10 de junho de 2013

Seria Mesmo um Crime ou Apenas Paranóia? - Parte 01

Em 31 de agosto de 2011 recebemos um e-mail muito intrigante no Sobrenatural.Org. Nem chegamos a publicar na época. Embora o título tenha vindo como "Lenda Urbana" seu conteúdo não parecia mentira. Uma denúncia... A revelação de uma possível "conspiração criminosa".

Seu remetente pediu anonimato dele e de quem escrevera todas aquelas coisas (ele nos enviou o relato de uma terceira pessoa). Nunca vi seu nome nem antes, nem depois no site, foi um único e-mail. Não era um leitor enviando um conteúdo. Era uma pessoa que revelava a "carta" de uma terceira pessoa, a vítima, aparentemente esclarecida, estudada, vivida. Escrevera como forma de desabafo e possível alerta a outras pessoas, já que ninguém mais lhe daria crédito, ou pior... o taxaria de "doido", "drogado", "mentiroso".

Segue abaixo o tal e-mail nesta 1ª Parte...
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Peço a Vs. que não identifiquem meu nome nesse relato, poderia ser de imensa irresponsabilidade, não me preocupo com chacotas, eu vi o furo e se ele não quer ser identificado muito menos eu.

julho de 2011

Venho aqui relatar um crime incomum. Os fatos tiveram início há cerca de vinte anos e culminaram em abril deste ano, quando me dei conta do crime.

Meu nome é Fulano, tenho 40 anos, nascido em XXX , solteiro de relação estável, médico formado em XXX, onde trabalho há quatro anos no mesmo emprego .

Abril, 2010 – olhando no espelho me dei conta de que há um “furo” no meu palato duro (céu da minha boca), furo este já observado em 2001/2002, quando clinicava em uma unidade da PMSP- xxxx, mas desprezado desde então. Este furo é uma cicatriz feita por um objeto pérfuro-cortante, isso para mim é “ponto pacífico”, e foi desprezado pois não havia motivos suficientes nem correlações possíveis com coisa alguma. Mas em abril a coisa fez sentido, como vou tentar expor mais adiante.


2001 – trabalhava como médico clínico geral na PMSP- XXXXX no bairro XXX, uma unidade especializada em psiquiatria durante um ano, de julho de 2001 a junho de 2002, onde pude tratar de vários pacientes psiquiátricos pois o setor de psiquiatria esteve sob extensa greve. Pois então que observei em alguns pacientes, cerca de cinco a dez, um orifício cicatricial inflamado no palato. Ora, estes pacientes se queixavam de dor de garganta e a garganta estava inflamada então eu tratava a garganta. E o orifício eu desprezei, pois não fui treinado para reconhecer nem tratar moléstias do palato, até porque elas não existem (há apenas uma que é uma malformação do palato onde há um buraco enorme atravessando o palato duro e o palato mole, a fenda naso-palatina, que é BEM DIFERENTE), logo não há nada nos livros de medicina referente a um orifício cicatricial no referido lugar. Mas, ao final do meu contrato de um ano, após ter visto alguns pacientes com este orifício resolvi olhar em minha boca. E ele estava lá. Acho que comentei com meu colega de unidade mas ele também não soube dizer. Logo me esqueci, pois não havia motivos lógicos, não havia explicação.

Há 20 anos – eu tinha cerca de 19 anos e viajei a Parati com meu pai, minha mãe e minha irmã Lá eu conhecia algumas pessoas de São Paulo onde estudei o colegial. Era passagem de ano e ficamos cerca de uma semana. Numa das primeiras noites encontrei um ou dois conhecidos que me levaram a uma festa, algo pequeno não me lembro ao certo, mas lembro que em determinado ponto apaguei e quando acordei estava na rua e o dia estava raiando, me senti exausto mas sem ressaca, e uma lombalgia intensa, fui dormir e não consegui. Comecei a ter alucinações mais dor lombar. Daí por diante elas só fizeram aumentar até que me desencadeou um surto psicótico que durou alguns anos. E, apesar de estar mentalmente doente terminei meu curso de XXX e depois o de medicina.

Já conversei com um neurologista-neurocirurgião e a opinião dele é simples: nunca vi isso, não sei de nada sobre isso. Não tenho coragem de passar por louco frente aos meus colegas e insistir em provar algo.

2002 a 2010 – vou tentar relatar apenas os fatos relevantes (que eu considero). Nos últimos meses daquele trabalho na UBS XXX em XXX, São Paulo me senti seguido (nunca em toda a minha história de “doente mental” me senti seguido). Mudei de emprego e fui trabalhar com PSF- Saúde da Família, no bairro XXX e então começaram os cheiros estranhos no meu carro. Nos anos de 2002 a 2006 eu sentia um cheiro incessante no meu carro, um cheiro químico. Esse cheiro me fazia ter crises de sonambulismo, me tornei paranóico, até que nos idos de 2004 descobri que o cheiro vinha de um líquido catalisador/acelerador de plástico, o qual encontrei na garagem de minha casa, fui à polícia. Mas fiquei com medo. Na época eu não raciocinava direito sobre essas coisas. Eu não fazia a mínima idéia do que estava acontecendo. Estavam me envenenando. Quem? Por quê? Eu não sabia. Resolvi me internar em uma clínica em Sorocaba, onde só passei uma semana, era muito caro e eu é quem estava pagando. Não descobria nada.

Num momento olho meu palato e o furo estava inflamado, como que aberto, escorria por ele líquido do sabor de catarro do nariz. Como aconteceu? Certo dia acordei com uma dor lombar imensa (que não cede com anti-inflamatórios e dura menos de uma semana) e com alucinações auditivas (tipo gritos e gemidos abafados dentro da minha cabeça), não conseguia entender nada do que falavam direito comigo, fiquei zonzo e terrivelmente cansado. Sem explicação.

2005 - O veneno no meu carro continuou, agora eu havia descoberto no porta-malas um pó escuro embaixo do tapete. Fiquei desesperado, o cheiro até queimava na pele, eu sentia meus lábios quentes, acho que era algum veneno agrícola tipo organofosforado. Lavei o carro. Fiquei paranóico.

2006 - fui internado pela minha família, cerca de um mês. Depois decido fugir de São Paulo. Tentei um emprego em XXX mas recebi uma proposta em XXX, onde moro hoje.

Abril de 2010 – após passar dois anos sem sentir nenhum cheiro estranho já começo a me sentir melhor, mais tranqüilo e confiante. Então pois o cheiro volta. Fiquei perplexo. Mas agora eu estava no “meu território”, meu apartamento (fui síndico no prédio e mudei o zelador, há câmeras até no elevador) Então olhei meu “furo” e vi que estava cicatrizado, e me veio a luz da razão. A região nasal permite acesso cirúrgico à glândula hipófise no cérebro. Mas, e o palato? Há três ossos no caminho entre a boca e a glândula hipófise, são ossos finos. O que há na glândula hipófise? Hormônios. E daí? Há o hormônio ACTH (Adreno Cortical Trophic Hormon: Hormônio Adreno-Córtico Trófico, que estimula a glândula Adrenal). E daí? Daí que pesquisei a internet e vi que este hormônio é vendido por laboratórios farmacêuticos a um preço alto, cerca de US$ 50.000,00 por frasco-vault. Pesquisei mais a internet e descobri que uma administração endovenosa de cocaína faz com que o hormônio ACTH aumente bastante. BINGO! Sei que o surto psicótico pode ser desencadeado por cocaína. BINGO!. A carência do hormônio ACTH gera na supra-renal um estado de infarto agudo com lombalgia intensa, o qual cessa lentamente após a glàndula hipófise repor o ACTH que falta.

O ACTH pode ser usado como alucinógeno pois induz a pessoa a um transe e pode até causar surtos de psicose. Ou seja, é mais uma substância alucinógena que pode ser vendida num “mercado negro”.

(Absurdo, terrível, filme de horror, coisas que só acontecem nos filmes, ninguém acredita)

Meu psiquiatra em São Paulo pediu um exame de Ressonância Magnética da Hipófise e uma Tomografia de Crânio. Marquei hora com um neurocirurgião, professor da Faculdade em Santos. Ele me disse: Não sei nada sobre isso, isso não é um procedimento realizado por nós (cirurgiões), eu lhe disse: vocês não fazem, mas nenhum médico me garante que isso é impossível! Ora, se não é impossível...! então me recomendou ir a um endocrinologista. Não fui pois já sei a resposta (“não sei nada sobre isso e não é um procedimento realizado por nós”) e já sei que vou passar por louco. O exame de Tomografia não deu nada (o radiologista não foi orientado a procurar por cicatriz óssea). O exame de Ressonância deu um resultado estranho, indefinido.

Médicos não sabem do que se trata.

Concluí que o cheiro tipo solvente era do cigarro, ou seja, o cigarro que eu fumava estava sendo envenenado com cocaína misturada em algum solvente, mais barata assim, e dessa forma eu estava sendo envenenado e mantido atordoado de forma constante. Sabe-se lá que drogas já usaram para me calar.

Acredito que haja diversos indivíduos “surtados” pela cocaína (e não surtados também) dos quais retira esse “caldo” para vender no mercado negro. Talvez alguma, senão algumas, clínicas de reabilitação de drogados possam estar mantendo pessoas viciadas e roubadas/sugadas/violentadas.

Esse é um crime que pode ser do tipo “crime perfeito”. Deixa marcas imperceptíveis, não roubam nada de material, a vítima fica atordoada e não descobre nem o que está faltando, alguns permanecem surtados com sua mente agora devastada e permanecem como que vampirizados com certa freqüência, como aconteceu comigo.

Em agosto do ano passado deixei um bilhete no meu carro, pois sabia que estavam entrando nele (isqueiros e canetas sumíam, os desgraçados são discretos) escrevi: "Não sei quem vocês são mas sei o que vocês querem" e deixei no carro durante alguns dias, então resolvi emendar: "Vocês querem ACTH" e deixei no carro durante duas semanas. Surtiu um efeito impressionante. De agosto a fevereiro eles sumiram de vista. Sumiram.

Em fevereiro voltaram a me vigilar, então escrevi num bilhete e deixei no carro durante duas semanas: "Não sei quem vocês são, e ninguém acredita em mim"

A situação melhorou então, mas de lá para cá eu tive um surto de alucinação que durou uns dois minutos, após acender um cigarro enquanto dirigia após o trabalho. Sou imbecil de fumar. Acho que é só crise de abstinência.

Resultado: não há provas, não sei realmente quem são. Se não houvesse o furo no céu da boca eu jamais iria sequer suspeitar de tudo isso. O que restou de mim: psicose, medo, depressão, carreira desperdiçada, tempo perdido, cefaléia, enxaqueca etc. etc.

Sem mais.

Assinado, Fulano

P.S. “It sucks...”
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