16 de outubro de 2013

Minha História Assombrada: Os Escravos da Fazenda

Quando eu estava na faculdade, fiz amizade com várias pessoas que tinham ou tiveram contato com coisas sobrenaturais.

Dentre elas, havia uma em particular, com quem estudei apenas um ano do curso.

Paula (fictício) era uma morena bastante falante, mas extremamente reservada com estranhos. Dizia ela que gostou de cara de mim, pois eu passei uma sensação de confiança, então, falávamos de tudo, inclusive assuntos do além.

Com o tempo, ela passou a me contar várias histórias que vivenciou, todas interessantes, mas achei uma bem intrigante.

Ela me contou um dia que tinha um tio, cuja família morava em uma fazenda. O tio dela trabalhava em São Paulo, mas praticamente todos os finais de semana ia para a fazenda, no interior paulista, onde o restante da família morava.

Era uma fazenda grande e antiga, com casarão e resquícios dos tempos em que era uma fazenda de escravos, como senzala e um alambique bem antigo e desativado.

Sempre que ela podia, ia à fazenda, principalmente nas férias, pois era um lugar muito aprazível. Ela gostava de se reunir com o tio e a família dele, que sempre contavam histórias intrigantes sobre o lugar, já desde os tempos do avô, tais como gado que era assediado por Espíritos. Frequentemente, os cavalos amanheciam com as crinas enroladas e os bois e vacas, com os rabos amarrados nas cercas. Também contavam histórias de lobisomem, Espíritos de floresta e outros do tipo.

Certa vez, Paula perguntou ao tio sobre os escravos que lá viveram.

O tio deu uma risada meio de deboche e disse que eles ainda habitavam as construções das antigas senzalas, que passaram a ser depósito de grãos e ferramentas.

Paula achou que ele estava brincando, pois o tio adorava pregar peças e dar sustos nela, desde quando ela era criança. E o tio ria de se rachar com os choros e bicos da pobre menina...

Após horas de conversa, foram se recolher aos leitos e Paula voltou a pensar em quantos escravos devem ter vivido, trabalhado, sofrido e morrido naquelas terras.

Finalmente, adormeceu tendo como companhia os sons típicos da roça e a escuridão cerrada.

A certa hora da madrugada, despertou de um sonho em que via escravos dançando em volta de uma fogueira, com o som do batuque e da cantoria bem nítidos.

Qual não foi sua surpresa quando viu, passando pelas frestas da janela de madeira, uma luz bruxuleante. E o som que lhe invadiu os sonhos era, de fato, um som real!

Ela realmente ouvia, no terreiro abaixo de sua janela, que ficava no segundo andar do casarão, todo o movimento idêntico ao que sonhava.

Ela ficou atônita! Chegou a imaginar até que era o tio dela, mais uma vez pregando peças! Mas não podia ser, naquela hora da noite!

Aproximou-se da imensa janela, que ficava oposta à sua cama e, de fato, constatou a luz vazando por suas frestas.

Tremendo, abriu a janela.

Qual não foi sua surpresa quando se deparou, logo abaixo, uma grande fogueira acesa.

Ao redor da fogueira, troncos dispostos à maneira de bancos, com vários negros sentados, cantando e batendo palmas, ao ritmo dos atabaques. Um pouco mais próximos à fogueira, alguns negros com calças cáquis e sem camisa, suados, dançavam juntamente com outras negras, de roupas claras e algumas com lenços na cabeça, entoando um cântico bem peculiar africano. Devia haver uns 40 escravos no terreiro, que ignoravam tudo ao redor, inclusive o testemunho de Paula, que ficou paralisada na janela, contemplando aquele espetáculo insólito.

Num solavanco, Paula bateu a janela e saiu do quarto, atrás do tio, para que ele também testemunhasse o evento, afinal, era muito real para ser apenas uma visão.

Bateu na porta do quarto do seu tio, meio sem graça, mas totalmente alarmada. Ele respondeu lá de dentro e pediu para ela entrar. Paula falou em voz baixa para o tio segui-la, pois era urgente. Ele saiu da cama com cara assustada, mas com aquele riso de canto típico dele. No corredor, ela disse que havia escravos no terreiro abaixo da janela dela.

Paula, seguida pelo tio, correu para abrir a janela, com o coração na boca.

Ao abri-la, deparou-se com o imenso vazio do terreiro, fracamente iluminado pela lua. Não havia nada. Apenas os sons noturnos típicos, de uma bela noite de verão.

Virou-se para o tio, que estava com aquela expressão de “eu não disse”?

Paula ficou decepcionada. O que era aquilo? Por que somente ela viu e ouviu o evento tão real quanto qualquer coisa que os sentidos podem captar?

O tio disse que ele também já presenciara o mesmo acontecimento, anos antes.

Por isso que ele disse que os escravos ainda habitavam a fazenda.

Complementou que, certa vez em que era menino, saiu tarde da noite em direção à ex-senzala e viu, com espanto, um escravo parado à portinhola do casebre, pitando uma palha!

Tudo normal, como dissera antes. Os anos passaram e nada mudou. Os acontecimentos pretéritos ainda vêm à tona e ninguém sabe o quê, o porquê e o quando!

Paula terminou sua história dizendo que sentia muitas saudades do tio, pois o mesmo morrera dois anos depois desse acontecimento.

Dizia ele para ela: “quando eu morrer, eu vou apertar sua mão e você vai saber que eu parti.”

E eis o que realmente aconteceu: na noite que o tio faleceu, a mão dela doeu muito. Começou a chorar imediatamente, pois seu tio, pregador de peças e contador de histórias, realmente falecera naquela noite...

Nota do site. A aparição testemunhada por "Paula" dos escravos dançando é classificada como "Impressão". Saiba tudo em um especial que fizemos "Tipos de Fantasmas: Impressões"


CLIQUE AQUI para ler "Tipos de Fantasmas: Impressões"
História assombrada enviada por Rogério

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