19 de junho de 2013

Toda Alma tem uma Segunda Chance

Por André Oliveira

Oliveira era um rapaz muito solitário e deprimido, sempre fora mal visto pelos amigos, e, nem mesmo seus irmãos gostavam de ficar junto a ele. Ele era o esquisito da família. Certa noite estava sozinho em casa, seus dois irmãos, Régis e Natália, haviam ido a uma festa, e como já era de costume, nem sequer o convidaram. Naquela noite Oliveira chorou amargamente, sentia uma tristeza profunda e já pensava em dar fim a sua vida. Já havia pensado muito nesta hipótese ultimamente, não entendia o porquê de ser tão rejeitado, o que havia de errado nele? E com lágrimas nos olhos adormeceu no sofá.

Acordou-se sobressaltado com o som da campainha. Não imaginava quem poderia ser às 3h da madrugada. Levantou-se e foi ver quem era - seriam seus irmãos que resolveram voltar mais cedo? - Olhou através do olho mágico e viu uma bela jovem de cabelos negros e profundos olhos azuis, mas o que fazia uma jovem tão linda perdida à uma hora daquelas? Mesmo sem abrir a porta perguntou quem era, e no átimo ela respondeu, quase que junto a sua pergunta. Tinha uma voz suave e doce, semelhante à voz de um anjo:

- Desculpa-me o incômodo, mas meu carro está com problemas e imaginei que pudesse me dar um auxílio, mas se não puder... tudo bem.

Quase que de imediato Oliveira abriu a porta e a convidou para entrar. Perguntou se ela estava com sede, mas ela disse que não. Então Oliveira prontificou-se de ir junto a ela ver o automóvel, mas ela recusou-se, disse que agora não. Perguntou se ela gostaria de usar o telefone, mas ela apenas disse que os dois precisavam conversar. E mesmo desconfiado daquela atitude ele a convidou para sentar no sofá. Ela sentou-se bem a sua frente e olhando fixamente em seus olhos perguntou:

- O que sentistes quando viu-me diante de sua porta?

Oliveira ficou sem ação, o que ela queria com este tipo de pergunta? Primeiro uma estranha lhe pede ajuda, e agora os dois conversam como se tivessem alguma intimidade um com o outro, estava confuso. Mas, mesmo achando aquilo muito estranho, Oliveira não costumava ser indelicado com as pessoas, e resolveu responder:

- Bem... eu primeiro pensei que eram meus irmãos... ladrão pode ser, mas então, na magia da janela... digo no olho mágico te vi precisando de ajuda... pra ser educação... digo... educado... ajudei.

Apesar de não entender nada do que Oliveira tentara dizer ela prosseguiu:

- Não falo disso, falo de quando viu meus olhos, o que sentiu?

Oliveira não sabia o que dizer. Estava confuso, não podia estar sendo assediado por aquela estranha, além do que ele nem era atraente. E aquela mulher, aquela mulher era um verdadeiro anjo. Mas mesmo estando confuso, mesmo imaginando que tudo aquilo era somente um sonho e que a qualquer momento acordaria, ele respondeu:

- Senti... senti... a...a-amor.

Não sabe o que passou em sua cabeça, mas aquela foi a primeira coisa que lhe veio em mente. Ela, sem desviar o olhar dele respondeu:

- Amor... até hoje não sei porque, mas acredito que agora conheço este sentimento... Amor. Terminei transformando o mais belo dos sentimentos em minha real maldição.

Oliveira viu que os olhos da moça começaram a ficar marejados, e não sabe como, mas começou a sentir um carinho intenso por ela, e em meio a seus devaneios ela prosseguiu.

- Minha historia é estranha, e não quero assustá-lo, mas não posso partir sem ao menos lhe pedir perdão ou dizer no mínimo adeus.

Oliveira continuava confuso, mas resolveu ouvir atentamente.

- Você já deve ter ouvido falar de alma gêmea. Deve achar tudo isso uma grande bobagem, ou só mero tema de novela, só que, assim como Deus criou Eva para ser a companheira eterna de Adão, ele também deu a cada uma de nossas almas o direito de dividir a vida terrena. E eu era a alma destinada a dividir esta vida contigo. Deus deu-nos a oportunidade de criarmos um mundo novo, ajudar pessoas e também de formarmos uma bela família, mas, não sei se felizmente ou infelizmente, ele também deu-nos o livre-arbítrio, e, muitas de nossas escolhas podem mudar o nosso real caminho...

Oliveira não estava entendendo nada. Seria aquela mulher uma religiosa fervorosa tentando converte-lo para alguma religião ou seita? Não sabia, mas ela prosseguiu:

- Há sete anos eu conheci um rapaz, por quem era perdidamente apaixonada. Tínhamos muitos planos juntos, sonhávamos com uma vida a dois, já tínhamos até o nome dos nossos filhos, mesmo antes deles existirem. Até que um dia, ele conheceu outra jovem, e, apaixonou-se por ela, terminando assim nossa linda relação. Nunca aceitei aquilo, ligava para ele todos os dias, onde eu os via dava crises de ciúmes e passava horas praguejando aquela relação. Enfim, deixei o ódio criar suas raízes em meu coração. Não suportava ser derrotada por uma qualquer. Houve um dia, que já muito deprimida, recebi a noticia que eles iriam se casar, e não suportando aquela revelação resolvi dar um fim a minha vida. A passagem foi cruel e dolorosa. O que sofremos ao suicidar-nos é indescritível, mas o pior de tudo foi descobrir a verdade, saber que ele estava destinado a ela, e eu, a você. Revoltei-me com aquilo, Deus estava enganado ao destiná-lo àquela outrazinha, mas, como não tinha mais jeito resolvi conhecê-lo, e pra minha surpresa, logo de cara, me apaixonei por ti. Vi que era a pessoa perfeita para mim. Tudo o que você fazia me encantava, e todas as suas qualidades eram o que eu sempre havia buscado em um homem. Apaixonei-me perdidamente por ti, e resolvi segui-lo, tirando do seu caminho toda e qualquer mulher que nele pudesse cruzar. Não gostava de ver você conversando com outros, nem mesmo seus irmãos, queria sempre ter você junto a mim, afastava qualquer um do seu caminho. Mas não era o suficiente, queria você a meu lado, então comecei a instigá-lo ao suicídio, já que não tinha mais tempo de passar para este lado, então resolvi trazê-lo para o meu. Até que um dia veio até mim o espírito de uma mulher e ela disse-me que eu não podia fazer você pagar por erros cometidos por mim, e que se eu realmente o amava então deveria deixa-lo livre. Demorou muito, para aceitar, mas entendi o real sentido de amar. Ela disse-me que já havia errado uma vez em não esperar, não podia errar novamente. Deus é a perfeição e sem dúvida nos daria outra oportunidade, onde poderíamos realizar tudo aquilo, que estávamos destinados... e... após muita reflexão resolvi deixa-lo ir. Apenas pedi permissão para que você pudesse ao menos, por uma ultima e única vez, nessa existência, me ver e me ouvir.

Oliveira não podia crer naquela história. Sem dúvida aquela menina havia sido enviada por alguém do colégio para escarnecer ele, ou então ela havia utilizado algum entorpecente, isso! Estava drogada. Mas quando foi falar o que pensava, ele sentiu uma profunda tristeza e uma paz tremenda, e, mesmo sem entender o porquê começou a falar, como se as palavras viessem direto de dentro do coração:

- Por que fez isso comigo, porque me deixou? Pior, ainda me fez ficar longe das pessoas que mais amei.

Oliveira começou a chorar, sabia o que estava falando, mas não entendia como sabia daquilo, donde surgiu aquele sentimento, de onde vinha aquela tristeza. Olhou nos olhos dela e disse:

- Antes de partir... diga-me ao menos seu nome.

Ela já com os olhos cheios de lagrimas respondeu:

- Gabriela!

Levantou-se e sem dizer mais nada o beijou nos lábios. Os dois estavam hipnotizados num longo beijo. Ela tinha os lábios gélidos, mas Oliveira podia sentir o calor daquele sentimento, pois ele brotava direto do coração dela. Quando terminaram aquele longo beijo, ela olhou em seus olhos e disse:

- ADEUS!

Tomou uma aparência nefeloide e desapareceu. Oliveira permaneceu estóico e impassível, mas depois fechou os olhos e chorou copiosamente, não queria que ela fosse embora, não podia, justo agora. Estava tomado por uma intensa saudade quando sentiu alguém cutucando seu braço. Abriu os olhos com esperança e alegria imensa imaginando que veria novamente Gabriela, mas, era seu irmão Regis:

- Chegamos e vimos você sonhando, até aí tudo bem, todo mundo fala dormindo, só que de uma hora pra outra você começou a chorar, então achei que estava tendo um sonho ruim e resolvi te chamar.

Oliveira levantou-se assustado, olhando de um lado para o outro. Abriu as cortinas, olhou através do vidro, abriu a porta e foi para a rua, correu até a esquina, mas não avistou nenhum carro. A irmã dele Natália ainda foi atrás dele:

- O que está havendo? Calma! Foi só um sonho, volta pra casa, é muito tarde...

Oliveira voltou e relaxou. Naquela noite não dormiram; passaram horas conversando, como se somente naquela noite os três passassem a se conhecer. Após aquela noite Oliveira mudou completamente. Passou a ser um rapaz mais sociável e querido. Começou a sair sempre com seus irmão e hoje em dia está noivo e vive uma vida maravilhosa junto a sua noiva, família e seus amigos.

FIM!
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