4 de fevereiro de 2014

Conto Assombrado: Invocação no Quarto Escuro

A lenda conta a história de Spencer, um jovem rapaz que era fascinado pelo ocultismo, adorava histórias de terror e era fanático por filmes de horror. Mas como todo o adolescente adorava desafiar as forças ocultas e tinha o prazer de deixar as pessoas assustadas e até indignadas com seus atos

Spencer tinha uma namorada, seu nome era Rafaele, era uma moça encantadora e muito inteligente, adorava discutir sobre política e sempre foi muito ligada aos estudos. O problema foi quando ela conheceu Spencer... Tudo mudou.

A Família de Rafaele odiava aquele rapaz, o achava estranho, mesquinho e até mesmo arrogante, só Rafaele conseguia ver qualidade naquele rapaz esquisito.

Após uns meses de convivência, Rafaele começou a mudar seu jeito de ser: Começou a vestir-se sempre com roupas escuras, usar maquiagem pesada e sempre tratava de assuntos ligados a religião ou ocultismo. Os dois faziam questão de mostrar total aversão ao cristianismo, ridicularizavam os alunos que seguia este tipo de ideologia ou algo ligado a Deus. Adorava esfregar na cara dos cristãos sua admiração intima ao senhor das trevas e as forças e poderes negros.

Enquanto todos falavam: “Meu Deus do Céu” ou “Fica com Deus”“. O Casal soturno adorava zombar falando coisas como: “Meu pai do Hell” ou “Que as trevas te guiem”.

No meio de muita zombaria conheceram um jovem, seu nome era Renato e ele era conhecido por ser um rapaz muito supersticioso e por muitos o consideravam medroso, O Casal adorava deixa-lo assustado. Falava coisas absurdas e jogava maldições em Renato, só para vê-lo ficar espantado.

Renato, no entanto, não era um rapaz tão tolo assim, sabia que eles faziam isso só para importuná-lo e então resolveu vingar-se daqueles dois. Pesquisou tudo sobre invocações demoníacas em busca de algo simples e eficaz que pudesse afligir aqueles dois abusados.

Encontrou algo referente a demônio das trevas, um tal Horthembrak, que podia ser facilmente invocado nas sombras.Viu ali a chance de por a prova todo o poder oculto dos dois.

Foi a escola logo cedo e no seu intervalo os fez questão de ficar bem visível aos dois, que não demoraram muito para importuna-lo:

- Como vai irmão Renato cabaço? Já rezou, fez promessa pra passar na prova de matemática?... hahahahaha. Parece que o professor quer colocar no seu rabo este ano...hmm.... Acho que de certa forma você gosta disso.

- É, meu caro Spencer... Você é o Cara! Sabe tudo sobre ocultismo, veste-se como um vampiro e sacanea todo mundo que não esta de acordo com você. Mas, hoje quero tirar a prova dos nove... Quero ver se você e capaz de fazer este simples ritual.

Spencer deu uma gargalhada penetrante e olhou bem nos olhos de Renato:

- Quer dizer que agora também está lendo sobre o senhor das trevas... Humm...Parece que nosso pequeno bambi está evoluindo, mas... continua feio como sempre. Ok! Farei isso sim, mas com uma condição

- Qual?

- Você vira conosco. Não quer a prova dos nove? Então venha e veja.

Marcaram de se encontrar na casa de Rafaele os três, pois lá ela tinha um porão grande e escuro, o local ideal para realizar cerimônias soturnas.

Por volta das 20:35h Renato chegou, os dois estavam na escada beijando-se de uma forma não muito convencional -Dava até pra ver a língua deles!

Renato ficou lá por quase trinta segundos até que os dois cansaram de faze-lo de bobo e olharam para ele; Rafaele foi a primeira a falar:

- Bem, meus pais viajaram e isso significa que a casa é só nossa, mas não fique contente meu amigo Renato cabaço, falo isso somente para meu amor negro, assim que terminar seu jogo de RPG vai rapar fora.

Renato assentiu com a cabeça e todos entraram. O porão da Rafaele não era tão grande quanto ele imaginava, estava mais com cara de depósito e tinha um cheio terrível de mofo. Havia muitos objetos antigos jogados no chão.

- Vamo logo com isso, seu palerma! Quero ficar sozinho com minha vampirinha. Não sei onde eu estava com a cabeça quando chamei esse cara de bunda pra cá.

Renato disse que para dar inicio ao ritual eles precisariam apagar todas as luzes e usar uma vela comum. Primeiro deveriam chamar o nome do Horthembrak por seis vezes e só depois acender a vela.

Spencer pareceu meio confuso:

- Como é essa porra?

- O que?

- Como lê isso?

- Ah, sim! Lê assim: Rortembraqui!

- Parece nome de peixe...kkkkkkkkkkkkkkkk

Rafaele já chateada falou:

- Vamo logo Spencer! Não temos o dia todo, daqui a pouco dá dez horas.

- Tá! Bora logo mane.

Apagaram as luzes e Renato sentiu um tapa no rosto que fez um som surdo: Paf!

Renato assustado perguntou:

- O que diabos foi isso?

E Rafaele Respondeu:

- Não se faça de tolo seu babaca! Você aproveitou-se da situação pra pegar nos meus peitos.

Dai ouviu-se a voz de Spencer:

- Fui eu amor! Não pude resistir!

Os dois riram, mas Renato não achou muita graça. Sua cara ainda estava ardendo.

Spencer ficou sério e começou:

- Horthembrak, Horthembrak, Horthembrak! Venha até nos, hoje queremos queremos ter a honra da sua companhia .

Houve um silêncio ensurdecedor, que só foi cortado pelo riscar dos fósforos de Rafaele.

Mas, no exato momento, em a tênue chama iluminou o quarto, eles puderam ver de relance um rosto humano muito pálido, parecia com de uma pessoa, mas não tinha pelo algum sobre a cabeça nem pelo rosto e também não tinha olhos, nariz ou orelhas, apenas uma boca que expunha uma língua comprida como de cobra.

Aquela visão foi rápida, logo em seguida o ser desapareceu nas sombras. A gritaria foi instantânea.

Rafaele, mesmo assustada, saiu cambaleante até o interruptor e conseguiu acender as luzes, mas não havia nada no local. Todos estavam arfantes e olhando em todas as direções.

Spencer muito assustado perguntou:

- Que merda foi aquilo?

Renato não podia perder a oportunidade:

- Não é você o senhor das sombras? Explique.

Spencer enfurecido partiu pra cima de Renato tentando soca-lo, mas Renato conseguia desvencilhar-se em todas, até que Rafaele interrompeu

- Parem com isso vocês dois! Isso...Isso não foi nada, ta? Foi só uma alucinação coletiva...e....e...fi-ficamos impressionados com a história que o Renato Cabaço contou, só isso.

Os dois ficaram em silencio por um tempo, quando Rafaele falou novamente:

- Dá o fora daqui Renato Cabaço! E se você falar pra alguém o que aconteceu aqui eu juro por todos os demônios que arranco fora esse seu membro virgem.

Renato saiu correndo quase que de imediato.

Os dois ficaram na casa ainda espavoridos olhando para o chão.

Depois de algum tempo fecharam a casa tentaram transar, mas a noite estava completamente sem clima. Spencer estava indignado. Ah como eu queria amassar a cara daquele otário.

Pela manhã, no colégio, Spencer e Rafaele chegaram atrasados e assim que entraram em sala viram que Renato não havia chegado ainda e Spencer falou: Deve ter ficado em casa, aquele cagão! Sabia que hoje eu ia quebrar a cara dele.

Logo em seguida o professor entra na sala com a face meio consternada e disse:

Bom garotos... tenho uma notícia um pouco triste para lhes dar... Parece que o amigo de vocês o Renato estava tendo alguns problemas familiares ou conjugais e hoje pela manhã o encontram morte. Parece que foi suicídio.

Spencer e Rafaele olharam-se e logo em seguida Rafaele perguntou:

- Mas como foi que ele morreu?

O Professor olhou para ela e disse:

- Suicídio, já disse.

Mas não era nisso que Rafaele estava interessada:

- Não, refiro-me a que forma ele suicidou-se?

O professor meio que sem jeito e fitando o chão respondeu:

- Enforcamento, ele se enforcou.

Houve um alvoroço tremendo, todos falavam entre si, até que o professor colocou ordem novamente e prosseguiu a aula.

Naquele dia tudo foi terrível, Spencer não quis lanchar, apenas ficava imaginando o que levaria Renato Cabaço, um rapaz aparentemente saudável,a cometer suicídio?

Não assistiu aos últimos tempos, nem despediu-se de Rafaele, foi direto pra casa, passou o dia lendo e-mails e vendo orkut Facebook.

Tentou dormir a noite, mas tinha pesadelos horríveis, com o ser sem olhos e nariz. No sonho a criatura lambia o sangue que escorria da boca de Renato.

Acordou-se demasiado cansado e com olheiras tremendas. Seu pai apareceu no corredor:

- Andou bebendo de novo? Quando vai tomar jeito seu vagabundo!

Pegou suas roupas e foi até a casa de Rafaele.

Chegando lá viu um tumulto tremendo frente a casa de Rafaele, correu perguntando a todos o que estava acontecendo e uma senhora (uma dessas vizinhas fofoqueiras) disse que ela havia sido encontrada com os pulsos cortados dentro do banheiro. Spencer desesperou-se correu, mas foi impedido de adentrar a casa, a família dela não queria vê-lo ali e fizeram questão de coloca-lo para fora

Voltou para casa, seu pai havia saído, foi até seu quarto e chorou copiosamente. Olhou para cima e gritou desesperado em fúria contra Deus: Porque permitiu que aquela coisa afetasse minha vampirinha? Porque?

Quando ouviu uma voz rouca ao mesmo tempo suava falar em suas costas:

- Mas você sempre gostou das minhas coisas.

Olhou em volta assustado, mas não viu ninguém, nada além do quarto vazio.

Abriu a porta e não viu ninguém, fechou novamente e começou a ouvir diversas pessoas falando em sua mente, dizendo que ele era um lixo, que a vida era uma bobagem que nada daquilo era real. Spencer colocou as mãos sobre os ouvidos tentando calar a voz, mas de nada adiantava elas vinha de sua cabeça. Teve enjôo, vomitou o quarto inteiro, gritava feito um louco.

Pedia que as vozes se calassem, mas elas continuavam a xinga-lo a difama-lo e a subjuga-lo, ele começou a sentir como se diversos dedos cutucassem suas costas e barriga.

Correu tentando sair do quarto, mas sem querer escorregou no vomito e bateu com a cabeça na parede, sentiu uma dor lancinante, mas as vozes calaram-se.

Levantou-se meio zonzo abriu a porta e saiu do quarto. Foi até a cozinha, tomou um copo com água e tentou respirar, ainda com a geladeira aberta, refrescou-se com o ar frio que dela saia. Fechou a porta e tentou sair da cozinha quando as vozes começaram novamente, desesperou-se de novo, começou a sentir espasmos, tentava gritar, mas era difícil respirar, lembrou-se da queda e bateu a cabeça na parede, por um momento relaxou tudo passou novamente, mas logo em seguida voltava. Bateu a cabeça mais duas vezes deixando escorrer um filete de sangue pela testa, isso silenciou as vozes por um tempo, tentou levantar-se, mas a sala parecia girar, foi então que as vozes voltaram, só que dessa vez, pareciam gritos de desespero. Spencer corria de um lado para o outro, como louco, e começou e começou a bater violentamente a cabeça na parede até sentir parte do azulejo quebrar e cortar sua testa, a dor era insuportável, mas sem duvidas tudo era melhor do que a vozes, bateu mais umas cinco vezes e tudo pareceu cessar. Sentia-se leve e livre de tudo aquilo, caminhou normalmente e então como um susto ouviu uma voz atrás dele;

- Vamos!

Olhou com susto e havia um homem prazenteiro, jovem e muito bonito, só tinha um olhar estranho. Seus olhos eram negros quase que sem vida e tinha um belo sorriso no rosto. Atrás dele estava Renato e Rafaele amarrados com cordas que pareciam ser de couro, na zona onde a corda tocava a pele deles escorria sangue em abundancia e pareciam bem machucados.

Spencer assustado perguntou:

- Quem é você e o que vai fazer com eles?...O que quer comigo?

Ele respondeu calmamente:

- É, meu caro Spencer...Não tenho muita paciência para ficar respondendo pergunta cujas resposta estão expostas. Olhe para o chão.

Spencer olhou e viu seu corpo inerte todo ensangüentado jogado ao chão, sua cabeça estava quase dilacerada tamanhas foram as pancadas que ele havia dado na parede.

Aquela cena o deixou atônico, não podia acreditar. Sempre se fascinou por espíritos perdidos e almas do além, mas nunca imaginou-se como uma

- Você, nos matou seu desgraçado! Vá se danar! Não vou com você.

O ser olhou serenamente para ele e disse:

- Spencer, não seja teimoso. Você tem um certo conhecimento sabe que somos os senhores da criação. Pessoas tem que morrer é verdade...mas...depois criamos outras, matamos de novo e criamos mais outras. Vocês são as aguás que movem o moinho, são como células mortas que caem todos os dias do corpo. E você não pertence mais a este mundo e sim ao meu. Preciso de mais escravos e torturar vocês me dá um tesão imensamente bom.

Pela noite encontraram o corpo de Spencer. A polícia disse que devia ser uma espécie de pacto de morte, coisa muito comum hoje em dia, mas nada ficou comprovado. Todos até hoje não sabem ao certo o que levou três jovens a suicidar-se simultaneamente, apenas acreditam que eles mexiam com coisas muito alem do que conheciam.

FIM!

Conto enviado por André Oliveira originalmente para o Sobrenatural.Org

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