15 de julho de 2014

Conto Assombrado: A Casa Verde (Parte 02 de 05)

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Novos inquilinos chegam para morar na casa. O marido sabe do passado, mas sua mulher não, e ela começa a presenciar fenômenos estranhos. Um anúncio especial acalma os ânimos...

Cláudia e Sérgio eram recém casados, namoraram por sete anos e agora finalmente realizaram o sonho de se casarem, só faltava agora encontrar a casa perfeita. Mas a situação financeira do casal não era das melhores... Sérgio soube de uma casa que estava pra alugar, a casa era grande e muito bonita e o preço era muito abaixo do normal, quando o corretor o levou para ver a casa, Sérgio não conseguia acreditar:

- Olha, eu preciso perguntar... Tem algum problema com a casa?

- Nenhum problema, ela está em perfeitas condições. Eletricidade, pintura...

- Não, não... Não digo nesse sentido, é que... Bom, a casa é enorme, num bairro bom e o preço... Claro que eu não devia reclamar...Mas ta baixo demais, é estranho, sabe?

- Bem, não há nenhum problema, é que a casa é muito antiga, o estilo de construção é ultrapassado, acabou se desvalorizando no mercado.

Sérgio percebeu que o corretor parecia nervoso, constrangido ao responder. Mas não podia negar que era tentador, uma casa daquelas por aquele preço.

- Eu vou trazer minha esposa na próxima visita e se ela gostar, nós fecharemos negócio. Mas ele ainda estava incomodado e depois que o corretor se foi, ele resolveu investigar por conta própria, foi até a casa vizinha e tocou a companhia, uma senhora baixa e gorda veio atender:

- Pois não?

- Oi, bom dia! Desculpa incomodar, meu nome é Sérgio e eu estou interessado em alugar a casa ao lado e bom... Eu queria saber mais sobre o bairro, se é tranqüilo, sabe?

- Olha o bairro é ótimo, moro aqui há bastante tempo, mas... Posso ser sincera?

- Claro, por favor.

- Eu particularmente, não moraria nessa casa nunca, nem de graça.

- Por que não? Aconteceu alguma coisa?

-  É claro que o pessoal da imobiliária não contaria nada, mas acho que o senhor precisa saber, há quase um ano atrás três pessoas morreram nessa casa, bem quero dizer... Duas foram assassinadas e uma se matou, se bem que...

- O que? Três pessoas morreram lá?

- É incrível que o senhor não sabia, teve uma repercussão enorme, saiu em todos os jornais... A esposa pegou o marido em flagrante com a amante, matou os dois e depois se matou no banheiro, que aliás dizem que tiveram que pintar todo de vermelho, dizem que as manchas de sangue não saiam por nada, enfim... a policia concluiu que foi suicídio, mas nunca ouvi falar de um suicídio como aquele, a mulher estava toda aberta, como se alguém a tivesse rasgado...Como alguém se mata assim?

A vizinha demorou mais algum tempo descrevendo o crime, como encontraram os corpos, na verdade parecia ansiosa pra falar do caso, depois de algum tempo Sérgio foi embora, ficara perturbado em saber dessas coisas, pensou muito sobre o que devia fazer e por fim concluiu que ainda era um bom negócio, não teria outra oportunidade como essa, claro que era terrível saber dessas mortes, mas afinal que diferença isso faria? Não mudaria nada em relação à casa e essa coisa de fantasmas, casa assombrada , espíritos...Não passavam de besteiras.

A Cláudia só não pode saber... Pensou ele.

Quando foi ver a casa na semana seguinte Cláudia ficou encantada:

- Meu Deus, amor... É linda, perfeita! Mas tem certeza que a gente pode pagar uma casa assim?

Sérgio deu a mesma resposta que o corretor o dera, jamais contaria a ela sobre as mortes, ao contrario dele, Cláudia acredita em coisas sobrenaturais, fantasmas, anjos, espíritos, demônios... E ficaria apavorada em morar lá, provavelmente diria que a casa era mal assombrada, se mudaram pouco tempo depois, Sérgio era marceneiro e separou um cômodo no andar de baixo da casa para trabalhar e Cláudia já escolhera o quarto que seria do futuro filho, ela era completamente obcecada com a idéia de ser mãe, era seu maior sonho. Antes mesmo de se casarem ela já estava tentando engravidar, comemorava a cada atraso da menstruação, sentia enjôos, desejos e quando via que era alarme falso ficava inconsolável.

- Amor, eu tenho certeza que agora vou ficar grávida. Toda vez que entro no quartinho que será do bebê eu tenho essa sensação.

- Claro que vai, querida! Tenho certeza que sim.

As semanas passaram depressa e logo já havia completado um mês que se mudaram. Os dias eram tranquilos apesar de às vezes ouvirem barulhos estranhos na casa, depois as portas e janelas se abriam sozinhas e faziam um ruído muito alto.

- Aqui venta muito, querida... E a casa é antiga, por isso que as portas ficam rangendo.

Cláudia se assustava toda vez que isso acontecia, mas o que mais a incomodava era um cheiro forte que às vezes ela sentia pela casa.

- Não entendo como você não consegue sentir esse cheiro, Sérgio! É um cheiro tão forte e não sei explicar com o que se parece...Nunca senti um cheiro assim.

Cláudia não tocava muito no assunto, mas o fato era que ela se sentia cada vez mais incomodada naquela casa, não sabia explicar por que, mas se sentia estranha, a casa tinha um clima pesado, tenso...E algumas vezes ela tinha a sensação que estava sendo observada, tinha constante impressão que alguém a vigiava. Mas o grande susto aconteceu quando ela estava no banheiro, tinha acabado de lavar o rosto e o secava, quando tirou a toalha do rosto viu pelo espelho algo passar por trás dela muito rápido, se virou depressa e não viu nada, estava com o coração disparado e o corpo todo arrepiado, tinha deixado a porta entreaberta e quando foi sair a porta se fechou sozinha com violência, ela puxava a maçaneta tentava abrir a porta, novamente começou ter aquela sensação de que alguém a observava, começou a gritar por Sérgio mas ele parecia não ouvi- la, sentiu então que pisava em algo viscoso e quente, olhou pro chão e viu que estava coberto de sangue, espesso...vivo. Ficou desesperada, gritava e esmurrava a porta com força, como não adiantou ela começou a procurar por alguma coisa que ela pudesse usar para abrir a porta, abriu o armário da pia, mas não achou nada, quando se levantou ficou de cara com o espelho e de repente sentiu que ia desmaiar, não era seu reflexo que estava lá... Era o rosto de outra mulher, um rosto transfigurado pela morte e pelo ódio. Cláudia se sentiu tonta e tudo ficou escuro.

Quando abriu os olhos estava caída no chão e Sérgio ao seu lado:

 -  O que aconteceu, Cláudia? O que você tem?

 - Me tira daqui, Sérgio! Por favor, me tira daqui.

Ele a levou pra sala cada vez mais preocupado, ela estava pálida e trêmula.

 - Me fala amor, o que aconteceu?

Cláudia não sabia por onde começar e nem o que falar:

 - Eu... estava no banheiro, eu... vi no espelho, alguém...passando atrás de mim, eu gritei...Chamei por você, a porta se fechou sozinha e... depois, eu olhei pro chão e tinha sangue, muito sangue... e depois, um rosto... uma mulher no espelho, eu sei que ela estava morta, eu sei...

  - Calma Cláudia, fique calma...Escuta, você está dizendo que me chamou, que gritou, mas eu não ouvi nada e quando fui ao banheiro, a porta não estava fechada, estava entreaberta.

  - Não estava, ela se fechou sozinha. Eu tentei abrir, eu esmurrei a porta...

- Cláudia, por favor, me escuta... você não fez barulho nenhum lá dentro, eu estava aqui na sala, eu teria ouvido você esmurrar a portar, gritar por mim, eu...

- Então você acha que eu estou inventado tudo? Que eu estou louca, vendo coisas? É isso, Sérgio?

- Não, não é isso que estou dizendo. Eu só acho que você ficou nervosa, querida! Você sempre se assusta quando a porta se abri com o vento, você ficou com medo quando isso aconteceu lá no banheiro e se apavorou, imaginou um pouco as coisas... O banheiro é pintado de vermelho forte e isso te confundiu e como você estava assustada, pensou que era sangue, teve a impressão que viu sangue, entendeu?

- Ah, é? E o rosto no espelho? E a mulher que eu vi no espelho, hein?

- É a mesma coisa, querida! É o que eu estou dizendo, você ficou nervosa e imaginou coisas, é claro que era o seu reflexo no espelho, você se viu no espelho e o medo transformou as coisas, isso é normal quando se está com medo.

- Eu não imaginei nada, eu sei o que eu vi. Você pode não acreditar, mas eu sei que eu vi de verdade.

Sérgio realmente achava que era imaginação de Cláudia, mas no fundo achou estranho ela ter visto sangue no banheiro em que ele sabia que uma mulher havia se matado.

Cláudia não falava mais a respeito disso, ficou chateada com o marido por ele não ter acreditado nela e ele tentava distraí- la falando sobre o que ela mais gostava de ouvir, sobre filho e gravidez.

  - Essa noite eu sonhei que você estava grávida, querida! A sua barriga estava enorme e era um menino.

E isso era o suficiente para ela mudar completamente, ficava muito interessada e perguntava tudo sobre o sonho, todos os detalhes.

 - Eu acho que esse sonho é um aviso, eu sei que vou ficar grávida em breve, todas as noites eu oro antes de dormir e peço a Deus pra Ele me dar um filho e sei que Ele vai me atender.

De fato Cláudia fazia suas orações e em uma noite ela se ajoelhou em frente sua cama e fechou os olhos, Sergio já estava dormindo e a luz estava apagada, em voz baixa ela começou sua oração, implorava a Deus por um filho, implorava para ficar grávida. Terminou a oração e já estava se levantando quando viu que havia um homem parado ao lado da cama, viu que era um homem muito alto e que parecia ter a pele muito clara, pois mesmo no escuro ela se destacava, o que ela não viu foi seus olhos completamente negros e diabólicos e nem as enormes mãos que mais pareciam garras, ela fez menção de acordar o marido, mas então ela ouviu a palavra “espere”, a voz do homem a faz arrepiar da cabeça aos pés.

- Eu vim em resposta a suas orações, vim trazer a noticia que você tanto espera.

-  O que? Resposta a minha oração? Você... então...você é um anjo?

-  Sim. Ele viu que sua oração é sincera, viu sua fé e me enviou como resposta.

O homem tinha um sorriso maligno e irônico enquanto falava e Cláudia também não pode ver seus dentes pontiagudos e afiados.

- A sua oração foi ouvida, Cláudia! O seu filho já está dentro de você.

Cláudia sentia medo, mas ao ouvir isso chorou de felicidade, não cabia em si de alegria. Só então se deu conta de que aquele cheiro que costumava sentir pela casa tomava conta de todo o quarto.

- Esse cheiro...Vem de você? Eu sinto esse cheiro sempre pela casa, desde que nos mudamos.

- Sim, eu estou aqui desde que vocês vieram para cá e estou sempre com você, sempre ao seu lado.

-  Eu sentia que alguém me observando...Então era você? 

- Sim. Mas não estava te observando, estava cuidando de você e principalmente protegendo essa criança, pois eu já sabia que ela viria.

- Mas por que? Por que meu filho e eu precisamos de proteção?

- Você saberá no tempo certo, por hora você só precisa ficar atenta e não se preocupe Cláudia, eu estou aqui na sua casa o tempo todo, não vou a lugar algum...Estou sempre ao seu lado. 

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Conto de terror enviado pela leitora Tamora. Envie o seu também!
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