8 de julho de 2014

Conto Assombrado: A Casa Verde (Parte 01 de 05)

Criada no interior, Ângela foi educada para ser esposa e mãe, e fez seu papel muito bem até seu marido ser transferido para a cidade grande, onde o casal escolheu uma nova casa para morar e viu suas vidas mudarem completamente...

Ângela era uma mulher calma e submissa ao marido, criada no interior, fora educada para ser esposa e mãe. Se casou jovem e agora aos 33 anos de idade comemorava seu 13º aniversário de casamento.
Era um casamento feliz, como ela sempre desejou. Ela e o marido Luciano passaram a maior parte do casamento vivendo no interior, mas a empresa em que ele trabalhava cresceu muito nos últimos anos e ganhou uma filial na cidade grande.

-Você vai gostar de lá, Ângela! Vamos ter uma casa linda, grande... E você vai escolher.

Ângela não gostou muito da idéia, tinha medo das coisas mudarem... Em cidade grande é tudo muito diferente... pessoas, lugares, costumes...tentações. Mas não ousaria dizer isso ao marido, se era isso que ele queria... Assim seria.

Não foi fácil para ela achar uma casa que a agradasse, não gostava dessas casas modernas, em formatos arrojados, queria uma casa simples que parecesse mais com ela, finalmente após algum tempo de procura ela encontrou... Era uma casa grande, espaçosa, porem em estilo mais antigo, portas e janelas de madeira, varanda em frente à casa, um jardim bonito e bem cuidado, agradou muito também da cor da casa, era um verde diferente, vivo...

- É essa, amor! Eu gostei dessa... Mas se você não gostou, tudo bem...Podemos procurar outra.

- Eu gostei sim, querida! Eu disse que você poderia escolher, não é?

Mas em pouco tempo os temores de Ângela mostraram não serem infundados, realmente as coisas na cidade grande eram diferentes e Luciano ficou diferente também, fez novos amigos, passou a chegar tarde em casa, bêbado e estava cada vez mais frio e distante dela, logo Ângela descobriu o motivo, Fernanda... A nova secretária de Luciano. No começo ele era discreto, não atendia ao telefone em sua frente, arranjava desculpas para chegar tarde ou passar as noites fora... Depois foi ficando desleixado, não dava satisfações e não se esforçava em esconder as marcas de mordidas, arranhões ou o cheiro de perfume da outra. Ela chegou a atender varias ligações de Fernanda que a humilhava e a ofendia sempre que podia.

 -Você ainda está aí com ele? Não tem amor próprio não? É a mim que ele ama, sua velha gorda!

Ângela já não suportava mais essa situação, dedicara sua vida aquele homem e recebia isso em troca? Com o marido ela tentava se controlar, tinha medo de piorar a situação e ele ir embora de vez, mas quando estava sozinha, chorava, gritava de ódio e dor:

- Eu não mereço isso, não mereço... Eu era tão feliz antes de vir pra cá, depois que nos mudamos pra essa cidade, pra essa casa maldita...Tudo mudou! Eu odeio esse lugar, odeio!

Essa foi sua válvula de escape, passou a culpar a cidade, a casa... Passou a odiar aquele lugar. Luciano já estava preocupado com a sanidade mental da mulher, a ouvia resmungar o tempo todo:

 - Casa maldita, acabou com a minha vida... Casa do inferno... Destruiu tudo. Lugar maldito! 

Ele então sugeriu a ela que passasse uns dias fora, que fosse para o interior pra casa de sua mãe. Após três dias fora de casa Ângela já sentia outra, se sentia forte, confiante...Voltaria pra casa e iria reconquistar seu marido, teria um casamento feliz novamente, só tinha que convencê-lo a se mudar, a voltar para o interior. Foi com essa idéia que Ângela sem avisar ao marido voltou para casa, passou rápido pela sala e subiu até seu quarto e para seu desespero, Fernanda e Luciano estavam nus e dormindo abraçados. Em seu quarto... Em sua cama. Como em transe, Ângela desceu ate a cozinha pegou a maior faca que encontrou e silenciosamente voltou ao quarto, se aproximou da cama e em um golpe rápido cortou a garganta de Luciano, o sangue jorrou forte e alto e respingou em seu rosto. Fernanda abriu os olhos devagar e antes de poder se dar conta do que estava acontecendo, a faca já atingia sua garganta. Ângela ficou olhando o corpo de Fernanda, ela era jovem, bronzeada, linda... Lembrou de sua voz ao telefone: Sua velha gorda... É a mim que ele ama, velha gorda...

Começou então um trabalho minucioso, primeiro cortou os cabelos de Fernanda, a deixou quase careca, depois com a ponta da faca arrancou seus olhos que eram grandes e verdes... Depois foi a língua, os lábios, os mamilos, os seios... Quando terminou olhou os dois por mais um pouco e percebeu que não sentia pena e nem arrependimento, só ódio.

Foi ao banheiro e lavou as mãos, olhou seu rosto no espelho... Então sentiu como se alguém se aproximasse dela por trás, era uma presença forte, imponente, poderosa.... Se virou e não viu ninguém, mas ainda sentia sua proximidade, se olhou novamente no espelho e viu a quem pertencia aquela presença, rapidamente olhou para trás e agora ele estava lá, parado na sua frente. Era um homem extremamente alto e branco, tanto que dava para ver as veias azuladas em seu rosto nitidamente, seus olhos eram completamente negros, íris e pupilas...Como dois buracos, porem eram brilhantes e malignos, o cabelo preso em um rabo de cavalo lhe caía pelas costas, o homem tinha um cheiro estranho, forte... Estranhamente Ângela não teve medo, o encarou e disse calmamente:

- Eu sei quem é você... E o que veio fazer aqui. Você veio me buscar... Eu vou para o inferno pelo o que fiz com os dois lá em cima, não é?

O homem assentiu com a cabeça.

- Não vou relutar, mereço o inferno depois do que fiz... Mas quero pedir uma coisa antes, depois de me levar quero que você volte pra essa casa, quero que essa casa seja maldita para todos que morarem aqui, assim como ela foi comigo. Todos que viverem aqui vão terminar como eu, você se encarrega disso?

O homem mais uma vez assentiu, dessa vez com um sorriso e Ângela viu que todos os seus dentes eram pontiagudos, ele a olhou e disse em uma voz grave e extremamente fria:

 -Você precisa derramar seu sangue nessa casa, seu sangue está cheio de ódio, fúria e rancor, derrame-o e essa casa será maldita para todos que viverem aqui.

  -Faça você, faça isso por mim.

Mas uma vez o homem sorriu e ergueu um pouco as mãos, seus dedos eram longos e finos, as unhas enormes a deixavam com aspecto de garras, com movimentos rápidos e precisos o homem dilacerou Ângela em poucos minutos, sua carne se abria mais a cada golpe e seu sangue se espalhou pelo banheiro.

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Conto de terror enviado pela leitora Tamora. Envie o seu também!
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