17 de dezembro de 2013

A História Inventada do Fantasma de Ratcliff

Caso mostra como uma história inventada cria vida própria e é cada vez mais incrementada por quem a conta...

Um dos principais problemas com os quais o pesquisador psíquico objetivo enfrenta, é o da total credibilidade humana. As pessoas gostam de uma boa história de fantasmas e tende a embelezar qualquer narrativa, de forma que após ser contada umas quantas vezes, os fatos são só um conglomerado de invenções.

No verão de 1970, Frank Smyth, que naquela época era um redator associado da revista Man, Myth and Magic, se dedicou a estudar a forma que tomava tal credibilidade. Inventou pois, um fantasma, ao que acrescentou uma localização, um passado e algumas "testemunhas" e publicou a história na revista. 

A História Inventada

Ratcliff Highway por volta de 1895
A invenção foi realizada a esmo. Em uma manhã de domingo, Smyth havia ido aos cais de Londres para se encontrar com John Philby, cuja empresa de edificação, estava renovando um solar em Ratcliffe, e Smyth decidiu que o cais deserto era o suficientemente misterioso, ao ponto de oferecer uma localização ao seu fantasma.

Junto ao cais de Ratcliff se encontrava a semi-destruída igreja de St. Anne, isto, somado a que era domingo pela manhã, influenciou a Smyth a fazer com que seu fantasma fosse o de um pastor protestante. Junto ao lugar escolhido por Smyth, está a Ratcliff Highway, via pública que em outra época (finais do século XIX) esteve cheia de bordéis, adegas e casas de hóspedes baratas.

Frank Smyth,
inventor do fantasma de Ratcliff,
em frente a igreja de St. Anne.
A proximidade com esta velha estrada, sugeriu a Smyth que seu personagem inventado havia sido o proprietário de uma pensão de marinheiros, aos quais ele havia assaltado quando estes voltavam para casa, carregados com o pagamento. O pastor teria matado eles e lançado o seus corpos no Tâmisa. Desta forma ficou bastante redondo o passado do fantasma.

Philby, antigo correspondente de guerra e Smyth, decidiram que os nomes das testemunhas do fantasma, seriam seus próprios nomes e o de um dos empregados de Philby, o fantasma seria a figura de um homem velho de cabelo branco com uma bengala. Também lembraram que se alguém, seja investigador ou amador, lhes fizesse perguntas sobre o "fenômeno", confessariam imediatamente que era inventado.

O artigo foi publicado na revista Man, Myth and Magic com o nome de "Phantom Vicar of Ratcliff Wharf" por Smyth como fato "verídico".

Olha o que aconteceu depois da história ter sido publicada...

Não houve ninguém que solicitasse as credenciais do "Pastor fantasma do cais de Ratcliff", mas nos meses seguintes, apareceram oito livros que se propunham a contar a história e cada um deles apresentava o pastor fantasma!

Só um deles, escrito por um colaborador do Sunday Times de Londres, tratava o assunto com verdadeiro ceticismo. Os outros não só tratavam de narrar a estória sem comentários críticos, mas além disso, a embelezavam até limites insuspeitáveis.

Revelaram a farsa, mas já era tarde...

Em 1973 (três anos após a publicação na revista) Smyth escreveu um artigo para o Sunday Times, em que contava a história. Posteriormente realizou um filme para a BBC2 intitulado A Leap in the Dark (Um passo na escuridão), no qual, voltava a contar a estória inventada e onde também apareciam uma série de pessoas que declaravam terem visto o fantasma do pastor. Um homem dizia que havia visto a um velho vestido como um pastor protestante do século 18, caminhando pela estrada a uns 300 m do cais Ratcliff.

O escritor Jilly Cooper conta que ao entrevistar a um policial, quase aposentado da força metropolitana do River Branch, lhe havia dito que quando jovem, não tinha nenhuma vontade de entrar no cais de Ratcliff por temor ao fantasma. E um barqueiro do Tâmisa, assegurava ter visto a figura do pastor entre as sombras em Ratcliff alguns meses antes de que aparecesse a história na revista. Após o programa de televisão, a BBC recebeu muitas cartas que relatavam aparecimentos posteriores.

Não há nenhuma base real para a história do fantasma de Ratcliff. Nenhum dos relatórios de Wapping - nem de nenhuma outra zona dos Docklands de Londres apresentam algum relato sobre o pastor fantasma. O fato é que as pessoas racionais a priori, ainda proclamam terem visto esse fantasma, apesar da estória ter sido aclarada com ampla difusão. Um pesquisador psíquico chegou a sugerir que o fantasma de Smyth poderia existir de verdade e que ele o fez saber de alguma maneira, ainda que Smyth achasse que só era produto de sua imaginação.

Assim como o Fantasma de Ratcliff é uma invenção que ganhou vida, o Slender Man, criatura que mete medo em muita gente também foi uma criação da internet que ganhou vida. CLIQUE AQUI e leia uma matéria completa que fiz
Tradução/Adaptação: rusmea.com & Mateus Fornazari

Fontes:
http://www.mundoparanormal.com
http://www.skepticalinvestigations.org/Skepticsmedia/Wilson_psychicsuggestibility.html
http://www.geister-und-gespenster.de
Comentários