6 de maio de 2014

Conto Assombrado: Corpo Seco - A Rejeição da Alma

O que acontece com o Corpo Seco, o homem que matou seu pai e mãe, quando ele morre?

Á ultima casa da rua escondia um mistério, era muito estranha e depois que o pai e a mãe do homem que ainda vivia lá tinham morrido, tudo tinha se transformado em um lugar sombrio, as plantas já não tinham vidas, pareciam secas, sem folhas, pássaros e outros animais não circulavam por perto dela.

As noites eram longas, os gritos de agonia deixavam todos na vizinhança acordados, ninguém se arriscava a ir lá saber o que estava acontecendo, sabiam que aquele homem era maldoso, era o responsável pela morte da mãe e do pai, tinha causado desgosto e os maltratou até a morte.

Em uma noite fria e chuvosa, os gritos cessaram e não se ouvia nada, foi à noite mais tranquila dos últimos anos. No dia seguinte os vizinhos desconfiaram, a movimentação na casa parou, mas ninguém tinha coragem de entrar e descobrir o que tinha acontecido.

O silêncio foi tomando conta, não se ouvia qualquer barulho que chamasse atenção, os vizinhos não tinham mais desculpa, tinham que saber o que aconteceu naquela velha casa sombria. José Alves e Luiz Gomez decidiram entrar para verificar e dar uma reposta aos vizinhos que já estavam aflitos com a situação.

Depois de vasculharem toda casa encontram o homem morto, pelo estado do corpo parecia que tinha sofrido muito, a posição do corpo era de quem tinha agoniada por muito tempo com dores ou um demônio se empoçando de sua alma.

Apesar de sua história de maldade, os vizinhos em consideração aos seus pais foram enterrar o corpo, uma discussão foi feita e a população da pequena cidade não queria aquele defunto enterrado no cemitério aonde seus familiares já se encontravam, e a única solução seria enterrá-lo debaixo da grande árvore próximo a sua casa, a qual já se encontrava totalmente seca. Sua imagem era atemorizante, seus galhos secos em noites de lua cheia formavam figuras que assustava todo mundo que passava por perto por se tratar de um caminho que dava acesso à pequena rua da cidade.

Em um fim de tarde foi feito o enterro. Poucas pessoas acompanharam. Depois da ultima pá de terra jogada em sua cova embaixo da grande árvore seca, um raio cortou o céu como se pronunciasse um temporal, mas as nuvens não estavam carregadas.

Na mesma noite alguns moradores ficaram observando se alguma coisa poderia acontecer, pois os raios ficaram frequentes e isso deixou muitos desconfiados, pois seria uma coincidência depois de um dia tranquilo o tempo mudar de uma hora para outra, mas nada aconteceu de anormal.

Depois de vinte e um dias, um filete pequeno de névoa formava-se em um espectro enquanto saia da cova ganhando altura até os galhos secos da velha árvore, depois ganhou o céu e sumiu entre as nuvens escuras. O mesmo vento que a levou a trouxe de volta, o céu tinha rejeitado aquela pobre alma, sua maldade na terra tinha sido tão grande que foi recusado.

A terra em volta da grande árvore seca se estremeceu, o céu ganhou uma cor tenebrosa, uma leve chuva começou a cair seguida de raios e trovões assustadores.

O espectro agora viajava para as profundezas do inferno percorrendo um caminho longo, não demorou muito e novamente a terra se estremeceu em volta da velha árvore seca.

O inferno também rejeitou aquela alma, o diabo não queria concorrente em seu território sabendo das maldades do homem que tinha causado a morte do pai e da mãe.

A terra em volta da grande árvore seca novamente se estremeceu, agora com mais intensidade, numa reação estranha começou a se revirar, como se tentasse expulsar algo de sua profundidade. Não demorou muito um corpo começou a sair até ser expulso em sua totalidade.

Numa reação espontânea, todo tempo mudou, o céu escureceu e ficou carregado, os raios intermitentes ganharam o céu e riscavam a escuridão clareando alguns pontos. Em cada raio a grande árvore ganhava uma forma assustadora revelada pela luz, a terra em sua volta parecia viva.

O tempo de repente parou tudo em volta ficou em silêncio, as nuvens carregadas pararam no céu, a chuva cessou os raios também cessaram. Em meio à terra toda remexida um corpo começa a se erguer até ficar de pé e em um clamor penoso falou:

- Por que estou vivo, olha meu corpo todo em decomposição, todo seco. – Fui rejeitado no céu, o inferno também me rejeitou e até a terra não quis me decompor, por que isso estar acontecendo comigo. – Diz o Corpo Seco em um tom de voz penoso.

- Tua alma esta condenada, tua maldade foi muito grande, mataste teus pais, isso é uma coisa que nem o diabo fez como poderia receber uma alma tão má. – Diz uma voz que desce do céu.

- E agora como vai ser a terra também rejeitou meu corpo, minha carne não apodreceu, ficou seco, o que vou fazer. – Diz Corpo Seco tentando uma resposta.

- Você vagará pela terra e pagará pelos seus pecados, a partir desse momento você não pertencerá a nenhum de nós, os quatro elementos não serão responsáveis por sua decomposição e apenas outro ser que renasceu após a morte poderá te destruir. – Diz a voz vinda do céu explicando sua sina como zumbi seco vagante na terra.

Em uma reação de raiva e ódio, Corpo Seco se ajoelha embaixo da grande árvore seca e emite um grito que ecoa por todos os cantos anunciando sua ira.

A cena é arrepiante, uma noite fria, o céu carregado, raios caindo do firmamento cortando a escuridão enquanto suas luzes formam figuras assombrosas em contraste com os galhos da velha árvore que parece ter vida.

Em um aspecto tenebroso Corpo Seco se aproxima da velha árvore e a circula marcando lugar o qual aguardará suas vítimas se aproximar ou passaram pelo caminho para sugar seu sangue e os transformarem em corpos secos com a sua semelhança e maldade.

Desconhecendo os perigos da noite, três jovens com uma garrafa de bebida passando de um para o outro dar um gole e em suas mãos um cigarro de maconha que tragado ilumina a noite revelando sua localização, se aproxima da grande árvore seca.

O mais drogado observa a grande árvore e fala:

- O que essa velha árvore estar fazendo aqui, não tem folha, não dar frutos, só tem esses galhos secos, não serve para nada, vamos tocar fogo em seu tronco para vê-la cair. – Diz sorrindo.

- É mesmo, vamos tocar fogo nela, não serve pra nada. – Diz o outro drogado sorrindo com euforia.

- Vamos juntar uns gravetos pra o fogo pegar melhor. – Diz o outro empolgado com a ideia.

Quando um dos drogados começa a pegar os gravetos sente um peso enorme em suas costas, como se começasse a carregar outro corpo. Nesse instante um fedor de carne podre começa a tomar conto do lugar. Corpo Seco sem piedade consome seu sangue deixando-o a sua semelhança.

Isso aconteceu com um por um, sem que tivessem qualquer reação. Naquele momento uma legião começaria a ser formada por zumbis de corpos secos liderados pela pior alma conhecida até aquele momento, o assassino algoz de seus pais, agora denominado Corpo Seco.

FIM!

Conto enviado por Semog Noel. Enviei o seu também!

Leia do mesmo autor: O Ataque do Corpo Seco

CLIQUE AQUI para conhecer a lenda do Corpo Seco
Comentários