22 de outubro de 2013

Conto Assombrado: Hospital Maldito

No início da década de 1980, em Moscou, foi começada a construção de um grande hospital multifuncional. Um edifício de 11 andares deveria sediar o centro de saúde regional que possuiria 1.300 leitos, pessoal altamente qualificado e equipamento médico mais sofisticado.

Contudo, os planos estavam condenados ao fracasso. Cinco anos mais tarde, quando todas as instalações hospitalares já estavam quase prontas, o projeto foi congelado por tempo indeterminado.

Segundo a versão oficial, isso aconteceu por causa de erros cometidos durante a prospecção geológica ainda na fase de desenvolvimento do desenho.

Posteriormente, verificou-se que o solo não era suficiente sólido, e o edifício começou a afundar pouco a pouco. No presente momento, o primeiro andar se encontra completamente debaixo da terra e o porão está inundado por água.

Como qualquer outra obra abandonada, o Hospital Khovrino começou a atrair bandidos, mendigos, satanistas e pessoas em busca de aventura. Acontece que muitas pessoas que entraram no hospital, não saíram mais. O local é muito perigoso, com buracos nos andares superiores que fazem você cair dezenas de metros, buracos sem janela, fosso de elevador, e tudo mais perigoso que uma obra inacabada pode ter.
Hoje em dia, o prédio do hospital permanece sobre vigilância. O terreno foi fechado por cerca de arame, mas as multidões de curiosos em visitar o “hospital maldito” não se esgotam com o passar do tempo. A despeito de tudo, as pessoas encontram ou abrem buracos no cercado para entrar. Porém, às vezes não conseguem encontrar o caminho de volta...

Assim, há diversas lendas sobre o local, envolvendo entradas para mundos paralelos, fantasmas, demônios e emboscadas. Porém, podemos chegar apenas a uma conclusão: Há algo muito errado com aquele lugar. Por ironia do destino, o local que deveria servir para salvar vidas humanas, passou a matá-las...

Foto real do Hospital russo Khovrino 
Dr. Bill Thompson já não suportava mais. Alguma coisa acontecera ao seu filho.

Daniel tinha partido há três meses e dissera que voltaria em apenas duas semanas. Não atendia os telefonemas de Bill e não havia vestígio sequer do garoto. O doutor tentava ignorar a preocupação, mas agora já era insuportável. Desde que ele perdera a esposa, Mary, Daniel era a única coisa que importava em sua vida.

Ele estava decidido a ir atrás dele em Moscou. O mais rápido possível.
Sai do consultório 15:40, ainda havia várias consultas, mas decide abandoná-las. Entra no carro e vai direto para um aeroporto internacional de Atlanta.

- Quero um vôo para Moscou— Bill diz para a intendente— O mais rápido possível!

- Terá um hoje às 23:00. Depois desse só terá daqui a três dias— fala a intendente.

- Tudo bem- decide o doutor- Quero o vôo das 23:00.

Após receber a passagem, Bill decide aguardar no aeroporto mesmo, compra um salgado e uma coca para comer ali e alguns biscoitos para devorar durante a viagem. Bill não conseguia pensar, na verdade, ele não soube o que sentir. Estava deixando seu emprego, sua vida, tudo, pelo filho. Mas e se estivesse se preocupando por nada?

Acabou adormecendo, acorda sobressaltado, achando que havia perdido o vôo, mas eram apenas 22:15. Se prepara para entrar no avião e decolar.

Imagem real do exterior do hospital Khovrino
Bill não teria deixado Daniel ir a Moscou se já não tivesse ido lá. Afinal, a lua de mel com a esposa foi naquela cidade.

O doutor vai primeiramente na delegacia, o melhor lugar para conseguir respostas.

- Como posso ajudar?- pergunta o delegado, em russo.

Dr. Thompson conhecia aquele idioma bem.

- Eu sinceramente não sei ao certo— admite Bill na mesma língua— Faz três meses que meu filho viajou para cá, me prometendo que voltaria em duas semanas, porém, eu não o vi mais.

Pega uma foto do filho e mostra para o delegado. O homem ergue uma sobrancelha ao ver a foto.

- Este é seu filho? — ele indaga.

Bill assente.

O delegado digita algo em seu computador. Vira a tela para o doutor, que visualiza a imagem de seu filho e os quatro amigos que o acompanharam na viagem, Ruan, Max, Duck e Jim.
- O que é? —- pergunta Bill, intrigado.

- Esses cinco jovens estão desaparecidos - esclarece o delegado- Foram vistos pela última vez nos arredores do Hospital Khovrino. Conhece esse lugar, certo?

- Não- admite o doutor.

- Bom, é um hospital que foi construído em um solo frágil, assim, suas obras foram abandonadas. Ele é conhecido pela fama de misterioso, pois várias mortes e desaparecimentos ocorreram lá. Há algo macabro lá dentro, estamos planejando uma eclosão - especifica o delegado - Aliás, meu nome é Edward Portman.

-  Meu filho entrou nesse hospital? - pergunta Bill, perplexo.

- Sim - fala Edward - Pessoas viram o grupo de adolescentes bêbados cambaleando pelo pátio do prédio. A polícia está vigiando o local, eles ainda não saíram de lá...

Bêbado? - indaga Bill, furioso - Como assim bêbado? Meu filho não bebe! E...Droga, aquele hospital...
- Talvez os vizinhos tenham se referido à maioria... - sugere Edward.

Bill se vira e caminha com passos pesados para a porta de saída.

- Para onde vai? — pergunta o delegado.

- Vou atrás de meu filho— declara Bill.

O doutor pega o primeiro táxi que aparece.

- Quero ir à Khovrino— diz Bill.

A viagem demora, Dr. Thompson olha ao redor, esperando encontrar o filho em algum lugar ali, caminhando pelas calçadas de Moscou, gargalhando com os amigos, não preso em um maldito hospital, bêbado e inconsciente.

Por outro lado, Bill pensa na hipótese de ter que entrar no hospital.

- Conhece o Hospital Khovrino? - o doutor pergunta ao taxista.

- Ora, mas é claro! - responde- Aquele lugar me dá arrepios.

- Por que?

- Diversas pessoas morreram e desapareceram lá. O primeiro andar está no subsolo e o porão repleto de água- diz o taxista- Aliás, tem alguns satanistas e criminosos que se refugiam lá.

- Fiquei sabendo que o hospital foi feito em solo frágil... -lembra Bill.

- É. O hospital vai afundando pouco a pouco- observa o taxista- É para lá que quer ir?

- Sim.

- Vou te deixar na entrada então- diz- Mas por que quer ir lá?

- Meu filho desapareceu naquele hospital.

Durante o resto do caminho, ninguém disse mais nenhuma palavra.

Quando chegam aos arredores do Hospital Khovrino, o táxi para. Bill paga o taxista e desceu.
O hospital em si tinha um aspecto macabro. Era imenso e composto por vários edifícios sujos. Em volta dele, havia uma cerca de arame alta. Por trás dela, duas viaturas policiais estavam paradas e alguns curiosos paravam ao redor para observar.

Bill se aproxima de um policial.

- Olá- o doutor cumprimenta- Estão aqui por causa dos desaparecimentos dos jovens?

- Sim- responde o policial, olhando com suspeita para Bill- Por que?

- Sou pai de um deles- especifica o psiquiatra- Há boas notícias?

O rosto do policial fica pálido.

- Lamento- ele diz- Mas não encontramos nada.

- É claro que não encontraram!- diz Bill, um pouco alto demais- Estão do lado de fora da cerca...

- Não temos permissão para entrar lá- fala o policial- Afinal...

- Não quero saber! - indaga o doutor- Eu vou atrás do meu filho. Abram essa cerca para que eu entre!

- Não temos permissão... - começa o policial.

- Foda-se! - grita Bill- Meu filho está lá!

- Creio que o senhor não quer ser preso por desacato à autoridade...

Dr. Thompson se afasta rapidamente.

- Ei! - grita o policial- Onde você pensa que vai?

Durante o tempo em que conversava com a autoridade, Bill percebeu um pequeno buraco na cerca do hospital. Tomou a decisão de que se o policial não o deixasse entrar, a única opção era passar por aquela brecha. Assim, o doutor corre como nunca na direção do buraco.

- Atrás dele! - ordena o policial.

Outras três autoridades perseguem Bill, que alcança a brecha. Eles quase o alcançam, mas o doutor abre o buraco e passa por ele. Um policial agarra seu pé, mas Bill lhe chuta, atingindo o estômago. As autoridades recuam.

- Eu não vou entrar ali- declara um deles, enquanto o doutor corria no pátio do hospital, na direção de um edifício.

- Nem eu- decide outro.

Foto Real de um fosso de elevador do hospital Khovrino
Dr. Thompson corria ofegante pelo pátio, sem olhar para trás.

Enfim, ergue a cabeça e encara uma porta de entrada do hospital. Estava marcada de pichações. Rabiscos, símbolos e frases como “eu sobrevivi” “hospital maldito” “cuidado, a morte está à espreita”.

Aquilo fez Bill ter vontade de recuar, voltar e ser preso. Esquecer seu filho, sua vida e apodrecer na prisão. Seria melhor.

Mas não.

Pois no momento em que o doutor entrara ali, uma súbita curiosidade se formou em sua mente. Havia algo... Algo que estava influenciando-o. Como se um hipnotizador o deixasse em transe ordenando “entre no hospital”.

Assim, sem hesitação alguma, sob influência daquele lugar, Bill abre a porta e entra.

Foto real do interior do hospital Khovrino
O doutor se vê em um corredor. Esperava se deparar no hall de entrada, porém, lembrou-se do que o taxista dissera, o primeiro andar está no subsolo e o porão repleto de água.

Se pergunta onde estava exatamente.

Bill olha ao redor. O corredor ia reto, até virar à esquerda. Havia três portas. Estava sem iluminação alguma, apenas a da greta da porta.

O lugar era sombrio, as parede brancas estavam muito sujas, e em todo lugar, podia se ver símbolos e pichações. Havia poeira e terra em todo lugar, em alguns pontos, formavam até pequenos montes.
Dr. Thompson sente um calafrio. No momento em que pisara ali ele percebeu, há algo errado com este lugar.

- Daniel! - ele chama.

Ninguém responde.

- Daniel! - tenta novamente.

Nada.

Bill se aproxima da primeira porta, gira a maçaneta e... Uma grande quantidade de terra desaba sobre ele, o doutor cai no chão e a poeira começa cobri-lo.

Ele rola para o lado e se afasta da terra, que não para de se espalhar.

Bill corre e vira o corredor. Ali estava tudo quase completamente escuro, mas não teve vontade nenhuma de voltar, queria continuar.

Como se o hospital lesse sua mente, Dr. Thompson avista um objeto no chão. O coração veio parar na boca quando percebeu que era uma lanterna.

Há algo errado com este lugar, ele pensa, é como se ele fizesse de tudo para que eu continuasse.

Pega a lanterna e a ligou. Uma luz branca se projeta. Está funcionando!

Bill ilumina ao redor. Se depara com dois elevadores e duas escadas. Um descia e o outro subia. Nesse momento, o doutor fica em dúvida, o filho teria subido ou descido? Abre o elevador que subia, estava intacto, mas repleto de poeira e teia de aranha. Em seguida, abre o que desce e encontra um grande fosso, que descia a aproximadamente 10 metros.

Abre a porta para a escada que subia, era cheia de terra e com degraus faltando. Não havia vestígio algum de Daniel. Assim, decide tomar o caminho que descia. Entra no lance de escadas e começa a descer.

Por um momento, pensa ter ouvido uma voz, chamando-o. Ignora o pensamento. É apenas minha mente querendo me pregar peças.

Pisa em um degrau que desaba, a perna esquerda cai junto e Bill fica agarrado ali.

- Droga! - exclama.

A perna agarrara em alguma coisa embaixo da escada. Porém, mais parecia que havia algo... Puxando o seu pé. Agarra o membro e puxa para a cima, infelizmente, continua no mesmo lugar. Pega a lanterna e ilumina embaixo do degrau. No momento em que a luz atinge o buraco, a perna se solta.

Bill se levanta, um tanto embasbacado.

Algo estava me segurando, ele deduz perplexo, algo que não gosta de luz.

O doutor continua a descer as escadas, o silêncio era perturbador.

- Bill- chama uma voz.

E dessa vez, ele percebe que não era sua imaginação. A voz ecoa, vinha lá de baixo. Dr. Thompson agarra o corrimão e olha.

- Bill- a voz era feminina- Me ajude.

Ele conhecia aquela voz...

- Mary! - o doutor chama- Mary, você está aí?

- Silêncio- a voz pede- Ou eles vão ouvir.

- Eles quem? - Bill pergunta, descendo os degraus rapidamente.

- Silêncio- repete Mary.

Ele enfim alcança o final do lance de escadas. Abre a porta e se vê em outro corredor, como o primeiro. Mas esse era mais sujo, a terra caia do teto e cobria o chão, algumas vezes era elevada até demais. Bill pensa na hipótese de a poeira estar cobrindo um fosso, o que era perigoso.

Mas seus pensamentos mudaram quando ele ouviu a voz novamente:

- Bill- chama, bem a sua frente.

O doutor ergue a cabeça e a vê. Era Mary, usava um vestido branco, porém, ela estava coberta de terra. Ela se arrastou até Bill, sumindo e reaparecendo cada vez mais próxima, como piques de luz. Seu rosto bonito e sedoso estava coberto de terra e sangue seco.

- Bill- ela chama novamente.

- Não- Dr. Thompson murmura para si mesmo- Não é Mary...Mary está morta.

Bill ergue a lanterna e aponta a luz no rosto da esposa falecida. E assim, a face se modifica, o doutor vê um rosto perverso, as órbitas vazias e uma boca costurada por fios negros, a coisa movimentava os lábios costurados como se tentasse sorrir.

O efeito que a luz causa em seu rosto era tão intenso, que uma fumaça negra começa a sair da face perversa... E a coisa simplesmente desaparece.

É apenas minha mente querendo me pregar peças, Bill repete para si mesmo.

De repente, começa a ouvir batidas leves vindo de dentro da porta mais próxima.

Intrigado, ele se aproxima e gira a maçaneta com cuidado, quando abre lentamente, se afasta, preparado para ser atingido por um monte de terra, mas a única coisa que vê é um quarto. Porém, era diferente de tudo que tinha visto até agora. O cômodo era totalmente branco e limpo. Havia uma cadeira no centro, flutuando, e a coisa com a boca costurada e as órbitas vazias estava sentada nela. De repente, a coisa explode, espalhando sangue e vísceras para todo lado, e sujando o quarto completamente.

O sangue então começa a se juntar, formando letras, palavras, e enfim, uma frase: Quem entra jamais sai.
Bill fecha a porta e abaixa a cabeça.

O lugar quer me enlouquecer, o doutor diz para si mesmo, mas não conseguirá.

Com essas palavras, ele se aproxima de um novo lance de escadas, e desce para o primeiro andar.

Foto Real do interior do Hospital Khovrino. A polícia e outros exploradores carregam o corpo de mais uma vítima do hospital Khovrino.
O primeiro andar está no subsolo e o porão repleto de água.

No momento em que Bill abre a porta do primeiro andar, é atingido por uma grande quantidade de terra.
Dá um salto para frente, tentando escapar da poeirada. Aterrissa em um monte de poeira. Tenta se levantar, mas bate com a cabeça no teto.

Ali a terra subia quase até o topo, impossibilitando Bill de abrir qualquer porta.

Assim, todas as esperanças do doutor se vão. Daniel só poderia estar ali...

Subitamente, ele encosta em algo firme sobre a terra. Puxa com força e leva um susto, se arrastando para trás.

Era um corpo.

Sente um calafrio e fecha os olhos, se negando a olhar a face do cadáver. E se fosse Daniel?

Enfim, cria coragem e visualiza o rosto de Duck, o amigo do filho. Seu corpo estava coberto de terra, as órbitas estavam vazias e a boca costurada com um fio preto.

Bill desvia o olhar.

Quando olha novamente, era apenas um corpo coberto de terra, a face normal.

Suspira de alívio.

Repentinamente, o doutor ouve um gemido. Era agudo e abafado, parecia vir de debaixo da terra.

É Daniel, tem que ser.

Tomado pela influência dos gemidos, Bill começa a cavar, sujando as mãos de terra, cavava como nunca, até finalmente encostar em algo duro.

Era outro corpo.

Não ousa observar o cadáver, apenas começa a cavar novamente.

Subitamente, Bill percebe que havia uma coisa rastejando na direção dele, ela sibilava e murmurava diversas coisas ao mesmo tempo, com uma voz áspera.

O doutor não ousa olhar para trás, ele cava, cava, cava, até enfim se deparar com um alçapão. A coisa estava ao seu alcance. Bill abre o alçapão. A coisa toca sua perna.

E sem hesitar, Dr. Thompson mergulha na escuridão.

A porta do alçapão se fecha e Bill desaba na água. A lanterna quase escorrega de sua mão, mas o doutor consegue segurá-la.

O primeiro andar está no subsolo e o porão repleto de água.

Bill estava no porão.

O doutor nada para cima, pensou que a água iria até o topo, mas havia um pequeno espaço para respirar, o ar vinha da greta na porta do alçapão.

Subitamente, algo toca seu calcanhar. Bill sente um calafrio, achando que era a coisa. Mas não era.
Era Daniel.

Ele coloca o rosto para cima, respirando ofegante.

- Filho!- exclama Bill- Oh, meus Deus! Daniel!

- Pai- o jovem murmura, a voz estava rouca e cansada- Achei que nunca viria.

- Estou aqui, filho- Bill diz, abraçando o filho- Precisamos sair daqui.

Foto real de adolescentes russos no interior do hospital Khovrino
Com uma forte pancada dos dois, a porta do alçapão se abre.

Um punhado de terra desaba sobre eles, mas Bill consegue subir e estende a mão para o filho.

A coisa não estava mais ali.

Após o filho subir, o doutor fecha o alçapão.

- Vamos embora.

Durante a subida para o segundo andar, Bill se vira par ao filho.

- E os seus outros amigos? - pergunta.

- Foram mortos- declara Daniel, com a voz fraca e infeliz- Alguma coisa pegou eles. Eu mergulhei na terra e encontrei o alçapão, fui o único que escapou.

- E por que vieram aqui?- pergunta Bill- Me disseram que estavam bêbados!

- Desculpe, pai- diz Daniel- Eles me instigaram, tive que beber. E quando passamos por aqui para ir ao hotel. Eu me lembro da sensação... Era como se o hospital nos chamasse. Um grande poder influenciador...
- Tudo bem, mas... - começa Bill, porém se interrompe no meio da frase.

Havia um ruído, como se algo se arrastasse na direção deles. Era um som tenebroso.

Subitamente, uma gargalhada rouca é ouvida e ecoa por todo o hospital.

- Vocês não sairão! - grita uma voz áspera, bem próxima deles- Vocês NUNCA sairão!

O som de algo se arrastando na direção deles para, e se altera para o som de passos rápidos, porém, desajeitados.

- Droga! - exclama Bill- Venha, filho, vamos sair daqui!

Eles abrem a porta para o corredor e saem correndo, quando alcança a escada para subir até o terceiro andar, Daniel escorrega e cai na direção do fosso no elevador. O jovem chega a desabar, mas Bill agarra a mão do filho com a sua esquerda.

A direita segurava a parede, mas os dedos estavam escorregando e estava quase se soltando. A coisa gargalha outra vez, ainda mais próxima.

Bill puxa o filho e os dois desabam no chão, arfando.

Se levantam rapidamente e recomeçam a corrida. Sobem as escadas aceleradamente, desviando dos degraus soltos. Enfim, alcançam o terceiro andar, os passos das coisas subindo as escadas, quase ao alcance dos dois.

Correm até a porta de saída, que havia se fechado.

Bill gira a maçaneta, e sai.

Olha ao redor, esperando ver o brilho do sol ou da lua, o pátio do hospital e as viaturas policiais. Mas estava novamente no centro do corredor do terceiro andar com o filho.

Bill e Daniel se entreolham, sem entender nada.

A coisa estava muito próxima deles.

Correm novamente até a porta de saída, giram a maçaneta e saem.

E estavam novamente no centro do corredor do terceiro andar.

A coisa chega ao corredor e se arrasta até eles. Bill não se atreve encará-la. Avança novamente até a porta de saída com o filho, saem, mas voltavam ao mesmo lugar.

- Mas o que...

E então, Bill entende. Estavam presos no hospital. No momento em que alguém passa pela porta de entrada, pertencem ao local.

O solo onde o Hospital Khovrino fora construído não era frágil, na verdade tinha um poder descomunal, era a passagem para um mundo paralelo. Por isso o hospital é sugado pouco a pouco, e levando com ele todas as vítimas... Todos que entraram nesse mundo paralelo...

Enfim, a coisa coloca a mão no ombro do doutor.

-Quem entra jamais sai - diz a coisa.

FIM

Conto escrito e gentilmente enviado para publicação no AssombradO.com.br pelo leitor assombrado Arthur Cerqueira

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