28 de junho de 2013

O Saco de Ossos

Por Luiz Eduardo Serrão da Silva

Gostaria de dizer que o relato aconteceu comigo quando eu tinha 17 anos, em uma ilha paradisíaca no litoral paraense chamada Algodoal. 

Em novembro de 1983, tínhamos uma casa na citada ilha e minha irmã recém casada possuía outra um pouco distante da dos meus pais. Em um final de semana resolvi ir para a ilha, como não queria segurar a vela dos recém casados, resolvi dormir na nossa casa. Na época não havia energia elétrica na ilha, apesar das insistências dela e do meu cunhado resolvi ir para casa, já que eu não ia ficar sozinho, pois tínhamos caseiro um pescador local, cara muito corajoso por sinal. Nossa casa ficava em uma rua de frente para a praia e o final da rua ia para o mangal, só estavam os nativos do lugar pois era época fora de férias.

Saí para dar uma volta e retornei as 22:30, obviamente eu e o caseiro, pois o lugar era lindo de dia, porém a noite a coisa complicava e até os moradores do local respeitavam as altas horas. Em casa resolvi dormir na sala, fechei a porta e perguntei se o caseiro ia pescar naquela noite, diante da resposta negativa imaginei uma noite tranquila de sono.

Acordei lá pelas 24:00 com o caseiro já de pé para ir pescar, porém o mesmo me tranquilizou e disse que não ia demorar, só uns 15 min, enquanto pegava iscas para usar pela manhã e ainda me convidou para ir com ele. Como estava muito cansado, fiquei em casa. Passado uns 10 min que o caseiro saiu, escutei vários cachorros latindo como se acuassem alguma coisa. Isso vinha do lado do mangal. Foi se aproximando da minha casa.. foi quando ouvi a coisa mais horrível da minha vida: Comecei a escutar gritos de mulher pedindo socorro que estava morrendo e não aguentava mais. Isto parou bem em frente da minha casa e os cachorros acuando a coisa e esta batendo neles e ao mesmo tempo gritando por socorro. Quando tentei me levantar para fechar as janelas, não consegui sequer mexer um dedo sequer, estava totalmente paralisado, tentei gritar porém a voz não sai, só podia mexer os olhos, aquilo entrou no pátio de casa e começou a se arrastar fazendo um barulho, como se fosse ossos dentro de um saco. Amigo, o desespero foi tão grande que neste dia pedi para morrer, pois não aguentava de tanto pavor diante da ossada se arrastando e pedindo socorro que estava morrendo. Rezei o pai nosso e ave maria e de nada adiantou. Quando comecei a rezar o CREIO EM DEUS PAI, aquilo foi se afastando devagar em direção a praia. Então consegui me mexer e desabei em choro de terror. Passado uns 30 minutos, chegou o caseiro e contei-lhe o acontecido, ele não demonstrou medo, porém ficou preocupado.

De manhã, conversando com os moradores locais, fiquei sabendo que outras pessoas já haviam passado pela mesma experiência, e que no lugar onde era nossa casa já havia morrido uma mulher noiparto. Amigos, não desejo ao pior inimigo os momentos de terror que passei.
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