, ficou olhando a madrasta de longe, de repente a mulher pareceu estar apavorada, estava pálida, os olhos arregalados, colocou as mãos nas orelhas, tapando os ouvidos com força, Eliza se aproximou e viu que Marisa não estava sozinha, ao seu lado estava uma mulher, Eliza a viu de costas. Ela tinha cabelos escuros e longos, era morena e parecia ser muito bonita, ela parecia estar falando no ouvido de Marisa, Eliza chegou mais perto e a mulher se virou, Eliza sentiu suas pernas ficarem bambas, a mulher estava completamente mutilada, aquele cabelo longo desapareceu...a mulher estava quase careca, e não tinha olhos... só buracos...Os olhos pareciam ter sido arrancados, assim como os lábios, a mulher não tinha boca, os dentes ficavam escancarados no rosto, dando a impressão macabra de um permanente sorriso distorcido, Eliza evitou olhar, mas percebeu que a mulher tinha mutilações em todo resto do corpo...Estava paralisada quando ouviu a mulher dizer:

-Saia daqui, me deixa sozinha com ela.

Quando falava, a mulher abria a boca inexistente, deixando os dentes ainda mais escancarados, abria tanto que parecia que engoliria Eliza, ela viu que não tinha nada se movimentando dentro da boca da mulher enquanto ela falava...a mulher também não tinha língua, mesmo com todo pavor que sentia, Eliza se pegou pensando em como era possível que aquela mulher falasse... a mulher parecia ler seus pensamentos, por que respondeu:

- Eu não preciso de boca nem de língua pra falar, isso é pra vocês que estao vivos, agora saia daqui, vai pro seu quarto, você tem visita.

Ela obedeceu e voltou para o quarto, tremia da cabeça aos pés, assim que abriu a porta sentiu aquele cheiro já conhecido, o homem estava lá parado ao lado da cama.

- É aquilo... aquilo que entra na Marisa e a faz ter aquelas crises?

- Aquilo como você diz, é um espírito, menina! Embora você não os veja, há vários deles nessa casa, mas foi outro que a canalizou da primeira vez.

- Mas... Você não disse que seria assim... você me disse que... que a Marisa ficaria louca, não disse nada de espíritos, não disse que...

O homem deu uma risada, embora fria parecia conter satisfação.

- E o que você acha que está por trás da loucura, menina? O que você acha que faz as pessoas enlouquecerem? Os loucos sempre dizem ouvir, ver coisas... O que você acha que eles ouvem? O que você acha que eles vêem? E alem disso, você concordou. Você disse que ela merecia ser castigada e ela está sendo. Mas não é só ela que merece castigo, a filha dela também, aquela macaquinha se acha uma deusa... Eu vi o que ela fez com você mais cedo, as coisas que ela te disse.

- Eu... eu tentei de chamar quando eu cheguei em casa, mas você.... você não veio. Eu queria falar sobre isso com você. Já é a segunda vez que tento te chamar e você não vem.

 - Eu tenho outros afazeres, menina! Tenho um trabalho importante pela frente, uma coisa muito, muito grande, não vai demorar muito tempo pra acontecer e eu tenho que me preparar.

 - Me... me desculpe, eu não quis dizer que você tenha que ficar a minha disposição, me desculpe... É que eu pensei... sabe, você diz que eu sou especial, então eu...

 - E você é.

- Então por isso eu pensei que você viria se te chamasse, mas eu não sei como fazer tentei te chamar na minha cabeça, no meu pensamento, mas não deu certo, eu... eu acho que seria mais fácil se... se eu soubesse o seu nome... Você tem um nome, não tem?

- Claro que sim.

- Você... pode, pode me dizer qual é?

O homem pareceu mais frio do que nunca, quase aborrecido...Ficou calado por um tempo e depois disse:

- Abadom. Meu nome é Abadom. Agora vamos ao que interessa, quanto à macaquinha soberba, qual será o castigo dela?

- Aquela nojenta, insuportável – disse Eliza cheia de fúria - Se acha perfeita, sempre me humilhando, me chamando de gorda... ela se acha tão melhor do que eu por ser magra... já que ela se orgulha tanto de ser magra, esse vai ser o castigo dela, eu quero que ela seja cada vez mais magra, sempre mais, mais e mais magra.

- Eliza, Eliza desce aqui, rápido!

Eliza se assustou ao ouvir os gritos do pai, Abadom apenas disse:

- Vá!

Ao chegar na sala ela logo entendeu o motivo dos gritos, Marisa estava outra vez completamente roxa, os olhos revirados e brancos e a baba escorria grossa pela boca, mas ao contrário da última vez, foi a voz de uma mulher que saiu da boca de Marisa, uma voz muito sensual, a mesma voz que Eliza ouvira a pouco tempo atrás:

 - É com você que eu quero falar - disse apontando para Bárbara - Eu era como você, sabia? Tão confiante, tão orgulhosa da minha aparência, eu também pensava que por ser linda, podia tudo, como você, eu também gostava de humilhar as pessoas com a minha beleza, mas isso não acabou muito bem pra mim e sinto te informar... Também não vai acabar bem pra você!

 - Mãe...Você ta me assustando... Emanuel chama a ambulância de novo, leva a mamãe pro hospital, por favor. 

Mas uma vez Marisa foi levada ao hospital, passou por novos exames, foi encaminhada para um psicólogo e liberada, mas dessa vez o médico receitou um remédio para controlar ansiedade, um calmante.

Á noite Eliza não conseguiu dormir, ficou pensando no que aconteceu mais cedo: Então o nome dele é Abadom...e ele disse que tem uma coisa importante, grande para fazer... Disse que não vai demorar pra acontecer...

A noite foi muito longa e mal amanheceu Eliza escutou choro e gemidos, foi ver de onde vinha e Emanuel já estava entrando no quarto de Bárbara, ela estava deitada apertando a barriga com força.

- O que foi, Bárbara? O que você está sentido?

- Meu estômago ta doendo muito, Emanuel! Eu não sei por que, eu nem comi nada pra me fazer mal, mas ta doendo muito.

- Vai ver é por isso mesmo, você está sem comer ha muito tempo. Vou trazer alguma coisa pra você. Pelo menos toma um copo de leite.

Bárbara não conseguiu tomar o leite e nem comer nada, vomitava tudo a cada tentativa, passaram se dias, semanas sem que ela conseguisse se alimentar, no hospital não conseguiam achar problema algum nela, Bárbara passava horas tomando soro na veia, mas ainda emagrecia de forma assustadora, inexplicável, em quatro semanas perdera dez quilos e nesse meio tempo, mesmo tomando os medicamentos receitados, as crises de Marisa não pararam, certa vez falara com voz de homem, ele não disse muita coisa, apenas chorava muito e se lamentava pela esposa e pelo filho, mas a pior crise aconteceu quando Marisa estava no quarto de Bárbara, nos momentos em que estava lúcida, ela se preocupava muito com a filha, chorava ao ver o estado em que a menina estava, cada vez mais magra, pálida, fraca e abatida, estava sentada na cama da filha quando começou a ter convulsão, Bárbara já sabia o que estava pra acontecer, mas não teve forças para gritar, Emanuel não estava em casa e Eliza passava a maior parte do tempo trancada em seu quarto, os espasmos pararam e Marisa se levantou com aquela aparência medonha, sorriu para Bárbara e saiu do quarto, pouco tempo depois ela voltou, mas trazia uma enorme faca na mão, mesmo com os olhos totalmente brancos e babando muito, Bárbara notou que agora era diferente, aquela expressão era diferente de todas as outras, ela emanava fúria e quando falou, era uma voz impregnada de amargura e de ódio:

- Eu conheço bem o seu tipo, usa a beleza para humilhar as pessoas...se acha melhor que os outros, não é? Eu já acabei com uma do seu tipo e vou acabar com você também.

A mulher partiu furiosa pra cima de Bárbara, ela tentou gritar e não conseguiu, tentava rolar na cama, tentava segurar a mãe, mas não conseguia, Marisa esfaqueou o rosto da filha, fez um corte grande e profundo que vinha de perto do olho ate o queixo, Bárbara jogou um copo e uma jarra de vidro que estavam ao lado da sua cama no chão, tentando chamar a atenção de Eliza com o barulho, enquanto se debatia loucamente na cama para se desviar dos golpes, Eliza ouviu o barulho e foi ao quarto de Bárbara, ela ficou em choque ao ver o rosto de Bárbara, ela sangrava muito e o corte estava muito feio, Eliza correu e segurou Marisa por trás, segurou o braço dela com força e dobrou mão da mulher ate ela soltar a faca, Marisa se virou ainda mais furiosa, empurrou Eliza com força e foi em direção a faca, Eliza conseguiu se levantar a tempo e pegou a faca primeiro, Marisa a olhou com desprezo e disse:

- Por que você está tentando me impedir? Foi você que quis assim, foi você que pediu para elas serem castigadas. Ah, já entendi... Você está se arrependendo não é? Você não pensou que seria assim... Você é uma fraca, tão diferente de mim, eu nunca me arrependi do que fiz com eles e muito menos me arrependi de ter amaldiçoado essa casa, nunca! Eu simplesmente adoro, me deleito com as coisas que ele faz com as pessoas que vivem aqui.

- Ele... ele quem? Abadom?

A mulher deu uma risada sombria

- Então ele te disse o nome dele, eu demorei muito tempo pra saber. Mas não fica se sentindo amiguinha dele só por causa disso, você não faz idéia de quem ele é, você não faz idéia de onde foi se meter...

A mulher deu mais uma risada e soltou a faca, de repente Marisa caiu desmaiada no chão, Eliza percebeu que o espírito havia deixado o corpo dela, sua pele não estava mais roxa e ela já não babava mais, só então Eliza se aproximou de Bárbara, ela estava sangrando demais, mais do que uma pessoa normalmente sangraria com aquele tipo de corte, ela foi depressa telefonar para o pai e contou o que aconteceu, Emanuel chegou o mais rápido que pode e levou Bárbara ao hospital, precisou levar muitos pontos no rosto, Marisa ficou desesperada quando soube o que tinha feito a filha, Emanuel não contou no hospital que a esposa era a responsável pelo corte, teve medo que a denunciassem, que a prendessem, mas passou a dar uma dosagem maior de medicamento a Marisa, os médicos acharam melhor internar Bárbara por uns dias devido à perda rápida de peso dela. Após algum tempo ela recebeu alta, os médicos disseram que não havia nada que eles pudessem fazer, já tinham tentado de tudo... Disseram também que o estado dela grave e que se ela continuasse a emagrecer assim, ela não sobreviveria por muito tempo. Pouco mais de duas semanas depois Bárbara estava em um estado crítico, não conseguia se levantar para nada, passou a usar fraldas, estava pesando 29 quilos, Eliza evitava ao máximo ver a garota, se sentia muito mal, com muita culpa, ela queria que Bárbara fosse castigada, mas não pensou que seria assim, não pensou nas conseqüências na hora... Lembrava de Marisa esfaqueando a própria filha, lembrava do medo, do desespero no olhar de Bárbara naquele dia...Lembrava do que aquele espírito tinha falado: “não me arrependi de ter amaldiçoado essa casa, nunca! Eu simplesmente adoro, me deleito com as coisas que ele faz com as pessoas que vivem aqui”, mas nesse dia foi inevitável, ela teve que ficar com Bárbara enquanto o pai teve que sair, Marisa estava tomando remédios tão fortes que passava os dias totalmente dopada, há dias Eliza não via a garota e não conseguiu se controlar quando entrou no quarto, chorou muito ao vê-la, Bárbara parecia uma caveira, estava completamente descarnada, somente uma fina camada de pele lhe cobria os ossos, os membros tinham começado a atrofiar, os cabelos ralos, uma cicatriz enorme e grossa ocupava um lado inteiro do seu rosto, Eliza a abraçou e pediu perdão, Bárbara não conseguiu responder, apenas chorou abraçada a Eliza. Emanuel não demorou a voltar e Eliza voltou para seu quarto, ela estava decidida a colocar um fim naquilo tudo, mas não sabia o que fazer decidiu que deveria descobrir alguma coisa sobre Abadom, isso deveria ajudar... Ligou o computador e entrou num site de busca, digitou ABADOM e se surpreendeu com a quantidade de coisas que apareceram relacionadas a esse nome, escolheu o que parecia ser mais completo e leu...

 "*ABADOM – O DESTRUIDOR (Abaddon –nome hebraico significa “lugar de destruição”) Conhecido também como APOLIOM (Apollyon –nome grego significa “ruína e destruição”). Nas escrituras cristãs ele está descrito como uma pessoa individual, nestas descrições ele é conhecido como o rei do abismo que detém almas perdidas e no dia do juízo final ele será o comandante de uma praga de gafanhotos sobre a Terra, Abadom é um dos demônios mais poderosos e ocupa um lugar altíssimo na hierarquia do inferno, é comum que esse tipo de demônio exale um cheiro profundo quando presente, um odor forte, tóxico e fétido marcam sua presença, é também possível encontrar menções a ele em algumas passagens bíblicas, no livro de Apocalipse capítulo 9, versículo de 1 a 12, ele é identificado como “a estrela que caiu do céu na Terra”, “anjo do abismo” e “soberano do poço sem fundo” , segundo o apóstolo João, quando o anjo tocar a quinta trombeta, a chave do poço do abismo será dada a Abadom, permitindo-o atormentar os homens, até que estes buscarão pela morte sem encontrá-la, o tormento de Abadom será tão terrível e desesperador, que os homens desejarão morrer, mas a morte fugirá deles. Quando Abadom está em um lugar, ele só sai quando tiver destruído a tudo e a todos presentes." 

Eliza correu para procurar uma bíblia, encontrou e foi direto ao livro de Apocalipse e lá estava, leu o capítulo duas vezes, era pior do que ela pensava... Aquele espírito tinha razão... Ela não sabia onde estava se metendo... e agora tinha idéia a que ele se referia quando disse ter coisas grandes a fazer... Ainda absorta nesses pensamentos, ela voltou a si quando ouviu de novo aqueles gritos, era Marisa tendo outra crise, dessa vez ela foi depressa ao quarto da madrasta, ela estava outra vez com a faca não mão, dessa vez atacando Emanuel, ele tentava segurá-la, mas a mulher estava incontrolável, o acusava de estar interessado em Bárbara:

- Eu via o jeito que você olhava para ela, é sempre assim... Vocês homens pensam que podem trair, que podem trocar suas esposas por essas vadias.

A mulher conseguiu acertá-lo no ombro e no braço, ele tentava acalmá-la, pedia por favor...E ela ficava cada vez mais furiosa, ele conseguiu segurá-la e a fez ficar de costas para ele, mas ela tentava se soltar de qualquer maneira, ele colocou o braço em volta do pescoço dela para tentar imobilizá-la e ela se debatia violentamente, ele apertou com mais força até que ela parou de se mexer, mas Marisa ficou quieta demais...Emanuel a soltou devagar e ela desabou imóvel no chão, ele se abaixou muito assustado e para seu terror, viu que a mulher estava morta.

- Meu Deus! O que eu fiz... Marisa... Acorda, por favor! Meu Deus! O que eu fiz... eu não queria...

Emanuel chorou muito, foi em direção à filha e a abraçou, depois foi ao telefone e chamou a polícia, ele foi preso e levado à delegacia, a polícia chamou uma ambulância e levaram Bárbara ao hospital, ela teve falência múltipla dos órgãos e morreu naquela mesma noite.

Eliza foi informada que ela seria encaminhada ao conselho tutelar, ela os convenceu a deixarem voltar pra casa, ela disse que precisava de algumas coisas para resolver sobre o enterro de Marisa e Bárbara, no caminho Eliza foi pensando no que ela faria para acabar com tudo aquilo, lembrou do que tinha lido sobre Abadom... “O destruidor...”, “Quando Abadom está em um lugar, ele só sai quando tiver destruído a tudo e a todos presentes”. 

Se lembrou do que o espírito disse sobre ter amaldiçoado a casa verde... Aquela casa era amaldiçoada, Abadom iria destruir e atormentar a todos que morassem ali, nunca teria fim...a não ser que... a não ser que não houvesse mais casa, era isso! Ela tinha que destruir aquela casa, nunca mais ninguém moraria lá e a maldição acabaria.

Eliza entrou na casa determinada a destruí-la, não podia perder tempo, foi ao seu quarto e acendeu todas as velas que tinha, colocou fogo nas cortinas, nas camas e saiu à procura de álcool encontrou na cozinha e saiu derramando pela casa, jogou nos móveis e ateou fogo, as portas e janelas da casa eram de madeira e elas queimaram rápido, Eliza tinha que sair depressa da casa, tinha pouco tempo, quando estava quase chegando à porta ela sentiu a presença de Abadom, nem o cheiro de álcool e fumaça conseguiram encobrir o cheiro dele.

- Você não vai me deixar sair da casa, não é?

- Menina esperta! –respondeu Abadom com desdém.

Eliza se lembrou do que aconteceu com o pai, Marisa e Bárbara.

- Eu acho que mereço isso, depois de tudo que fiz, de todo mal que desejei... eu mereço!

 -Você sempre foi muito boa em apontar quem merece castigos...E eu muito bom em aplicá-los.

A casa se consumiu em chamas rapidamente, mas Eliza demorou muito tempo pra morrer, ia sufocando, asfixiando lentamente...Enquanto isso se lembrava de tudo que aconteceu, se arrependia muito, quando finalmente morreu, se sentiu em paz, pois seu último pensamento foi que graças a ela a casa estava destruída e a maldição acabada.

Do lado de fora, Abadom olhava calmamente a casa se desfazer, sorriu e disse:

- É uma pena... Foi um passatempo divertido. Mas também já estava na hora... Tenho planos maiores a quais me dedicar, minha grande hora está chegando... e será muito em breve, mais do que vocês possam imaginar.

FIM

Conto de terror enviado pela leitora Tamora. Envie o seu também!
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