4 de dezembro de 2013

Minha História Assombrada: Um choro debaixo do cajueiro

Histórias ouvimos aos montes. Eu as ouço desde que lembro ter ganhado um par de ouvidos. Muitas ficam. A maior parte permanece guardada em algum lugar da memória. Mas uma pequena parte delas, especialmente aquelas que não tem registro histórico ou mereceram menção nos jornais, estas grudam como chicletes. São as melhores. Passam a pertencer a um pequeno e seleto grupo de ouvintes. E agora uma delas pretendo traduzir neste espaço. Repartir com vocês:

O autor da narrativa oficial é Renato. Tem cerca de 55 anos, moreno, bem apessoado, chefe de família. Trabalha em um antiquário de Copacabana, no Rio. Mas sua história nasceu há quase meio século em Campos, no Norte Fluminense. Quem vai contar para vocês é ele. Só vou transcrever o diálogo que travamos. Para não cometer interferências. Fala Renato!

- Olha, o que eu vou contar para o senhor eu presenciei pessoalmente. Eu, Dominguinhos, Carlinhos e meu primo Célio. Todos vivos ainda. Todos das minhas relações. Bom, o fato foi o seguinte: saímos de casa, numa sexta-feira de lua cheia, lá pelas bandas da Serrinha (distrito de Campos) para caçar tatu. Era um tempo em que caçar era permitido, era visto como um gesto heroico. Não havia Ibama. Todos nós levávamos nossos cães. O meu, uma mistura de fila e pastor, era o mais rápido deles. Pegava preá com menos de 15 galopes se a preá estivesse a quatro ou cinco metros. Danado!

- Tá Bom, Renato, mas conta logo que já vi que você vai se alongar...

- Calma, moço. História boa tem que ter cenário... não é assim não...

- Mas amigo, edita ou vou ter que voltar outro dia...

- Tá bom. Então numa sexta-feira, estávamos todos com espingardas, umas 22, winchester... era num tempo....

- Tudo bem, Renato, continua, já entendi....

- Não tinha essa de não poder andar armado não.... Quando de repente ouvimos um som perto, bem pertinho da gente. Era de gemido de criança. O som era junto a cerca de arame farpado... Célio, meu primo, foi andando na borda da cerca. Entendemos, todos, que o gemido, o choro baixinho, era de uma criança nova, muito pequena...

- Acharam a criança?

- Calma, moço... deixa eu contar a história!! Ficamos os quatro ali nas bordas da cerca procurando de onde vinha o choro da criança. Era um gemido de fome, de medo, de dor.. sei lá. Quando demos conta, uns 50 metros à frente, vimos que os cachorros não estavam.  Voltamos e encontramos os quatro, moço, estou dizendo: os quatro encolhidos num canto da cerca tremendo como se estivessem com frio. E ali onde estavam, o som da criança parecia mais forte, mais intenso. Estavam exatamente embaixo do pé de caju. Um cajueiro grande.

Carlinhos, que era filho de Dona Tiana, chegada a esses assuntos de umbanda, disse que era para a gente seguir, esquecer aquilo porque não era coisa do nosso mundo. Entendi o recado. Naquele momento também já tremia mais que os cachorros. O clima era de medo entre todos nós. Puxei meu cachorro com dificuldade. Ele parecia não ter pernas nem força para levantar e correr. Os outros também se arrastavam. Amigo, naquela hora, surge não sei de onde, um raio de um cavalo que em desabalada carreira passa por baixo da cerca de arame arrastando a barriga. Era poeira que não acabava mais. O bicho parecia uma bala, uma flecha. Um relâmpago. Nós corremos como loucos. Deixamos os cães para trás. Só no outro dia, quando nos reencontramos, vimos que os quatro cães estavam bem.

- Mas e aí? O que era aquilo, o choro, o cavalo?

- Soubemos, conversando com os mais antigos, que há uns cinquenta anos um homem matou uma criança enforcada debaixo daquele cajueiro. Ele era louco e pegou a criança em uma fazenda dali e depois de violentá-la decidiu enforcá-la com a corda do próprio cavalo. Dizem que o tal homem foi atropelado por um cavalo louco uns dois dias depois. Seria o próprio cavalo dele ao qual ele tirou a corda para enforcar a criança. E pior: nós não fomos os únicos a ouvir o choro e ver o cavalo. Outras pessoas da cidade já tinham passado pelo susto. Mas, diferente de nós, não tiveram coragem de contar. E digo e confirmo. Vi e os outros que estavam comigo estão vivos e podem confirmar....

História assombrada enviada por Fábio Lau (originalmente para o site Sobrenatural.Org)

* Minha História Assombrada trás para você relatos assustadores vividos por usuário do site AssombradO.com.br e Sobrenatural.Org - Veja com estes relatos que o mundo sobrenatural está a nossa volta e pode acontecer algo estranho com qualquer um! Tem algum caso e deseja que ele seja publicado? Então clique aqui.
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