5 de abril de 2013

A Família do Mal

O que todos que sofreram no passado querem é uma nova chance para recomeçar a vida. Querer apagar as mágoas do passado, as dores e destruir o veneno que os corroí não é fácil. O mal é como raízes que se enraízam quando encontram lugares propícios. Será que o passado pode ser apagado?

A casa era a mais bonita do bairro, de esquina, boa fachada e enorme, a cada dos Morais. Família rica, tradicional e aparentemente bonita, mas nunca recebiam visitas e não falavam com os vizinhos. Quando decidiram vender a casa não demorou muito para aparecer interessados nela, gente de todo lugar vinha conhecer a tal casa, eram famílias numerosas e pequenas, solteirões e casais apaixonados. Quem a comprou foram os Marques, diferente dos Morais eles gostavam de dar festas, recebiam visitas e tinham uma boa relação com os vizinhos, mas nenhum dos vizinhos entravam na casa.

A família Marques era composta por cinco pessoas, pai,mãe e três filhos adultos. Estênio, o pai, já quase idoso, passava as tardes deslumbrando os jardins da casa; Agnês, a mãe que aparentava a mesma idade do patriarca,vivia fazendo todos tipos de doces e sempre mandava uma compota para os vizinhos de muro; Heithor, Ectos e Laura, os filhos figuras jovens e simpáticas passavam a maior parte do tempo dentro de casa com os país, não trabalhavam. Decidiram fazer uma reforma no fundo da casa, ergueram uma espécie de cabana e os vizinhos ficaram curiosos para saberem o que era, Agnês respondia:

-É apenas uma área de lazer,onde meus filhos podem pintar quadros, fazer festas e convidar amigos.

A vizinha, Elane, muito curiosa tentou da sacada da sua residência ver a tal obra, mas não conseguia ver nada, porque os Marques telharam a parte do fundo da casa e ela ficou toda coberta. E se passaram até dois anos e ninguém tinha mais curiosidade em saber da reforma.Um dia, Elane contou as amigas que escutará gritos abafados e gemidos vindos da casa dos vizinhos e que as festas eram estranhas porque nunca escutava nem sequer músicas.

Jaíme, o garoto que morava no fim da rua, passou o dia brincando na casa dos seus amigos e no final do dia não retornou ao lar, seus país procuraram a vizinhança inteira, chamaram a polícia, foram a rádio e a TV, mas o menino nunca foi encontrado. Passou-se um tempo e tudo já tinha se normalizado quando sumiu outro menino em outra rua, era o Carlos. Ele estava rodando de bicicleta e sumiu, ninguém o viu. O bairro ficou em alerta. Nenhuma criança ficava mais na rua e todos ficaram apavorados com os sumiços. A polícia investigou os casos, colheu depoimentos, deduziram que poderia ser sequestros ou ataque de serial kilers, só que nunca encontraram provas ou suspeitos.

O melhor amigo do Jaíme era o Gabriel, eles sempre andavam juntos. Depois de muito tempo, a mãe do Gabriel procurou a polícia dizendo que o filho confessará que tinha visto o vizinho Ectos conversando com o Jaíme um dia  antes dele desaparecer e ele tinha lhe prometido uma bola de futebol de couro.O caso foi reaberto e o Ectos intimado a depor, sua casa foi vasculhada e o que encontraram aos fundos foi um grande templo dedicado ao mal. Investigadores passaram a pesquisar sobre a família Marques,eles tinham bons antecedentes, mesmo assim pesquisaram tudo sobre eles e descobriu-se que no mesmo bairro em que antes moravam sumiram três garotos e que estes também nunca foram encontrados. Muitos interrogatórios, mas a investigação não encontrou provas suficientes para incriminar Ectos e ele foi liberado. A Família Marques se mudou do bairro.

Com a mudança da família Marques do bairro os vizinhos ficaram mais seguros,tudo foi se normalizando, as crianças voltaram as ruas e o pais ficaram mais tranquilizados.Gabriel se mudou do bairro, mas ainda temia sair para brincar na rua, não tinha mais amigos e se recusava em falar sobre o sumiço do Jaíme.

Certa tarde, apareceu uma bola de futebol enfrente a sua casa, o que o tornou mais calado e assustado. Um dia sua mãe o encontrou enforcado dentro do quarto, na mesa do seu quarto acharam um bilhete que dizia:

‘’Mãe,desculpa, não suportei. Eles me atormentavam, eu via suas sombras no meu quarto. Toda noite eram os mesmos pesadelos que pareciam reais. Em um desses sonhos eles me esquartejavam, bebiam meu sangue e depois enterravam os pedaços do meu corpo pela casa. Não consegui vencer o mal, eles me acharam.’’

A mãe apavorada acionou a polícia, entregou-lhes o bilhete e buscas foram feitas na casa que agora se encontrava abandonada, foram feitas escavações nos fundos e o que encontravam foram ossadas que foram levadas para análise. As ossadas foram identificadas com sendo de Jaíme e Carlos, além deles existiam ossadas de mais dezoito meninos com idades entre sete e doze anos. Os Marques nunca foram encontrados.

O que ninguém nunca soube foi que os Marques agora eram os Silvas, tinham outros nomes e novos vizinhos.

* Este conto foi enviado pra gente pela usuária Tainara Gomes. Você também pode contribuir com o blog enviando seu. Basta clicar aqui.
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