17 de junho de 2014

Conto Assombrado: O Visitante Noturno

Ele estava tendo uma boa noite de sono quando sua mulher o acorda assustada com o latido dos cachorros e pedindo para ele verificar o que era. Quando ele olha pela janela, vê uma silhueta inacreditável...

Acordei meio vagamente escutando uma voz que parecia vir de muito longe e que foi levemente se aproximando até que dei por mim que era minha mulher que tentava me acordar puxando pelo meu antebraço com solavancos.

Estranhei a atitude, pois realmente parecia que ela me chamava com algum medo ou com receio de alguma coisa que no momento nem imaginava o que era pelo jeito confuso que acordei.

Nossos quatro cães latiam sem parar como se tivesse acuado alguma onça na mata. Percebi que alguma coisa estava acontecendo, pois os latidos eram desesperadores. Dava para ouvir o latido da cadela Capitu que apesar de pequena latia forte, seguida por Mel sua filha e Junior o pai, mesmo sendo uns pinchers latiam com muita raiva.

Nina nossa cadela misturada de vira lata com Terrier (Fox Paulistinha) latia com tanta vontade de atacar que se esfregava no portão da garagem e tentava pular o portão de pedestre quase conseguindo.

Tinha chovido nesta noite, antes das vinte e três horas, tinha caído uma chuva mansa, mas precisa, deixando o clima meio frio e bom para dormir, esta a razão que não acordei facilmente quando fui chamado por minha mulher. Sei que a noite ficou bem escura e como o clima estava um pouco quente antes da chuva havia neblina meio densa envolvendo as luzes nos postes da rua.

Senti mais um solavanco em meu braço quando percebi que deveria ir ver o que era aquele fuzuê todo. Neste instante nossos cães se calaram imediatamente, como se calam uma orquestra ordenada por seu maestro.

Peguei meu celular no criado mudo para ver que horas era aquela, pois meus óculos estavam na escrivaninha e não dava para verificar no meu relógio com a pouca luz e seus números pequenos. Acendi a luz do celular e era meia noite e quarenta e três minutos naquele momento.

Sentei na cama tentando me levantar sem fazer muito barulho, quando minha mulher falou novamente:

- Vai lá vê o que é! Tem alguma coisa lá fora!

- Estou indo... Calma que já vou. – Respondi tentando manter a calma.

Agora com o silêncio dos cães comecei a andar em direção da janela onde através do vidro e das cortinas passava um pouco da luz do poste da rua que ficava bem em frente da minha casa.

Ao chegar à janela, procurei afastar as cortinas bem levemente sem demostrar pressa. Agora a luz do poste da rua clareava mais um pouco o quarto. Com jeito comecei a abrir a janela de uma maneira que ninguém notasse, bem devagar e olhando pela a pequena brecha que se abria vagarosamente.

Inicialmente não via nada que pudesse identificar lá fora, apesar de que a luz estava envolvida com um pouco de neblina, mas dava para ver entre as brechas do portão da garagem se tivesse alguma coisa na rua.
Novamente comecei a abrir com cuidado a janela para não fazer barulho, nesse instante ouvi um barulho meio peculiar que sempre acontece quando alguém mexe com o lixo que fica durante a noite na lixeira coletiva ao lado do poste que iluminava a rua.

Apesar da neblina meio densa, dava para ver, mas não enxergava nada na rua e não conseguia identificar de onde vinha o barulho de alguém mexendo em papeis e plásticos. Fui até a escrivaninha e pequei meus óculos e para minha surpresa quando cheguei à janela notei que tinha alguém entre a lixeira coletiva e o poste. Tentando mostrar para minha mulher a chamei:

- Tem alguém ali perto da lixeira, vem ver!

- Vou não, estou com medo! – Respondeu com voz baixa e tensa minha mulher.

- Parece um mendigo procurando coisas no lixo, mas este é bem diferente. – Disse olhando fixamente para o ser que se encontrava perto da lixeira coletiva.

- Deixa pra lá? – Responde minha mulher assustada.

- Você precisa vê-lo, ele não é normal, parece ser gigante, vem conferir para não dizer que estou mentindo! – Disse tentando convencê-la.

- Não vou vê-lo, já estava com medo que você não acordava e os cachorros não paravam de latir, agora quer que fique sem dormir com tanto medo?! – Responde minha mulher realmente com medo.

- Mas ele é incrível! Seu tamanho não é normal, vem só para conferir! – Disse tentando mais uma vez convencê-la.

- Eu já disse que não quero ver esta coisa, você está me fazendo medo. – Responde minha mulher se embrulhando com o lençol.

- Precisa assistir esta cena, vem logo, ele é enorme. Esta mexendo no lixo, mas só pega papeis e plásticos e olha desconfiado para um lado e para outro, como se estivesse aguardando algum comando ou aviso de alguém para sair dali. - Disse

- Não vou! Para de me assustar, isto parece invenção sua. Não existe gente desse tamanho, até parece coisa de outro mundo. – Diz minha mulher tentando me convencer de que não é coisa sobrenatural.

- Aí é que você se engana, se isto não for de outro mundo é um monstro ou um lobisomem, vem vê-lo e depois me diz se estou mentindo! – Disse com convicção do que estava vendo.

Depois de tanta conversa minha mulher se convenceu a ir ver quem eu achava que era um gigante ou ser sobrenatural. Mesmo com muito medo ela se aproximou da janela bem devagar e bem perto de mim, segurando meu braço ela olhou para a rua em direção do poste e da lixeira coletiva para se certificar do que eu dizia.

Para sua surpresa viu que eu realmente não estava mentindo nem inventado nada e o observou, agora com mais medo que antes. Dava para vê-lo agora com mais precisão e realmente não era um ser humano, se fosse era fora do normal. O Visitante estava com uma roupa de cor caqui e com um blusão também caqui com um capuz encobrindo sua cabeça e de cócoras.

Nesta posição ele pegava e escolhia os papéis e plásticos e colocava em um saco enorme também de cor caqui, como se esta cor fosse predominante em suas vestes ou de um grupo paramilitar desconhecido.
Minha mulher já tremendo ao meu lado nada mais falava. Eu fiquei algum tempo observando aquele Visitante enorme como se tivesse previsão de alguma reação dele. Isto não demorou e o ser gigante mesmo de cócoras elevou sua coluna como se fosse levantar-se, mas apenas se ajeitou na mesma posição, erguendo sua cabeça envolvida com o capuz caqui.

Dava para perceber que o Visitante gigante tinha sentido alguma coisa ou pressentido algo em sua volta, alguém vindo à rua naquela noite nebulosa e já fria, seria uma coisa que não devia acontecer. Mas depois da chuva naquela noite e a neblina que deixou a rua bem tenebrosa ninguém sairia para dar um passeio noturno.
O Visitante gigante realmente se incomodou com alguma coisa e eu naquela janela também pressenti que já não estava despercebido. O Visitante Noturno levantou sua cabeça bem devagar onde foi revelando seu rosto escuro, foi olhando para sua esquerda justamente para onde nós estávamos parados na janela lhe olhando fixamente.

Após levantar totalmente sua cabeça e revelar seu enorme rosto por baixo do capuz, o Visitante Noturno nos olhou com um olhar frio e seus olhos de cor amarelado brilhavam sendo revelado através da sombra que o capuz fazia em uma parte de seu rosto.

Ficamos paralisados em nossa janela e sem qualquer movimento vimos o Visitante Noturno se erguer bem devagar mostrando realmente sua altura. A visão agora era deslumbrante, tenebrosa, excitante e pavorosa. Pois o Visitante Noturno gigante percebeu que estávamos lhe observando e agora vinha em nossa direção com seu olhar de cor amarelada.

Os cães não vieram nos socorrer ou latir para afastá-lo, não aparecia ninguém na rua para assustá-lo, só restava ele a invadir nossa casa e nos atacar, mas pelo seu andar em direção à nossa casa parecia que só tinha curiosidade em também nos olhar e nada mais.

Quando o Visitante Noturno gigante chegou bem no meio da rua, onde dava para lhe enxergar nitidamente, pois a luz do poste de energia que iluminava a rua ficou bem mais próxima de seu rosto, um som estranho foi ecoado de algum lugar distante, não dava para saber que tipo de som era aquele, mas lhe chamou atenção que sorrateiramente se voltou na direção do referido som e começou a andar com passadas largas, e antes que saísse da frente de nossa janela, nos olhou como se deixasse um aviso que retornaria outra vez.

Após aquela cena demorou para pegarmos no sono novamente e no outro dia, meio sem jeito, saímos procurando pela rua se alguém tinha visto alguma coisa estranha, um ser, um mendigo, um gigante ou qualquer coisa que lhe chamasse atenção. Nossa procura foi em vão, ninguém viu ou ouviu nada.

Passou-se uma semana, quando ouvimos um homem falando sobre um ser gigante que andava pela rua, mas suas palavras foram desacreditadas, pois o referido cidadão era um mendigo e alcoólatra que perambulava pelas ruas da cidade. Muita gente já o chamava de louco por que quando começava a falar sempre dizia ter visto um homem de outro planeta gigante, mas ninguém dava atenção.

Decidimos também guardar este segredo, poderiam não acreditar em nossa versão e esperamos que o Visitante Noturno gigante volte em nossa casa ou vá a sua, em uma noite depois da chuva quando se formar uma densa neblina em sua rua, e vasculhe alguma lixeira em volta de sua casa.

FIM!

Conto de terror enviado por Leon Semog. Envie o seu também!
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