28 de junho de 2013

O Teatro dos Espíritos

Esta lenda ocorreu na década de 70, numa cidadezinha do interior do Rio Grande do Norte. Quem me contou foi meu professor de matemática. Eis a trágica história:

Em uma cidadezinha do interior, Fábio Jerônimo, um homem de 40 anos, olhos e cabelos castanhos, e de muita boa índole, segundo os habitantes de lá, costumava fazer boas ações de parte cultural para promover a cidadezinha. Uma de suas obras culturais foi o Teatro Adalberto Jerônimo, em homenagem a seu falecido pai.

Dentro de dois meses o teatro ficou pronto, as peças eram protagonizadas pelos próprios moradores da cidadezinha, e todo o material das peças também. Tudo ia bem até que na semana anterior ao aniversário de morte de seu pai, Fábio resolveu montar uma peça baseada na vida de seu pai, Adalberto. Fábio escolheu os protagonistas e lhes deu o texto para estudarem.

As coisas começaram a dar errado a partir daí, quando um dos protagonistas foi morto, com uma tesoura fincada em seu coração. As pessoas lamentaram muito, e por isso resolveram cancelar a peça. A partir daí Fábio começou a ter pesadelos com o protagonista morto, sempre culpando ele e o pai, Adalberto, pela sua morte.

Na manhã seguinte de um desses pesadelos, Fábio foi acordado por seu vizinho. Todos os outros protagonistas da peça sobre seu pai haviam sido assassinados. Fábio mal podendo acreditar, começou a temer e pensar em coisas ruins. Foi aí que ele resolveu ir ao pequeno teatro escondido na madrugada. Chegando lá ele viu 7 pessoas sentadas na platéia. Fábio temeroso aproximou-se cuidadosamente e levou um susto a ver que eram os 7 cadáveres dos protagonistas de sua peça. Fábio viu um outro homem no palco aplaudindo. Um homem que era pálido, tinha o rosto deformado e ria medonhamente.

- Parabéns filho - disse o homem.

- Pai? - perguntou.

-Aproxime-se. - disse o homem.

- Como isso é possível? - perguntou Fábio, que subiu no palco e ficou frente a frente com o homem.

- Parabéns filho, matou eles não foi? Parabéns.

- Do que é que você está falando? Eu não matei ninguém.

- É claro que matou, aliás, eles vieram tomar satisfação. Fábio olhou aterrorizado para os espíritos que vinham em sua direção, ele voltou a olhar para o pai, mas este desaparecera. Então Fábio entendeu, o espírito de seu pai os tinha matado, a razão ele não demorou a adivinhar, vingança. Um assassinato, um pai morto e um filho culpado, Fábio havia assassinado seu pai acidentalmente, enquanto caçavam. Atirara sem querer nele.

- Não fui eu, não fui eu, foi meu pai. - choramingava o homem.

A cena a seguir foi vista, ou melhor ouvida por todos da região. O teatro desabou.

Na manhã seguinte foram encontrados os restos mortais de Fábio, fantasias, e uma espingarda. Um vigilante disse ter presenciado tudo e fugido antes do teatro desabar. A partir daí aquele teatro foi chamado de o Teatro dos Espíritos.

Ainda hoje é possível escutar no lugar onde estava as ruínas do Teatro dos Espíritos, o choro de Fábio, o lamento das almas dos protagonistas e as risadas de seu pai.

Lenda contada por Boanerges Neto
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