18 de dezembro de 2013

Minha História Assombrada: Metais pelo Corpo

Há alguns anos, estive em uma cidade de Goiás atrás de uma história. Ela, a história, já havia estado na minha mão um ano antes e a chefia da TV não se interessou. Considerou-a extraordinária demais. Isso, para quem não sabe, é muito comum. Sabe a história da mulher de César? Aquela que não basta ser honesta, mas precisa parecer honesta? Pois é. No jornalismo também há de se ter cuidado. Não dá para divulgar uma matéria, por mais extraordinária que seja, se ela suscitará dúvidas, questionamentos inexplicáveis. Daí opta-se por deixá-la lá no seu canto até que ganhe contornos mais, digamos, críveis, verdadeiros.

Esta reportagem falava sobre a vida de uma adolescente, muito pobre, que certa vez entrou em uma delegacia de polícia querendo dar queixa contra seu padrasto. Vou relatar o diálogo entre ela e o policial de plantão para que você entenda como é que a coisa se passou:

_ O que a menina deseja?

_ Quero dar queixa do meu padrasto...

_ O que ele fez? Abusou ou bateu em você?

_ Mais ou menos.

_ Como mais ou menos? Abusou, bateu ou fez o quê?

_ Ele colocou ferros dentro do meu corpo para me obrigar a ceder...

- Peraí! Como é que é?

_ Isso mesmo. Ele há anos coloca ferros no meu corpo. Olha aqui ó!!! (apontando para o braço, barriga, peito...). Como eu não quero nada com ele, meu padrasto faz isso...

_ Vem aqui (o policial passa a mão superficialmente sobre o braço e a barriga da menor. Percebe um volume, um relevo, e chama o colega do plantão. Ele repete a história para o colega e juntos decidem mandar a menina para exame de corpo de delito.)

Laudo oficial:

A menor conta 27 peças metálicas no corpo, quais sejam parafusos de 2, 3 a seis centímetros, pregos de 4,8 centímetros a 7, pedaços de arame de 4 cm, porcas e arruelas de vários tamanhos, clipes, grampos de cabelo dos mais variados tamanhos e agulhas das mais diversas formas e tamanhos. Há também uma colher de chá na altura do seio esquerdo.

Detalhe feito constar pelo perito: o mais estranho verificado no minucioso exame é que não há, de forma visível como deveria constar, qualquer orifício que pudesse justificar a penetração de tais peças metálicas, dos mais diversos tamanhos e formas, em qualquer parte do corpo.

Observado isso, a delegada titular decidiu tomar o depoimento da jovem: Durante anos seu padrasto, alcoólatra, tentava aproximar-se dela por razão jamais compreendida. Que tais ataques eram de conhecimento da mãe legítima da menor que jamais esboçara qualquer impedimento contra seu marido e padrasto das filhas. Que por não aceitar a pressão física do padrasto ele, aproveitando-se do instante em que dormia, fazia penetrar tais metais em seu corpo não sabendo contudo esclarecer como ele o fazia.

Daí então a conclusão que se tinha era: enquanto a jovem dormia, segundo ela, o padrasto agia espiritualmente, sem contato físico que ela detectasse, fazendo com que os metais aparecessem. Ela não sentia dores, mas apenas incômodos.

Chamado a prestar depoimento na delegacia, o padrasto negou tudo e disse que a menina sofria de problemas emocionais anteriores à sua chegada na família. Sua mãe, da mesma forma, negou qualquer abuso por parte do marido. Já a jovem mantinha as acusações.

A jovem foi operada e todos os metais recolhidos do seu corpo e passaram a ser peças do processo movido contra o padrasto da menor.

A delegada responsável pelo caso fez do esclarecimento oficial do caso da menor uma espécie de objetivo de vida. Durante três anos não tirou férias. Abdicou de filhos, marido e vida pessoal. Ouviu especialistas de todos os ramos (da medicina legal, tradicional e espiritual) sem jamais conseguir tirar uma conclusão aceita pela Justiça. Sua dedicação foi tal que passou a sofrer problemas emocionais, ligados ao stress, o que abreviou sua carreira e antecipou a aposentadoria.

Estive com a delegada e ela me disse o seguinte: "se você quiser continuar com a investigação siga em frente. Mas eu desisti. Mas confesso que não queria morrer sem saber exatamente tudo o que de fato aconteceu".

Anos depois estive também com a jovem. Ela já era uma mulher e mãe de duas filhas. Me disse que tudo aquilo aconteceu com ela numa época em que negava "nosso senhor" e que estava liberta das armadilhas "do demônio". Não quis gravar comigo ou tampouco acusar o padrasto novamente. Este, por sua vez, mudara-se dali. A jovem deve ter hoje seus 25 anos e não toca mais no assunto. Seu processo foi arquivado. Mas o raio-x indicando os metais no seu corpo permanecem lá. Assim como os metais guardados nos arquivos empoeirados do Tribunal de Justiça de Goiás.

Explicação?

Eu concordo com a máxima jornalística: se a mulher de César não parece séria, mas séria demais,  é melhor não casar.

Com todo o respeito.

História assombrada enviada por Fabio Lau originalmente para o Sobrenatural.Org

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