25 de março de 2013

Jack, O Estripador

Por Mariana Moreira

Poucas figuras na história moderna conservam o fascínio do assassino de Whitechapel. E poucas evocam tão prontamente a atmosfera gótica dos estertores da Inglaterra Vitoriana e suas ruas enevoadas divididas entre carruagens e trens a vapor, becos escuros e ruas principais iluminadas artificialmente, aristocratas e miseráveis, ciência e superstição.

Por que Jack ainda exerce sua macabra atração, mais de cem anos após seu último crime?

Diversos são os motivos: ele é a encarnação do medo da noite e do escuro, e, longe de ser um ser imaginário, é um perigo real que pode surgir no próximo beco ou estar seguindo você na sua volta para casa, altas horas da noite. É inclemente, impiedoso, sanguinário, e saiu impune de todos os seus crimes.

Jack é o primeiro serial killer do mundo moderno. Criminosos e assassinos existem no mundo desde Caim, mas Jack é o primeiro a aparecer numa sociedade que acredita piamente na ciência e na razão, mas que, em contrapartida, ainda desconfia nas soluções propostas pela mesma ciência, como podemos ver em "Frankenstein" e em "O Médico e o Monstro".
O principal motivo do fascínio é que ninguém sabe quem era Jack, muitas suspeitas e nomes foram levantados, mas o caso jamais foi resolvido. O que ficou na história foram os fatos e a tentativa de explicar o sangue que lavou as ruas do East End londrino.

Nas últimas décadas do século XIX, o Império Britânico começava a desmoronar, e a própria vida na cidade não era fácil para seus moradores, principalmente os de classes menos favorecidas. A miséria, a exploração e as epidemias eram constantes, mas, mesmo para pessoas acostumadas com a degradação, os crimes de Whitechapel eram devastadores.

O primeiro deles ocorreu em 31 de agosto de 1888. Mary Ann Nichols foi encontrada com sua garganta cortada. Em 8 de setembro, Annie Chapman foi encontrada mutilada. Dois outros corpos, de Elizabeth Stride (Liz) e Catherine Eddowes foram encontrados em 30 de setembro. Eddowes estava quase irreconhecível. O último, e mais selvagem assassinato, foi o de Mary Jane Kelly, em 8 de novembro. Todas elas tinham em comum o fato de que eram prostitutas, e seus assassinatos foram reivindicados por um homem que se auto intitulou Jack the Ripper, ou Jack, o Estripador.

Os crimes tiveram imenso impacto sobre a cidade. Medo, silêncio e revolta eram a tônica. Para se medir o quanto isso afetou Londres, os crimes foram o único assunto que as revistas musicais e seus comediantes se recusaram a abordar.

E quem era Jack? Muitas hipóteses foram levantadas: seria um louco, um sádico? Poderia ser um cirurgião, já que era evidente a destreza das mutilações; poderia ser um fanático religioso (alguns falam que as mortes fariam partes de rituais da maçonaria), ou um tipo de justiceiro com uma visão doentia de moralidade ou mesmo um misógino com problemas psiquiátricos?

Uma hipótese levantada, e defendida por várias correntes seria a de que a polícia não teria o mínimo interesse em resolver o caso, pois Jack seria membro da família Real, e a revelação acarretaria uma séria crise no governo.

Interessante notar que nenhuma das hipóteses é completa, mesmo porque a investigação policial ainda engatinhava naquele tempo (só para dar um quadro melhor, um assassino ou ladrão tinha que ser pego no ato, pois mesmo métodos como comparação de impressões digitais só seria desenvolvido anos depois). O herdeiro real a que se atribui a autoria dos crimes não teria conhecimentos anatômicos suficientes demonstrados pelo criminoso (ele tinha problemas de aprendizado, e nunca tivera formação completa).

Dono de distúrbios de temperamento e com indefinição de preferências sexuais, tanto o príncipe herdeiro, Albert Victor, chamado Eddy pela família Real, quanto seu amante, por um tempo seu tutor, o nobre James Stephen , foram suspeitos de ser o Estripador, isoladamente ou em cumplicidade (alguns citam que Eddy matava, e seria o autor das cartas e da identidade de Jack). Em 1993 veio a público um diário de James Maybrick, um comerciante de algodão que dizia ser o Estripador.

Outros já haviam dito o mesmo, como um anônimo médico do St. George Hospital. Muitos dizem que o assassino estaria mais ligado às vitimas do que se poderia pensar: poderia ter sido Joseph Barnett, companheiro de Mary Jane Kelly, que odiaria a vida que a mulher seguia, matando suas colegas para demovê-la da prostituição, e matando-a por seu plano não surtir efeito.

Outro médico suspeito teria sido o americano Francis Tumblety, que visitava Londres frequentemente, odiava mulheres e tinha como hobby colecionar orgãos humanos como úteros de mulheres.

Um açougueiro judeu, um médico russo louco e um cirurgião judeu famoso que nunca tiveram identidades confirmadas também foram citados como Jack o Estripador de Whitechapel.

O que temos de concreto é que não sabemos a identidade do assassino Jack. Mais de cem anos não conseguiram esclarecer o mistério de Whitechapel. Ficou ele como um monstro dos tempos modernos, nos limites do que chamamos humanidade.

Fonte: Sobrenatural.Org
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