5 de junho de 2013

Brincando com os Mortos

Por Stuart Sobrenatural

Mariana e Eduarda tinham quinze anos e eram amigas desde a infância. Eduarda gostava de passar os finais de semana na casa da amiga em Boa Viagem, onde tomavam banho de piscina, ouviam músicas barulhentas e assistiam a filmes de terror. Os pais de Mariana eram realmente legais e gostavam que a filha única enchesse a casa de amigos. Morava também uma tia solteirona, chamada Leonor. Não raro, os pais e a tia saíam à noite nos sábados e deixavam as meninas fazerem pequenas reuniões com os amigos do colégio onde estudavam.

Foi numa dessas noites que tudo aconteceu. Além das amigas, estavam lá Luísa e Marcela. Alguns meninos tinham sido convidados também, mas não tinham dado as caras. Tudo bem, assim elas podiam fofocar a vontade. Viram um filme no vídeo e depois ficaram conversando sobre a vida do povo. Foi aí que Marcela perguntou:

-Vocês já fizeram a brincadeira do copo?

Como as amigas responderam negativamente, ela explicou que era uma brincadeira que aprendera com uma prima, em que se colocavam as letras do alfabeto num pedaço de cartolina, pegava-se um copo de vidro que nunca tivesse sido usado e após rezar uma ave-maria, um creio em Deus pai e uma salve-rainha se entrava em contato com uma alma penada que estivesse na casa. As amigas ficaram bastante excitadas com a idéia, exceto Eduarda, que confessou ter medo daquele tipo de brincadeira. Como já era cerca de uma da madrugada, ela disse que subiria para o quarto. As meninas fizeram pouco caso da amiga e Mariana foi correndo pegar o material necessário para a brincadeira, inclusive o copo virgem. Após escreverem as letras do alfabeto, as palavras "sim" e "não" e os números de 0 a 9, as amigas rezaram as orações necessárias. Marcela orientou Mariana e Luísa a encostaram os dedos indicadores no copo e em seguida fez a pergunta:

-Tem mais alguém aqui ? O copo se moveu: "SIM". E começou aquele estranho diálogo, com as meninas perguntando quem era a pessoa, o que fazia, quando havia morrido, etc.


Disse ser Rodolfo, um rapaz de 31 anos, médico, e que havia morrido em acidente automobilístico na Avenida Mascarenhas de Morais cerca de vinte anos antes. As garotas ficaram muito impressionadas. O medo era enorme, mas também a excitação com o inusitado. Elas ainda fizeram mais algumas perguntas, que foram prontamente respondidas. Algumas dúvidas eram sobre o futuro, se todas elas iriam se casar, ter filhos, viajar, etc. Num tom de brincadeira, Mariana perguntou se a tia Leonor ainda iria se casar. Rodolfo respondeu que sim. As meninas começaram a rir, e perguntaram quem seria o noivo. Rodolfo respondeu: "E-U". As expressões foram de um misto de descrédito e escárnio.

Súbitamente, Mariana parou de rir. Lembrou que sua tia Leonor havia falado de um noivo que falecera num acidente de carro, quando já estavam com o casamento marcado. Desconfiada, ela foi ao quarto da tia, e procurou velhas fotos que ela guardava numa gaveta. Lá estava uma foto dela de braço dado com um rapaz, e uma dedicatória: "Para Leonor, com todo o meu amor, Rodolfo, Recife, 12 de outubro de 1980." Mariana pensou em perguntar se o rapaz achava que ainda estava vivo ou se aguardava Leonor morrer para com ela casar no Além, mas achou por bem não continuar com o assunto. Embora as meninas tenham ficado impressionadas com o fato de estarem conversando com alguém "conhecido", decidiram continuar a brincadeira. Alguns minutos depois, Rodolfo disse que iria sair dali, mas não sem antes dar um recado: "P-A-R-E-M D-E B-R-I-N-C-A-R C-O-M O-S-E-S-P-I-R-I-T-O-S V-O-C-E-S V-A-O S-E A-R-R-E-P-E-N-D-E-R"

Luísa ficou visivelmente assustada com a ameaça, mas Mariana e Marcela não pareceram muito preocupadas. Decidiram continuar. Rezaram de novo. E mais uma vez a pergunta foi feita:

-Tem mais alguém aqui ? E tiveram a resposta: "SIM". As amigas iam começar a série de perguntas, mas o copo andou antes disso: "C-A-T-I-T-A S-O-U E-U". Marcela arregalou os olhos. Era assim que ela era chamada pelas amigas do colégio, por ser pequena e magrinha. -Eu quem? O copo moveu-se de novo: "D-U-D-A". Duda ? Que Duda ? Não havia ninguém morto que as meninas conhecessem com este nome. A única pessoa que as amigas conheciam por Duda era... Mariana soltou um grito curto de assombro levando a mão à boca semi-aberta. Subiu correndo as escadas em direção ao quarto em que dormia sua grande amiga Eduarda. Marcela e Luísa se entreolharam com cara de espanto, e ouviram o grito seguido pelo choro da amiga. A menina estava morta na cama.
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