17 de setembro de 2013

Anneliese Michel: O Caso que Inspirou o Filme "O Exorcismo de Emily Rose"

No final tem um vídeo que fiz sobre o assunto...

Os padres Ernest Alt e Arnold Renz tinham uma dolorosa e necessária missão a cumprir. Talvez a simples fé no Cristo não fosse suficiente para levar a cabo a empreitada. Os padres sabiam muito bem que teriam de ser fortes. E extremamente corajosos. Doravante, era o inimigo do Altíssimo que teriam de enfrentar e combater.

Anneliese Michel  tinha visões assustadoras de faces demoníacas enquanto, ajoelhada, dedicava uma prece ao Senhor. Vozes invadiam os seus ouvidos com promessas terríveis: a jovem, distante de qualquer possibilidade de Salvação em Cristo, queimaria eternamente no Inferno. Crises de depressões sucediam-se, já que Anneliese, embora profundamente católica, via crescer em si uma insuportável intolerância a locais e objetos sagrados.

A jovem alemã Anneliese, uma bela moça,
que vai sofrer uma transformação
surpreendente e gravar seu nome na
história.
O que era uma simples conjectura tornou-se, para os pais daquela jovem de apenas vinte e três anos, uma convicção inabalável: a filha estava possuída por forças sobrenaturais malignas.

Anneliese nascera em 1952, na Baviera, recanto alemão de arraigada tradição católica. Por volta dos dezesseis  anos, desencadeou-se em Anneliese uma torrente de sintomas que, ao menos na aparência, sugeriam problemas mentais. A Clínica Psiquiátrica de Würzburg chegou a um diagnóstico: Anneliese padecia de epilepsia associada à esquizofrenia. Inciou-se um tratamento intensivo, que durou um ano. Supostamente  recuperada, Anneliese  completou o segundo grau. Posteriormente, ingressou na Universidade de Würzburg,  iniciando o curso de Pedagogia.

Mas os estudos foram interrompidos. As vozes e visões demoníacas se tornaram cada vez mais constantes e opressoras. Anneliese assumira  um comportamento agressivo. Consta que a moça “insultava, espancava e mordia os outros membros da família, além de dormir sempre no chão e se alimentar com moscas e aranhas, chegando a beber da própria urina. Anneliese podia ser ouvida gritando por horas em sua casa, enquanto quebrava crucifixos, destruía imagens de Jesus Cristo e lançava rosários para longe de si. Ela também cometia atos de auto-mutilação, tirava suas roupas e urinava pela casa com freqüência(1).

Padre Arnold Renz e o Pastor Ernst Alt 
Frustrado o tratamento psiquiátrico, os pais de Anneliese buscaram o auxílio da Igreja. O padre Ernest Alt acompanhou o caso. Em 1974, ele chegou à conclusão de que havia indícios veementes de possessão demoníaca,  o que requereria  a realização de exorcismo. Mas somente em setembro do ano seguinte o bispo de Wüzburg autorizou o ritual, conforme os procedimentos previstos no Rituale Romano.

Ao longo de 67 seções, que se prolongaram por longos nove meses, realizadas uma ou duas vezes por semana, os padres Ernest e Arnold pelejaram contra entidades que assumiam a identidade de Lúcifer, Caim, Judas, Nero, Adolf Hitler e Fleischmann, um bruxo do século XVI. Durante as sessões, Anneliese, muitas vezes, “tinha que ser segurada por até três homens ou, em algumas ocasiões, acorrentada(2). Argumenta-se que ela “lesionou seriamente os joelhos em virtude das genuflexões compulsivas que realizava durante o exorcismo, aproximadamente quatrocentas em cada sessão(3).

Anneliese ficou em um estado lastimável depois de tantos exorcismos. Curiosamente, ela tinha muita força física e até 3 homens eram necessários para segurá-la!
Durante 10 meses ela foi exorcizada toda semana, num total de 67 sessões.

Durante os exorcismos efetuados pelos padres, eles deixavam gravadores de som ligados para registrar os eventos. O vídeo abaixo mostra durante 10 minutos a luta dos padres contra os demônios que possuíam Anneliese. A voz dela é grave e a forma de falar agressiva. Ouça e prepare-se para ficar com um pouquinho de medo :) Tá sem coragem, então ouça só 10 segundos. Para se aprofundar, neste canal do Youtube tem 9 partes com 10 minutos cada, que estão traduzidas do alemão para o inglês.



Anneliese teria relatado  um sonho místico no qual  dialogara com a Virgem Maria. A mãe de Jesus teria proposto, à jovem,  a seguinte escolha: liberar-se, em proveito próprio, do terrível jugo demoníaco, ou continuar imersa no doloroso martírio, mas em nome da fé cristã. A segunda alternativa seduziu a jovem estudante: ela seria um exemplo público de que os demônios existem e de que exercem os seus nefandos poderes no plano terrestre. Argumenta-se que “Anneliese optou pelo martírio voluntário, alegando que seu exemplo enquanto possessa serviria de aviso a toda a humanidade de que o demônio existe e que nos ronda a todos, e que trabalhar pela própria salvação deve ser uma meta sempre presente. Ela afirmava que muitas pessoas diziam que Deus está morto, que haviam perdido a fé, então ela, com seu exemplo, lhes mostraria que o demônio age, e independe da fé das pessoas para isso.” (4) A autópsia considerou o seu estado avançado de desnutrição e desidratação como a causa de sua morte por falência múltipla dos órgãos. Nesse dia o seu corpo pesava pouco mais de trinta quilos.” (5)

Anneliese predissera quando se daria a sua libertação: 1 de julho de 1976. Consta que, à meia-noite, os demônios finamente abandonaram o corpo da estudante, deixando-a em paz e livre das convulsões impingidas durante tantos anos. Exausta, Anneliese adormeceu. E teve, em seqüência, uma morte tranquila. Era o fim de um insuportável suplício.

Túmulo de Anneliese no cemitério Klingenberg, Alemanha. Ela foi enterrada ao lado de sua irmã ilegítima Martha nas bordas do cemitério. Esta área é normalmente reservado para as crianças ilegítimas e suicídios (telegraph.co.uk).

Segundo Elbson do Carmo, após a morte de Anneliese, “seus pais foram indiciados por homicídio culposo e omissão de socorro, e os dois padres exorcistas Ernst Alt e Arnold Renz sofreram as mesmas acusações. Os dois padres foram condenados a seis meses de prisão.” (6)  Registra o mesmo autor que esse fato “chocou a opinião pública alemã, gerando uma enorme polêmica em toda a Europa, que incluiu a Igreja, os meios acadêmicos e a justiça em torno da mesma discussão” (7).

A história de Anneliese deu origem a dois filmes, “Requiem” –  produção alemã – e “O Exorcismo de Emily Rose” – produção norte-americana dirigida por Scott Derrickson. (Clique nos títulos para assisti-los)

Famosa cena do filme "O Exorcismo de Emily Rose", onde a atriz  Jennifer Carpenter interpreta Anneliese Michel
Anneliese Michel é, certamente, um dos mais bem documentados casos de distúrbios de comportamento ao qual se atribui  a ação opressora e letal  de forças malignas incidente sobre a frágil psique humana. E, a considerar o incontestável rigor que antecede a qualquer autorização da  Igreja Católica para a prática do Rituale Romano, não se pode pôr em dúvida a materialidade do excêntrico e destrutivo calvário, ou as implicações  místicas que acompanharam o longo sofrimento da estudante de Wüzburg. Mas se, de fato, possessão houve, isto compõe uma insondável silhueta que, por se situar  no campo metafísico, escapa a qualquer possibilidade de juízo conclusivo.

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NOTAS:
(1) a (5)  http://www.geocities.com/apostolvs/AVISO.htm (não disponível mais)
(6) e  (7)  Carmo, Elbson do. “O Exorcismo de Emily Rose – Crítica do Filme” (não disponível mais)

Fontes (Acessadas em 17/09/2013):
- Sobrenatural.Org: Annelises Michel, um caso de possessão demoníaca
Chasing the Frog: The Exorcism of Emily Rose (2005)

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