21 de abril de 2014

A Incrível História de Manuel da Mota Coqueiro: O Último Enforcado do Brasil

Rico fazendeiro condenado à pena de morte por ter - supostamente - mandado matar toda uma família de colonos residente em suas terras. O caso é um dos crimes mais famosos do Brasil, pois muitos consideram que foi executado um inocente, além do que foi enforcado um homem branco e rico, o que era incomum na época.

Para quem não conhece a história de Mota Coqueiro, ele foi o último homem condenado à  pena de morte no Brasil, em março de 1855 na minha cidade em Macaé, só para vocês entenderam os fatos que aqui serão contados, farei um breve resumo da história de Mota Coqueiro...

Retrato falado de Manuel da Mota Coqueiro
em "Mota Coqueiro ou a Pena de Morte"
 de José do Patrocínio
Mota Coqueiro foi um grande fazendeiro com propriedades na região de Conceição de Macabu que na época ainda era parte da cidade de Macaé no Estado do Rio de Janeiro.Um homem muito influente, de grandes negócios na região, mas de temperamento muito rude, era muito temido pela sua valentia, arrogância e pela forma cruel que tratava seus escravos. Certa feita, fechou a compra de uma grande propriedade em parceria com um meeiro que levou sua família para morar na propriedade. Passado algum tempo, a filha mais nova desse colono apareceu grávida e culpou Mota Coqueiro de ser o pai da criança. Após a descoberta, o colono começa a pressionar Mota  Coqueiro a beneficiá-lo nos negócios da fazenda em prol da gravidez de sua filha.Poucos dias depois, toda a família de colonos é assassinada a golpes da facão, exceto a filha que estava grávida que fugiu pela mata. No total foram mortos o meeiro, a sua esposa, três filhos adolescentes e três crianças, sendo a mais nova com 3 anos de idade. Depois do assassinato, a casa ainda teria sido incendiada, mas a chuva não deixou o fogo consumir os corpos totalmente, o que causou um cenário aterrador para o Brasil-colônia da época.Após investigações precárias da época, Mota Coqueiro foi acusado de ter sido o mandante do crime.Como Mota Coqueiro, já tinha uma má fama na cidade pelo seu caráter e possuía muitos desafetos, as investigações do crime na época foram feitas de maneira parcial e pouco claras. Na época, pela Constituição vigente, o Imperador que era D.Pedro II, poderia conceder a Graça Imperial para aboná-lo da pena de morte, mas o caso foi tão chocante para a época que nem D.Pedro aliviou a barra pra Mota Coqueiro. E em 6 de março de 1855, Mota Coqueiro foi enforcado em praça pública na cidade de Macaé. Poucos anos mais tarde, descobriu-se através de evidências escondidas na época que Mota Coqueiro era inocente e tivera sido enforcado sem culpa.

Só a título de curiosidade, depois de saber que Mota Coqueiro fora condenado inocente, o Imperador Dom Pedro II, extinguiu a pena de morte no BRasil.

Mas o que há de sobrenatural nessa história?

Livro de 1877 conta o caso.Leia ele aqui...
O primeiro fato que se tem notícia que torna a história misteriosa, é da esposa de Mota Coqueiro, Úrsula das Virgens, durante o processo de investigação e julgamento ficou louca. Ela morava com o esposo e filhos na Casa Grande da principal fazenda e as escravas que cuidavam da casa, começaram a testemunhar ataques de loucura da mulher que gritava e se escondia pelos cômodos da casa dizendo que ouviam gritos e choros de criança a perseguindo por onde quer que fosse. Os ataques intensificaram depois da execução do esposo, que culminou em seu suicídio em um ano após a morte de Mota Coqueiro.

Após mais algumas pesquisas que fiz, me chamou muito a atenção o fato da perturbação que a esposa de Mota Coqueiro sofreu após a chacina. Fiquei pensando... Pq motivo estaria ela sendo perseguida pelas vozes e choros de crianças? Porque ela ficou louca e se suicidou um ano após a execução do marido?
Vejamos: Sabemos que Mota Coqueiro fora condenado inocente, e antes de ir para o julgamento, ele foi levado para se confessar a um padre que saiu transtornado daquele encontro. Acredita-se que Mota Coqueiro, teria confessado ao padre que sua esposa, Úrsula das Virgens, teria sido a real mandante do crime, motivada pelo ciúme do envolvimento de seu marido com a jovem Francisca, filha do colono. E faz todo sentido, pois após a chacina Úrsula passou a apresentar graves crises de “loucura”, ouvia vozes, gritos e choros de criança até que não agüentando mais, se suicidou. Antes de ingerir veneno para se matar, Úrsula teria deixado uma carta confessando o crime para que sua alma fosse liberta daquele pecado e ela pudesse ser salva e encontrar a paz, mas a família de Úrsula muito tradicional e religiosa destruiu a carta e qualquer outro indício que pudesse levar à sociedade a notícia de que Úrsula fosse a real mandante do crime e uma suicida. Alegaram até o fim que ela morrera de causas naturais em prol da depressão da perda do marido. Tudo em prol do bom nome da família que na época, era mais importante que tudo.

Outro fato marcante foi a maldição lançada na cidade pelo acusado; Antes da execução, o juiz de direito da Comarca de Cabo Frio que ordenava o julgamento, antes que subisse ao patíbulo, lhe concedeu direito ao último pedido antes da morte: Mota Coqueiro nada pediu, mas antes de morrer suas últimas palavras demonstravam um caráter do qual ele nunca mostrou durante sua vida, perdoando à todos pela injustiça que lhe haviam feito. De acordo com os registros da época, disse ele: "O crime fez-se, porém eu sou inocente; peço perdão ao povo e à justiça, assim como eu perdoo de todo o meu coração". Mas, apesar do ato de misericórdia em perdoar os que lhe condenavam, proferiu uma maldição sobre a cidade de Macaé-RJ. Suas últimas palavras foram:  “Esta cidade terá 100 anos de atraso pela injustiça que está sendo feita a mim".

A Maldição Funcionou

Macaé-RJ hoje é um dos municípios mais ricos do Brasil
graças ao petróleo, mas durante 100 anos ficou sob
a maldição de Mota Coqueiro
E de fato, foi o que houvera. Na época o porto de Imbetiba era o quinto mais movimentado do país, pois era portão de entrada e saída dos produtos agrícolas que eram exportados para outras cidades e capitais. Com a inauguração posterior da estrada de ferro Macaé x Campos, o porto perdeu a importância. Até mesmo o carro-chefe da economia local da época que era baseada no cultivo do café e da cana-de-açúcar entrou em profundo declínio. Muitos fazendeiros perderam tudo, pragas e mau tempo constantes destruíram plantações e gado. Em pouco tempo, a prosperidade que se via, foi por água abaixo fazendo com que boa parte da população migrasse para as capitais, deixando Macaé apenas uma colônia de pescadores e de gente falida. Somente na década de 1960, quase 100 anos depois da execução de Mota Coqueiro, que foi descoberto o petróleo que alavancou a economia da cidade em poucos anos, fazendo hoje da pequena cidade do interior, a capital nacional do Petróleo. Os mais antigos da cidade, descendentes dos que viveram o período da “maldição” agregam veementemente que a era do Petróleo só aconteceu após o término dos 100 anos amaldiçoado por Mota Coqueiro. Coincidência??

Relatos vividos por leitora

Colégio Luiz Reid em Macaé-RJ
Os fatos abaixo foram vividos pela assombrada leitora Luana Chis:

Um fato interessante que quero deixar aqui, foi presenciado por mim, por isso posso assegurar que lhes digo a verdade. O local onde era a praça que Mota Coqueiro foi executado, hoje é dentro do pátio de uma das escolas mais antigas da cidade, o colégio Luiz Reid. O pátio, muito grande por sinal, abrange um quarteirão inteiro, bem no centro da cidade. No exato local onde na época foi posto o patíbulo, há um memorial de pedra no chão até os dias de hoje com o nome completo de Mota Coqueiro, data de nascimento e data da execução. Como eu estudei muitos anos nesse colégio, cresci ouvindo histórias e lendas escolares acerca daquele memorial no pátio. Mas só fui constatar algo relevante de fato, alguns anos mais tarde, quando já era adulta e estudava no 3º período (a noite), e vi que muitas das lendas e histórias que ouvia quando criança, poderiam ter algum fundo de verdade. Certa feita, durante um período que o colégio passava por uma má admininstraçao, certas partes do mato do patio estavam muito altos, pois já havia tempo que não eram cortados. Mas ao invés de mandarem aparar a grama, acharam mais barato queimar o mato, e assim atearam fogo na grama numa noite, já que não tinha o movimento de criança correndo pra lá e pra cá. Depois de apagadas as chamas, foram ver que somente a grama em volta do memorial de Mota Coqueiro estava intacta, o que era impossível, pois o zelador confirmou que havia jogado querosene naquele mesmo local. Eu vi. Uma cena realmente estranha. Em toda volta podia-se ver o mato totalmente queimado, mas so ao redor do memorial, a grama estava verde recém nascida, sem um chamuscado sequer. Esse mesmo zelador (que mora num quartinho dentro do colégio) conta que muitas vezes a noite, foi acordado com gritos no pátio. Ele sempre saía para ver se era algum aluno escondido pra fumar maconha la dentro, mas procurava, rodava, rodava e nao encontrava nada, nem ninguém.Uma vez tentaram remover o memorial para duplicação da quadra poliesportiva, eu já não estava mais no colégio na época, mas fiquei sabendo por amigos que continuaram lá que as obras não foram pra frente. Sempre que iam remover o memorial acontecia alguma coisa: Uma vez, foi a britadeira que quebrou (nova), outra vez foi um dos operários que quebrou o pé, mau tempo constante, falta de verba para dar andamento na obra... enfim, acabou dando-se um jeito de reformar a quadra e manter o memorial que esta lá intacto até os dias de hoje. Essas são algumas das histórias que conheço acerca dessa surpreendente história de Mota Coqueiro. Tão logo, haja novos fatos estarei compartilhando com voces.

A História virou filme

Em 2007 foi lançado um filme com a história de Mota Coqueiro como pano de fundo: Sem Controle. 

Sinopse: Danilo (Eduardo Moscovis) é um diretor de teatro obcecado com a injustiça cometida contra o fazendeiro Manoel da Motta Coqueiro, caso que iniciou o processo de extinção da pena de morte no Brasil. Estimulado por uma mulher linda e misteriosa, Danilo passa a ensaiar uma peça sobre a vida de Motta Coqueiro, com ele próprio interpretando o fazendeiro e os demais personagens vividos por pacientes psiquiátricos. Aos poucos, Danilo começa a confundir o que é real e o que é imaginário, passando a reviver os fatos históricos como se ele próprio fosse Motta Coqueiro.

http://www.imdb.com/title/tt0882782/

Informações Técnicas
Título no Brasil: Sem Controle
Título Original: Sem Controle
País de Origem: Brasil
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 93 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Estréia no Brasil: 02/11/2007
Site Oficial: http://www.semcontroleofilme.com.br
Direção: Cris D'Amato

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O caso foi encenado em 2003 pelo programa Linha Direta Justiça na Globo. Saiba mais.

Fontes (acessadas em 21/04/2014):
- Sobrenatural.Org: A Incrível História de Mota Coqueiro - O último enforcado do Brasil
- Wikipedia.pt: Manuel da Mota Coqueiro
- O Debate - Diário de Macaé: Execução de Motta Coqueiro intriga a população até hoje
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