3 de dezembro de 2013

Jivaros: As Tribos Encolhedoras de Cabeças


Sim, o que você está vendo acima é uma cabeça humana, só que ela está encolhida! Na verdade, ela é um troféu de guerra, foi feita por um povo chamado Jivaro, e vale uma grana preta no mercado negro...

Nas florestas da parte oriental da América do Sul vive uma tribo de aborígines chamada Jivaros, que se dividem em Achuar-Shiwiar (Peru); Aguaruna (Peru); Huambisa (Peru) e Shuar (Equador). São ferozes guerreiros que ficaram famosos no mundo inteiro por seu estranho hábito de degolar seus inimigos e de usar estas cabeças como amuletos. Ainda hoje, estes índios são completamente selvagens e não mantém contatos com o homem branco. O próprio governo do Equador, os ignora, afinal eles vivem completamente isolados no meio da floresta.

Os Jivaros possuem uma estatura média, corpo robusto, rosto redondo, e olhos negros. Os homens usam cabelos longos, vestem uma tanga e usam um estilete de bambu atravessado nos lóbulos das orelhas. As mulheres tem cabelos longos, e usam um adorno no lábio inferior confeccionado de bronze. Ambos possuem lábios muito negros, em virtude de mascarem uma erva chamada Yanamuco. Os homens são bígamos; além de sua mulher ficam com mulheres capturadas nas guerras.

Um rapaz Jivaro
Alguns de seus costumes violentos

Se uma mulher é pega em adultério, todo o seu cabelo é raspado. Havendo reincidência, a mulher é presa ao chão por uma lança que lhe atravessa a carne, e ali permanece por vários dias, sendo alimentada e vigiada. Apesar do sofrimento, ela não chega a morrer. Se a infeliz cometer adultério pela terceira vez, ela será executada. A mulher nunca chega a cometer o adultério três vezes, como deu para perceber o modo pelo qual eles tratam deste assunto, depois do segundo castigo, elas se tornam fiéis definitivamente.

Os Jívaros, usam em suas flechas o veneno Curare, com o qual caçam e matam. Na caça, após o animal envenenado cair ao chão, o índio Jívaro coloca na boca do animal, uma mistura de ervas com sal que impede que seja envenenado quando consumir aquela carne.

Na pesca, os Jívaros usam a droga denominada Barbasco, que é lançado no rio, e logo a seguir faz com que os peixes comecem a boiar, para serem apanhados manualmente.


Outro exemplo de cabeça encolhida. Cabeças
como esta valem fortunas no mercado negro
Culto ao demônio

Os Jívaros adoram o demônio chamado IUANCHI, conhecido pelos espanhóis por EL DIABLO IAUNCHI.

Estes índios tem um deus do Bem chamado YUSA, mas seu temor por IUANCHI, os obriga a fazer sacrifícios e rituais sangrentos.

Quando um JÍVARO quer resolver algum problema íntimo, ou obter alguma resposta, ele consulta o IUANCHI.

A princípio, ele entra no meio da floresta, fica o mais isolado possível e se prepara para invocar o espírito.
Ingere o suco de ervas tóxicas que em poucos minutos faz com que tenha terríveis alucinações. Deste estado alterado de consciência surge um diálogo com IUANCHI, e outros demônios e duendes. E dos pensamentos e idéias atormentados pela droga surge a convicção da solução do problema, que será seguida até a morte.

Os feiticeiros que servem a IUANCHI são chamados de Bishinios, estes exercem forte influência em todos os membros da comunidade. Os Bishinios, cortam as cabeças dos sacerdotes de outras tribos e as usam como amuletos para aumentarem seus poderes.

Em suas guerras, eles matam os homens e capturam as mulheres e crianças.

Uma cabeça serve como troféu de guerra. Os vencedores colecionam a cabeça do guerreiro derrotado.
Como os Jivaros encolhem as cabeças humanas?

As cabeças mumificadas (Chancha ou Tsantasn) eram colocadas do lado de fora de suas casas e funcionavam também como neutralizadores de males, energias negativas, doenças...

Os sacerdotes Bishinios, como falado antes, usavam estas cabeças para aumentar seus poderes mágicos.

Outras culturas como, os Nazca ou Mochica do Peru, os Diaguita da Argentina, algumas tribos da América do Norte e os Mundurucus da Amazônia (Brasil), já praticavam o rito de mumificar e reduzir cabeças humanas.

Jivaros segurando uma cabeça encolhida
Vejamos os detalhes do processo;
Logo que o inimigo é posto no chão, ele é morto com uma flecha que não está envenenada. Em seguida o Jívaro o segura pelo cabelo, e com uma faca curta, feita de bambu, corta-lhe os músculos do pescoço, e as vértebras com uma habilidade cirúrgica e num instante a cabeça é separada do corpo.

Depois ela é levada cuidadosamente até que todos se reúnam em torno de uma fogueira.

E o ritual inicia-se com a participação reservada para os homens da tribo. As mulheres apenas servem bebidas aos homens.

Então é retirado do crânio os miolos, músculos, olhos, língua, em seguida ele é colocado em uma estaca. O crânio é lavado em água e depois molhado em azeite de urucu, em seguida colocado ao sol para secar.

Durante vários dias se repete o processo de lavar a cabeça e coloca-la para secar.

Depois em um total endurecimento do crânio, ele o enche com algodão, coloca-lhe olhos feitos de resina, põem-lhe dentes e cabelos fixados com resinas. Os ornamentos são feitos com penas.

Em uma segunda variação do processo temos:
O índio mata seu inimigo, corta sua cabeça, coloca-a num extrato vegetal de Yanamuco, que lhe da uma coloração negra e a conserva da ação do tempo.

Reunido com os homens da tribo; ele retira do crânio os miolos, músculos, olhos, língua. Depois a cabeça é preenchida com areia e seixos quentes, que são substituídos diariamente em um processo que dura dias.

Ambos processos fazem com que as células que compõem a parte óssea do crânio se quebrem e se contraiam a tal ponto de realmente diminuir o tamanho da cabeça. Em alguns casos o crânio chega a diminuir 50% de seu tamanho, e curiosamente através da regulamentação da contração da pele, os traços fisionômicos se mantém quase que perfeitos.

Tsantsa dos índios Shuaras. Repare os olhos fechados, a boca
costurada e os pinos nas orelhas. Não se esqueça, você
está olhando para uma cabeça humana! Ela está em exposição
no Museu Lightner em St. Augustine, Florida.
O método usado pelos Shuar ou Shuaras
Primeiro, a parte de trás da cabeça tem de ser aberta. Toda a pele é retirada do crânio juntamente com a cabeleira [portanto, é mais que um escalpelamento, é escalpela-descaramento, se assim o leitor permitir a esse tradutor definir, já que arrancam a cara do sujeito também].

Toma-se muito cuidado para não danificar a peça, especialmente o rosto. O crânio é reservado, [reserve... como se diz nas receitas culinárias] e a carne fresca, descartada. Depois, coloca-se a pele daquele rosto para ferver durante meia hora em mistura de água e tanino, uma substância que tem a propriedade de curtir as peles. Se ferver por mais tempo, os cabelos podem cair.

Essa máscara de defunto é colocada para secar ao sol devidamente recheada com pedras esféricas, para que não se deforme. Depois de seca, é virada ao avesso. O procedimento é repetido durante seis dias até que o material fica com apenas um quarto [25%] de seu tamanho original. Então, os olhos são costurados, para que o Espírito não possa enxergar. Pinos de madeira são transpassados nos lábios, para que o Espírito não possa falar, assim não poderá clamar por vingança. Os pinos também são fixados nas orelhas... para que o defunto não fique escutando conversas.

O National Geographic Channnel obteve o que pode ser o único filme que registra uma cerimônia atual/relativamente recente de encolhimento de cabeças. O filme foi feito em 1961 pelo explorador polonês Edmundo Bielawski. Eu procurei este vídeo na internet, e achei em árabe. Se você encontrar em nossa língua, envie um e-mail me avisando e coloque nas opiniões o link.

Cena do  filme feito em 1961 pelo explorador polonês Edmundo Bielawski mostrando como encolher uma cabeça
Comércio de cabeças encolhidas

Muitos colecionadores exóticos gastam uma fortuna para conseguir uma destas cabeças. Isto incentivou alguns aventureiros brancos a conquistarem a confiança dos Jívaros para poderem aprender este processo de mumificação de cabeças. Estes gananciosos começaram a atacar viajantes, os matavam, encolhiam suas cabeças e as vendiam no mercado negro para colecionadores. Enquanto que os índios levavam a culpa destas mortes.

E foi por este motivo que os Jívaros ficaram sendo conhecidos internacionalmente. Houve época que no interior do Equador e Peru, as pessoas tinham medo de andar nas ruas mais desertas. Este pavor foi contornado quando autoridades eclesiásticas católicas, (Afinal Peru e Equador são países católicos), ameaçaram excomungar os comerciantes, caçadores, ou quem quer que seja que possuísse um destes tenebrosos amuletos.

E esta medida deu certo, logo o tráfico cessou e as cabeças sumiram do mercado. Mesmo assim existem fanáticos colecionadores que pagariam muito por uma cabeça encolhida original.

Mas em 2008, no Equador, foram encontrados seis corpos decapitados que tem levantado suspeitas de que os assassinatos possam estar relacionados com uma rede de tráfico de cabeças humanas encolhidas. Os cadáveres foram encontrados em províncias onde viviam as tribos que praticavam este ritual.


O vídeo acima foi a Ana que fez a alguns anos, para divulgar uma revista que fizemos.

Fontes (acessadas no dia 02/12/2013):
Sobrenatural.Org: As Tribos encolhedoras de cabeça
- pt.wikipedia: Jivaros
- SofadaSola: O Segredo dos Encolhedores de Cabeças 
Escavoca.com: As tribos encolhedoras de cabeça
Scorpionsdownloads: OS ÍNDIOS JÍVAROS E SUA PRÁTICA DE ENCOLHER CABEÇAS

Reconhece esta cabeça encolhida? Heim, heim????? Se acertar, você provavelmente está na casa dos 30 para cima :)
Esta cabeça encolhida faz parte do filme "Os Fantasmas se Divertem" :)
CLIQUE AQUI para ler "Os Violentos Kukukukus e sua Múmias"
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