14 de janeiro de 2014

Contos Assombrados: O Sótão

Em uma fazenda do interior vivia um pequeno garoto. Billy era seu nome. Billy morava com seu pai, sua mãe, sua irmã e seu cachorro. A casa era enorme, tinha 2 andares, mais um porão e um sótão. No andar térreo ficava a cozinha, a sala de jantar, a sala de estar e uma sala de materiais onde o pai de Billy costumava guardar foices, enxadas, ancinhos e rastelos, fora suas luvas de jardinagem e o carrinho de mão. No andar superior ficavam os quartos, eram 6 ao todo, o que estava sobrando era ocupado por algumas velharias que eram grandes demais para o sótão.

No quarto de Billy, para sua infelicidade, era onde ficava a entrada para o sótão, um local que ele temia por 2 simples motivos: era escuro e tinha fantasmas. “Por que eu não posso ficar no outro quarto, mãe?” - ele perguntava – “Ora, porque o outro quarto está cheio de móveis velhos e outras coisas que não cabem no sótão” – respondia sua mãe, pacientemente – “Mas é só colocar aquelas coisas aqui no meu quarto” – “Seu quarto é menor, não iria caber tudo, sem falar que a passagem pro sótão ficaria interrompida e não seria possível nem sequer abrir o alçapão” – “Ótimo, ai os fantasmas vão ficar presos!” – “Eu já lhe disse para não ter medo, não existem fantasmas, meu filho”. E eram assim todos os dias, com Billy pedindo a sua mãe uma transferência de quarto e ela dizendo que não, indiretamente.

Fora a parte dos fantasmas, sua mãe concordava plenamente, o sótão era escuro, escuro de mais. As janelas não permaneciam sequer 2 dias limpas, a poeira logo se acumulava e impedia a passagem de luz e as lâmpadas queimavam tão logo fossem acendidas. “Essa fiação é muito velha. Seu pai tem que parar de ser preguiçoso e ir logo arrumá-la” – dizia sua mãe, ao que Billy sempre retrucava “São os fantasmas”, culminando com a pergunta fatídica “E você por acaso já viu algum fantasma no sótão?”. De fato, Billy nunca havia visto fantasma algum, às vezes ele pensava ser bobagem sua, mas os ruídos estranhos que vinham de lá logo faziam seu pensamento original voltar.

Billy começou a ouvir esses ruídos 2 anos após se mudarem para aquela casa. Na época ele tinha 5 anos. Ele vivia assustado e chorava muito. Agora, com seus 13 anos, ele já não chora mais, porem o medo persiste. Certa noite, quando ele já tinha 8 anos os ruídos estavam intensos, parecia que havia uma obra em andamento no sótão, então ele resolveu ir pro quarto de Anna, sua irmã. Qual não foi sua surpresa ao se deparar com sua irmã 1 ano mais velha encolhida em um canto, tapando os ouvidos e repetindo “Não é real”. Desde então ele e sua irmã passaram a dormir juntos nas noites em que havia muito barulho: “O fantasma está bravo hoje” – dizia ele. Quando perguntavam a seus pais sobre os ruídos, ambos alegavam não terem escutado nada: “Devem ser ratos ou morcegos. Não duvido nada do jeito que aquele sótão está” – dizia sua mãe, na tentativa de fazer seu pai ir dar uma arrumada no sótão, o que não acontecia.

Certo dia, logo pela manhã, Billy foi acordado por seu pai: “Acorda ai filhão, hoje nós vamos ajeitar aquela bagunça no sótão”. Billy se levantou sobressaltado: “O sótão?!” – pensou. Aquilo não era bom, ele não queria ter de entrar naquele lugar, mas se acalmou ao perceber que o dia estava lindo e ensolarado: “Os fantasmas odeiam dias assim, ele não vai aparecer hoje” – esse pensamento lhe reconfortou. Billy logo se aprontou e ele e seu pai foram para o temido sótão. Ao chegar lá, tudo estava diferente: havia muita poeira nos poucos móveis que a lanterna iluminava, teias de aranha estavam por toda parte, e o lugar parecia menor, mais baixo. Foi então que ele se deu conta que já faziam pelo menos 4 anos desde a última vez que entrou no sótão e que seu pai também não entrava lá a um bom tempo. “Vamos começar por essas janelas, ai não vamos mais precisar dessas lanternas” – disse seu pai. Com as janelas limpas, o sótão parecia menos assustador ainda, pois a luz do dia iluminava praticamente tudo.

Billy e seu pai levaram quase o dia todo para deixar o lugar organizado e “menos sujo”. Quando a noite começou a cair Billy se sentiu desconfortável naquele lugar com o qual teve tantos pesadelos, mas, para seu alívio, seu pai resolveu encerrar o trabalho: “Vamos dar o fora, filho. Não quero ter de ficar segurando uma lanterna pra limpar  esse lugar, amanhã a gente termina”.

Até a hora de irem dormir, nem Billy nem Anna ouviram nada, nem um pio sequer. Ambos deitaram aliviados e logo dormiram, mas o sono deles logo foi interrompido. Os barulhos estavam de volta, mais intensos do que nunca, e Billy se viu obrigado a ir pro quarto de sua irmã, que também estava acordada. Eles deitaram juntos, abraçados, esperando que aquilo terminasse, mas sem grandes esperanças. Tamanha foi a surpresa quando tudo ficou quieto, de repente a casa havia mergulhado num profundo abismo silencioso. Nem sequer os sapos coaxavam ou os grilos cricrilavam. O único som que eles ouviam era o de suas respirações.

Enquanto Anna permanecia atenta, esperando que os ruídos voltassem ou que algo os atacasse, Billy só conseguia notar em como sua irmã havia crescido. Era estranho, ele nunca havia reparado em como ela era bonita, com seus longos cabelos castanhos e seu corpo de flor desabrochando. Ele sentia seu sangue correr depressa, seus batimentos cardíacos acelerados e um calor intenso em seu interior. O que seria aquilo? Pensava consigo mesmo, enquanto lutava contra o desejo de agarrar sua irmã com toda sua força e sentir seu corpo de menina, de vê-lo com suas mãos. Sem mais resistir, Billy agarrou sua irmã, que deu um gritinho abafado “O que você tá fazendo? Quer me matar de susto, é?” – perguntou ela, mas Billy não respondeu, apenas continuou abraçando-a com força, então começou a deslizar suas mãos pelo corpo de sua irmã “Ei, para com isso! O que você pensa que está fazendo? Me solta agora Billy!”, mas era inútil, ele era forte demais, ela não conseguia se soltar. Anna tentou gritar, mas sua voz não saiu. Billy a virou com violência e tirou suas roupas, apreciando o corpo virgem de sua irmã tão amada. Ao ser virada, ela pode olhar para seu irmão, olhar para seus olhos, e o que viu fez seu sangue gelar. Os olhos de Billy, antes verde-claro, agora estavam avermelhados, como sangue, e a expressão serena que sempre estava em seu rosto havia cedido lugar a uma expressão selvagem, cheia de ódio. “Hmmm, sangue puro. Ah! Sim, como eu gosto desse cheiro” – disse Billy. Anna não tinha mais forças para lutar, estava consciente, mesmo após ser deflorada pelo próprio irmão, mas não conseguia se mexer. A última coisa que viu foi Billy erguer a foice que havia pego no armário de ferramentas.

No dia seguinte, Billy acordou deitado na cama de sua irmã, o Sol ainda estava se erguendo do horizonte. Ele sentou na cama, sem saber o que havia acontecido. Apenas se lembrava de ter ido ao quarto de sua irmã e do silencia mórbido que havia se instaurado de repente. Ainda meio tonto se levantou da cama e se virou, apenas para ver o corpo ensanguentado de sua irmã, um corte ia desde o peito até o abdômen. Não gritou, não caiu de joelhos, não saiu correndo, apenas chorou em silêncio e andou em direção ao sótão, para nunca mais voltar.

FIM!

Relato publicado originalmente no Sobrenatural.Org

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