sexta-feira, julho 26

Diana e a Oração da Cabra Preta

...Fulano, dinheiro na tua e na minha mão na há de faltar, com sede tu nem eu haveremos de acabar, de tiro e faca tu nem eu há de pegar, meus inimigos não hão de me enxergar. A luta vencerei com a oração da Cabra Preta milagrosa. Fulano, com dois eu te vejo, com três eu te prendo com Caifaz, Satanás, Ferrabraz... 

Terminada a oração, em voz alta, Diana riu debochadamente, bebendo em seguida seu suposto copo d’água e como se nada tivesse acontecido anteriormente voltou a conversar via MSN.

Tudo estava normal mais uma vez havia provado para si mesma e breve provaria para outrem que esse papo de oração do capeta era tudo bobagem.

Seguia sua noite normalmente como em todas as outras, tudo parecia trivial como em noites anteriores, exceto por uma sensação estranha que de súbito tomou conta dos cinco sentidos de Diana. Sentiu uma ventilação estranha, como se um inseto voasse pelo quarto, um farfalhar estranho tomou conta do ar em sua costa, aquela sensação estranha só parou quando aquele farfalhar pareceu pousar sobre sua cama, que ficava alguns metros de onde estava. Diana sentiu medo, não queria virar-se e ser tomada de assalto por uma visão aterradora.

Aquela sensação terrível tomou conta de Diana, ela tinha certeza que havia mais alguém em seu quarto, podia sentir o peso do olhar de uma pessoa sobre suas costas, e essa certeza de que havia alguém ou algo em sua cama lhe trazia um pavor incrível. Evitava ao máximo olhar para trás onde estava a cama, porem aquela sensação anterior havia cessado, entretanto o medo permanecia. Tentava distrair-se lendo os recados das amigas na tela do computador, mas seu medo parecia ter açambarcado todos seus sentidos, fazendo com que Diana não se concentrasse em uma simples linha de seus recados.

Suas pernas estavam geladas, o corpo parecia tremer, sentia uma espécie de pressão no pescoço deixando-o tenso e pesado; sentia um frio percorrer a nuca, uma sensação semelhante a de passar a ponta dos dedos no céu da boca.

Mesmo com o medo descompassando o coração; Diana resolveu olhar para cama... virou-se lentamente e nela apenas viu refletida a imagem de sua fértil imaginação: Nada havia. Voltou a conversar com a amiga Bruna via MSN, - como era tola em se deixar levar pelo medo, sentia-se uma criança de cinco anos. Olhou novamente em direção a cama, para mostrar a si mesma quão grande fora sua infantilidade e  neste momento teve a visão mais aterradora de toda sua vida... Na parte debaixo da cama havia uma imagem horrível. Havia o rosto monstruoso e deformado de uma criança, a pele de sua face parecia estar apodrecida, seus olhos vermelhos e sem forma estavam mergulhados nos seus. Uma sensação angustiante tomou conta de Diana; sentia medo e nojo daquele ser. Começou a tremer e chorar em desespero, nunca sentiu tanto medo em toda sua vida, aquele corpo putrefato arrastava-se na direção dela, o quarto inteiro emitia um zunido estranho, no ar havia um miasma sepulcral, aquele cheiro podre parecia penetrar na pele de Diana.

Neste momento de forma inesperada aquela visão diabólica moveu-se numa velocidade incrível e prostrou-se sob os pés de Diana e em seguida aquele corpo fétido cravou os dentes em sua perna... Ela pode sentir sua boca gelada e apodrecida tocar-lhe a pele.

Diana desandou a chorar e gritar, porém ao olhar novamente para suas pernas percebeu que nela não havia ninguém.

Sua mãe entrou em seu quarto e tentou acalma-la, perguntava o que estava havendo e porque ela estava gritando daquela forma, mas ela nada conseguia dizer, apenas balbuciava alguns sons desconexos. Neste momento ao olhar atrás de sua mãe ela viu um homem parado bem próximo as duas... Seu rosto não existia, sua face nada mais era do que uma mistura de carne apodrecida e sangue; uma massa sem forma, novamente aquele fedor inebriante tomou conta do ambiente.

Diana tentava falar, alertar a mãe, mas seu choro de tão desesperado travava sua respiração, ela apenas soluçava. Ela gritava tentava empurrar a mãe; queria sair dali de qualquer forma, mas a mãe a segurava, parecia não  notar o perigo iminente. O homem estendeu as mãos e começou a toca em Diana... Suas mãos eram parecidas as de um leproso, aquela sensação imunda tomou conta de Diana, sentia aquele misto de carne e gosma tocar sua pele, as mãos apesar de podres e disformes conseguiam ferir Diana, que podia sentir o homem arranhar seus braços, estava ficando toda machucada.  Sua garganta doía tamanha era força de seus gritos. Neste momento o mundo pareceu escurecer, sentiu a cabeça gelar; como que mergulhada em água fria, sua visão escureceu e Diana desmaiou...

Passada algumas horas a mãe de Diana, com a ajuda de seu pai, ligou para emergência. Logo chegaram os médicos que tempos depois a diagnosticaram como maníaco-depressiva que em um de seus momentos de crise sofrera um surto psicótico.

Diana foi internada, mas nunca deixou de ser perseguida por seus demônios. Até hoje seus gritos ecoam pelos corredores de um manicômio...

FIM!

Conto de Terror enviado por André Oliveira

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