15 de agosto de 2013

Cruz do Patrão: O Monumento Mais Assombrado de Pernambuco

A muito anos conta-se em Pernambuco a Lenda da Cruz do Patrão. Um monumento histórico datado do século XVIII que servia como baliza para navios no extinto istmo entre Recife e Olinda. O monumento consiste em uma coluna negra e no seu topo uma cruz. Hoje como não existe mais o istmo, a Cruz fica situada a beira do Cais de Recife.

Até hoje o imaginário popular fala muito sobre os estranhos fatos que supostamente aconteceram a beira da Cruz do Patrão. Sabe-se que verdadeiramente na época da escravidão, os negros escravos que desembarcavam no Brasil, mas precisamente em PE, usavam a Cruz para realizar seus rituais em pró de entidades de Umbanda, magia negra, vudu e etc. Os escravos sentiam a energia poderosa que emanava do lugar.

Nada conta-se de positivo sobre a construção da Cruz do Patrão, mas sabe-se que ela já existia em 1816. Em uma das escavações realizadas no lugar, se descobriu um cemitério clandestino, aonde os donos de navios negreiros enterravam  seus mortos, bem abaixo da Cruz, o que fortalece muito a ideia que os espíritos raivosos dos negros assassinados, ainda habitam a área da Cruz, aterrorizando aqueles desavisados que passam próximo a o monumento. Fora que os militares que eram condenados ao fuzilamento eram todos executados lá, logo abaixo da Cruz.

Um dos maiores escritores do Brasil, Gilberto Freire traduziu assim a Cruz do Patrão no seu livro Assombrações do Recife Velho:

Crédito da foto: João Paulo Leite Cocri da Costa
"Diz que na época colonial, no local onde hoje se encontra a Cruz, os negros se reuniam para fazer catimbó e que certa vez apareceu o diabo, pegou uma "negra de toutiço gordo e sumiu com ela no meio d´água. Tudo isso, entre estouros e no meio de muita catinga de enxofre".

Mas sabe-se que o relato que deu origem a esse comentário está registrado até hoje nos casos contados pelos antigos e nos papeis amarelados das Bibliotecas públicas do estado é que:

"Por muito tempo, foi crença que todo aquele que passasse de noite por perto dela ouviria gemidos angustiosos, veria almas penadas ou seria perseguido por infernais espíritos. Circunstâncias acidentais davam autoridade a estas crenças de remotas eras. Mais de uma vidente, passando por ali em horas mortas, encontrará o termo de seus dias. O sitio é de seu natural deserto e como próprio para se cometerem violências e atrocidades. De um lado corre o rio profundo nas marés vivas, do outro raiva bramindo e espadanando ondas o oceano, túmulo insondável e medonho, o istmo é estreito, longo e ermo. Fácil sepultura pode abrir na areia frouxa, nas águas mansas do Beberibe, ou nas ondas cruzadas do Atlântico a mão amestrada a ocultar as vitimas do punhal que ela brande."

"O que mais particularizou, porém, a Cruz do Patrão foram tradições de espíritos infernais, bruxarias e outras quejandas. Dizia-se que os feiticeiros iam celebrar os seus sortilégios em noite de São João, que eles escolhiam para iniciar nos asquerosos mistérios os neófitos. Aparecia o diabo e fazia coisas de arrepiar o cabelo. Foi por uma dessas ocasiões que teve existência a presente lenda: Estava celebrando a sua sessão anual o Congresso dos negros feiticeiros do Recife. Cada um deles tinha na mão um cacho de flores de arruda. O povo diz que em noite de São João esta planta da flores, as quais são logo arrebatadas pelos feiticeiros para as suas bruxarias. A meia noite começou a choréa dos mandigueiros.

Tripudiavam estes à roda da Cruz, rezando orações de tenebrosa virtude. O rei das trevas não se fez esperar por muito tempo. Tinha a forma de um animal desconhecido. Era preto como carvão. Os olhos acessos despediam chispas azuis. Brasas vivas caiam-lhe da boca encarnada e ameaçadora. Pela garganta se viam as entranhas, onde o fogo ardia. A visão horripilante a todos metia horror.
Entre os que tinham ido tomar mandinga  achava-se uma negra de grosso toutiço e largas ancas que lhe davam a forma da tanajura. Foi a primeira vez que passou pelas duras provas.

O animal informe atirou-se a ela por entre uma chuva de faíscas abrasadoras, ela porém, deitou-se a correr pelo istmo a fora, como si tivesse perdido a razão. Quando pensava que havia escapado a provocação cruel, tomou-lhe a dianteira o animal cada vez mais ameaçador e terrível. Levada pelo desespero do que via e sentia em redor de si, a negra correu ao mar para atirar-se nas águas gemedoras. O mar mostrava-se mais medonho que o demônio solto, e as suas vozes puseram no coração dela mais pavor do que as dos feiticeiros, que tripudiavam a roda da Cruz, em sua infernal choréa. Retrocedeu mais horrorizada que antes. Tenho dado de rosto com o inimigo pela vigésima vez, correu ao rio que volvia as águas tão de manso, que parecia adormecido. Meteu-se por elas a dentro, para escapar à terrível perseguição.

Enganado pela vista dos mangues, o demônio atirou-se após a fugitiva, julgando entrar em uma floresta. Assim, porém, que o seu corpo ígneo se pois em contato com as águas frias, súbita explosão destruiu a furiosa alimária  O estampido ribombou como descarga elétrica. Nuvem de fumo espesso, que tresandou a enxofre, cobriu a face de Beberibe.

No outro dia, na baixa mar, apareceu no lugar onde a negra se tinha afundado, não o seu corpo, mas a coroa preta, que indicou dali por diante aos feiticeiros a vingança do espirito das trevas."

Crédito da foto: João Paulo Leite Cocri da Costa
Tendo em vista todos esses casos, a Cruz do Patrão tornou-se o monumento mais assombrado de Pernambuco e um dos maiores do Brasil.  Talvez hoje, com o istmo quase abandonado, pois o acesso é inviável, eu mesmo para chegar até a Cruz e registrá-la em fotos, tive que chegar a pé, pois de carro havia riscos. A Cruz não exerce o mesmo medo, mas sinceramente, eu não arrisco andar perto da Cruz a noite e você... arriscaria?

Texto gentilmente enviado por João Paulo Leite Cocri da Costa de Recife-PE

Fontes:
- Governo do Recife
- Fundação Joaquim Nabuco: Cruz do Patrão
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