9 de outubro de 2013

Minha História Assombrada: Entrevista com um Vampiro

Será que vampiros são somente lendas? Parece que não...

O acaso jornalístico me levou há dez anos a uma cidade mineira chamada (...). Melhor não dizer. Fui fazer reportagem sobre o desaparecimento misterioso de uma jovem paulistana, muito bonita, que sumiu depois de uma acalorada discussão com seu marido. A vizinha narrou mais ou menos assim a briga: "eles se xingavam muito. Ela gritava e ele também. De repente ela passou a dizer não, não, não  e, pronto. Fez um silêncio. Um ou dois minutos depois o marido saiu com o carro. Em alta velocidade". Era o que tinha. Bom, resumindo: nada pude avançar na história. Apenas que o marido foi visto lavando o carro naquela madrugada. A mulher, ou seu corpo, jamais foi encontrada.

Procurando parentes e amigos do casal, muitos dos quais não quiseram me receber, encontrei uma senhorinha simpática que ao se despedir de mim disse o seguinte ante a minha observação de que ali era um paraíso se comparado ao Rio de Janeiro: "essa cidade é calma mesmo, meu filho. O último acontecimento grave que vivemos aqui foi há mais de 30 anos". Foi a deixa para fazer a pergunta que qualquer jornalista deve fazer. Aliás, qualquer pessoa:

- O que aconteceu há 30 anos?

- Não tá sabendo não? Um vampiro passou por aqui. Matou dois meninos, irmãos, e bebeu seu sangue na estrada de ferro. Deu matéria de jornal e tudo...

Começaria ali uma das mais impactantes reportagens que já fiz na minha vida. No que isso resultaria? Numa entrevista com o vampiro. Não esse. Um outro. E então pude descobrir que vampiros existem. Andam como nós, falam, se vestem, não têm medo do sol e nem tampouco preferem a escuridão. A diferença deles para a gente, ou pelo menos para alguns de nós, é que bebem sangue humano. Não sei se conto o resto da história. Conto?

Bom, vamos fazer o seguinte: quem preferir não conhecer a história é só parar de ler. Por que a história me incomodou. Portanto vou resumi-la da seguinte maneira. Ele, o vampiro, chamado Benedito de tal, vitimou mais de vinte pessoas entre os estados de Minas, Goiás e São Paulo. Isso na década de 60 e 70.

As primeiras vítimas conhecidas de Benedito não foram os irmãos da tal cidadezinha. Mas alguns homens, roceiros, vitimados a golpes de foice pelo Benedito que também era alcoólatra. Eles brigaram por causa de colheita, comida, gado. Benedito os pegou de tocaia. Foram quatro vítimas. Diante da mulher e da sogra, o vampiro debruçou-se sobre os corpos das vítimas e tomou-lhes o sangue. Como um lobo faz ao sugar a água. A mulher, claro, deixou Benedito logo depois. Ele, de semblante tímido e ar de menino, partiu pelas estradas carregando um saco de estopa nas costas. Vi sua fotografia que algum desavisado fez. Virou um andarilho. Um incógnito. Alguém por quem um incauto se apieda e jamais perceberá que dentro dele mora um monstro. Caminhando foi parar em Minas. Na tal cidade.

Os meninos, de seis e sete anos, caminhavam sobre a linha férrea para irem ao colégio no centro da cidade. Eles moravam em uma vila, de casas pobres, na periferia. Benedito os atraiu porque tinha na mão o brinquedo mais comum entre as crianças do interior de então: uma gaiola com passarinho. Ele se aproximou, falou sobre pássaros, sobre visgos e tal e, rápido, partiu o pescoço dos dois com um canivete afiado. Ao encontrarem os meninos, os policiais locais estranharam. Os cortes não provocaram derramamento de sangue. O que seria comum tendo em vista o rompimento da jugular. A conclusão foi precisa. O homem que o fez bebeu o sangue no instante em que ele saía. Primeiro um. Depois o outro. Benedito o havia sugado como fazem os vampiros que vemos na TV.

Caçado de cidade em cidade por toda a região foi preso finalmente em uma cidade chamaga Aguaí, no interior de São Paulo. Lá, da mesma forma, ele matara um menino. A criança era filho caçula de uma família de seis irmãos e fora alcançado quando pescava na beira de um riacho. Homens e mulheres, já assustados com a notícia do vampiro, fizeram grupos para procurar o desaparecido. Na noite em que ainda constava como sumido, a mãe o viu. Foi sobrenatural. Na entrevista que me concedeu, disse ter visto o filho vestido de anjo entrando pela porta enquanto a cidade o procurava. O menino disse para a mãe não se preocupar porque ele estava bem. E desapareceu. Grupos de moradores, com foices e facões, encontraram o corpo da criança com um talho no pescoço, profundo, e igualmente sem uma gota de sangue. Benedito foi preso seguindo pela estrada em direção a outra cidade. Houve cerco à delegacia. A multidão queria vingança. Ele não foi trucidado porque a polícia o protegeu.

Preso e fotografado, o vampiro revelou mais e mais crimes. Todos confirmados posteriormente. Por causa dele, e por conta dele, fui me deparar com um outro vampiro em Barbacena, Minas Gerais. Este, cujo nome vou preservar, era um vampiro mais místico, mais próximo do que conhecemos pela TV. Ele trucidava pessoas, guardava seus membros e vísceras e bebia seu sangue em rituais dos quais ele não era o único convidado. Participavam ele e a legião de vampiros espirituais que afirmava ver e atender encomendas de corpos. Dizia, na entrevista, que enquanto matava e dilacerava suas vítimas, via os espíritos rondando sua choupana, com tochas nas mãos, marchando e entoando cânticos incompreensíveis. Enquanto medicado, ele negava ser o autor. Dizia apenas ter sido testemunha. Mas quando longe dos remédios que o mantinham sedado, confessava: matei, sangrei e bebi.

Sobre Benedito? Soube que ele fugiu do manicômio de Franco da Rocha. O outro vampiro? Nunca mais tive notícias.

História assombrada enviada por Fábio Lau para o site Sobrenatural.Org em 06/2009

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