30 de abril de 2013

Lembranças de um Assassino


Por Grégor Marcondes

Greenfield era uma cidade pequena, geralmente estava envolta em névoa. Localizada em Norrland na Suécia, era uma cidade cercada por montanhas e florestas, era perfeito  para se passar às férias. Era em Norrland que ficavam os picos mais elevados da Suécia, pois lá havia o monte Kebnekaise que tinha 2.111 metros e também o monte Sarek com pouco mais de 2000 metros. A cidade de Greenfield havia sido fundada em 1859 por veteranos soldados ingleses que acharam naquele local um bom lugar para terminarem suas vidas. Era um local calmo, tudo que um soldado veterano queria. O nome Greenfield havia sido dado por um soldado chamado Steven Mantenson e significava “Verde Campo” na língua inglesa. Em 1900 havia se instalado em Greenfield uma serraria de nome Tree Peaks. A serraria trouxe novos habitantes à cidade e estava crescendo cada vez mais. Em 1940 a serraria pegou fogo, e boa parte dela foi destruída. Após isso foi desativada ficando abandonada desde então. Na cidade havia um cidadão chamado Edward Gray, ele viera de Portsmouth morar em Greenfield, os acontecimentos contados a partir de agora aconteceram com ele, Edward Gray.

Edward estava dormindo quando foi acordado com o som da campainha. Acordou rapidamente e olhou para o relógio que marcava 3 horas em ponto. Quem poderia ser a essa hora da madrugada? Edward levantou-se para ver quem era. Saiu de se quarto que ficava no andar de cima da casa e desceu lentamente as velhas escadas de madeira. Havia um longo e estreito corredor que dava para a sala. Ao chegar perto da porta sentiu um pouco de medo e anseio em abrir a porta, se aproximava lentamente até que caiu para trás com o susto que levou, a porta havia sido empurrada bruscamente e se ouviu uma voz alta e grossa do lado de fora que falou:

- Abra essa porta Senhor Ed!

- Por favor, quem é? Perguntou Edward com sua voz tremula.

- Acho que o senhor deveria abrir primeiro, temos muito que conversar e é do seu interesse.

- Irei abrir, mas se você me falar quem você é primeiro!

- Não adiantaria, pois o senhor não me conhece!

- E você me conhece?- O que quer de mim?

- Lhe conheço muito bem Senhor Ed!- Estou aqui para ajudar você, mas se não abrir essa porta irei embora e você ira se arrepender por isso!

Edward não viu outra saída, abriu a porta tremulo e se deparou com um homem alto que usava um capuz sobre a cabeça. Estava vestido todo de preto e a escuridão da noite dificultava que Edward visse seu rosto.

- Não está com medo não é Senhor Ed?

- Na verdade estou confuso, o que quer de mim?

- Como disse lhe ajudar!

- Mas não preciso de ajuda!

- Sabe o que é Senhor Ed, eu sei todo seu passado, inclusive aquilo que você fez ainda quando morava em Portsmouth, desculpe sei que você quer que isso fique em segredo!

- Não sei do que está falando! Disse Edward que se encontra pálido e mais nervoso do que nunca.

- Não adianta se esconder de mim Senhor Ed!- Eu sei o que você fez, sei toda a verdade, por isso estou aqui quero lhe ajudar!

- Não sei como você sabe, mas se você veio aqui para me subornar não acho uma boa idéia, pois saiba que eu não tive culpa no que aconteceu em Portsmouth.

- Se não teve culpa por que fugiu ao invés de tentar explicar o que realmente aconteceu para a Scotland Yard!

- Eles não iriam acreditar em mim, iriam me prender!

- Isso por que você é culpado Senhor Ed!- Mas posso lhe ajudar, se não quer realmente mais se preocupar com isso.

- Não tenho nada para lhe dar e outra, nem ao menos sei seu nome.

- Prazer Senhor Ed meu nome é Richard Sullivan.- Agora que sabe meu nome posso prosseguir?

- Pelo tipo não tenho outra escolha!

- Então vai fazer o que eu mandar e ficara tranqüilo para sempre.-Você vai me dar dez mil libras até amanhã, se fizer isso não contarei a ninguém o que fez e não vai mais precisar se preocupar com aquele ocorrido para o resto da vida, afinal de contas foi acidental não é mesmo Senhor Ed?

- Aonde vou arrumar dez mil?-Não tenho como!

- Amanhã as 3 horas da madrugada você me levara o dinheiro na serraria abandonada, se não o fizer vai ter mais problemas do que você imagina!- Passar bem Senhor Ed.

Edward fechou a porta e começou a pensar se realmente aquilo tudo era verdade ou apenas um sonho. Foi novamente para cama tentar dormir, se fosse um pesadelo iria descobrir pela manhã.

Quando acordou era 7horas e 30minutos. Acordou disposto como se nada tivesse acontecido à noite, parecia ter dormido a madrugada inteira. Aos poucos começou a pensar que o episódio ocorrido de madrugada não passara de um sonho, talvez tivesse levantado sonâmbulo e tudo aquilo fosse apenas uma ilusão de sua mente.

Como de costume se vestiu para ir trabalhar, era bibliotecário da biblioteca municipal de Greenfield. A biblioteca não era enorme como a que tinha na faculdade Harvard, mas não era pequena era até grande para a pequena cidade de Greenfield, tinha vários livros escritos por grandes mestres da literatura como os de Edgard Allan Poe, Aldous Huxley, H.G Wells e do Sir Arthur Conan Doyle, alias eram desse último os livros preferidos de Edward, era um grande fã de Sherlock Holmes e o fato de Doyle ter morado em Portsmouth cidade natal de Edward fazia sua admiração ainda maior. Uma das raridades da biblioteca era o empoeirado livro do “Drácula” de Bram Stoker, era uma versão de 1912, outros livros com contos como “A casa do Juiz” e “O monstro Branco” enriqueciam a coleção de livros de Bram Stoker na biblioteca.

Antes de ir para o trabalho passou para tomar café na lanchonete que ficava do outro lado da rua de sua casa. Quando entrou na lanchonete sentou-se ao lado de uma mulher.

- Como vai? Perguntou ela a Edward.

- Estou bem e você?

- Também, você é o Senhor?

- Senhor Edward Gray, mas pode me chamar apenas de Edward.-E você como se chama?

- Susan Beltmore!- Sou de Copenhague estou apenas conhecendo a cidade e você mora aqui?

- Sim! Há alguns já faz dois anos.- Eu morava em Portsmouth na Inglaterra.

 Edward conversou mais um pouco com a Senhorita Susan, até ela se retirar.

Então Edward perguntou para a garçonete:

- Dona Melinda posso lhe fazer uma pergunta?

- Desde que não seja indecente!

- O que é isso Dona Melinda nunca faria uma coisa dessas.- Quero apenas saber se viu alguém entrar em minha casa ontem de madrugada?

- Olha aqui Senhor Gray não sou de ficar bisbilhotando a vida dos outros, portanto se alguma mulher está frequentando a sua casa a noite eu não tenho nada a ver com isso, só espero que ela não seja casada!

- O que aconteceu com a Senhora hoje para estar falando assim comigo?

- Nada é que os homens são todos iguais!

- Bom enquanto a isso não sei.- Mas só para você ficar sabendo não foi nenhuma mulher que foi em minha casa, foi um homem que veio bater a minha porta ontem de madrugada.

- Então a coisa está mais feia que eu pensava!- Espero que ele não seja casado!

- Estou vendo que não da para conversar com a Senhora hoje, é melhor eu ir embora!

Edward foi para a biblioteca trabalhar, ficou o tempo inteiro pensando se realmente existia o Senhor Richard Sullivan e se realmente ele sabia a verdade sobre o que Edward fez. O problema agora era se Richard existe mesmo onde ele iria achar conseguir dez mil libras até de madrugada. Foi então que entrou na biblioteca Senhor Simmons guardião da biblioteca e amigo de Edward.

 - Simmons!Exclamou Edward

 - Diga Edward?

 - Você trabalhou ontem de madrugada na biblioteca não é?

 - Sim!

 - Então você poderia me dizer se viu alguém entrando em minha casa ontem de madrugada?

Da biblioteca podia ver a casa de Edward então provavelmente se Simmons estivesse atento poderia ter visto alguém na casa de Gray.

- Não Senhor Edward, mas por que a pergunta?

Edward não queria falar que conversou com alguém de madrugada, pois Simmons poderia achar que ele estava ficando louco, então teve que inventar uma mentira.

- Por nada Senhor Simmons é que sumiu uns papeis meus então pensei que poderia ter sido furtado por alguém, mas acabei de lembrar que já os dei para uma pessoa.

- Bom qualquer coisa você sabe, pode contar comigo estou sempre por aqui de madrugada e se alguém entrar em sua casa eu vejo daqui e corro para sua casa.

- Obrigado Senhor Simmons!

Edward estava mais convencido que Richard Sullivan não existia e quando chegou à noite foi dormir sossegado.

Era quase 3horas de madrugada novamente quando Edward acordou com um barulho vindo de sua sala. Desceu correndo as escadas e percebeu que o barulho vinha de sua televisão, que estava ligada, mas não estava em canal algum havia apenas chuviscos na tela. Quando chegou perto da televisão para desligá-la notou que havia um papel em cima da mesma, estava escrito:

“Você está atrasado Senhor Ed!”.

Edward olhou rapidamente para a janela da sala e pode ver alguém um vulto que saiu rapidamente correndo. Edward Gray pensou que só poderia ser o vulto de Richard Sullivan, então saiu correndo atrás dele. Quando saiu da casa pode avistar o vulto correndo rapidamente rumo a serraria abandonada, Edward começou a correr logo atrás tentando alcançá-lo mais era incrível como o vulto corria rapidamente. A serraria ficava dentro de uma floresta, e Edward pode ver o vulto entrando floresta adentro e sumindo. A serraria era assustadora até mesmo de dia, mas a noite era muito mais, os sons vindo da floresta quebravam o silencio e tornavam o local mais tenebroso. Edward foi chegando perto da serraria quando escutou um barulho vindo de dentro dela, ele se aproximou e avistou uma porta aberta do lado esquerdo da serraria. Estava totalmente escuro dentro da serraria, mas mesmo assim Edward decidiu adentrá-la para averiguar. Logo quando entrou avistou uma luz. Ficou parado observando e percebeu que a luz se aproximava dele, escutava também passos, então ele perguntou:

- Quem está ai?

A luz se voltou para um rosto, era Susan e a luz era de sua lanterna.

- Senhoria Susan o que faz aqui?

- Um homem me trouxe para cá! Tinha me amarrado dentro da serraria, mas eu consegui me soltar, ele deixou a lanterna no chão virada para meu rosto.

- Como era esse homem?

- Não consegui ver direito, ele estava encapuzado!- Precisamos sair daqui, não sei o que ele queria, mas parecia ser uma pessoa má!

- Eu sei, vamos me acompanhe.

Os dois foram correndo para fora da serraria, mas quando saíram da porta escutaram uma voz que vinha do lado esquerdo da porta:

- Você demorou Ed!- Trouxe o que você me prometeu?

Era o mesmo homem que bateu na casa de Edward dizendo ser Richard. Ele estava segurando uma longa e velha tesoura de cortar grama na sua mão esquerda. Ao se aproximar deles rapidamente Edward falou para Susan:

- Vamos correr para a floresta não há outra saída!

Edward começou a correr para dentro da floresta, Susan estava logo atrás dele. Mas Edward estava sem a lanterna e acabou se chocando com uma árvore.

- Edward onde você está! Gritava Susan.

- Estou aqui!

Quando Susan conseguiu iluminá-lo com a luz da lanterna Richard surgiu rapidamente da escuridão da floresta e atravessou a ponta da tesoura na barriga de Susan prensando a mesma em uma árvore. Susan deu um forte grito então Richard pegou a cabeça dela e a bateu três vezes contra a árvore, Susan derrubou lentamente a lanterna e vendo que a havia matado Richard pegou a lanterna e iluminou o corpo todo ensangüentado de Susan e gritou:

- Esta vendo Senhor Ed, eu falei que haveria graves conseqüências se não fizesse as coisas como eu mandasse.

- Desgraçado!Gritou Edward.

Edward foi correndo em direção da luz mais tropeçou em um galho caiu e bateu a cabeça em uma pedra.

Não! Gritou Edward quando acordou com o despertador de seu relógio. Mas ele não estava mais na floresta e sim na cama de sua casa, passou a mão sobre a cabeça e não havia ferimento nenhum.

- Um pesadelo! -Um maldito pesadelo! Disse Edward para si mesmo. Arrumou-se rapidamente para ir ao trabalho e quando estava passando pela sala parou e ficou olhando para a televisão, chegou perto para ver se havia o bilhete que ele achou de madrugada, mas não tinha nada. Novamente conclui que só podia ser um pesadelo, o que é pior pela segunda noite consecutiva.

- Tenho que tirar umas férias. Falou baixinho consigo mesmo.

Foi à lanchonete tomou um café e se dirigiu ao trabalho. O trabalho ia indo tranqüilo até a hora do almoço quando foi na casa de Jack um conhecido seu para almoçar. Quando chegou lá Jack deu a estranha noticia.

- Edward você está sabendo?

- Sabendo o que?

- Aquela Senhorita Susan que estava visitando a cidade  foi achada morta na floresta próxima à serraria está manhã!- Ela foi brutalmente assassinada, estava com varias mutilações no corpo, foi achada sem os olhos e com um dos dedos da mão cortado!

Edward quase desmaiou ao ouvir isso. Não era mais um pesadelo e sim realidade aquilo tudo que ele passou na madrugada. Edward ficou olhando fixo em um ponto sem dizer uma palavra.

- Edward você me ouviu?

- Sim Jack!- É que eu fiquei tão assustado que não tenho palavras.

- Estamos todos assustados, afinal de contas essa cidade é tranquila e não tem um assassinato desde 1950, ou seja, há 50 anos.

- Não conheço esse assassinato!

- Como eu disse ocorreu em 1950, eu ainda não era vivo, mas meu pai me contou!

- E como foi?

- O assassino era um homem chamado George Borden, era conhecido como “aleijadinho” por ser aleijado desde criança.- Ele matou sua mulher chamada Mary Borden com 19 facadas!

- Nossa! Exclamou Edward.

- É, mas esse assassinato da Senhorita Susan também é terrível!- Quem pode ser?

- Não tenho nem idéia, mas quem quer que seja é um monstro.

- Tomara que a policia não venha me fazer perguntas, pois eu nem falei com aquela mulher!

- Eu também não, apenas a cumprimentava.

Após o almoço Edward voltou para o trabalho chocado ao saber da morte de Susan, sua vida agora parecia ser um completo pesadelo.

Ao final do dia quando conferia os livros da biblioteca percebeu que estava faltando um. Era um livro chamado “Noções de Anatomia”. Verificou que ninguém o havia locado e que ontem ele ainda estava na biblioteca. Estava confuso e se não achasse o livro poderia ser um problema.Teve a idéia de colocar o livro como locado para ele mesmo para que pudesse ter um tempo até achá-lo e devolvê-lo.

Quando voltou para casa tomou um longo banho e subiu para o quarto. Deparou-se com a gaveta de sua escrivaninha aberta. Ao verificar notou que estava tudo no lugar, não havia sumido nada, pelo contrario havia algo a mais. Era um livro grosso e pesado que ao verificar a capa constatou que era o mesmo que havia sumido da biblioteca, mas havia algo marcado, uma pagina, ao abrir teve um susto! Era o um dedo que marcava a pagina, só podia ser o dedo da Senhoria Beltmore. Além do dedo havia um bilhete escrito:

“Reze para que o guardião da biblioteca não tenha visto você saindo de casa ontem de madrugada, pois poderá ser um ótimo suspeito no assassinato daquela dama! Hoje não faça as coisas erradas, me encontre as 3horas de madrugada na biblioteca”.

Essa noite Edward não iria dormir, estava realmente disposto há se encontrar com Richard Sullivan na biblioteca. Ele não tinha o dinheiro, mas talvez pudesse conversar com Richard para saber se o que ele realmente queria era só dinheiro. Edward apesar de não ter planos de matar Richard pegou um revolver Luger 9.9mm que pretendia levar consigo para se defender caso Richard quisesse atacá-lo como fez com a Senhorita Susan Beltmore.

Era 2horas e 45minutos quando Edward saiu de sua casa rumo a biblioteca. Por azar teve que voltar para pegar uma capa de chuva, pois nem bem colocou seus pés para fora da casa e começou a chover forte. Era uma chuva gelada e com vários trovões e relampejos. Foi correndo rumo a biblioteca e se deparou com Simmons.


- Simmons!- Quero preciso entregar esse livro na biblioteca.

Edward mostrou o livro de anatomia para Simmons.

- E precisava ser agora Edward!

- É que eu já o peguei faz tempo e precisava entregá-lo hoje.

- Pode me dar eu coloco lá dentro para você.

- Não!- Quero dizer muito obrigado Simmons mais eu sei o armário aonde colocá-lo eu mesmo vou é rápido.

- Está bem.

Simmons abriu a porta da frente para Edward que entrou rapidamente para o local onde ficava os armários com os livros. Desceu a escada e acendeu a luz, era mesmo com as lâmpadas acesas muito escura a biblioteca. Começou a procurar o armário de medicina. Passou pelos armários contendo livros de ciências humanas, depois de exatas, depois dos de literatura estrangeira e finalmente avistou o armário com livros de medicina, não havia muitos livros, mas o armário era extenso mesmo tendo uma parte dele vazia. Começou a andar pelo corredor quando escutou uma voz do fundo do mesmo.

- Estou aqui!

- Richard?

- E quem mais poderia ser?- Ficou feliz que ainda lembra o meu nome

- E como poderia esquecer um nome tão perturbador como o seu Richard Sullivan.

- Chega de falar bobagens!- Trouxe-me o que eu pedi?- Aposto que não.

- Realmente não trouxe, por que não tenho como conseguir o que me pediu então pouco tempo.

- Precisamos conversar.- Já que você não consegue essa quantia então mudei de idéia, a partir de agora eu quero outra coisa.

- E o que seria?

- Sua casa! Amanhã pegarei minhas coisas e me mudarei para a sua casa Senhor Ed espero que você faça toda a papelada como tem que ser quero ela em meu nome o mais rápido possível.

- Minha casa? Você só pode ser louco, para onde eu vou se não tiver minha casa?

- Eu sou um bom homem por isso deixo você dormir no porão da casa, creio que seria melhor do que dormir na cadeia, pelo menos você continua com sua liberdade, e não é tão ruim assim dormir no porão.

- Não posso fazer isso.

- Pode e vai fazer, não darei outra chance essa é a ultima, agora vá não tenho mais nada para falar com você!

Edward pensou em tirar o revolver e atirar em Sullivan, mas percebeu que não valeria a pena. Quando estava saindo se deparou com Simmons.

- Entregou o livro Edward?

- Sim.

- Você está estranho ultimamente Edward está acontecendo alguma coisa?

Edward ficou por alguns segundo pensando e decidiu que deveria contar a Simmons, mas ao invés do suborno ele teve a idéia de dizer que estava sendo ameaçado de morte.

- Sim Simmons. Estou com um problema.- Um homem esta me ameaçando de morte!

- Homem? Quem? Deveria ter me dito antes!

- Ele diz se chamar Richard Sullivan!

- Como?

- Richard Sullivan!- É um nome familiar para você?

- Não só para mim como para toda a cidade, pensei que soubesse sua história afinal de contas você trabalha na biblioteca nunca se interessou em ler os livros que conta sobre o passado de nossa cidade?

- Para falar a verdade nunca me interessei!

- Pois se tivesse lido saberia quem é Richard Sullivan, ou melhor, quem foi!

- E quem foi?

- Era um jardineiro que morou na cidade, mais precisamente na casa...Nossa! Na casa onde você mora agora!

- Mais o que ele fez?

- No outono de 1948 ele se mudou para cá, dizia ter vindo da Bélgica para Suécia em 1940 para fugir da Segunda Guerra Mundial. Morou por oito anos em Estolcomo, até chegar aqui em Greenfield. – Foi então que começou o desaparecimento de moradores no total foram cinco desaparecidos inclusive o filho de apenas oito anos do pastor que ministrava aqui aquela época. – Em uma tarde ensolarada o pastor e mais dois policiais entraram na floresta para procurar os desaparecidos. Quando encontram uma pequena cabana mais ao sul, ao entrarem na mesma encontraram dois corpos dos desaparecidos, estavam mutilados. Uma busca minuciosa os levou a encontrarem um lenço que logo reconheceram como sendo de Richard Sullivan o jardineiro já que ele sempre estava usando o mesmo. Logo foram para a casa de Sullivan onde encontram dentro do porão um terceiro corpo e uma cabeça. Havia também uma tesoura de cortar grama com vestígios de sangue. Sullivan estava na serraria na hora que os policias encontram essas evidenciam e partiram atrás dele. Quando chegaram na serraria ela estava pegando fogo, envolta em chamas. Após o fogo apagar os policias procuraram o corpo de Sullivan, mas não o encontraram, testemunhas disseram que ele espalhou gasolina em boa parte da serraria e em si mesmo e após isso colocou fogo no seu próprio fogo que depois se alastrou pela serraria. Porem o corpo de Sullivan nunca foi encontrado e ele nunca mais visto. Ele virou um mito do terror para a cidade, pessoas relatam que ao passar perto da serraria viam ele com o corpo todo em fogo e com uma tesoura na mão dando risada. A serraria ficou conhecida como mal-assombrada e ninguém mais teve coragem de entrar lá por isso ninguém se interessou em reconstruí-la após o incêndio. Os quatro corpos encontrados tanto na cabana como no porão da casa de Sullivan eram dos desaparecidos, porém o corpo do filho do pastor jamais foi encontrado o que gerou mais medo na população, pois os moradores freqüentemente falavam ter visto uma criança sangrando correndo e chorando dentro da floresta.

 - É realmente assustador! Mas como seria possível ele ainda estar vivo?

 - Eu não sei!

 - O que acha de me ajudar a conferir? Ele está na biblioteca, o vi quando fui entregar o livro.

 - Está aqui? Se você quer ir vamos, mas precisamos tomar cuidados parece-me ser perigoso.

Ambos se dirigiram para a biblioteca, mas precisamente na parte onde Edward havia conversado com Sullivan. Quando Simmons tentou acender a luz teve uma triste surpresa.

- A luz não acende Edward!

- Parece que acabou a luz ou então foi cortada por Richard!

- Espere eu tenho uma lanterna na minha mochila.

- Então a pegue!

Simmons abriu a mochila e pegou uma lanterna, os dois foram com calma e cautela se dirigindo para dentro da biblioteca. Desceram vagarosamente até onde Richard havia sido visto pela ultima vez, não havia barulho nenhum, só os da chuva e dos trovões. Também não havia ninguém na biblioteca, o lugar estava vazio e não havia o mínimo indicio de que Richard esteve ali.

- Ele desapareceu! Exclamou Edward.

- É o que parece.

- Só me resta retornar a minha casa.

- Se precisar de alguma coisa Edward só me falar.

- Está bem Simmons, eu prefiro não procurar a polícia, não tenho indícios de onde ele está eu acho que eu iria passar por um mentiroso lunático se contasse essa história para polícia.

Edward foi correndo para sua casa, não se importava muito com a chuva que caía estava preocupado com Richard, queria resolver logo as coisas. Quando chegou a casa ficou um pouco receado em tomar banho por causa dos raios que estavam caindo, mas decidiu tomar banho afinal ele não conhecia ninguém que tivesse morrido tomando banho fruto de uma descarga elétrica provocada por um raio.

Seu chuveiro era antigo, mais antigo ainda era os encanamentos da casa. Ligou a torneira, e enquanto começava a cair às primeiras gotas de água do chuveiro ele tirava a roupa para tomar banho. Não deu nem bem tempo dele tirar a camisa, pois a luz se apagou, parecia que havia sido cortada. Edward ainda colocou a mão na água do chuveiro para ver se a água estava quente, mas pelo contraio, se encontrava fria o que provara que a luz tinha acabado ou havia sido cortada. Edward colocou a camisa que nem bem tirara e se dirigira para o porão para verificar a caixa de energia. Quando estava passando pela sala a campainha tocou. Edward ficou com medo, pegou no bolso para pegar o revolver, mas se lembrou que já havia guardado antes de ir para o banheiro tomar banho. A casa estava escura e iluminada apenas pelos raios e trovoes, Edward foi rumo a porta da sala e olhou pelo olho mágico da porta e se tranqüilizou ao ver que era a cara de Simmons.

 - Quase que você me mata do coração Simmons! Exclamou enquanto abria a porta.

Mas quando abriu a porta teve a triste decepção. Simmons estava morto! Seu corpo estava sendo segurado pela mão esquerda de Richard Sullivan e sua mão direita segurava a tesoura de cortar grama. Richard jogou o corpo de Simmons para trás e desferiu um chute na barriga de Edward fazendo com que o mesmo entrasse de volta para casa, Richard entrou também e trancou a porta com a chave que ainda se encontrava na fechadura.

- Você me desobedeceu e contou para alguém sobre mim Ed! O que pretendia fazer? Matar-me com a ajuda daquele homem que agora se encontra morto e seu corpo apodrecendo na chuva?Gritou Richard.

- Você não é Richard Sullivan, ele já morreu há anos não poderia estar vivo!

Edward falou isso e sai correndo tentando ir para seu quarto pegar o revolver, mas Richard era rápido correu atrás dele e o agarrou pela gola da camisa e o jogou para cima da televisão que caiu no chão junto com Edward o mesmo pegou um vaso de alumino que ficava em cima da televisão e tentou bater em Richard com o vaso em sua mão esquerda, mas Richard foi mais ágil e esperto, pegou a tesoura e cortou a mão de Edward antes. Richard ficou olhando Edward se debater e gritar no chão por alguns segundo, então colocou o pé esquerdo sobre o ombro esquerdo de Edward e o pé direito sobre o ombro direito, ergueu a tesoura e olhou bem para o rosto suado e branco de Edward que fechou os olhos.

- Sabe onde eu estava escondido esses dias Ed? No porão de sua casa!

Antes que Edward pudesse falar qualquer coisa Richard desferiu um golpe com a tesoura na garganta de Edward.

Passou algum tempo até Edward abrir seus olhos e acordar gritando:

- Socorro!

Quando abriu os olhos percebeu que estava deitado em uma cama de hospital, então um homem alto e branco falou com ele:

- Se acalma Cliven você está tendo uma crise novamente!

- Cliven?- Meu nome é Edward Gray!

- Não! Você se chama Cliven lembra?-Edward é um personagem que você criou em sua mente depois do incidente em Portsmouth lembra?

- Não me lembro à razão de estar nesse hospital!

- Você teve uma crise nervosa e desmaiou quando foi preso.

- Preso?

- Você realmente não se lembra Cliven? -Você matou duas pessoas na cidade de Greenfield, você se passou por Richard Sullivan um antigo assassino da pequena cidade para cometer seus crimes!

- Não pode ser!

- Você trabalhava na biblioteca não é verdade?- Após você ler um livro sobre a história da cidade você descobriu o personagem Richard Sullivan um mito do horror para a cidade, achou que poderia se passar por ele em sua cabeça, de fato você reviveu muito bem o personagem.

- Não! -Richard Sullivan me matou, eu estou sonhando, meu nome é Edward Gray!

- Você é Cliven Gray! Edward é apenas uma criação da sua mente após o acidente em Portsmouth eu já te falei!

O acidente em Portsmouth que o homem falava foi uma tragédia que aconteceu há trinta anos atrás quando Cliven Gray tinha sete anos de idade.

Ele estava brincando com seu irmão de apenas cinco anos, por acaso Cliven achou uma espingarda no quarto do seu pai. Quando seu irmão entrou no quarto Cliven disparou a espingarda sem querer em seu irmão menor o matando. O pai de Cliven nunca o perdoou por isso e acabou suicidando-se quatro anos depois. Após esse acontecimento Cliven começou a apresentar distúrbios mentais e tendências homicidas.Com o passar dos anos Cliven se tornou cada vez mais violento, até que quando fez 19 anos matou um casal em Portsmouth, anos depois se mudou para Suécia sem ser descoberto. Cliven tinha ainda em seu cérebro um lado inocente, lado criança que ele mesmo chamava pelo nome Edward Gray. Edward Gray era a parte inocente de Cliven que se perdeu quando matou seu irmão, mas que voltava às vezes na mente de Cliven. Quando Cliven começou a trabalhar na biblioteca em Greenfield descobriu Richard Sullivan em um dos livros sobre a história da cidade, então começou a achar que ele poderia ser Richard Sullivan e então matou a Senhorita Beltmore e Simmons se passando por Sullivan. Após ser preso Cliven desmaiou e inconscientemente assistiu a seus assassinatos cometidos como Richard Sullivan, mas desta vez ele assistiu a esses crimes como um telespectador, na verdade assistiu com seu lado Edward Gray.

Cliven foi condenado à cadeira elétrica cinco anos depois. Já Richard Sullivan, o verdadeiro, aquele que assombrou Greenfield nos anos 40 nunca mais foi visto desde o incêndio na serraria. Porem seu nome foi visto 50 anos mais tarde por um belga que visitava um cemitério em Bruxelas. Era um tumulo onde estava escrito Richard Sullivan: nascido em 1805, morto em 1845.

Fonte: Sobrenatural.Org
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