26 de julho de 2013

Voz do meu Irmão Acidentado



Era por volta de dezembro de 1999, eu tinha 12 anos. O meu irmão tinha acabado de voltar para casa. Ele havia morado com uma garota muito ruim, ela o levou a fazer muitas loucuras na vida, acabou deixando de estudar, ajudava a mãe da menina e não ajudava a nossa família. Ele acabou engravidando ela e passaram a viver em casa, mas a menina acabou perdendo o filho e em cerca de um mês eles foram embora de casa, por pressão dela, passou um mês, meu irmão ligou em casa e avisou que voltaria para casa. Ele nunca nos explicou os motivos.

Ele ainda estava meio mal e brigava muito comigo e com a minha irmã. Ele costumava me bater e eu tinha muito ódio disso e desejava que ele morresse (sem medir as conseqüências, coisa de criança). Na época ele andava de bicicleta, chegava a rodar 80km por dia. Eu dizia, "tomara que você morra em um acidente de bicicleta", todas as vezes que ele me batia.

Alguns meses se passaram, e eu via vultos escuros em casa, parados na cozinha, em frente ao meu irmão. Eu via todos os dias, não importava o horário, no começo achei estranho, achava que aquilo era da minha imaginação.

Um dia, eu estava olhando para a cozinha e vi o vulto parado, a minha irmã saiu do quarto e parou em frente à cozinha, ela olhava para o vulto também, nisso eu olhei para ela e me disse em voz baixa "Você está vendo?" eu acenei com a cabeça que sim.

Desse dia em diante, passamos a ver quase todos os dias o mesmo vulto negro e sem rosto, parado no escuro ou correndo entre a sala, passando na frente do meu irmão. Ele não o via.

No mês de março, nós estávamos capinando ao redor do prédio, ele trabalhou esse dia inteiro. Curiosamente ele achou uma cobra e capturou a colocando em um pote de vidro, a deixou na frente de casa e foi andar de bicicleta, era umas 3 da tarde e ele ainda voltaria para comemorar o aniversário de uma vizinha que ocorreria às 18 horas.

Quando deu 6 da tarde, eu o ouvi nitidamente o meu irmão me chamar em voz alta "Felipe!!". Eu numa reação automática, peguei a chave do portão para jogar para ele, que costumava esquecer sempre. Eu saí nas duas janelas e o chamei, ele não apareceu.

Quando foi de noite, a minha mãe e eu estávamos muito preocupados. Mesmo assim nós dormimos. De manhã a minha mãe entra no quarto, dizendo que estava indo ao Hospital das Clínicas de São Paulo, reconhecer um ciclista acidentado, que estava em coma lá. Minha mãe, havia passado das cinco da manhã às 6:30 ligando para hospitais e IML em busca dele.

Era ele mesmo, ele estava internado em estado grave, entre a vida e a morte, no hospital. Ele havia batido na traseira de um carro, há cerca de 60km/h, sem capacete. As testemunhas dizem que uma picape saiu de uma rua, sem dar seta e ele a atingiu em cheio. Ainda as testemunhas falaram que os impactos cerebrais dele fizeram que as pernas e o corpo dele estavam rígidos e se debatiam muito.

Ele teve este acidente no Alto da Lapa, sendo que nós moramos na Estrada de Itapecerica. O ACIDENTE OCORREU ÀS 6 DA TARDE, o mesmo horário que eu ouvi ele me chamar.

Depois que a minha mãe voltou, ela falou do estado dele e eu tive o MAIOR REMORSO desse mundo, nunca tive um sentimento tão ruim quanto esse.

Ele ficou lá 4 dias em coma e mais 1 mês internado, nessa época minha mãe ia visitar ele todos os dias e dava água para ele, pois ele pedia. Ela o salvou da morte pois as enfermeiras não faziam esse esforço. Ele passou cerca de 4 meses incapaz de raciocinar direito. Dizendo coisas sem sentido.

AINDA QUANDO ELE ESTAVA INTERNADO, MINHA MÃE DEIXOU SOBRE A CÔMODA A BÍBLIA ABERTA E COM VELAS VERDES ACESSAS. NUMA DAS VISITAS, ELE PEDIU QUE ELA LESSE O SALMO 110. ELE AINDA FALAVA DE LUZES VERDES. MINHA MÃE AO CHEGAR EM CASA VIU QUE A BÍBLIA ESTAVA ABERTA EXATAMENTE NO SALMO 110.

Esta época de visitas foi a mais difícil para a gente, minha mãe não tinha dinheiro e tinha que passar por debaixo da catraca para visitar meu irmão.

Os médicos dizem que foi um milagre ele ter sobrevivido. Nós achamos o mesmo. Eu nunca mais vou esquecer da imagem do meu irmão num estado deplorável como aquele.

Ele teve 1 ano e meio de recuperação, perdeu o movimento de uma das mãos e demorou 3 anos para que ele ficasse empregado novamente.

MEU MAIOR CONSELHO A VOCÊS: NÃO SINTAM ÓDIO DE UM PARENTE OU DESEJEM QUE ALGO RUIM ACONTEÇA. REMORSO É O PIOR SENTIMENTO QUE VOCÊS PODEM TER.

Relato enviado por Fe.
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