20 de maio de 2014

Conto Assombrado: Contos de um Psicopata (Capítulo 2)

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- A casa é boa, tem três cômodos, dois de tamanho médio com banheiro, uma sala de estar grande, quintal com ótima visão para a vegetação, toda revestida em madeira.Com tudo isso ainda tem o porão, se quiser pode descer  e dar uma olhada, é  uma ótima casa pra você passar o verão. Ah, já ia esquecendo, como pôde notar não há vizinhança, isso porque as casas são bem distantes uma das outras nesse bairro, talvez só encontre outra igual aqui em São Luís pelo dobro do preço, você está com sorte, o dono falecera recentemente, já era idoso, ataque cardíaco, a mulher chocada resolveu vender a casa o mais rápido possível, ela dizia que não se sentia bem ainda convivendo e dormindo na mesma casa onde seu marido morrera. – Disse o corretor de imóveis, magrelo, alto e de cabelos grisalhos, vestia sempre uma roupa que parecesse social, isso para agradar seus compradores. Abri um longo sorriso admirando os cantos da casa.

- Vou comprar! – Eu disse.

Três messes depois ali eu estava novamente no bar quatro noites, bebendo cerveja, ao palco ela cantara de uma forma hipnotizadora, seu nome artístico era Jasmine, algo que soava a beleza, fazia-me lembrar das sereias que atraíam os homens com seu canto lírico para depois devora-los, uma armadilha fácil e perfeita. Seu cabelo amarelo e ondulado se destacava ainda mais na medida em que os raios de luz a incidiam, alta de salto com seu vestido preto e batom vermelho, bochechas rosadas, olhos que encaravam a cada um que assistia a seu espetáculo, não era atoa que só vivesse lotado.

Eu conhecia o garçom, havia estudado comigo na turma de 97 do colégio estadual, sabia também qual era a bebida preferida de Jasmine em suas apresentações, eu já analisara ela algumas semanas atrás, uma simples dose de Blue Label nos intervalos, única que a fazia relaxar, cantar os sucessos da música popular brasileira, forte, gostoso e eficaz. Pedi gentilmente para que levasse pessoalmente a ela, o bar aquela noite estava bastante agitado, uma ajuda a mais não seria incomodo.

Coloquei uma dose de “ruffilin”, a mistura com o álcool agrava ainda mais o efeito, fui até a área reservada que tinham construído para alguns que ali apresentavam, ficava a esquerda do palco, próximo à saída.

- Bonita sua apresentação! – Eu disse enquanto me aproximava agilmente, coloquei a bebida em sua mesa. Na sala um pequeno “Home theather” da cor cinza tocava algum CD do Tom Jobim, um pouco baixo, embora relaxante, minha voz quebrara o momento.

- Obrigada. – Respondeu-me com a voz seca sem ao menos encarar-me nos olhos. Bebeu e de cabeça baixa continuou a organizar diversos papéis, alguns, letras de músicas.

Eu a mirava de pé ao seu lado, segundos depois continuei.

- Você é bem bonita também. Casada?

- Não... – Me encarou. – Você não só veio trazer a bebida? Não costumo conversar com estranhos. – Voltou o olhar para a papelada e assim um novo gole.

- Sempre lhe assisto, sou seu fã, gostaria de algo seu.

- Ótimo! Se quiser um autógrafo meu, diga onde! Rápido, rápido, tenho coisas mais importantes para fazer... – Sua voz delicadamente ficava mais baixa, quase em sussurros ela tentava raciocinar bem o que iria falar. Encostou a cabeça sobre a cadeira arregalando os olhos - Que porra...?

- Vamos para casa! Também tenho coisas a fazer.

Carreguei-a com os braços sobre meu ombro, estava um pouco pesada, mas consegui carrega-la sem dificuldade, saímos pela porta dos fundos, abri a porta traseira do carro e deitei-a no banco, rapidamente me dirigi para o volante, o carro era um hatch Gol flex, 1.0 preto da Volkswagen, não exigia muita força de velocidade, então mantive a calma e segui caminho por uma rota alternativa. Abri o portão elétrico, coloquei o carro para dentro, logo em seguida me dirigi com Jasmine até a sala, amarrei seus punhos e tornozelos sobre a cama de ferro.

Aguardei precisamente até que recuperasse a consciência, aquele instante eu já havia retirado seu vestido, deixando somente com roupas de baixo, sua vestimenta era branca com listras vermelhas; amarrei um lenço em sua boca e nos olhos. Ela acelerou a respiração, começou a se debater diante da cama, demorei um pouco até que começasse falar alguma coisa, eu gostava de vê-la com medo.

- É engraçado te ver assim! – Ela parou de se mexer e estremeceu a cabeça na minha direção, estava em pé ao seu lado. - Você sempre trata os outros como submisso, agora está sobre meu comando, irônico não?
Tentou descontroladamente se soltar, o máximo que conseguiu foi prender a circulação.

- Sabe, gosto da sua voz, ela me faz pensar um pouco mais sobre a vida, porém eu não ligo muito para isso, você poderia cantar para mim, me faria pensar melhor sobre o agora, quem sabe eu te solte. – continuei. – Vou retirar o lenço, se eu escutar um pio vai sofrer com as consequências! Escutou? – Ela moveu a cabeça deliberadamente, tremendo por todo corpo. Levantei sua cabeça esquivando para o lado e afoguei vagamente o lenço, na oportunidade que teve gritou, o grito se vagou como um soluço pela sala.

- O que eu falei, vadia? – Soquei-a na barriga abafando o som de sua voz. Em seguida recoloquei o lenço em sua boca.

- Sabe o que eu faço com pessoas que não me escutam? – Perguntei como se ela pudesse me responder com suas próprias palavras. – Vai descobrir!

Fui até a mesa de ferramentas no quarto ao lado e peguei uma tesoura e o alicate de corte, a ponta era pequena arredondada com o cabo grande para maior pressão, basicamente utilizada para corte de aço, coisas maciças. Voltei, me aproximei de sua face, ao puxar a orelha ela começou a balançar o rosto forçando a voz contra o lenço, flexionei então minha mão esquerda contra sua cabeça, meus dedos puxavam em forma de punho o cabelo para baixo, precisamente encostei o alicate sobre a base de sua orelha, cortei e imediatamente o sangue escuro avermelhado escorreu, ela se debatia de dor, continuei adentrando as laminas grossas sobre a cartilagem até a retirada total do membro. Era impressionante como os vasos tão finos quão fios de cabelo transportariam tanto sangue assim. Fiz o mesmo do outro lado, ela já aparentava um cansaço de tanto lutar e sua cor havia passado do branco pêssego para um branco gelo.

- Eu te perguntei se tinha me escutado, não me obedeceu. – Disse.

Fiquei calado por alguns segundos.

- Acho que essa hora já devem ter reparado que você sumiu, talvez amanhã comessem a providenciar sua busca. – Olhei para minhas mãos sujas de sangue, algo martelou em minha cabeça de excitação, coloquei-os na minha boca, o gosto não aparentava ferrugem como tanto diziam, era quente, saboroso e salgado.

Busquei uma faca de serra e ao lado do seu ombro direito desci a faca deitada com as serras na horizontal provocando longos arranhões consecutivos, comecei a notar a pele se acumulando pelas ondas da faca, as linhas no braço já começavam a formar gotas de sangue. Ela já não lutava tanto. Sorrindo como uma criança que se diverte com os brinquedos eu aproveitava com Jasmine. No seu braço esquerdo alonguei os dedos da mão, ela já parecia permitir o sofrimento, talvez só quisesse que aquilo acabasse logo; com o martelo eu esmaguei sua mão por diversos golpes diretos.

- Como está se sentindo? São dores para prazeres diferentes. Talvez ninguém tão importante como acreditava ser.

Passei a mão sobre os fios de cabelo que haviam caído sobre meus olhos ao martela-la, recoloquei-o para trás. Observei que as fraturas dos dedos quebrados estavam expostas, a visão era tentadora, peguei alguns pedaços e os coloquei numa bandeja de alumínio.

Recuperei a tesoura de ponta, ajustei, furei e cortei a panturrilha de Jasmine, fiz diversos cortes abertos o bastante capaz de uma puxada retirar uma lasca facilmente, eu arranquei algumas.

Antes de começar a falar alguma coisa chequei se ela ainda estava viva, seu corpo não levantava mais, não tinha reparado que ela mudara de cor tão rapidamente. Chequei as vias respiratórias e a artéria em seu pescoço, nenhum sinal vital, estava morta, talvez quando soquei-a mão, morrera ali, jogada como nunca pensou que seria uma vez na vida, nada.

Desci ao porão carregando seu corpo e a joguei no freezer, logo pus diversos sacos de gelo até que o mesmo ficasse submerso.

- Depois eu cuido de você! – Disse.

A noite acabava ali.

Continua....
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Conto assombrado escrito por Ramon Gusmão. Envie o seu também!
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