23 de abril de 2013

O Bebê do Quarto

Por Gabriel

Nunca acreditei em histórias sobrenaturais. Sempre fui aquele tipo de pessoa que tem uma versão mais realista dos acontecimentos. Eu adorava desmentir as pessoas que chegavam até mim e diziam ter visto ou ouvido algo impressionante. Mas depois do que eu presenciei certo dia, minha vida mudou de vez.

Há cerca de dois anos,  meus tios compraram um sítio próximo em uma cidade cujo nome não posso revelar. O local era isolado da civilização e rodeado por um matagal. Eu fui com o meu primo conhecer o lugar pouco antes da compra e, ao chegarmos lá, fomos recebidos gentilmente pela família que cuidava da casa para os antigos donos.

O casal tinha quatro filhos pequenos, que olhavam para nós com o rosto triste. Definitivamente, aquela era uma família triste. Mesmo assim, eles mostraram a casa inteira, menos um quarto que ficava mais ao fundo da propriedade. É claro que nós perguntamos por que eles fizeram isso, e eles responderam que o quarto estava muito sujo e cheio de entulho.

Depois que meu tio comprou o sítio, meu primo e eu conversamos com um dos poucos vizinhos que disse que achava que aquele casal havia supostamente matado um de seus filhos menores que nascera com problemas mentais. O garoto teria sido sufocado com um travesseiro naquele mesmo quarto pelos próprios pais. O vizinho falou isso porque ele havia acompanhado a gravidez da mulher durante nove meses e um certo dia o casal lhe contou simplesmente que a mulher tinha perdido o bebê no quarto e por isso isolaram o local, mas o vizinho, curioso, alguns dias depois viu a mulher jogando fora alguns travesseiros que, segundo ele, estavam em bom estado. Por que aquela família pobre iria desperdiçá-los assim? O vizinho disse que era o único que sabia da história e nos fez prometer que não contaríamos pra ninguém. Meu primo e eu achamos a conversa meio exagerada e praticamente não ligamos para isso.

Alguns meses depois, quando meu tio já tinha comprado a casa meu primo me convidou para passar um fim de semana no sítio com os pais deles (meus tios) e meu outro primo. A gente olhou o quarto logo na luz do dia, pra não sentir medo e, realmente, tava cheio de "bagulho", cama velha, guarda-roupa quebrado sobre a cama e vários pedaços de madeira que impediam a gente de entrar. Até aí tudo bem, mas as coisas estranhas insistem em acontecer à noite.

Eu acordei pra ir ao banheiro e ao passar pela cozinha eu observei o relógio que marcava 3 e 30 da "madruga". Como quase todos os eletrodomésticos estavam desligados, o único barulho que eu ouvia era o da geladeira. E o primeiro pensamento que passou pela minha cabeça diante daquela situação foi o do bebê. Minha nuca se arrepiou só de imaginar uma criança no quarto. Tentei pensar em outra coisa, mas não conseguia. Quando eu saí do banheiro, olhei de longe a porta do quarto fechada, estava muito escuro. Eu tinha que caminhar até a varanda onde estavam as redes pra dormir. Todo mundo dormindo e eu acordado no meio da casa com aquele pensamento ruim.

Quando eu me virei pra sair, eu ouvi um barulho bem estranho vindo do quarto, como se fossem lençóis sacudindo. Eu pensei: "não tem como ter ninguém dormindo ali, meus tios e meus primos estão lá fora" nesse momento meu coração acelerou, começou a bater forte. É óbvio que eu não ia até o quarto ver o q era, eu tava c/ muito medo, minha intenção era sair dali correndo, mas o que aconteceu em seguida travou as minhas pernas. Um segundo barulho vindo do quarto, começou baixinho e lento e, de repente tomou a forma de um choro de bebê, daqueles estridentes, desesperados. Eu não tinha ar pra gritar e nem força nas pernas pra correr, mesmo sem querer eu caí no chão e tampei meus ouvidos, em vão.

Rezei pra que alguém mais tivesse escutado, mas ninguém chegava, pedi que o sol raiasse logo mas lembrei que ainda eram 3:30. Me senti sozinho, meu sangue tava quente, mas por fora meu corpo parece que ia congelar. Minhas pernas não obedeciam meu comando. Eu nunca tinha ficado assim, c/ certeza nunca fui sonâmbulo, aquele choro foi real demais! Passei uns 20 segundos implorando pra eu ter um ataque e desmaiar pra me livrar daquilo logo!

Quando o choro parou de repente, eu consegui me levantar, meu coração parecia um soco vindo de dentro e acertando o meu peito, minha vista escureceu ainda mais, era como se tudo que eu visse, fosse através do buraco de uma fechadura. quando cheguei lá fora eu acordei meu primo e meus tios, desesperado.

Eles disseram que não ouviram nada. Com as luzes acesas, meu tio conferiu o quarto, não tinha nada demais lá. Aquele choro só podia ser do garoto com problemas mentais que tinha sido assassinato.Eu deduzi que o primeiro barulho era de travesseiros e não de lençóis.

Depois disso nunca mais pisei naquele sitio e passei quase um mês tendo pesadelos.

Fonte: Sobrenatural.Org
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