11 de julho de 2013

Minha História Assombrada: O Porco

Por Martins

Esse relato que vou contar aconteceu com minha avó, quando ela tinha entre 18 e 22 anos no interior do Nordeste, morava em uma casa no meio do campo, distante de outras casas e com cercas, roças e árvores espalhadas por todo lugar, não havia luz elétrica, era tudo na base do candeeiro, motivo pelo qual muitas histórias nasceram seja pelas sombras ou pelo visual sobrenatural que pairava à luz da chama.

As noites costumavam ser bem iluminadas pela luz da Lua. Em algumas noites era até possível enxergar uma pessoa vindo pela estrada lá de longe, não era à toa que meu avô chamava a luz noturna de Sol Azul.

Esse relato aconteceu em uma noite dessas. Estava tudo tranqüilo, era mais ou menos 11 horas da noite e como de costume, o irmão de minha avó ouvia rádio sentado em uma cadeira de balanço na varanda. Ficava ali até meia-noite, quando cansava, desligava o rádio, chamava o cachorro para deitar na porta e ia dormir. Ainda não tinha cansado, estava concentrado ouvindo as músicas da época e as notícias, quando seu cachorro se levanta, fica todo arrepiado, e late umas três ou quatro vezes... E lá na estrada, uns 100 metros de distância, um animal preto, grande e parado, sentado,  olhando em sua direção. Um arrepio percorreu sua espinha. Nunca havia sentido medo por nenhum tipo de animal, mas sabia que aquela reação não era normal. Desligou o rádio, pegou o cachorro e entrou pra dentro de casa. Deitou e ficou certo tempo sem dormir. O cachorro estava no canto da parede e o animal lá de fora não saia de sua cabeça, ele tinha que ir ver esse bicho, não ia conseguir dormir sem antes saber que animal era aquele. Se levantou, o cachorro continuou deitado no canto da parede, foi até a entrada da casa e pelas frestas da janela da sala olhou em direção à estrada... o animal já não estava mais lá, deu uma olhada panorâmica e nada... Tinha ido embora, mas quando baixou a vista ele estava na varanda, sentado, olhando diretamente em seus olhos, era um porco, não demonstrou nenhuma reação, apenas olhava e isso foi o bastante para ele voltar para sua cama e tremer.

No dia seguinte, comentou com sua mãe e irmã sobre o animal. Sua mãe disse que aquilo podia ser um porco comum... como qualquer outro, que fugiu do chiqueiro e estava perambulando pela noite; Não era normal, mas pode acontecer. Já minha avó ficou com medo do que ele havia dito pois sempre teve medo “dessas coisas”, como ela mesmo fala. O tempo passou, aquela noite foi de certa forma esquecida e a vida continuou normal. Seu irmão novamente voltou à varanda como se nada tivesse acontecido, e a brisa noturna tranqüila pairava ao som de sua cadeira de balanço e seu rádio de pilha.

Minha Avó acordou com vontade de ir ao banheiro, levantou-se e conseguiu ouvir o som do rádio vindo da varanda, passou pela cozinha, abriu a porta que dava para o fundo da casa e foi ao banheiro (o banheiro ficava no terreiro, do lado de fora da casa), estava sentada, pensando na vida e a lua iluminava tudo do lado de fora. Com um barulho muito forte, ela ouve a porta da varanda batendo e o barulho de seu irmão correndo dentro de casa desesperado, ela se levanta, rapidamente se veste e fica quietinha, olhando pela brecha da porta qual era o motivo de tanta agitação. Era um porco, rodeando a casa, um porco enorme, preto e seus olhos brilhavam como os de gato à noite, rodeava a casa correndo, arranhava as portas, ficava com o focinho tentando cheirar por debaixo da porta da cozinha. Minha avó com muito medo percebeu que aquele animal estava furioso com alguma coisa. De repente o porco sai de perto da porta e vira a cabeça para o banheiro, nesse momento minha avó fecha a porta rapidamente e percebe através da sombra por baixo dela  que ele está ali e de repente começa a arranhar a porta e grunhir desesperadamente, fungando e gritando, ela começa a chorar e corre para o canto, fica ali encolhida enquanto o porco passa as unhas na madeira, de repente tudo se acalma. Minha avó, curiosa, vai para a janela e vê o porco parado no meio do terreiro, iluminado pela luz da Lua, respirando muito, cansado, parecia que estava pensando. Como se tivesse sentido uma contorção interna, o animal se deita na areia do terreiro e começa a se espojar, girando de um lado para o outro fazendo muita poeira, gritava, parecia que estava com raiva ou possuído por alguma força, parava por alguns instantes e começava tudo outra vez, como se estivesse sentindo muita dor e gritando desesperado, parecia que estava tomado pelo ódio; Silêncio novamente.

Alguns minutos depois seu irmão aparece chamando-a  para dentro. Minha avó sai de dentro do banheiro e volta para dentro de casa. O porco tinha sumido. Lá dentro sua mãe explica o que aconteceu: “Certo tempo atrás, uma mãe sofria muito com seus filhos. Eram desobedientes, não à respeitavam e mentiam muito. Certo dia, pediu para um deles levar o almoço de seu pai na roça, arrumou a marmita e pediu para levar rápido, pois podia esfriar, seu filho pegou a marmita e no caminho da roça comeu a carne de frango que havia no prato, deixando apenas os ossos. Quando seu pai recebeu aquilo, perguntou o que significava e o garoto respondeu que viu sua mãe comendo a carne e deixando só os ossos para ele, injuriado o pai voltou para casa e bateu em sua esposa, que adoeceu e de cama praguejou contra seu filho, disse que mesmo um dia chegando a perdoá-lo, ele ia ter que pagar tudo o que fez pra ela, da forma que merecesse, pois nem um porco merece ser tratado desse jeito... E a partir desse dia, uma vez por mês, as 3 da manhã ele vira um porco e sai desesperado atrás de alguém que reze uma oração para ele poder ser perdoado”.

Podia ser aquele porco, ou não... Minha avó disse que ele nunca mais apareceu e eu ainda me arrepio, ouvindo essa história.
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