16 de agosto de 2013

A Mulher do Hospital

Quando meu filho tinha 10 anos, sofreu um acidente com arma de caça. Essas idiotices que fazemos e só depois nos damos conta. Meu marido comprou de um colega de serviço uma arma de caça de colecionador, por estar apertado de dinheiro, pagou uma bagatela. Logo alguém deu a ideia de fazer uma caçada em nosso sítio. Na verdade ele comprou pelo investimento, pois gostamos de animais e principalmente os meninos cuidavam com zelo de todos, inclusive não passávamos debaixo de árvore nem colhíamos bergamotas onde sabíamos que haviam ninhos, para não incomodar os passarinhos. Sem entenderem nada sobre armas, compraram munição, carregaram os cartuchos e  foram 5 homens e meu filho que se preparou a semana toda com a excitação da aventura. Pelo que sei, ao chegarem mal desceram do carro e meu marido deu um tiro em algum pássaro, errou e foram arrumar um lanche. Meu filho sentado na porta da cozinha viu um pássaro numa árvore e pediu se podia atirar. Meu irmão disse que devia pedir ao pai que distraído conversando só ouviu na terceira que o guri pediu, e então disse "sim"... Com o 1º tiro a arma havia ficado entupida e ao dar o segundo o cartucho sai pela culatra entrando na testa do menino. Isso aconteceu às 8 da manhã... Fui avisada eram 5 da tarde, ele já estava a caminho do HPS de Porto Alegre onde foi operado.

Ao chegar lá um médico colocou várias folhas na minha frente e disse "leia e assine mãe, porque vamos operar, mas ele provavelmente vai morrer" disse assim, direto. Eu não pensava com clareza nem falava coisa com coisa. Pedi água e me deram. Olhei e não via as letras. Muitas radiografias junto com os papeis. Só sei que assinei e pedi para vê-lo. Não podia porque já estava sendo preparado. Implorei e me levaram numa salinha onde 2 enfermeiras raspavam seu cabelo. A visão não podia ser pior. Meu menino com aquilo grudado na testa, sangue, ele choramingava. Falei "a mãe tá aqui... Doi?", ele disse que não, mas não queria que lhe cortassem o cabelo. Fui  tirada dali pelo médico. Meu marido estava abalado demais, pediram que inventássemos alguma coisa  pra ele se ocupar enquanto durasse a operação. Pedi que fosse buscar uma amiga minha e fiquei por quase 4 horas sentada sozinha  no corredor. Não havia mais ninguém. Ninguém entrava nem saia daquela porta. Depois saiu o médico e disse que a cirurgia foi bem, que havia muito cabelo, pedaços de ossos e do boné no cérebro e por isso havia perdido muita massa encefálica. Alguém sem a parte frontal do cérebro estar viva era coisa que eu não imaginava. Depois vim a saber como esses médicos, por vezes grosseiros, estúpidos, apressados, cansados são maravilhosos anjos.

Passei a noite sentada ali. Meu marido sendo 'ocupado' por amigos ficava indo de um lugar para o outro. Ao amanhecer uma senhora  empurrando um daqueles carrinhos de servir comida aos pacientes  sai de lá e me fala "você é a mãe do menino? Sou a mãe da Dra. (não lembro o nome, por Deus). Ele vai ficar bem". Ela não perguntou, ela afirmou. Perguntei se tinha visto ele, como ele estava... Ela  continuou andando, empurrando o carrinho e falando "vocês estão fazendo uma coisa muito errada e devem mudar isso antes que aconteçam coisas piores. Eu fiz uma promessa a Nossa Senhora da Cabeça, se você não pagar eu terei que pagar. Quando ele sair daqui, levá-lo à igreja Navegantes, ir de joelhos até o altar, acender velas e rezar"... Foi indo pelo corredor até onde ele dobrava e fiquei parada pensando "que coisa doida! Nunca ouvi falar dessa santa... aliás, pensei, que véia maluca, mãe de médica, trabalhando de servente e fazendo promessas pros outros pagarem''...

Quatro dias depois ele estava no quarto, praticamente normal. Mais uma semana e teve alta. Fiquei um ano fazendo consultas de revisão e um dia, aproveitando o pouco movimento no hospital, perguntei a 2 moças do guichê sobre a velhinha do chá, pois gostaria de agradecer à ela e dizer que havia pago sua promessa. Uma delas disse "tem muitas serventes aqui"... Eu falei "ela disse que é mãe da Dra.(......). Ela abaixou a cabeça e começou a escrever enquanto dizia "ela trabalhava aqui quando a filha estudava medicina há mais de 10 anos e morreu quando uma caldeira de água fervente virou sobre ela'' e a outra nem me olhou, apenas disse "aqui acontecem muitas coisas que não queira nem saber". Saí dali meio em transe. Não tinha entendido mesmo como ela saiu pela porta sem antes entrar se não havia outra porta...

Relato enviado por Antônia Lemos
Fonte: Sobrenatural.Org

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