3 de junho de 2014

Conto Assombrado: Um Defunto no Tribunal


O que será que o defunto foi fazer no tribunal? Ótimo conto :)

No tribunal, todos se apavoraram com aquela presença nefasta, aquele cheiro de flores passadas misturado à podridão, furioso, entrando e se posicionando no centro do recinto. Alguns até desmaiaram.

- Morri, mas não pude descansar! Vocês sujaram a minha imagem, a minha reputação da vida inteira. Sempre fui um homem íntegro, seus filhos da puta! Usuário de drogas o caralho, o que vocês ganham com isso? Meu dinheiro suado, meu seguro, não é? Senhores, façam uma outra autópsia, eu já estou aqui, vão descobrir que eu fui é envenenado e se for comprovado, não quero deixar nada para ninguém, só para a minha filha, que pediu a Deus para intervir neste processo, e eu voltei. Não gostei muito não, estava precisando do descanso eterno, trabalhei a minha vida inteira, vocês vão é se foder...

- Senhor, os palavrões são desnecessários...

- Desnecessários?! Eu fui um catedrático, nunca falei palavrões. Duvido que os senhores numa situação dessas não dissessem também! Ruhm... "Pimenta no dos outros...". Causa-me espécie que esses parasitas tenham a cara de pau de reivindicar as minhas conquistas. Tudo para a minha filha! É a vontade do morto. Bom, eu já vou, fiquem com este meu dedo para fazer a nova autópsia. Ah, e vocês, seus encostos, disseram, no além, que vocês vão todos para o inferno. Papai te ama, viu, minha filha?! Fui!

E saiu porta afora, podre e elegante com seu terno e sapatos pretos de pelica Armani, rumo ao cemitério São João Baptista.

Conto enviado pela leitora Lygia Victoriah Pinheiro de Aguiar. Envie o seu também.
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