17 de março de 2014

A Lenda da Matinta Perera (Amazônia, principalmente Pará)

Lenda bastante conhecida no norte do nosso imenso país, e como toda lenda, tem algumas versões. Vamos conhecer as duas mais famosas:

Opção 01: Há muito tempo atrás, no Norte do Brasil , morava uma moça chamada Matinta Perera. Era muito alegre e feliz, e seu passatempo predileto era fumar, porém ela tinha um problema : um marido muito furioso e ciumento .

Um certo dia, quando Matinta estava grávida, seu marido chegou bêbado e bravo em casa. Os dois tiveram uma discussão feia e o homem acabou matando a esposa. Só que Matinta era protegida por forças sobrenaturais, e recebeu um dom: seu espírito ganhou a capacidade de se transformar em mulher de dia e em coruja de noite.

Como ela gostava de fumar, de dia ela batia nas residências pedindo fumo. Se alguma pessoa negasse a dar o fumo para Matinta, ela voltava de noite para colocar o feto de sua criança morta na porta da casa desta criatura .

Tem mais, quando alguém de alguma família estava para morrer, Matinta tinha a capacidade de perceber este fato. e por isto, de noite, esta moça virava uma pequena coruja e ia cantar perto da casa desta família.

Opção 02: Trata-se de uma velha que a noite se transforma em um pássaro agourento que pousa sobre os muros e telhados das casas e se põe a assobiar e só para quando o morador, já muito enfurecido pelo estridente assobio, lhe promete algo para que pare (geralmente cigarro, mas também pode ser café, cachaça ou peixe) assim a Matinta para e voa, no dia seguinte a velha vem até a casa do morador perturbado para cobrar o combinado, caso o prometido seja negado uma desgraça acontece na casa do que fez a promessa não cumprida.

Será que é só lenda? Leia estes interessantes relatos...

Jairo Costa resgata contos da Floresta Amazônica
e publicou o livro Amazônia Fantástica
O interior e suas criaturas bizarras: Matinta Pereira
Enviado por Richard Dylan Silva
Fonte

Não sou muito de acreditar em criaturas monstruosas e espíritos, mas quando nos deparamos com uma situação incontestável é difícil não crer.

No primeiro passeio que fiz com minha família ao interior de Vigia-PA passei por uma dessas situações. Eu estava um pouco cansado e por isso me deitei cedo na rede do lado de fora da casa.

Antes de dormir ouvi algumas historias de familiares, que as narravam para meter medo ou crendice nos mais jovens, fato que aquilo não me assustou em nada, mas fiquei curioso em ouvi-las até o final.

A historia que contaram era sobre uma suposta velha que por uma maldição todas as noites se contorcia, ganhava um aspecto horrendo com os cabelos jogados para frente escondendo a face e caminhava entre as matas.

Que historia mas sem noção eu disse, então me preparei para dormir. Após um vento frio me espantei de madrugada, quando me levantei da rede pude sentir um clima estranho, notando que agora o único som que eu ouvia era o que vinha da mata que nos rodeava.

Entre alguns assobios de pássaros um se destacou, demorei um pouco para notar mas esse assobio era detalhadamente como a historia que contaram..

Na hora pensei que poderia ser apenas um pássaro qualquer, mas mesmo assim fiquei relacionando com a historia enquanto tentava dormir, deitado e com o olhar vazio para o teto.

O assobio era exatamente como na historia e a cada vez ele ficava mais distante (segundo a história, significaria que a Matinta estaria se aproximando ), porem não dei muita atenção, até que ouvi um grito enorme vindo do lado lado oposto ao que eu tinha me deitado.

O grito era como de um porco, só que com vocais humanos, algo tenebrante mesmo.

Aquilo já não poderia ser mas minha imaginação, incrível que ninguém acordou depois daquele grito enorme. Logo quando me levantei da rede vi um vulto muito rápido correndo para a mata a minha frente.

Decidi que eu não dormiria mais nessa noite, e fiquei encarado a mata na minha frente pelos restante de tempo até o amanhecer. Imaginação ou não, eu vi um rosto de uma mulher já de idade retribuindo o olhar da mata, ela não tinha muitas aspectos sociáveis, era como um animal com olhar assustado. Ela estava lá, como um animal quadrúpede apenas me olhando.

Desde esse dia eu tento não ser tão cético, acredito que a vida é muito curta pra ser limitada apenas a o que é humano.

Matinta Perêra
Enviada por Karzen
Fonte

Esta lenda é bem comum no norte do Brasil principalmente no Pará. Particularmente esta história aconteceu comigo a alguns anos atras. Sempre íamos para o sitio da minha família que fica em Terra Alta-PA nas férias.

Não lembro do ano, mas era noite e no interior de noite não há muito o que fazer além de jogar dominó ou baralho. Nesta noite já havíamos feitos ambos e estávamos entediados. Lá pelas tantas, uma prima lembrou que eu adorava contar historias de terror e assombração e contei algumas, mas já manjadas. Minha tia ouvindo me alertou que tal histórias não eram para serem contadas naquela noite pois era quinta-feira. Pedi que se explica-se e ela nos disse então que conhecia um casal nas redondezas que em noites de quinta faziam uma oração e se tornavam espíritos da natureza (Matintas Perera). As meninas ficaram logo impressionadas e me pediram logo pra parar de contar minhas histórias; ainda contei algumas, mas logo ficamos todos com sono.

Iriamos assim logo nos recolher e fomos todos juntos para a sede do sitio, pois tínhamos que ir pela estrada porque o sitio era dividido por um rio e onde brincávamos era em um bar de minha tia. Quando chegamos próximo do portão da entrada, de uma mangueira, saíram voando vários pássaros negros e levamos um baita susto pois, pois aquela hora da noite pássaros negros nunca vistos em debandada foi de assustar. Nos retiramos, a sede era de madeira, uma casa velha os quartos ficam em cima, são três e toda varandada. As meninas dormiam no primeiro e nos nós do meio, meus tios e pais dormiam no seguinte, estávamos todos impressionados com aquela noite, muito quente, então dormimos com a janela aberta; não demorou muito para ouvirmos um assobio aterrorizante! Era estridente, longo, nunca tínhamos ouvido algo parecido. Meu primo que morava lá a anos e tinha conhecimento dos cantos de pássaros já havia se escondido embaixo das cobertas; as meninas achavam que era nós quem assobiava e nós elas; discutimos por um breve período quando ouvimos um segundo assobio. Nesta hora uma prima que na época era pequena começou a chorar chamando pela titia, que logo mandou nos aquietarmos e dormirmos, foi quando ouvimos o terceiro assobio, este por sua vez foi exatamente no canto da casa. Nos arrepiamos todos e acho que até meus tios naquela altura também estavam assustados.

O medo era tanto que não se ouviu mais nada por uns segundos, como se toda a mata estivesse em transe por algum tipo de magia. Para nosso espanto, aquela coisa assobiou embaixo da nossa janela!!! Caramba, ficamos todos com o @$#$ na mão....(desculpa ), aquilo já estava fora de controle, estavam nos pregando uma piada ou algo de outro mundo estava nos assombrando. Criei coragem e fui até a janela. Quando escutei o tal assobio voando pra longe ( fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiite, era como fazia o som) e logo ouvi pessoas na estrada conversando, três ou quatro, voei pra cama me embrulhei e logo dormir.

Pela manha no café, tínhamos até medo de comentar aquela noite de terror como que um simples assobio de passarinho podia nos dar tanto medo. Minha tia logo chegou e relatei o caso; ela riu e nos aconselhou nunca mais mexermos com as forças da natureza pois a mata tem ouvidos, olhos e as vezes emite sons.

A Lenda da Matinta Perera
Fonte

-Firifififiuuuuuu....................

- É ela, a Matinta Perera...!

-Olha, Matinta, deixa a gente descansar e amanhã podes passar aqui pra pegar tabaco!

No dia seguinte uma velha aparece na residência onde a promessa foi feita, a fim de apanhar o fumo. A cena descrita podia acontecer no subúrbio de Belém há alguns anos, ou ainda hoje, no interior do Pará e de toda a Amazônia.

Mas... quem ou o que é a Matinta Perera?

Matinta Perera, Matinta Pereira, MatiTaperê, Mat-Taperê, Matim_Taperê, Titinta-Pereira são algumas formas de grafar este mito que se apresenta principalmente sendo uma velha acompanhada de um pássaro. O pássaro emite um assobio agudo, à noite, que perturba o sono das pessoas e assusta as crianças, ocasião em que se oferece tabaco o fumo ( aparece como promessa principal ) mas também pode ser alimento.

A velha, uma pessoa idosa do lugar, carregaria a sina de virar Matinta Perera, ou seja a sina de à noite, transformar-se em um ser indescritível, a meter medo e assombrar as pessoas. A Matinta Perera pode ser de dois tipos: com asa e sem asa. A que tem asa pode se transformar em um pássaro a voar nos cercanis do lugar onde mora. A que não tem asa, anda sempre com um pássaro considerado agourento, identificado como sendo "rasga-mortalha". Dizem que a Matinta Perera, quando está para morrer, pergunta:

- Quem quer? quem quer?

E se alguém mais afoito, principalmente mulher disser "eu quero", pensando se tratar de alguma herança de dinheiro ou jóias, recebe na verdade a sina de virar Matinta Perera. Embora a grande maioria de registros informe que a Matinta Perera é mulher, foi colhido pelo menos uma história passada em Inhangapi, era um homem, por sinal, um negão forte e musculoso.

Há fórmulas mágicas que permitem prender a Matinta Perera. Uma delas exige uma tesoura virgem, uma chave e um terço. Cerca de meia noite deve-se abrir a tesoura, enterrar na área, colocar no meio a chave e o terço por cima, após o que rezam-se orações especiais. A Matinta Perera ficará presa no local, não conseguindo afastar-se.

No livro "Visagens e Assombrações de Belém" Walcyr Manteiro narra a história "A Matinta Perera do Acampamento", ocorrida na década de sessenta, na qual uma Matinta Perera foi presa pela fórmula e levada pelos habitantes ao Posto Policial, onde foi feita a acusação de que a mulher virava "Matinta Perera", ante os policiais incrédulos. Mas naquela época - como até hoje - não se configurava crime em lei, "virar" Matinta Perera, e a mulher ganhou a liberdade, voltando como vingança a azucrinar a paciência dos moradores do Acampamento com seus estritentes assovios:

- Firifififiuuuuuuuu.....................


.
CLIQUE AQUI para ler "O Ataque da Comadre Fulozinha"
CLIQUE AQUI para ler "Mapinguari: O Monstro da Amazônia (Lenda, Fotos e Alguns Relatos de Encontro)"
CLIQUE AQUI para ler "5 Relatos que mostram que o SACI existe!"
Comentários