10 de fevereiro de 2014

O Espírito da Morte

Morte... Uma palavra forte e soturna, para muitos o simples fato de ser mencionada, já traz consigo o efeito psicossomático de arrepiar os cabelos, como se a simples vibração sonora já atraísse a ideia em sua essência. Para alguns o fim de um ciclo biológico, para outros uma passagem de uma realidade para outra. Todavia e se a morte não for somente uma ideia e sim uma força, ou uma entidade?

Quem não sabe o que é a vida, como poderá saber o que é a morte?
Confúcio

Este filme fez minha irmã
ficar um tempão com medo ...
Para os amantes da sétima arte a morte poderia ser denominada como uma força ou algo que manteria o equilíbrio de tudo de maneira sutil, como no filme Premonição, onde um grupo de jovens escapa de um acidente de avião de forma sobrenatural, graças a “premonição” de um deles, que consegue por meio de uma visão anteceder os fatos. No entanto, o que para eles seria um alívio torna-se uma verdadeira tormenta, já que a visão do rapaz fez com que eles gerassem um desequilíbrio no ciclo natural da vida, fazendo com que a morte tivesse que traçar outro plano, para que de forma natural – para os que já viram o filme, bem planejada – cada um deles fosse sendo ceifado numa série de acidentes tenebrosos, a trama gira em torno de entender como funcionaria uma possível lista da morte e tentar adia-la, já que todos nós sabemos que no final uma hora ou outra a morte virá lhes visitar. Visão um pouco diferente do conceito literário, pois no filme a morte nunca aparece como uma entidade, mas sim como uma força, diferente da figura encapuzada, que carrega consigo uma foice, e que esta sempre incumbida de buscar e dar fim a trajetória de algum dos personagens.

Desde que o ser humano tem pisado sobre a terra, ele tem tentado conviver com esta ideia, tornando-a assim parte primordial dos estudos, das religiões e dos conceitos ideológicos fundamentando-os na busca de uma maneira de explicá-la ou solucioná-la. A ciência tenta adiá-la, a religião remediá-la, por fim tudo vem desta eterna luta do homem contra a morte. A própria palavra Amor, teria origem grega e seria uma negação a morte, pois juntaria o prefixo grego a de negação a mors (morte), ou seja a não-morte, há os que afirmem que a palavra amor viria não do grego, mas do latim, todavia o conceito de amor já vem sendo discutido desde os pensadores mais rudimentares, como uma força que vai além da origem, ou que seria a própria origem, como muitos afirmam que Deus é Amor. A psicologia também é uma das ciências que vivencia diretamente este terreno inóspito, já que tem lutado diariamente contra o medo compulsivo que algumas pessoas nutrem da morte, principalmente nas grandes cidades onde a violência tem ameaçado o bem estar de muitos, no entanto, não chegando ao extremo de um transtorno, quem nunca na infância ficou aterrorizado com a ideia de que iria morrer ou que poderia ver alguém que ama um dia morrer?

Mas e se a morte não fosse só uma ideia e sim uma entidade? 

Tânato
No ocidente, a morte tem sido associada quase sempre a uma figura sinistra, muitas vezes com as características mostradas no século XV, sendo descrita como um esqueleto vestido com um manto preto. No oriente, a mesma é chamada de Shinigami possuindo uma particular e tenebrosa forma. A morte vem sendo discutida desde a antiga Grécia, onde algumas vezes era descrita na mitologia com a forma de uma figura masculina de um jovem, barbado e alada, conhecido como Tânato , este por sua vez não seria necessariamente mau, pois sendo a morte inevitável, o conceito advindo dela seria na verdade uma
contrapartida a vida, ou parte dela. Seu trabalho justo seria apenas de acompanhar os falecidos ao submundo governado por Hades. Uma característica interessante é que Tânato era irmão gêmeo de Hipnos, o deus do sono, demonstrando que morrer na verdade seria simplesmente dormir para sempre, no entanto Tânato também possuía como irmãs as Queres, que seriam espíritos de morte violenta, associadas doenças, acidentes e homicídios.

Muitos não sabem, mas a própria palavra Páscoa, contida na bíblia, vem do hebraico Pessach, ou seja “passagem”, mas não se referindo a passagem do povo hebreu pelo Mar Vermelho, mas sim pela passagem do Anjo da Morte sobre o povo, sem que ele os atingisse, o Anjo não afetaria aqueles que seguindo as ordens de Deus, estivessem com a marca do sangue do cordeiro em suas portas. Novamente vemos claramente a menção da morte como um Anjo, ou seja um ser, com características próprias incumbido de uma única missão, ceifar naquele momento todos os primogênitos desprotegidos do Egito:
 
Êx. 12:30: "E Faraó levantou-se de noite, ele e todos os seus servos, e todos os egípcios; e fez-se grande clamor no Egito,porque não havia casa em que não houvesse um morto".

O clássico ceifeiro das almas
Muitos devem pensar que esta figura de uma morte autônoma (ou não) e singular estivesse presa somente a mitologia ou as escrituras sagradas, no entanto e se ela, ainda hoje, continuasse sendo uma figura constante e sobrenatural, muitas vezes sendo flagrada ate mesmo em vídeos?

Este vídeo foi discutido a priori como uma farsa, todavia o que estaria fazendo uma pessoa trajando um capuz preto em uma avenida movimentada, e justamente no momento exato em que um motoqueiro morre em um acidente terrível de transito?

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Neste outro vídeo vemos um grupo de jovens que vinha percorrendo uma estrada deserta, o que eles viram afetou profundamente a sanidade de cada um.

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O programa Portas Para o Além da Discovery Channel trouxe um caso brasileiro chamado "O Espírito da Morte" que tem a seguinte sinopse: Uma sombra escura acompanha Regina enquanto ela cuida de seu filho, sem esperanças, no hospital. Quando menino morre, algo diabólico começa a atacá-la e pouco a pouco toma posse de seu corpo. Somente o padre Cássio poderá libertá-la, mas antes terá que lutar contra um espírito maligno que possuiu o corpo de Regina. Clique aqui para assistir!

Seja a morte uma entidade ou não, temos que concordar que ela é uma figura constante em nossas vidas, e parte essencial para as artes humanas, algumas vezes uma fonte de estímulo, não um estímulo exagerado, como La Santa Muerte mexicana, mas um estímulo a própria vida, já que mesmo vivendo pouco, sempre deixamos tudo para o amanhã. Quem sabe com a certeza de que a morte está ali pronta para dar um fim a tudo, possamos por em prática, com mais urgência, tudo aquilo de bom que temos planejado, quem sabe se convertermos este medo em estimulo, possamos não só permanecermos vivos de alguma forma, mas também irmos em busca de algo além.
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